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- Saúde Mental na APS, Um Direito de Todas e Todos! - 30/8, às 15h
"Saúde mental é um direito humano fundamental de todos os brasileiros, abrangendo o bem-estar mental, a integridade psicológica e o pleno desenvolvimento intelectual e emocional dos indivíduos. É essencial integrar a saúde mental à atenção primária (APS), pois esse cenário permite uma abordagem abrangente de todos os aspectos da saúde de um indivíduo, incluindo não apenas doenças, mas também experiências de vida, aspirações e conquistas. Como já é de amplo conhecimento, não existe saúde física sem saúde mental." Agenda: 15h00 - Abertura (condução: Mark Barone, FórumCCNTs) (Vídeo) Maria Izabel Toro (RDsaúde) (Vídeo) Vitor Nunes (Boehringer Ingelheim) (Vídeo) 15h10-15h45 - Contextualização (Maria Odete Pereira, UFMG, ABEn-MG, GT Saúde Mental - FórumCCNTs) (Vídeo) 15h15-15h25 - Epidemiologia da Saúde Mental no Brasil (Laura Helena Silveira Guerra de Andrade, USP) (Vídeo) 15h27-15h37 - Qual a recomendação da OPAS/OMS para cuidados de Saúde Mental na Atenção Primária? (Renato Oliveira, OPAS/OMS) (Vídeo) 15h40-15h50 - Projeto de desenvolvimento e field-test do Guia de Cuidado Colaborativo para Saúde Mental na Atenção Primária, da OPAS/OMS (Catarina Dahl, OMS) (Vídeo) 15h55-16h35 - Saúde Mental na APS, relevância, planos e desafios (moderação: Andrea Levy, Instituto Obesidade Brasil) (Vídeo) 16h00-16h10 - Como o Ministério da Saúde está fortalecendo a Saúde Mental na Atenção Primária? (Marcos Pedrosa, SAPS-MS) (Vídeo) 16h12-16h22 - Como o Ministério da Saúde está fortalecendo a Saúde Mental na Atenção Primária? (Joana Thiesen, DESMAD-MS) (Vídeo) 16h25-16h35 - Como os cuidados com Saúde Mental são orientados na Saúde Suplementar? (Alberto Ogata, FGV) (Vídeo) 16h35-17h00 - Debate: Como unir esforços e reunir setores para avanços mais rápidos e consistentes nos cuidados com a Saúde Mental (moderação: Juliana Fleury, ASEC+) (Vídeo) Alberto Ogata, FGV Catarina Dahl, OMS Joana Thiesen, DESMAD-MS Laura Helena de Andrade, USP Marcos Pedrosa, SAPS-MS Maria Izabel Toro, RDsaúde Renato Oliveira, OPAS/OMS Vitor Nunes, Boehringer Ingelheim 17h05-17h25 - Práticas exitosas de Saúde Mental na Atenção Primária (moderação: Eduardo Macário, SES-SC) (Vídeo) 17h10-17h18 – Estratégia para otimização dos cuidados com Saúde Mental na Atenção Primária de Florianópolis (Paula Scaim, Prefeitura Municipal de Florianópolis) (Vídeo) 17h20-17h28 – Aprimoramento da Atenção Primária em Belo Horizonte para Atenção à Saúde Mental (Grazielle Soares, Centro de Saúde Confisco | SAMU-BH) (Vídeo) 17h30-17h38 – Jornada de Cuidado da Esquizofrenia na Atenção Primária de Joinville (Claus Janke, Usuário do SUS em Joinville) (Vídeo) 17h40-18h00 - Mesa de encerramento com falas sobre próximas etapas para avançar em mais regiões e leitura da Carta de Recomendações ao Ministério da Saúde e autoridades, com convite de endosso das instituições presentes (Vídeo) Painelistas e Moderadores Andrea Levy (Obesidade Brasil) Graduada em psicologia, especialista em obesidade e transtornos alimentares pelo HC-FMUSP. Atuou durante 15 anos em clínicas de cirurgia bariátrica e atualmente atua em consultório particular. Tendo sofrido com a obesidade na infância e adolescência, submeteu-se à cirurgia bariátrica aos 24 anos e desde então mantém menos 60kg e o entusiasmo em ajudar pessoas que passam por histórias parecidas. Autora do livro Cirurgia Bariátrica - Manual de instruções para pacientes e familiares. Atualmente, preside o Instituto Obesidade Brasil, do qual participou da fundação. Catarina Dahl (OMS) Formada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Residência em Saúde Mental pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Mestrado em Saúde Coletiva, Gestão e Planejamento pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Doutorado em Psiquiatria e Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPBU/UFRJ). Atuou como Pesquisadora no Instituto de Psiquiatria da UFRJ e Assessora Técnica de Formação, Ensino e Pesquisa na Superintendência de Saúde Mental - SSM/SMS-RJ. Foi Consultora Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas no Escritório da Organização Pan Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde no Brasil - OPAS/OMS. Atualmente é consultora no Departamento de Saúde Mental e Uso de Substâncias na Organização Mundial de Saúde (OMS) Claus Janke (Usuário do SUS em Joinville) Usuário da Rede de Atenção Psicossocial do SUS de Joinville - Santa Catarina Eduardo Macário, MSc, PhD (SES-SC) Graduado em Farmácia pela UFPE, Especialista e Mestre em Saúde Pública pela FIOCRUZ/PE, e Doutor em Epidemiologia pela UFRGS. Atuou no Ministério da Saúde, como Consultor técnico do GT-SINAN, na Coordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, na área de Saúde Indígena, coordenação do programa EPISUS e Diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde, quando exerceu a função de secretário de vigilância. Na SES-SC foi Gerente de Doenças Imunopreveníveis e Imunização, Diretor de Vigilância Epidemiológica e Gerente de Vigilância de IST, HIV/Aids, Hepatites Virais e Superintendente de Vigilância em Saúde. Atualmente faz parte da equipe de apoio institucional e participativo do Ministério da Saúde para Santa Catarina. Grazielle Soares (Centro de Saúde Confisco | SAMU-BH) Graduada em Enfermagem (UFMG, 2007), Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família (UFMG-2010), Especialização em atenção a Usuários de Drogas no SUS (ESP-MG, 2019), aluna do Mestrado Profissional em Gestão de Serviços de Saúde (UFMG, 2023). Enfermeira de Saúde da Família desde 2007 na Prefeitura de Belo Horizonte, atualmente vinculada ao Centro de Saúde Confisco - ESF 02. Enfermeira de Urgência e Emergência desde2011 no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU/BH. Joana Thiesen, MD, MSc (DESMAD-MS) Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Residência em Psiquiatria no Instituto Municipal Philippe Pinel e Mestrado em Atenção Psicossocial do IPUB/ UFRJ . Atuou na área de saúde mental da Atenção Primária de Saúde (APS), também como Mental Health Delegate no International Committee of the Red Cross no Azerbaijão e como Mental Health Program Manager no Líbano. Foi assessora de Saude Mental do Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro. Atualmente é consultora técnica do Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde (DESMAD/MS). Juliana Fleury, MBA, MBE (ASEC+) Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUC Goiás, MBA em marketing pela COPPEAD RJ , MBE em Responsabilidade Social e Terceiro Setor pelo Instituto de Economia da UFRJ e capacitação em Estratégias de Impacto Social pela UPenn (USA). Desde 2018, é Presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC), onde atua desde 2006, promovendo saúde emocional e social com articulações na área da Educação, Saúde e Assistência Social. Integrou o Conselho da "Partnership for Children", atuando globalmente em mais de 30 países. Participa do Global Working Group da União Internacional de Promoção de Saúde e Educação (IUHPE) . Atualmente é CEO movimento saber lidar da ASEC Brasil Laura Helena Silveira Guerra de Andrade, MD, PhD (USP) Graduada em Medicina, com residência e doutorado em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo - USP, e pós-doutorado no Department of Mental Health Johns Hopkins University School of Public Health. Foi docente de Psiquiatria na USP e é médica assistente do IPq HCFMUSP, onde coordena o Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica e o estudo São Paulo Megacity. É Fellow da American Psychopathological Association e membro de diversas organizações internacionais. Foi editora associada do periódico Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology e participa de comitês consultivos de neuropsiquiatria e classificações de transtornos mentais. Atualmente é Psiquiatra na Universidade São Paulo - USP. Marcos Pedrosa, MD, MSc (SAPS - Ministério da Saúde) Graduado em medicina pela Universidade de Pernambuco - UPE. Médico residente do programa de residência médica em Medicina de Família e Comunidade da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Mestre em Saúde da Família no Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/Fiocruz . Foi professor do curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) . Também foi médico de família e comunidade na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, e atua como preceptor de médicos residentes e estudantes de medicina.Possui experiência em atenção às doenças crônicas, doenças infecciosas agudas, doenças preexistentes, saúde mental e transtornos mentais comuns. Atualmente é assessor na Secretaria de Atenção Primária à Saúde –SAPS Maria Izabel Toro, MBA, MSc (RaiaDrogasil) Graduada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, MBA em gestão e empreendedorismo social pela FIA USP e Mestrado em Serviço Social pela PUC Possui ampla experiência em filantropia, investimento social, sustentabilidade, ESG e responsabilidade social. Especialista em estruturar, gerir e desenvolver estratégias de Investimento Social Privado, incentiva a cultura de doação, captação e repasse de recursos. Gerencia incentivos fiscais e acompanha projetos, além de criar programas de voluntariado e fundos de emergência para funcionários. Administradora de fundos de apoio a projetos, com expertise em resolução de conflitos e parcerias de impacto social. Atualmente, é Gerente Executiva de Investimento Social na RD Saúde. Maria Odete Pereira, MSc, PhD (UFMG, ABEn-MG, GT Saúde Mental - FórumCCNTs) Graduada em Enfermagem pela Universidade de Taubaté, com Mestrado pela Unicamp e Doutorado pela USP. Docente da Escola de Enfermagem da UFMG, onde coordenou o Colegiado de Graduação em Enfermagem. Membro dos programas de Pós-graduação e Mestrado Profissional da EEUFMG. Foi membro do capítulo brasileiro da International Nurses Society on Addictions, do Departamento Nacional de Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental da ABEn e coordenadora desse departamento na seção MG. Atualmente, é presidente da ABEn-MG e lidera o grupo de pesquisa em políticas e práticas em saúde mental, drogas e direitos humanos na UFMG. Paula Scaim (Prefeitura Municipal de Florianópolis) Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Especialista em Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Psicologia Clínica pelo Instituto Granzotto. Atua como psicóloga assistente em uma Equipe Multiprofissional na Atenção Primária à Saúde e está compondo o grupo de apoio técnico das equipes multiprofissionais na Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. Atuante nas políticas públicas desde a formação e como profissional de saúde no SUS. Já atuou no CAPS AD do municipio de Florianópolis e como preceptora da residencia multiprofissional. Atualmente, é psicóloga clínica como servidora pública na Prefeitura Municipal de Florianópolis. Renato Oliveira, MD, MSc (OPAS) Graduado em Medicina pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, Especialização em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP) e Pós-graduado em Psiquiatria Forense na King's College London (Inglaterra). Mestrado em epidemiologia na London School oh Hygiene and Tropical Medicine, U. of London. Atuou como Consultor de Saúde Mental na Organização Mundial da Saúde e como Especialista em Apoio Psicossocial no Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Consultor de Saúde Mental na Organização Mundial de Saúde e Consultor de Saúde Mental na organização internacional Médicos sem Fronteiras. Atualmente Chief de Saúde Mental e Uso de Substâncias na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Vitor Nunes (Boehringer Ingelheim) Graduado em Administração de empresas pela Universidade Cidade de São Paulo, Mestrado em Business Economics pela Faculdade Getulio Vargas -FGV. Trabalhou na TAM como Analista de Controle e Gestão, focando em otimização de processos e controle orçamentário. Iniciou sua carreira no Banco Santander, onde foi Trainee e Analista Financeiro. Atualmente é Healthcare Affairs na Boehringer Ingelheim, liderando estratégias de mercado e políticas de saúde mental. Mark Barone, PhD (FórumCCNTs) Doutor em Fisiologia Humana pela USP, Especialista em Educação em Diabetes e em Comunicação. Desenvolve pesquisas e projetos de Educação em Saúde, Empoderamento, Liderança de (im)pacientes, Divulgação Científica e Saúde Global. Ampla experiência na facilitação de parcerias para a implementação, sustentabilidade e escala de programas e políticas de saúde. Foi Fellow no PHI e Diretor Técnico do Instituto de Saúde Pública do Brasil, prestando serviço à Medtronic Foundation como Senior Global Technical Advisor e VP da Federação Internacional de Diabetes (IDF). Atualmente é Coordenador-geral do FórumCCNTs, Membro Honorário da ADJ Diabetes Brasil e Membro do Advisory, Scientific, ou Steering Committee de entidades nacionais e internacionais, incluindo IAPO, BMJ Patients Panel, RICPHI, NCD-Lab-GCM/WHO e LFAC. Parceiros Institucionais Parceiros Corporativos
- Participe da Consulta Pública sobre Insuficiência Cardíaca - Até 10/8
O Fórum Intersetorial de CCNTs no Brasil (FórumCCNTs) convida seus parceiros institucionais, profissionais de saúde, pessoas que vivem com insuficiência cardíaca e demais interessados a participarem da Consulta Pública nº 58/2026 referente ao uso da eplerenona no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), classes funcionais II a IV. A consulta estará aberta até 10 de agosto de 2026. A consulta pública é uma oportunidade para que diferentes perspectivas da sociedade contribuam para a decisão sobre o acesso a essa opção terapêutica no Sistema Único de Saúde (SUS). A recomendação preliminar da CONITEC foi de não incorporar a eplerenona para toda a população avaliada, indicando que sua incorporação poderia ser direcionada às pessoas com ICFEr que apresentam intolerância à espironolactona. Nesse contexto, o FórumCCNTs considera importante destacar dois aspectos: Acesso e continuidade do tratamento A disponibilidade regular dos medicamentos necessários ao tratamento da insuficiência cardíaca ainda apresenta desigualdades no país. Garantir acesso adequado às opções terapêuticas disponíveis é fundamental para promover a continuidade do cuidado e reduzir barreiras que podem comprometer o tratamento das pessoas que dependem do SUS. Opção terapêutica para quem não tolera a espironolactona A eplerenona pode representar uma alternativa relevante para pessoas com ICFEr que apresentam intolerância ou efeitos adversos relacionados à espironolactona. Além das evidências de benefício clínico, estudos econômicos apontam potencial de custo-efetividade da eplerenona no contexto do SUS. Como contribuir? Imagem: Divulgação Ministério da Saúde Ao participar da consulta, evite simplesmente reproduzir textos prontos. A CONITEC valoriza contribuições que tragam argumentos, experiências e perspectivas próprias. Você pode, por exemplo: explicar por que a disponibilidade de diferentes opções terapêuticas é importante para as pessoas com insuficiência cardíaca; relatar, quando pertinente, experiências relacionadas ao acesso ou à continuidade do tratamento no SUS; destacar a importância de uma alternativa para pessoas que não toleram a espironolactona; apresentar evidências científicas ou experiências profissionais relevantes para a discussão. A participação de diferentes setores da sociedade é fundamental para qualificar o processo de avaliação e contribuir para decisões que considerem as necessidades das pessoas que vivem com insuficiência cardíaca. Participe e faça sua contribuição até 10/08/2026! Acesse aqui a Consulta Pública nº 58/2026 e o formulário de contribuição Acesse aqui o Relatório Técnico Preliminar da CONITEC aqui.
- Avanços no cuidado do diabetes tipo 1 no Brasil: tecnologia, detecção precoce e engajamento social em debate
FórumCCNTs reúne especialistas, gestores, indústria e a comunidade para debater acesso a dispositivos, avanços no SUS e a relevância das consultas públicas. No último sábado, 1º de agosto de 2026, o FórumCCNTs promoveu um encontro fundamental focado nos caminhos para o aprimoramento do cuidado do diabetes tipo 1 (DM1) no Brasil. Reunindo especialistas, lideranças da gestão pública, representações da indústria e pessoas que vivem com a condição, o evento trouxe à tona análises do T1D Index e reforçou a urgência de fortalecer políticas públicas inclusivas, humanizadas e centradas no bem-estar integral. Durante os debates, a ampliação do acesso a tecnologias em saúde, como sensores de monitoramento contínuo e bombas de infusão, foi apontada como diretriz prioritária. As evidências apresentadas demonstraram que a automonitorização constante reduz drasticamente episódios de hipoglicemia grave e hospitalizações, destacando que o investimento em tecnologia garante maior autonomia no cotidiano e traz retornos valiosos para a sustentabilidade de todo o sistema de saúde. Mobilização social e inovações na rede pública Um dos momentos centrais do evento organizado pelo FórumCCNTs abordou a Consulta Pública nº 63/2026 da Conitec, aberta até 17 de agosto, que avalia a inclusão do sensor de glicose no SUS. A mesa reforçou o papel decisivo da participação popular, incentivando a comunidade a enviar relatos de vida real que evidenciem o impacto diário dessa ferramenta, complementando os dados técnicos apresentados aos órgãos tomadores de decisão. Assista a playlist completa do evento aqui. O encontro também deu visibilidade à expansão da oferta de insulinas análogas na atenção primária em diversos estados, a decisões recentes sobre a cobertura de tecnologias na saúde suplementar e a avanços promissores, como a aprovação de novas terapias pela Anvisa e o Estudo Cinderela para rastreamento precoce. A experiência pioneira de programas regionais estruturados também foi compartilhada como modelo de gestão pública eficiente e acessível. Próximos passos para a construção de recomendações Como encaminhamento desse importante encontro de sábado, o FórumCCNTs reafirma seu compromisso de liderar as próximas etapas dessa mobilização. Entre as ações previstas para o segundo semestre de 2026, destaca-se a elaboração de uma carta oficial de recomendações destinada ao Ministério da Saúde, além da articulação de debates em grandes congressos e conferências de saúde. Unindo ciência, gestão e a vivência diária das pessoas, o FórumCCNTs segue trabalhando para que as transformações discutidas se traduzam em avanços concretos, garantindo direitos e mais qualidade de vida para toda a sociedade.
- Edital para Saúde Mental: Fundação Tide Setubal abre inscrições para a 3ª edição do Territórios Clínicos - Até 31/8
Convocatória selecionará 10 iniciativas de saúde mental no estado de São Paulo com apoio de R$ 200 mil e acompanhamento de três anos; inscrições abertas até 31 de agosto de 2026 A Fundação Tide Setubal lançou oficialmente as inscrições para o Edital Territórios Clínicos – 3ª Edição, uma chamada pública focada em apoiar e fortalecer a atuação de organizações, grupos e coletivos no campo da saúde mental. A iniciativa busca impulsionar soluções de cuidado territorializado, fortalecendo redes comunitárias e qualificando o atendimento psicossocial no estado de São Paulo. As submissões de propostas estão abertas até a data limite de 31 de agosto de 2026. Quem pode participar e critérios de elegibilidade O edital é voltado para organizações da sociedade civil, grupos e coletivos que desenvolvam ações diretas na pauta da saúde mental dentro do estado de São Paulo. O processo seletivo dará prioridade a iniciativas que atuem em territórios de maior vulnerabilidade social e que promovam a articulação entre cuidado comunitário, formação de redes, produção de pesquisa e atendimento psicossocial qualificado. As propostas devem visar ao aprimoramento das práticas locais de acolhimento e cuidado, promovendo a equidade no acesso aos serviços e a redução de riscos associados ao sofrimento psíquico. Recursos financeiros e suporte de longo prazo A convocatória selecionará 10 iniciativas para receberem um pacote estruturado de apoio financeiro e acompanhamento institucional continuado. Os benefícios concedidos incluem: Aporte financeiro direto: Financiamento de R$ 200 mil por proposta selecionada; Acompanhamento técnico: Suporte especializado contínuo ao longo de três anos (36 meses); Fortalecimento institucional: Apoio direcionado ao aprimoramento das práticas de cuidado, formação técnica, pesquisa aplicada e ampliação dos atendimentos em saúde mental. Qual a relação com o ecossistema das CCNTs? A saúde mental e a atenção psicossocial integrada desempenham um papel determinante no manejo adequado de Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs), como condições cardiovasculares, diabetes e enfermidades respiratórias crônicas. O sofrimento psíquico não assistido reduz a adesão ao tratamento continuado e eleva os fatores de vulnerabilidade, tornando as intervenções comunitárias cruciais para a redução de riscos à saúde global dos indivíduos. Para o ecossistema do FórumCCNTs, apoiar este edital é essencial para fomentar o manejo integrado das CCNTs a partir de uma visão territorial e interdisciplinar. Ao fortalecer projetos de saúde mental na ponta, a iniciativa garante que as pessoas com condições de saúde e os usuários do sistema público disponham de redes de apoio comunitário mais robustas, acolhedoras e eficientes. Prazo de envio das propostas: Até 31 de agosto de 2026. Quem pode participar: Organizações da sociedade civil, grupos e coletivos que atuam com saúde mental no estado de São Paulo. Apoio oferecido: R$ 200 mil em recursos financeiros por projeto para 10 iniciativas selecionadas, além de três anos de acompanhamento técnico. Para consultar o edital na íntegra, verificar as diretrizes de submissão e inscrever a sua proposta, acesse a página oficial do Edital Territórios Clínicos na Fundação Tide Setubal. Fonte: Fundação Tide Setúbal
- FórumCCNTs Endossa Relatório Global da NCD Alliance sobre Acesso a Medicamentos, Diagnósticos e Dispositivos Médicos para CCNTs
O novo relatório "Advancing Access: Global priorities to improve access to NCD medicines, diagnostics and medical devices", desenvolvido pela NCD Alliance em parceria com o NCD Policy Lab da Universidade de Genebra, estabelece um plano de ação global para superar as barreiras de acesso a tratamentos e tecnologias essenciais para Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs). O FórumCCNTs integra a rede global de organizações que endossam a publicação e reafirma a urgência de priorizar essas pautas na agenda pública de saúde. Imagem: Divulgação Garantir o acesso contínuo, equitativo e financeiramente acessível a produtos de saúde essenciais é um pilar indispensável para combater o impacto crescente das CCNTs e reduzir as desigualdades sociais e em saúde. O estudo analisa os gargalos críticos ao longo de toda a cadeia de valor farmacêutica e aponta caminhos estratégicos para governos e gestores de saúde. Panorama Global e Gargalos de Acesso Apesar dos avanços na medicina moderna, a disponibilidade de insumos, medicamentos e diagnósticos adequados permanece criticamente baixa, em especial nos países de baixa e média renda. O documento traz evidências cruciais sobre a situação global: Diagnóstico limitado na Atenção Primária: Em países de baixa e média renda, apenas 19% dos pacientes têm acesso a diagnósticos adequados no nível da atenção primária à saúde. Metas não atingidas: O mundo não alcançou a meta global de 80% de disponibilidade e acessibilidade financeira de medicamentos essenciais e tecnologias básicas para CCNTs definida para 2025. Metas globais renovadas para 2030: A Declaração Política da 4ª Reunião de Alto Nível da ONU (HLM4) renovou o compromisso global, estabelecendo que até 2030 pelo menos 80% das unidades de atenção primária devem dispor de medicamentos e tecnologias essenciais recomendados pela OMS a preços acessíveis. Proteção financeira obrigatória: A meta global para 2030 também exige que 60% dos países contem com mecanismos de cobertura financeira para serviços e produtos essenciais voltados às CCNTs e à saúde mental. Gasto direto das famílias: Em três quartos dos países, os medicamentos correspondem a mais da metade de todas as despesas diretas do próprio bolso (out-of-pocket) feitas pelas famílias com saúde. Potencial de economia nas compras públicas: A adoção de compras públicas estratégicas baseadas nos menores preços praticados poderia reduzir as necessidades de gastos com medicamentos entre 20% e 50%. Subfinanciamento crônico: Atualmente, a maioria dos países investe apenas entre 0,26% e 0,46% do Rendimento Nacional Bruto na atenção primária para CCNTs, valor significativamente abaixo da recomendação de 1,1% a 1,7%. As 5 Prioridades Globais de Ação Para guiar os Estados-Membros e os sistemas de saúde na superação desses desafios, o relatório estrutura prioridades de advocacia organizadas em cinco pilares fundamentais: Alinhamento de Políticas (Align): Assegurar o alinhamento rigoroso das Listas de Medicamentos Essenciais (EMLs), Listas de Diagnósticos Essenciais (EDLs), diretrizes clínicas e pacotes de reembolso nacionais com as orientações atualizadas da OMS. Implementação e Regulação (Implement): Agilizar e simplificar processos regulatórios nacionais para acelerar o registro e a distribuição de medicamentos e tecnologias de qualidade assegurada. Previsão de Demanda baseada em Dados (Forecast): Fortalecer os Sistemas de Informação em Saúde para dimensionar com precisão as necessidades reais de suprimentos e evitar episódios de desabastecimento. Compras Estratégicas e Preços (Procurement & Pricing): Modernizar a gestão de compras públicas por meio de negociações centralizadas, compras agrupadas (pooled procurement) e políticas de transparência de preços. Financiamento e Cobertura Universal (Financing & UHC): Incorporar produtos essenciais para CCNTs nos pacotes nacionais de benefícios de saúde, assegurando proteção financeira efetiva contra gastos catastróficos para as famílias. O Compromisso do FórumCCNTs FórumCCNTs endossou o relatório. Imagem: Divulgação Ao endossar o relatório "Advancing Access", o FórumCCNTs, que colabora com a NCD Alliance desde que foi fundado, reforça seu compromisso de articular atores de todos os setores para transformar diretrizes globais em melhorias concretas no sistema de saúde brasileiro. A garantia de diagnósticos precoces, tratamentos contínuos e tecnologias acessíveis é um direito fundamental para todas as pessoas que vivem com CCNTs. Acesse o relatório na íntegra aqui: Fonte: NCD Alliance
- OMS lança competição de vídeos para jovens sobre Redução de Riscos da Influenza e COVID-19 - Até 13/9
Convocatória internacional premiará vídeos criados por estudantes e jovens lideranças; formulário aberto até 13 de setembro de 2026 A Organização Mundial da Saúde (OMS) abriu oficialmente as inscrições para a Global Youth Competition: Advocating for Influenza and COVID-19 Prevention and Control, uma competição global voltada para engajar a juventude na criação de vídeos e campanhas de mobilização em saúde pública. A iniciativa busca incentivar estudantes e jovens ativistas a desenvolverem estratégias audiovisuais criativas para conscientizar sobre a importância da vacinação, combater a desinformação e promover a redução de riscos de vírus respiratórios. O formulário de submissão via Microsoft Forms abriu em 3 de agosto de 2026 e as produções devem ser enviadas impreterivelmente até 13 de setembro de 2026, às 18h45 (horário de Brasília). Imagem: OMS Quem pode participar e formato das submissões A convocatória é direcionada a estudantes, jovens e pesquisadores em todo o mundo. A proposta consiste no envio de um vídeo focado em advocacy para a redução de riscos e controle da Influenza e da COVID-19. Os materiais devem abordar com clareza e rigor técnico a importância da imunização contínua, a adoção de hábitos para redução de riscos e o fortalecimento de políticas públicas de saúde voltadas à proteção das populações mais vulneráveis. Avaliação, premiação e benefícios internacionais As submissões serão revisadas e avaliadas por um comitê de especialistas em saúde da OMS com base em uma rubrica técnica de avaliação. A organização anunciará os selecionados em outubro de 2026, contemplando 1 vídeo vencedor global e até 6 vídeos destacados como segundos colocados (runners-up). As produções premiadas serão publicadas e mantidas em destaque na página oficial da competição no portal da OMS. Além disso, os estudantes responsáveis pelo vídeo vencedor receberão: Convite oficial para apresentar a sua obra durante um webinar global focado na redução de riscos e controle da Influenza e COVID-19 em outubro de 2026; Certificado de reconhecimento emitido pela OMS, contendo o nome dos autores e o título do vídeo. Qual a relação com o ecossistema das CCNTs? Infecções por vírus respiratórios como a Influenza e a COVID-19 representam um risco desproporcionalmente alto para indivíduos convivendo com Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs), tais como condições cardiovasculares, diabetes, condições respiratórias crônicas e neoplasias. Nesses grupos, o contágio virótico pode provocar complicações agudas, descompensação das enfermidades de base e taxas elevadas de hospitalização, tornando as estratégias de redução de riscos e a cobertura vacinal elementos centrais da proteção à vida. Para o ecossistema do FórumCCNTs, divulgar esta oportunidade global é estratégico para reforçar o manejo integrado das CCNTs a partir de um olhar focado na redução de riscos e na intersetorialidade. Engajar a juventude na criação de campanhas visuais sobre imunização e controle de infecções assegura que as pessoas com condições de saúde e os usuários do sistema público disponham de ambientes comunitários mais protegidos, mitigando ameaças evitáveis e fortalecendo a resiliência de toda a rede de assistência à saúde. Abertura e prazo de envio: Inscrições abertas em 3 de agosto de 2026 e encerramento em 13 de setembro de 2026, às 18h45 (horário de Brasília) via Microsoft Forms. Quem pode participar: Estudantes, jovens ativistas e pesquisadores em todo o mundo. Foco da iniciativa: Produção de vídeos de advocacy para redução de riscos e controle da Influenza e da COVID-19. Premiação: Seleção de 1 vencedor global e até 6 finalistas; exibição no webinar global da OMS em outubro de 2026, publicação na página oficial e certificado oficial emitido pela OMS. Para conferir as orientações completas, acessar a rubrica de avaliação e enviar a sua proposta, acesse a página oficial da competição no portal da OMS. Fonte: OMS
- 19,6 milhões de crianças subvacinadas, sendo 88% “dose zero”, segundo OMS e UNICEF
Estimativas de Cobertura Nacional de Imunização divulgadas pelas instituições apontam para uma estagnação na vacinação das crianças no mundo todo A OMS e a UNICEF divulgaram o relatório “WHO/UNICEF Estimates of National Immunization Coverage” (WUENIC - Estimativas de Cobertura Nacional de Imunização), o maior conjunto de dados do mundo sobre as tendências de cobertura de imunização infantil contra 13 condições de saúde preveníveis por vacinação em 195 países. Os resultados são preocupantes: 19,6 milhões de crianças estão subvacinadas. Dessas, 13,5 milhões são "dose zero", ou seja, não receberam nenhuma vacina, superando os 12,8 milhões de 2019. A estimativa é de que a vacinação seja responsável por evitar 4,4 milhões de mortes anuais, mas o progresso estagnou. O relatório também inclui o documento “progresso e desafios para alcançar o acesso universal a vacinas e a cobertura vacinal”, confira. Foto: Reprodução/UNICEF Desafios para a vacinação global Cerca de 40% das crianças subvacinadas (7,8 milhões) vivem em contextos de fragilidade, conflito e violência (FCV). O relatório apontou que conflitos, como por exemplo a Guerra em Gaza, falta de investimento crônico e desabastecimentos contribuem para a fragilização dos sistemas de saúde e da vacinação. Dos 10 países com menos de 60% de cobertura DTP3 (3ª dose da vacina Tríplice Bacteriana, que combate difteria, tétano e coqueluche), metade deles enfrenta crises humanitárias agudas. Essa vacina é considerada um dos principais indicadores de eficiência dos serviços de rotina da saúde de um país. Apenas duas das sete regiões mapeadas pela UNICEF superaram os níveis pré-pandemia. Em 2025, a cobertura global da DTP3 ficou em 85%. A cobertura da primeira dose (DTP1 - 1ª dose da vacina Tríplice Bacteriana), que é muito utilizada como indicador de acesso inicial aos serviços de saúde, variou de 49% (Papua-Nova Guiné e Iêmen) a 99% em 41 países. O relatório ainda apontou que mais de 50% das crianças “dose zero” concentram-se em 9 países. No caso do sarampo, a cobertura subiu de 84% para 86% (19 milhões ainda ficaram sem a vacina). Isso significa que, apesar do aumento, permanecemos abaixo dos 95% de cobertura, necessários para evitar surtos. Também foram apresentados os pacotes de dados por país. Dados que baseiam-se nas estimativas mais recentes sobre a cobertura nacional de imunização e fornecem conjuntos de dados com perfis estatísticos, apresentações analíticas, relatórios de qualidade dos dados e principais argumentos para apoiar o planejamento de programas, a defesa de causas e a comunicação. Confira o material completo aqui. Vacinação contra o HPV Do montante de 66 milhões de meninas, consideradas pela OMS o público-alvo da vacinação contra o HPV apenas 33%, cerca de 22,5 milhões, receberam pelo menos uma dose. Enquanto isso, 32% foram perdidas/não alcançadas pelos programas existentes em seus países e 35% vivem em nações onde a vacina ainda não faz parte do calendário oficial. Até o fim de 2025, a vacina estava disponível em países que concentram quase 70% dos casos globais de câncer de colo de útero. Com as introduções planejadas e concluídas para 2026, a projeção é que essa proporção suba para aproximadamente 90% da carga mundial da condição de saúde. As Américas lideram a vacinação global contra o HPV, atingindo 71% de cobertura em 2025, um avanço significativo em relação aos 58% registrados em 2019. Esse resultado reflete o forte compromisso político e financeiro da região contra a segunda principal causa de morte por câncer entre mulheres em diversos países. No Brasil, entre as meninas, a cobertura vacinal passou de 79,1% em 2021 para 86,1% em 2025. Já entre os meninos, a cobertura avançou de 41,1% para 74,5% no mesmo período. Análise e Síntese dos Dados do Brasil O relatório da OMS/UNICEF demonstra que o Brasil conseguiu reverter a grave crise de subvacinação enfrentada no período pandêmico. Embora algumas vacinas ainda busquem consolidar a meta ideal de 95% de cobertura de forma homogênea, a trajetória atual (2024-2025) indica um sistema de saúde em franca recuperação e em níveis consideravelmente mais seguros do que no início da década. Entre 2014 e 2019, o Brasil já vinha registrando uma perda gradual na cobertura vacinal. Esse cenário agravou-se drasticamente com a pandemia de COVID-19. Em 2021, a maioria das vacinas essenciais de rotina despencou para patamares perigosos, flutuando em torno de apenas 60% a 70% de cobertura. A vacina BCG (Vacina contra a Tuberculose), que historicamente mantinha taxas próximas a 100%, chegou ao seu nível mais baixo em 2021 (perto de 70%). A partir de 2022, os gráficos mostram uma inflexão positiva consistente, sinalizando o sucesso dos esforços nacionais de busca ativa e fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI): Vacinas como DTP1, DTP3, HEPB3 (3ª dose da vacina contra a Hepatite B) e HIB3 (3ª dose da vacina contra a bactéria Haemophilus influenzae tipo b, causadora de meningites e pneumonias graves) subiram de forma expressiva, aproximando-se ou atingindo novamente a faixa de 80% a 90% em 2024 e 2025. A BCG e a MCV1 (1ª dose da vacina contendo o componente contra o Sarampo, frequentemente administrada no Brasil como a Tríplice Viral — Sarampo, Caxumba e Rubéola) demonstraram forte reação, retornando para patamares muito próximos a 100% de cobertura estimada nos anos mais recentes. A vacina contra a Pólio (IPVC - Dose final recomendada da Vacina Inativada Contra a Pólio - VIP), cujos dados padronizados neste formato começaram a ser traçados com clareza a partir de 2021, saltou de aproximadamente 65% para uma cobertura superior a 80% em 2025.No Brasil, o número de crianças "zero-dose" (sem nenhuma dose da vacina pentavalente) despencou de 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025. Essa redução drástica é resultado direto de dois fatores: o avanço real da cobertura vacinal em todo o país e a modernização do sistema de registro do SUS, que tornou os dados públicos muito mais precisos e completos. Fonte: OMS
- FórumCCNTs fortalece diálogo no 1º Encontro ANAD de Influencers em Diabetes
Iniciativa reuniu comunicadores, especialistas e lideranças para promover a informação humanizada e o acolhimento em diabetes No dia 25 de julho de 2026, a universidade UNIP (Campus Paraíso/Vergueiro), em São Paulo, foi palco de um momento marcante para o ecossistema de comunicação e cuidado em saúde: o 1º Encontro ANAD de Influencers em Diabetes, realizado pela Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD) em parceria com o Movimento Influencers Diabetes Brasil (MIDB) - instituição premiada no Concurso de Melhores Projetos do FórumCCNTs em 2026. O evento reuniu influencers, jornalistas, criadores de conteúdo e lideranças do setor para discutir o papel da comunicação consciente e transformadora no cotidiano de quem vive com a condição. Sra. Carmen Wills e Vitor Moura (FórumCCNTs). Foto: Letícia Martins Representando o FórumCCNTs, Vitor Moura, integrante do time de comunicação da iniciativa, acompanhou as atividades ao longo da tarde. A atividade reafirmou o compromisso do FórumCCNTs com a articulação de vozes e saberes em prol da qualidade de vida, promovendo trocas de experiências entre os diversos atores que utilizam as plataformas digitais como ponte para o acolhimento e a informação de qualidade. Troca de saberes, inspiração e como a linguagem importa Apresentação inicial de Lyvia Melo, uma das idealizadoras do MIDB. Foto: @influencersdiabetesbrasil A abertura reforçou a relevância do protagonismo social da pessoa que convive com a condição, dando início a uma sequência de palestras enriquecedoras. Fabiana Couto, idealizadora e diretora do MIDB e fundadora do Movimento Divabética, abordou a transformação da influência em impacto e advocacy digital. Em seguida, Lyvia Melo, presidente do MIDB e criadora do perfil "Se Joga na Diabetes", destacou como construir redes sociais guiadas por propósito e conexão real. Beatriz Scher, influenciadora, e Fabiana Couto, idealizadora do MIDB. Foto: @biabetica O bloco seguinte trouxe discussões profundas sobre a dimensão psíquica e os aspectos éticos da criação de conteúdo em saúde. Beatriz Scher (Biabética/UFRJ) abriu a conversa sobre os bastidores emocionais de influenciar, sucedida por uma roda mediada pela psicanalista Tatiana Stanichesch Cezarino. A advogada Eloisa Malieri (MIDB / "Elo e bete") abordou os limites entre viralizar e ter responsabilidade jurídica e social, enquanto Lucas Lorenzi detalhou as nuances da jornada do diabetes tipo 1, finalizando com a apresentação do farmacêutico Caio Armellei (Sanofi) sobre a relevância do diagnóstico oportuno. Lucas Lorenzi, influenciador, contou sua experiência de vida com diabetes. Foto: @lucaslorenzi Um dos momentos mais emocionantes e simbólicos da tarde foi o encontro com a Sra. Carmen Wills, figura inspiradora e célebre por sua trajetória de longevidade convivendo com o diabetes tipo 1. Sua história de vida, marcada pela resiliência e pelo bem-estar contínuo, serviu como um testemunho vivo do impacto positivo de uma rede de apoio estruturada e do acesso a informações adequadas. Disseminação de conhecimento para uma sociedade informada O encerramento oficial do evento foi conduzido por Lilian Fanny de Castilho (ANAD), Lyvia Melo e Fabiana Couto, reafirmando o compromisso conjunto com o futuro da comunidade. Durante o encontro, o FórumCCNTs aproveitou a oportunidade para disponibilizar aos participantes e gestores presentes uma seleção de seus materiais educativos mais estratégicos. A distribuição incluiu as publicações: FórumCCNTs disponibilizou guias e materiais para os participantes do evento. Foto: FórumCCNTs Com Vacinas Protejo Vidas! Linguagem Importa (2ª Edição) Impacto dos Distúrbios do Sono sobre diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e outras CCNT Obesidade e Principais condições associadas: saiba o que fazer! A receptividade das edições reafirma a importância de disponibilizar conteúdos técnicos e educativos em linguagem acessível e centrada na pessoa. A participação no evento reforça o lema que marcou a jornada — "Influenciar é um Propósito" — e renova o compromisso do FórumCCNTs em apoiar iniciativas que promovam uma comunicação cada vez mais inclusiva, empática e capacitadora.
- Avanços no AVC, escalada dos casos de demências e de outras condições neurológicas no Brasil, revela estudo na The Lancet
Publicação inédita aponta queda expressiva nas taxas de AVC no Brasil, mas alerta para o aumento das condições neurodegenerativas e diferenças entre homens e mulheres As Condições Neurológicas e Lesões do Sistema Nervoso Não Transmissíveis (NINSDs, na sigla em inglês) — grupo que engloba acidentes vasculares cerebrais (AVC), demências, enxaqueca, epilepsia, lesões traumáticas, além de transtornos do neurodesenvolvimento e distúrbios neurodegenerativos — representam uma parcela massiva e crescente do fardo de saúde pública nas Américas. Um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas analisou dados do Global Burden of Disease 2023 (GBD) cobrindo 38 países e territórios entre 1990 e 2023. O levantamento revela que 470 milhões de pessoas nas Américas vivem com pelo menos uma condição neurológica — o equivalente a 43,5% da população da região —, resultando em 1,1 milhão de mortes e 37,5 milhões de Anos de Vida Perdidos por Incapacidade ou Morte Precoce (DALYs), o que representa 12% de todo o impacto de DALYs por condições não transmissíveis e lesões no continente. Para o Brasil, os achados trazem notícias positivas sobre a redução histórica na carga do AVC, mas expõem urgentes desafios estruturais no enfrentamento do envelhecimento populacional e nas disparidades de gênero e de acesso à saúde. O cenário das condições neurológicas no Brasil: Queda do AVC com dados de alta qualidade Uma das descobertas centrais do estudo refere-se à América Latina Tropical (composta por Brasil e Paraguai) e à América Latina Sul. Ambas as sub-regiões registraram as maiores quedas nas taxas de DALYs ajustadas por idade em todas as Américas entre 1990 e 2023. No Brasil, a taxa de variação percentual anual (APC) do fardo neurológico padronizado por idade teve redução superior a 1,3% ao ano. Esse declínio foi substancialmente mais rápido do que o observado em sub-regiões de alta renda, como a América do Norte (EUA e Canadá), e no Caribe. Solidez metodológica e o avanço contra o AVC: Acidente Vascular Cerebral (Isquêmico e Hemorrágico): Historicamente a principal causa de mortes e incapacidade neurológica no país, o AVC apresentou queda contínua em suas taxas padronizadas por idade nas últimas três décadas — com redução média de 1,8% ao ano no AVC Isquêmico e 2,1% ao ano no AVC Hemorrágico, resultando em uma diminuição acumulada superior a 45% na taxa de DALYs por 100 mil habitantes entre 1990 e 2023. Determinantes do progresso: A melhoria é atribuída a ações continuadas de saúde pública, incluindo a expansão da Atenção Primária à Saúde para o diagnóstico e manejo da hipertensão arterial, a implementação e consolidação das Unidades de AVC no Sistema Único de Saúde (SUS) e as políticas nacionais de manejo do tabagismo. Contudo, os autores alertam: embora a taxa ajustada por idade tenha caído, o rápido envelhecimento e o crescimento populacional no Brasil fazem com que o número absoluto de pessoas afetadas continue elevado. Ref.: Pág 11 [Fig. 3: Age-standardised DALY rates per 100,000 population from all neurological conditions combined in 2023 and the annual percentage change from 1990 to 2023 across regions and countries of the Americas.]. Taxas de DALYs padronizadas por idade (2023) e taxa de variação percentual anual (APC 1990–2023) entre as regiões e países das Américas. Destaque para a expressiva redução observada no Brasil (América Latina Tropical) à esquerda da linha zero. A transição epidemiológica: Do cuidado agudo às condições neurodegenerativas A discussão publicada na The Lancet coloca em evidência uma importante mudança de paradigma na saúde pública. Enquanto condições vasculares e defeitos do tubo neural (como a espinha bífida, cuja taxa caiu 2,9% ao ano devido a políticas de suplementação de ácido fólico na gestação) apresentaram forte queda, as condições crônicas, progressivas e incapacitantes cresceram aceleradamente. Ref.: Pág 9 [Fig. 1: Age-standardised DALY rates per 100,000 people from noncommunicable conditions affecting the nervous system in 2023 against the annual percentage change (1990–2023) across specific conditions in the Americas]. Distribuição das 19 condições neurológicas por taxa de DALY e tendência temporal nas Américas. O tamanho dos círculos representa a prevalência das condições, destacando a enxaqueca e o Alzheimer/demências com fardo elevado e tendências crescentes. Esse cenário gera um descompasso nos sistemas de saúde públicos e privados, historicamente desenhados para atender emergências agudas, mas ainda pouco estruturados para o manejo de longo prazo: Enxaqueca e Demências: Foi adicionada a métrica de incapacidade em jovens (>1.200 YLDs por 100 mil hab.) e a taxa de perda em idosos 75+ (>8.500 DALYs por 100 mil hab.). A enxaqueca se consolida como a principal causa de anos vividos com incapacidade (YLDs) em jovens e adultos em idade produtiva (15 a 49 anos). Na população idosa (75+ anos), a condição de Alzheimer e outras demências lideram a perda de anos de vida saudáveis. Aumento das condições neurodegenerativas: Condições Neurodegenerativas: Foram incluídas as taxas anuais específicas de crescimento do Parkinson (+0,8%/ano), Esclerose Múltipla (+0,5%/ano) e ELA (+0,7%/ano). Transtornos do Neurodesenvolvimento: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentou tendência de alta em todas as faixas etárias jovens (crescimento de ~1,2% ao ano em crianças menores de 5 anos), reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e integração intersetorial. Como as condições neurológicas afetam homens e mulheres Análises detalhadas estratificadas por sexo (Figuras Suplementares 2 e 6 do Apêndice) revelam que a carga das condições neurológicas se manifesta de formas substancialmente diferentes entre os sexos nas Américas e no Brasil: Categoria Perfil Epidemiológico e Predominância por Sexo Predominância Feminina Enxaqueca: Razão F:M de 2,6 para 1, figurando como a maior causa de incapacidade em mulheres jovens. Esclerose Múltipla: Razão F:M de 1,8 para 1. Demências e AVC Subaracnóideo: Apresentam fardo 32% superior em mulheres, fortemente impulsionado também pela maior expectativa de vida feminina. Predominância Masculina Transtornos do Neurodesenvolvimento (TDAH e Autismo): Razão F:M de 0,4 para 1 (prevalência diagnosticada 2,5 vezes maior em homens jovens). Traumatismo Cranioencefálico (TCE): Razão F:M de 0,5 para 1, devido a causas externas. Condição de Parkinson e AVC Vascular Grave: Apresentam fardo 24% maior e mortalidade precoce em homens.. Ref.: Pág 27 [Supplementary Figure 6 do Apêndice (Ranking por DALYs para Homens [A] e Mulheres [B])]. Comparativo do ranking regional de condições neurológicas estratificado por sexo, destacando o impacto desproporcional da enxaqueca e demências nas mulheres e dos agravos vasculares e traumáticos nos homens. Fatores de risco modificáveis e determinantes ambientais O estudo reafirma que grande parte do fardo neurológico regional pode ser evitada por meio do manejo de fatores de risco modificáveis — eixo estratégico prioritário para a agenda de Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs): 1 - Riscos Metabólicos e Comportamentais Hipertensão Arterial: Responde por 55,9% dos DALYs por AVC isquêmico e 55,6% por AVC hemorrágico nas Américas. Glicemia de Jejum Elevada: É responsável por 19,7% da carga de DALYs atribuível ao Alzheimer e outras demências. IMC Elevado, Colesterol LDL e Tabagismo: Apresentam forte contribuição conjunta para condições cerebrovasculares, enquanto o uso nocivo de álcool associa-se a novos quadros de epilepsia idiopática. 2 - Riscos Ambientais Exposição ao Chumbo: O levantamento revelou que a contaminação por chumbo responde por 55,1% dos DALYs decorrentes da deficiência intelectual idiopática do desenvolvimento nas Américas, evidenciando a urgência de vigilância e regulamentações ambientais mais rígidas. Caminhos e Perspectivas para o Brasil Os dados trazidos pela The Lancet Regional Health – Americas evidenciam que o Brasil vive um momento decisivo: o país provou a eficácia de suas políticas públicas ao reduzir drasticamente o impacto do AVC, mas agora enfrenta o desafio urgente de adaptar seu sistema de saúde ao envelhecimento populacional. Para consolidar esses avanços e responder à crescente carga de incapacidade gerada pelas condições neurodegenerativas e demências, o país precisa alinhar as diretrizes do Plano de Ação Global Intersetorial sobre Epilepsia e Outros Transtornos Neurológicos (IGAP 2022–2031) da OMS aos compromissos do FórumCCNTs. Isso exige fortalecer a Atenção Primária no manejo da hipertensão e do diabetes — a exemplo da iniciativa HEARTS nas Américas —, capacitar equipes locais com apoio da teleneurologia no SUS e estruturar redes de reabilitação e cuidados de longa duração que ofereçam suporte contínuo às pessoas afetadas e aos seus cuidadores. Apenas uma abordagem integrada, preventiva e sensível às especificidades de gênero garantirá a preservação da saúde cerebral e da qualidade de vida da população brasileira em todas as fases da vida. Leia o artigo completo e o apêndice suplementar na The Lancet Regional Health – Americas: Martinez R, Thakur KT, Alviz LF, Varela FJ, Gardner WM, Hennis AJM, Oliveira e Souza R. The burden of noncommunicable and injury-related nervous system disorders in the Americas, 1990–2023: an analysis of the Global Burden of Disease Study 2023. The Lancet Regional Health – Americas, 2026. Appendix: supplementary methods and results for the paper “The burden of noncommunicable disorders affecting the nervous system in the Americas, 1990–2023: an analysis of the Global Burden of Disease Study 2023” Fonte: The Lancet
- Cities for Better Health lança o Active Play Challenge para incentivar o brincar ativo nas cidades - Até 14/8
Desafio global do programa Cities for Better Health oferecerá até 100 mil dólares para cinco projetos urbanos e comunitários; inscrições até 14 de agosto de 2026 O programa global Cities for Better Health, liderado pela Novo Nordisk, anunciou o lançamento do Active Play Challenge (Active Play Challenge), uma convocatória internacional voltada para identificar e financiar soluções urbanas inovadoras. A iniciativa é realizada em parceria com organizações de referência global, como Arup, RMIT University, Save the Children International, Right To Play e ISCA (International Sport and Culture Association), com o apoio da Van Leer Foundation. Foto: Divulgação O objetivo central da chamada é impulsionar a atividade física e o brincar ativo como motores fundamentais do desenvolvimento físico e mental das crianças nos ambientes urbanos. Instituições e coletivos interessados devem submeter suas propostas até o prazo regulamentar de 14 de agosto de 2026. Escopo das propostas e áreas de intervenção O desafio faz um chamado global para projetos escaláveis que consigam transformar as cidades em espaços mais acolhedores, seguros e estimulantes para a infância. As propostas submetidas podem abranger diferentes frentes de atuação, tais como: Design e planejamento urbano: Intervenções de arquitetura e urbanismo táctico que ampliem os espaços públicos dedicados ao lazer ativo; Políticas públicas e governança: Criação de diretrizes institucionais que protejam e estimulem o direito de brincar e se movimentar nas cidades; Ações comunitárias: Mobilizações locais e programas territoriais que promovam o bem-estar, a inclusão social e a integração familiar. Premiação e suporte ao desenvolvimento dos projetos A seleção priorizará iniciativas que demonstrem alto potencial de impacto social, viabilidade de execução e capacidade de transformação do ambiente urbano. Ao final do processo de avaliação, cinco projetos vencedores serão contemplados com o apoio financeiro e técnico da rede de parceiros do programa. Cada uma das cinco propostas selecionadas receberá um financiamento de até 100 mil dólares, além de suporte estratégico especializado para transformar as ideias em intervenções concretas e sustentáveis de longo prazo. Qual a relação com o ecossistema das CCNTs? O incentivo à atividade física e ao combate ao sedentarismo desde a primeira infância é uma das medidas preventivas mais eficazes contra o desenvolvimento de Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs) na vida adulta. Garantir que os ambientes urbanos ofereçam oportunidades para o brincar ativo ajuda diretamente na prevenção do excesso de peso, do diabetes tipo 2, de complicações cardiovasculares e de sofrimentos mentais entre crianças e jovens, estabelecendo hábitos saudáveis que duram para a vida toda. Para o ecossistema do FórumCCNTs, apoiar e divulgar oportunidades como o Active Play Challenge reforça o compromisso com o manejo integrado das CCNTs a partir de um olhar preventivo e intersetorial. Adaptar as cidades para que sejam mais ativas permite que as pessoas com condições de saúde e os usuários do sistema público disponham de territórios promotores de saúde, onde a infraestrutura urbana atua como uma aliada direta do bem-estar físico e social da população infantil. Prazo de envio das propostas: Até 14 de agosto de 2026. Quem pode participar: Organizações, gestores públicos e coletivos com iniciativas inovadoras e escaláveis de brincar ativo e urbanismo amigável à infância. Valor da premiação: Aporte de até 100 mil dólares para cada um dos 5 projetos vencedores, além de suporte técnico de implementação. Para conferir as diretrizes completas da convocatória, verificar os critérios de elegibilidade e inscrever o seu projeto, acesse a página oficial do Active Play Challenge. Fonte: Cities for Better Health
- OMS ALERTA - Ambientes Digitais como Determinantes de Saúde: Por que o Mundo e o Brasil Decidiram Impor Limites ao Uso de Telas
Enquanto líderes mundiais pedem urgência na regulação de telas e redes sociais para conter riscos à saúde mental e combater as CCNTs, o Brasil avança com a proibição de celulares nas escolas Ambientes digitais — de mídias sociais e jogos online a sistemas de Inteligência Artificial (IA) generativa — tornaram-se determinantes poderosos da saúde humana, especialmente para crianças e jovens. Em recente manifesto publicado no Project Syndicate, o Presidente da França, Emmanuel Macron, e o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertam que a infância está sendo "reprogramada por tecnologias que alteram profundamente a forma como a juventude aprende, brinca e se conecta". Segundo os autores, o grande desafio atual da saúde pública não é apenas celebrar ou condenar a tecnologia, mas reconhecer uma verdade urgente: “o ambiente digital oferece benefícios inegáveis, mas impõe riscos graves ao desenvolvimento infantojuvenil que exigem respostas imediatas de toda a sociedade”. Matt Cardy/Getty Images O Lado Positivo das Ferramentas Digitais Macron e Tedros destacam que, quando bem projetadas, as ferramentas digitais expandem oportunidades ao apoiar o aprendizado, a comunicação e o acesso a serviços de telessaúde, beneficiando sobretudo crianças em áreas remotas ou em cenários de crise. Para muitos jovens marginalizados, os espaços online oferecem um sentido valioso de criatividade, comunidade e pertencimento. No entanto, conforme ressaltam os líderes no artigo, "esses benefícios não são garantidos; dependem fortemente de quem tem acesso, de como as tecnologias são desenhadas e de quais interesses elas atendem". Riscos à Saúde O pronunciamento recupera as evidências científicas atuais — respaldadas pelas diretrizes de saúde mental em ambientes digitais da Organização Mundial da Saúde (OMS) — para associar o uso problemático de telas a severos danos físicos e psíquicos: Saúde Mental: Segundo o texto original, a exposição excessiva está ligada a quadros de ansiedade, depressão, isolamento social, piora do sono, agressividade e, em casos graves, ao comportamento suicida em adolescentes vulneráveis. Fatores de Risco para CCNTs: Os autores enfatizam que o tempo prolongado em plataformas estimula o comportamento sedentário e a privação do sono — fatores de risco amplamente reconhecidos para o desenvolvimento de Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs), como obesidade, diabetes tipo 2 e condições/doenças cardiovasculares Práticas Comerciais e Marketing: Macron e Tedros denunciam que os modelos de negócios das plataformas buscam maximizar o engajamento a qualquer custo. Essa exposição contínua abre brechas para o marketing direcionado de produtos nocivos, como tabaco, álcool e apostas virtuais (gambling). Violência e Conteúdo Inadequado: O artigo alerta que os algoritmos costumam priorizar o sensacionalismo em detrimento da precisão científica, espalhando desinformação sobre saúde. Além disso, alinhado aos relatórios da OMS sobre violência online contra crianças, os autores citam o avanço preocupante da exploração sexual online, do ciberbullying impulsionado por deepfakes e da exposição a conteúdos violentos. Em relação à IA generativa, os autores a definem como um "multiplicador de forças tanto para riscos quanto para oportunidades". Embora reconheçam o potencial na educação, alertam que os impactos na empatia e na autorregulação dos jovens ainda são incertos, o que justifica uma postura de precaução: "Isso não é ser anti-inovação; é ser pró-criança". Consenso Global: Ações Internacionais O entendimento de que proteger as crianças na internet é um imperativo de saúde pública gerou uma mobilização internacional robusta para impor limites e design seguro por padrão (safety-by-design): Austrália: Implementou a primeira exigência global que proíbe redes sociais para menores de 16 anos. França e Espanha: Avançam em legislações para proibir o acesso a mídias sociais para menores de 15 e 16 anos, respectivamente. Indonésia, Reino Unido e Canadá: Adotaram restrições severas de idade (abaixo de 16 anos) e maiores mecanismos de responsabilização das grandes empresas de tecnologia (Big Techs). Irlanda: Trabalha em sistemas de garantia e verificação de idade junto à União Europeia. O Complemento Brasileiro: A Proibição de Celulares nas Escolas Em convergência com o alerta internacional emitido por Macron e Tedros, o Brasil consolidou uma resposta concreta e direcionada ao ambiente escolar. Com a sanção da Lei Federal nº 15.100/2025 (originada do PL 104/2015), o país proibiu o uso e o porte de aparelhos eletrônicos pessoais, como celulares e tablets, por alunos da educação básica em escolas públicas e privadas de todo o território nacional. A medida brasileira abrange salas de aula, recreios e intervalos, abrindo exceções apenas para fins pedagógicos supervisionados, acessibilidade e condições de saúde (como monitoramento de glicemia). A legislação brasileira também exige que os estabelecimentos ofereçam apoio psicológico a estudantes em sofrimento psíquico decorrente da nomofobia e do uso imoderado de telas, atacando diretamente a distração crônica, o ciberbullying, o sedentarismo e os riscos associados às CCNTs. O Caminho para o Equilíbrio Digital Nas palavras finais de Emmanuel Macron e Tedros Adhanom, garantir o bem-estar infantojuvenil exige mais do que a simples ausência de danos digitais; exige a presença de relacionamentos estáveis, atividade física e interações no mundo real. Dialogando com os documentos técnicos da OMS Europa, os autores concluem que governos, indústrias, instituições de saúde e a sociedade civil precisam cooperar para impor transparência, segurança e limites éticos. "Nossas crianças e jovens não são sujeitos experimentais, um mercado cativo ou uma mercadoria. As escolhas que fizermos agora ecoarão por gerações", encerram. Fonte: Project Syndicate
- Da Assembleia Mundial da Saúde às UBSs do Brasil: Cuidado Respiratório no SUS Transformados por Compromissos da OMS
GENEBRA – Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os seus Estados-membros aprovam diretrizes históricas para a saúde pulmonar durante a Assembleia Mundial da Saúde (WHA79), a expectativa global é uma só: que essas resoluções saiam das salas de conferência em Genebra e cheguem rapidamente à postos de saúde de todo o mundo. Para o Brasil, esse debate não é abstrato — ele toca diretamente na rotina de milhões de pessoas que dependem da Atenção Primária à Saúde (APS) no SUS para conseguir diagnosticar e tratar condições como asma e DPOC. Presente no evento em solo suíço, o FórumCCNTs acompanhou de perto as discussões que buscam acelerar essa transição. Em painel estratégico promovido pela plataforma de jornalismo global Devex na Devex Impact House — em parceria com a Sanofi e a Regeneron —, líderes de saúde pública, autoridades internacionais e representantes da OMS debateram como tirar do papel os quatro pilares da saúde respiratória: redução de riscos em escala, diagnóstico precoce, ampliação do acesso a tratamentos eficazes e monitoramento de longo prazo para uma população global de quase 500 milhões de pessoas vivendo com essas condições. "O desafio não é tanto de resistência, mas sim de construir capacidade nos serviços de atenção primária à saúde, investir no desenvolvimento da força de trabalho e ter sistemas padronizados de diagnóstico e tratamento." disse José Luis Castro, enviado especial do Diretor-Geral da OMS para Condições Respiratórias Crônicas. O peso financeiro da inação e o papel do orçamento As projeções apresentadas no encontro acendem um alerta vermelho: até 2050, o impacto econômico global dessas condições pode alcançar a marca de US$ 4,3 trilhões. Diante desse cenário, os painelistas foram categóricos ao afirmar que qualquer avanço clínico depende, antes de tudo, de dotações orçamentárias específicas e sustentáveis dentro de cada país. A parlamentar egípcia Amira Saber, integrante da rede internacional de legisladores UNITE, destacou o papel de fiscalização do Poder Legislativo sobre esses recursos. "Os impostos arrecadados sobre o tabaco são efetivamente revertidos para o tratamento de condições pulmonares?", questionou durante o debate. Para além de novos aportes financeiros, a otimização dos recursos existentes também entrou em pauta. Siân Williams, CEO da International Primary Care Respiratory Group (IPCRG), defendeu a aplicação da chamada "redução de risco quaternária". A estratégia foca em combater desperdícios e práticas clínicas ineficazes ou prejudiciais — como a prescrição desnecessária de antibióticos ou o uso excessivo de broncodilatadores de alívio rápido (as bombinhas de curta ação) —, permitindo o remanejamento dessas fatias do orçamento para tratamentos de manutenção mais robustos e seguros. O reflexo no Brasil: Atenção Primária no centro do debate Os desafios debatidos em solo suíço encontram eco imediato nas dificuldades enfrentadas diariamente na rede pública do Brasil. Especialistas apontam que o manejo de condições como Asma e Condição Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) só se mostra eficiente quando sustentado por uma Atenção Primária à Saúde (APS) estruturada e resolutiva. No contexto brasileiro, a pessoa com uma condição respiratória crônica frequentemente depara-se com barreiras no acesso a exames fundamentais, como a espirometria, e a tratamentos contínuos na Unidade Básica de Saúde (UBS). O reflexo dessa desarticulação é um sistema que atua de forma reativa e onerosa: sem o acompanhamento para reduzir riscos na base, a pessoa acaba recorrendo às salas de emergência e aos leitos hospitalares apenas nos momentos de crise aguda. Amanda Seeff-Charny, diretora executiva de advocacy na Regeneron, reforçou essa visão ao apontar caminhos para a integração tecnológica: "Expandir a detecção precoce através de diagnósticos na atenção primária e o treinamento direcionado de profissionais de saúde é uma peça vital desse quebra-cabeça." Do plano às leis: os novos Projetos de Lei propostos no Congresso Buscando transformar o diagnóstico internacional em soluções regulatórias concretas para o SUS, o FórumCCNTs, em uma articulação direta com deputados federais, propôs recentemente três Projetos de Lei (PLs) desenhados para estruturar a linha de cuidado respiratório no país: PL nº 3.300/2026: Propõe a descentralização do acesso a medicamentos e tecnologias já incorporados ao SUS, aproximando a distribuição física do tratamento da rotina da pessoa com a condição respiratória na Atenção Primária. PL nº 3.303/2026: Institui as diretrizes nacionais para a atenção integral em reabilitação respiratória no SUS, focando na reabilitação funcional e no atendimento de equipes multiprofissionais de forma integrada entre os níveis de complexidade do sistema. PL nº 3.279/2026: Garante a oferta gratuita, contínua e facilitada de combinações de corticoide inalatório e broncodilatadores de longa duração (CI + LABA) diretamente na Atenção Primária à Saúde, focando no manejo, redução de riscos e na redução drástica de crises em pessoas com asma. Mobilização política e parcerias multissetoriais Apesar dos avanços legislativos, a sustentabilidade das políticas de saúde exige que o tema ganhe relevância na agenda pública. Laura Gutiérrez, chefe de políticas públicas globais da Sanofi, alertou para a invisibilidade política que ainda ronda as vias aéreas quando comparadas a outras condições crônicas de maior apelo na mídia. "Você não pode fazer advocacy por uma condição da qual as pessoas não estão cientes", frisou. A construção de coalizões que conectem sociedades médicas, associações de pessoas que convivem com essas condições, parlamentares e o setor privado surge como a estratégia mais promissora para pressionar os governos por maior responsabilização. Como resumiu de forma cirúrgica José Luis Castro no encerramento de sua participação em Genebra: "Respirar pode até ser biológico, mas o futuro da saúde pulmonar é determinado por políticas públicas." O FórumCCNTs segue atuando na linha de frente em Brasília e em fóruns globais para garantir que os compromissos assumidos se traduzam em leis eficazes, insumos disponíveis e equipes preparadas para acolher a população na ponta do sistema de saúde. Assista à conversa completa com a Sanofi, a Regeneron e o ministro da Saúde da Guiana na Devex Impact House durante WHA79. Com reportagem e informações publicadas originalmente pela DEVEX em 4 de junho de 2026. Fonte: OMS












