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- OPAS lança documento sobre Determinantes Comerciais da Saúde
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) coordenou e publicou o “Marco de Referência sobre a Dimensão Comercial dos Determinantes Sociais da Saúde na agenda de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis”, que contou com a colaboração da Mônica Andreis (ACT), membro da comissão consultiva do FórumDCNTs, e Laura Cury (ACT), que participaram do grupo de trabalho. Este documento foi idealizado em função da necessidade de refletir sobre a dimensão comercial como parte dos determinantes sociais e ampliar a compreensão sobre o impacto na saúde das pessoas e, em especial, no aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). O tema “Determinantes Comerciais da Saúde” foi abordado nos encaminhamentos da 9ª Conferência Mundial da Saúde, realizada em 2016, em Xangai. Na ocasião, incluir no debate a abordagem sobre os Determinantes Comerciais da Saúde foi considerado como um dos desafios à renovação da promoção da saúde no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os desafios e a complexidade do alcance da Agenda 2030 reforçaram ainda mais a necessidade de inserir novos elementos na discussão e implementação de políticas e planos de ação, possibilitando também construir novas narrativas que dialoguem com dimensões ainda pouco exploradas, mas que têm um impacto importante sobre a saúde. A OPAS/OMS no Brasil reafirma o seu trabalho contínuo para o acesso universal à saúde e o desenvolvimento de sistemas de saúde resilientes e com capacidade para atuar sobre os determinantes da saúde de maneira intersetorial. Isso requer formulação de políticas transformadoras que considerem: vontade política para a ação, coerência política, a conformação de uma sociedade produtiva e a formulação e implementação de modelos de desenvolvimento econômico que respeitem valores como justiça social e equidade. É necessário, entretanto, reconhecer os desafios para implementar essas políticas, principalmente devido aos interesses econômicos ou comerciais que afetam negativamente a saúde e contribuem para aumentar as desigualdades. A publicação do Marco de Referência representa uma contribuição importante para os temas da promoção da saúde e determinantes sociais, bem como para o enfrentamento das desigualdades e dos fatores que têm influenciado o aumento das DCNTs. Acesse o documento na íntegra.
- Relatório GT Alimentação Saudável - 7° encontro do FórumDCNTs 2020
Problema(s) prioritário(s) identificado(s): Atualização das principais políticas públicas para a promoção da alimentação saudável. Resumo das propostas e/ou parcerias para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s). Como os participantes desta reunião planejam atuar, especialmente nos próximos 6 meses ou 1 ano, para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s)? 1) Contribuições à Consulta Pública para o Plano das DCNTS - a) destacar a relevância do Guia Alimentar de 2014 e o Guia alimentar para menores de 2anos como referências para as ações do plano , assim como utilizar as terminologias usadas pelo guia como alimentos ultra processados b) Detalhar, explicitar e reforçar as políticas públicas e agenda regulatória para a promoção da alimentação saudável como a tributação para produtos ultraprocessados, incentivos fiscais para alimentação saudável, melhoria da rotulagem dos alimentos, regulação do ambiente escolar para promover alimentação saudável. 2) Defender uma reforma tributária a favor da Saúde com a previsão de impostos seletivos para produtos que causam mal à saúde como tabaco, álcool e bebidas açucaradas. 3) Plan Internacional apresentou o Programa Adolescente Saudável e o Pé de Feijão comentou que vão lançar em 2021 a capacitação para professores desde cultivo até o consumo de alimentos. Nome das instituições e seus representantes, participantes desta reunião do Grupo Temático: Ana Maria Maya - Ministério da Saúde CGAN Angélica Duarde - Plan International Bruna Lima - ADJ e FórumDCNTs Eduardo Nilson - Ministério da Saúde Luisa Haddad – Pé de Feijão Luisete Bandeira – OPAS Marilia Sobral Albiero- ACT
- Relatório GT Todos Juntos Contra o Câncer - 7° Encontro FórumDCNTs 2020
Problema(s) prioritário(s) identificado(s): Hoje, a atenção oncológica foi deixada em segundo plano na realização de ações de saúde do país. Foram identificados os seguintes problemas: falta de acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer; falta de transparência na fila do SUS; conflitos de informação sobre "quando o paciente deve sair de casa para o tratamento", assim como "quando as pessoas devem investigar a suspeita do câncer". Em resumo, falta de informação sobre quando sair de casa e qual é o momento ideal. Resumo das propostas e/ou parcerias para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s). Como os participantes desta reunião planejam atuar, especialmente nos próximos 6 meses ou 1 ano, para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s)? Para o próximo período, as ações devem levar em conta a sustentabilidade do Sistema de Saúde brasileiro (público e privado), com foco em: promover informações para o diagnóstico precoce e acesso ao tratamento oportuno; aprovação do Projeto de Lei "Sim para quimio oral", para pacientes beneficiários de planos de saúde, uma vez que esta lei poderia melhorar o acesso dos pacientes, a qualidade de vida e diminuir as chances de exposição ao Covid19. Neste período, a falta de transparência na fila do SUS foi identificada como um problema grave, e para responder a esse problema, devem ser trabalhados projetos de Lei nas Assembleias Legislativas dos estados brasileiros, semelhante a Lei Estadual 17.066/2017 de Santa Catarina. Participantes no dia 23/10/2020 Tiago Cepas - Abrale Emad Musleh - Novartis
- Relatório do GT Diabetes - 7° encontro do FórumDCNTs 2020
Problema(s) prioritário(s) identificado(s): O grupo é composto por múltiplos atores, desde indústria, terceiro setor, associação de pacientes, academia, sociedade médica, entre outros. Considerando os diversos perfis, foram observados alguns problemas/ desafios, conforme detalhado abaixo: INDÚSTRIA – Dois grandes desafios para a indústria é o Compliance e limitação de orçamentária. Muitas vezes a indústria tem bons exemplos de projetos que podem ser embarcados pelo poder público, mas que, por falta de compreensão e visão sobre como a indústria pode contribuir com o fomento de políticas públicas, acabam não seguindo. A indústria precisa atuar para garantir a promoção, prevenção e tratamento. Por outro lado, é preciso ter a compreensão por parte do poder público sobre o real benefício de um medicamento adequado. A decisão não pode ser feita exclusivamente pelo viés financeiro, mas por critérios científicos. Também é preciso entender a disparidade que existe entre os setores privado e público, onde há um descompasso em relação aos tratamentos oferecidos nos dois setores, gerando resultados distintos e impactos orçamentários graves para o sistema. TERCEIRO SETOR – A grande dificuldade encontrada para implementar uma política de saúde é o “como”. O desafio é criar estratégias efetivas, onde quem está na linha de frente possa obter resultados e, principalmente, repassar informações com clareza aos públicos envolvidos. Outro ponto é trabalhar a prevenção, com políticas que permitam prevenir, diagnosticar, acompanhar e tratar. PROFISSIONAL DE SAÚDE – Um público importante na jornada do paciente é o profissional de saúde e, para isso, faz-se necessário investir em capacitação dos múltiplos profissionais de saúde, em todo o processo, e não apenas o médico. Outro ponto relevante é trabalhar com indicadores, mas há o entrave da inexistência de prontuário eletrônico. É unânime que uma Atenção Primária coesa proporciona benefícios à jornada do paciente. ACADEMIA - Faz-se oportuno observar o paradoxo da prevenção, onde uma parcela muito maior da população está exposta à um risco baixo mas, naturalmente, e se não houver uma intervenção, essa parcela pode migrar para um nível mais grave, sobrecarregando o sistema de saúde e agravando o quadro clínico. Apresentação de uma pesquisa Comportamentos, da Fiocruz, FMG e Unicamp (https://convid.fiocruz.br/), que revela que pessoas com doenças crônicas têm alto nível de sedentarismo, maior tempo de tv, menor consumo de frutas/ hortaliças e atividade física. A pesquisa revela onde está o problema, assim a política pública precisa atuar nas causas do problema. SOCIEDADE MÉDICA - As sociedades médicas têm dado suporte ao SUS, especialmente no momento de pandemia, juntamente com outros atores sociais, à exemplo do CONASS. A ideia é prover esclarecimentos aos profissionais de saúde do Sistema. As sociedades precisam atuar em parceria com os gestores públicos provendo informações qualificadas e referências técnicas que possam contribuir com a redução das comorbidades e das DCNTs. Na parte técnico-científica precisa existir abertura maior para discutir mais saúde e menos política. Um caminho viável seria atuar em parceria com o CONASS e CONASEMS, que estão na linha de frente e mais sensíveis a ajuda e escuta mais ativa. Resumo das propostas e/ou parcerias para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s). Como os participantes desta reunião planejam atuar, especialmente nos próximos 6 meses ou 1 ano, para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s)? Desenvolvimento de projetos multidisciplinares (indústria, sociedades médicas, associação de pacientes, profissionais de saúde, Conass e Conasems) para construir pilotos que visem apoiar a pessoa com diabetes na "jornada do paciente" e possa ampliar o acesso aos tratamentos de qualidade. Nome das instituições e seus representantes, participantes desta reunião do Grupo Temático: Balduino Tchiedel, ICD Eduardo Vieira, Sanofi Elton Junio Sady, UFMG Fadlo Fraige Filho, ANAD/FENAD Gabriela Cavicchioli, IBTED Hermelinda Pedrosa, SBD/SBEM Marília Gusmão, Boehringer Ingelheim Regina Bernal, NUPENS Ronaldo Wieselberg, ADJ
- Relatório GT Obesidade - 7° encontro do FórumDCNTs 2020
Problema(s) prioritário(s) identificado(s): Obesidade não é reconhecida como doença crônica e multifatorial e é encarada apenas como fator de risco modificável (inclusive no Plano de Enfrentamento às DCNTs, em consulta pública). Adicionalmente a não inclusão da obesidade nos currículos médicos e de outros profissionais de saúde contribuem para uma abordagem inadequada e não individualizada junto ao paciente, aumentando o estigma e preconceito da doença e fazendo com que a pessoa com obesidade se sinta culpada pela sua condição. O resultado é que há necessidade de fortalecimento e aperfeiçoamento de linha de cuidados, agregando ações multiprofissionais e intersetoriais. Resumo das propostas e/ou parcerias para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s). Como os participantes desta reunião planejam atuar, especialmente nos próximos 6 meses ou 1 ano, para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s)? Segundo o Ministério da Saúde, há previsão de: Lançamento de um Plano de Combate a Obesidade Infantil, programa de atenção às pessoas com sobrepeso e obesidade em adultos, em parceria com UFMG (2021) para produção de materiais com abordagens individuais (desdobramento do PCDT) e coletivas. Qualificação de profissionais na APS (EAD), inclusive especialização, trazendo ferramentas detalhadas. Chamada CNPq junto a instituições de ensino em cada estado para qualificação do atendimento e atenção à obesidade (postergada por conta da COVID-19). Construção da linha de cuidados (com foco clinico) para controle da obesidade em parceria com IATS POA e sociedades medicas. Expectativa de publicação de portaria para alocação de investimentos/recursos em municípios para gestão de obesidade, diabetes e hipertensão. A entidade Obesidade Brasil compartilhou a notícia de que apresentará poster no Obesity Week trazendo perfil das pessoas com obesidade no Brasil, a partir de enquete realizada. Nome das instituições e seus representantes, participantes desta reunião do Grupo Temático: Marcelle Blankenburg - Merck Rita de Cassia - Obesidade Brasil Simone Tcherniakovsky - Novo Nordisk Thais Veloso - Ministério da Saúde
- Relatório GT Doenças Cardiovasculares - 7° encontro do FórumDCNTs 2020
Problema(s) prioritário(s) identificado(s): Dentro das prioridades levantadas estão, a curto prazo e médio prazo: a necessidade de trazer dados e exemplos robustos de ações que geraram aumento da efetividade para prevenção e tratamento de DCV, contando com a expertise de cada stakeholder. Pensar no plano nacional de enfrentamento às DCNTs para fortalecer a atenção primária principalmente no autocuidado e educação continuada das equipes de saúde da família e utilização de tecnologias e estratégias necessárias (como o telerrastreio e PoC) para o diagnóstico precoce e monitoramento das DCNTs e seus fatores de risco. Resumo das propostas e/ou parcerias para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s). Como os participantes desta reunião planejam atuar, especialmente nos próximos 6 meses ou 1 ano, para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s)? Ampliado o grupo de contato do GT Cardiovascular para continuidade das conversas. Formação de uma coalizão em DCNTs tendo o FórumDCNTs como catalizador da proposta. Nome das instituições e seus representantes, participantes desta reunião do Grupo Temático: Ana Carolina Nogueira de Sá - UFMG Márcio Galvão, UFBA Mariana Silveira, Tellus Maurício Mendonça - Sanofi Patrícia de Luca, AHF/FórumDCNTs
- Relatório GT Prevenção de DCNTs - 7° encontro do FórumDCNTs 2020
Problema(s) prioritário(s) identificado(s): Precisa-se transpor uma barreira caracterizada por "baixo engajamento" que evita que a "teoria seja traduzida na pratica", ou seja, "o grande passo entre as diretrizes e a tradução para uma pratica engajadora e transformadora". Resumo das propostas e/ou parcerias para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s). Como os participantes desta reunião planejam atuar, especialmente nos próximos 6 meses ou 1 ano, para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s)? Focamos em 4 pilares; tendo as "diretrizes" ao centro: ação com a comunidade; ações na atenção primária; ação na atenção especializada; politicas públicas. Detalhamento por pilar: prevenção na comunidade- identificamos que os públicos mais importantes seriam as crianças, jovens, adultos jovens, com algum destaque à raça negra por ser mais suscetível às complicações e gravidade. Aqui apontamos o "Programa Saúde na Escola" como uma grande oportunidade de trabalho uma vez que ele já tem a capilaridade necessária, mas ainda não identifica uma avaliação de impacto que traga a efetividade do programa à tona, mas sim, dados quantitativos de operacionalização. (1-a) incluir aspectos engajadores de prevenção de DCV no currículo escolar; (1-b) que na formulação das "diretrizes" houve uma preocupação em incluir uma tradução para a adoção destas recomendações junto à comunidade (vida real), para que as diretrizes não sejam restrita aos "experts"; (1-c) rever aspectos de abordagens dos jovens na linguagem deles, quer seja ilustração de personagens às cçs (tipo Saulito, etc..) até o uso de tecnologia digital engajadora; (1-d) foi trazido o App "Conect SUS" como uma forma de termos os dados do cidadão disponibilizado num único banco de dados. na atenção primária, uma oportunidade de maior empoderamento dos ACS e assim levá-los a medir pressão arterial, identificar pontos a serem endereçados na alimentação da família, bem como prevenir o sedentarismo. Para este empoderamento, urge uma capacitação dos mesmos para esta atuação de forma efetiva. atenção especializada estar preparada com profissionais capacitados e equipamentos disponíveis, e prestando suporte de forma integrada aos demais níveis de atenção. como aspectos de ação em políticas públicas, reforçar ações que levem à diminuição de sal em alimentos "convencionais" e de largo uso, como o "pãozinho"; também trabalhar de forma integrada "Saúde-Educação-Economia" com vistas a gerar dados impactantes sobre as ações preventivas e seus impactos em indicadores econômico-sociais, para assim gerar engajamento de esferas mais elevadas de investidores e do poder público. Nome das instituições e seus representantes, participantes desta reunião do Grupo Temático: Alanna Gomes Silva - UFMG Frida Liane Plavnik - SBH Hanna Taverna - Ministério da Saúde Iara Simis - Plan International Brasil Iseli Reis - Fleximedical Juliana Silva Rezende - Ministério da Saúde Luiz Bortolotto - InCor Yara C Baxter - Novartis Foundation
- Relatório GT Saúde Mental e Neurológica - 7° encontro do FórumDCNTs 2020
Problema(s) prioritário(s) identificado(s): Há negligência em relação a uma "quarta onda" na pandemia de COVID-19, já anunciada: a da Saúde Mental e seu sofrimento psíquico elevado. Resumo das propostas e/ou parcerias para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s). Como os participantes desta reunião planejam atuar, especialmente nos próximos 6 meses ou 1 ano, para enfrentar o(s) problema(s) identificado(s)? Para os cuidados das doenças que se retroalimentam (doença cardiovascular, diabetes, depressão, privação do sono...), que têm danos severos prejudicando a saúde mental, apontamos a importância de tornar o assunto legitimado não só pelo poder público e privado, como por toda sociedade, além de ações efetivas para atendimento. Nosso trabalho nos próximos 6 meses envolve: 1) Plataforma de atenção à saúde mental, utilizando inclusive os próprios técnicos e demais profissionais públicos da saúde, para atender a população em geral, incluindo os profissionais da saúde, com escuta de suas questões. 2) Lançamento de portal, liderado pelo grupo, com conteúdos e campanhas sobre saúde mental. Desenhado o projeto, a proposta de parceria 2021 poderá ser levada a parceiros do setor privado. Os trabalhos serão conduzidos no eixo da atenção à jornada do paciente, com a atenção específica para a "PPP (Proteção, Pertencimento e Produção)". Nome das instituições e seus representantes, participantes desta reunião do Grupo Temático: Ricardo Lauricella, FórumDCNTs Eduardo Caminada Jr, Viva com Epilepsia Elizabeth Carvalhaes, Interfarma Soraya Carvalho, NEPS-CIATOX-SESAB Vivian Cardoso Batista, Pfizer
- UNGA75: COVID-19 e DCNTs resulta em uma sindemia que exacerba a desigualdade
Enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) comemorava seu septuagésimo quinto aniversário, a Assembleia Geral da ONU (UNGA) foi encarregada de administrar sua primeira reunião virtual, e a COVID-19 continuava a causar estragos em todo o mundo. Este ano, após várias rodadas de negociação, os Estados Membros adotaram a Resolução Omnibus COVID-19 que reconheceu e enfatizou o papel crítico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do sistema da ONU em catalisar e coordenar a resposta global para COVID-19. Ressaltou a necessidade de cooperação e solidariedade internacional para conter e superar a pandemia por meio de respostas centradas nas pessoas. A UNGA também serviu como um ponto de encontro para os Estados-Membros coordenarem o desenvolvimento de intervenções baseadas em evidências científicas para combater a COVID-19 e enfrentar os desafios para as metas de desenvolvimento atuais e futuras. Embora não tenha havido reuniões de alto nível dedicadas à saúde neste ano, os Estados Membros aproveitaram a oportunidade para abordar as ameaças e desafios às questões de desenvolvimento como resultado da pandemia (veja abaixo destaques relacionados às DCNTs). Na corrida por uma vacina, uma batalha pela equidade À medida que os países voltam suas esperanças para uma vacina, a maior tarefa da ONU é incentivar e garantir a equidade na distribuição. A OMS lançou a plataforma Acelerador de Acesso às Ferramentas COVID-19 (ACT) para teste, tratamento e distribuição de vacinas COVID-19. COVAX, o pilar da vacina do ACT Accelerator, reúne fundos de doadores para ajudar a desenvolver e distribuir uma vacina COVID-19. Com este esforço, a OMS e as organizações parceiras da COVAX, como Gavi e CEPI, esperam contrariar os esforços individuais dos países para garantir milhões de doses. Até agora, a COVAX tem promessas que totalizam 2 bilhões de dólares americanos, e a OMS estima que um total de 16 bilhões de dólares americanos serão necessários. As vacinas decorrentes dessa iniciativa serão disponibilizadas a todos os países membros, com as doses iniciais restritas a um máximo de 20%, alocadas aos grupos populacionais mais vulneráveis em cada um desses países. Embora uma vacina eficaz seja desejada e uma distribuição equitativa seja necessária, um dos maiores desafios enfrentados por instituições e governos é a hesitação da vacina. Mesmo antes da pandemia, a OMS identificou a hesitação da vacina como uma das 10 principais ameaças à saúde global e isso continuará a ser um desafio para combater a COVID-19 à medida que os governos garantem as doses das vacinas. Consequências mais amplas da pandemia - interrupção da saúde, pobreza e fome Globalmente, os sistemas de saúde pública permanecem frágeis, os suprimentos médicos essenciais são de difícil acesso e tão disputados. Para pessoas que vivem com doenças crônicas não-transmissíveis (DCNTs), serviços de prevenção e tratamento foram gravemente interrompidos desde o início da pandemia. As interrupções de serviço se manifestam de várias maneiras, incluindo acesso limitado a serviços de reabilitação, adiamento de programas públicos de triagem, cancelamento de tratamentos planejados, falta de pessoal devido à transferência, e falta de capacidade da força de trabalho de saúde. Esta situação é particularmente desafiadora, dada a evidência de que as pessoas que vivem com DCNTs (PLWNCDs) apresentam maior risco de doença grave relacionada à COVID-19 e morte. A complexa relação entre COVID-19 e DCNTs resulta em uma sindemia que exacerba a desigualdade e a pobreza existentes. Além dos sistemas de saúde frágeis, a insegurança alimentar continua a ser um desafio, pois milhões são empurrados para a pobreza. O Programa Mundial de Alimentos estima que o número de pessoas com insegurança alimentar em países em risco pode aumentar de 149 milhões antes da pandemia para 270 milhões até o final do ano, se a assistência não for fornecida imediatamente. A ONU pediu US$ 10,3 bilhões para responder à crise, mas ainda não atingiu a metade desse valor. Neste contexto, a ONU e outras organizações estão extremamente com poucos recursos para mitigar, conter e fornecer ajuda durante e após a pandemia. Estimativas recentes também sugerem que até 6.000 crianças podem morrer todos os dias de causas evitáveis nos próximos seis meses, como resultado de interrupções relacionadas à pandemia nos serviços essenciais de saúde e nutrição. Resolução Omnibus UNGA sobre COVID-19 A Resolução Omnibus COVID-19 foi adotada antes da UNGA75, após várias rodadas de negociação com muitos países se desassociando de parágrafos contenciosos. A resolução foi co-facilitada pelo Afeganistão e Croácia e foi adotada pela assembléia com apenas os Estados Unidos e Israel votando contra. A resolução foi inspirada e amplia a resolução da Assembleia Mundial da Saúde sobre a resposta COVID-19 adotada no início deste ano. Sobre as DCNTs, a resolução inclui texto sobre a cobertura universal de saúde (UHC), fortalecimento dos sistemas de saúde, prestação de serviços para DCNTs e saúde mental e o envolvimento de pessoas com deficiência. Em particular, a resolução apela aos Estados-Membros para: ● Adotar resposta de todo o governo e toda a sociedade para manter os sistemas de saúde e fortalecer os cuidados de saúde primários, reconhecendo a importância do aumento do financiamento interno e da assistência ao desenvolvimento para alcançar a cobertura universal de saúde; ● Garantir o fornecimento ininterrupto e seguro de serviços de nível populacional e individual para DCNTs e saúde mental; ● Reforçar os esforços para abordar as DCNTs como parte da UHC e reconhecer que as PLWNCDs estão em maior risco de desenvolver sintomas graves de COVID-19 e estão entre as mais afetadas pela pandemia; ● Prevenir, monitorar e abordar o impacto da pandemia sobre os idosos para garantir o mais alto padrão possível de saúde física e mental; ● Solicitar aos Estados-Membros e outras partes interessadas a incluírem as pessoas com deficiência em todas as fases da política e da tomada de decisões relacionadas com a resposta e recuperação do COVID-19; ● Reconhece o importante papel da sociedade civil, incluindo ONGs, mulheres e organizações baseadas na comunidade e lideradas por jovens, bem como a comunidade acadêmica e científica e o setor privado na resposta à COVID-19; ● Priorizar o financiamento da resposta COVID e UHC/Atenção Primária à Saúde como parte da preparação para uma pandemia. Adaptado por Lucas Xavier do artigo publicado pela NCD Alliance A recap of UNGA75: an analysis
- Rede de informações da Organização Mundial da Saúde para epidemias
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elaborou um manual, com a participação da sociedade, sobre "Participação Social para Cobertura Universal de Saúde", que foi apresentado em um webinar dia 27 de outubro. O objetivo do manual é apoiar os Estados Membros a empreender processos de engajamento de participação social no setor da saúde, fornecendo orientações de melhores práticas para os formuladores de políticas sobre como se envolver de forma eficaz e significativa com populações, sociedade civil e comunidades para a tomada de decisões e políticas. O manual aborda sobre: Introdução ao tema do engajamento com a população, sociedade civil, e as comunidades no planejamento nacional de saúde e nos processos de tomada de decisão Um ambiente propício para a participação social Representação na participação Capacidades necessárias para o envolvimento do governo mutuamente benéfico com populações, comunidades e sociedade civil Do envolvimento da população à tomada de decisões Estruturas legais para participação Sustentando o engajamento participativo ao longo do tempo Acesse o manual completo aqui.
- Fundador e coordenador do FórumDCNTs, alerta sobre o risco da 2ª onda do COVID-19
O Dr. Mark Barone, fundador e coordenador do FórumDCNTs, alerta para o risco da 2ª onda do COVID-19 e como isso pode afetar pessoas que têm doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e obesidade. Confira seu artigo na íntegra: "Fato é, número diário de contaminados e mortos pelo novo coronavírus no Brasil tem diminuído nas últimas semana. Como consequência, espaços de maior aglomeração como cinemas têm reaberto, a população tem sido menos cuidadosa (muitos já não usam máscara) e aqueles que até então não saíram de suas casa, estão começando a sair. Fato 2, esse mesmo cenário foi observado na Europa e o resultado? Muitos países como Bélgica, Irlanda, França e Alemanha, observando uma segunda onda com maior número de casos e hospitais mais lotados que na primeira onda, estão decretando lockdown (no caso da Irlanda, já iniciado e com duração prevista de 6 semanas). No Brasil, é fácil perceber o risco de a tendência de melhora rapidamente se inverter para uma segunda onda, com a diferença de já termos experimentado na primeira a incapacidade de o sistema de saúde dar conta de todos os casos e prevenir de forma efetiva o excesso de óbitos. Vou explicar porque digo excesso de óbitos. Desde a pandemia de SARS, no início dos anos 2000, se percebeu que pessoas com diabetes e outras doenças crônicas (DCNTs) tem uma evolução pior e maior risco de morte quanto infectadas pelo SARS (veja que a COVID-19 é provocada pelo SARS-CoV-2, portanto, vírus da mesma família que o SARS dos anos 2000). As primeiras publicações vindas da China e depois da Itália mostravam que a maior parte dos óbitos por COVID-19 eram pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições crônicas de saúde, além de pessoas idosas. O que o Brasil fez, então, para proteger essas pessoas? Muito pouco! Algumas declarações de que distribuiria medicamentos suficientes para 3 meses para essas pessoas, a fim de que não precisassem sair de suas casas mensalmente para ir à farmácia ou posto de saúde, atendeu menos de 23% dessa população. A consequência da ineficiente e descentralizada preparação e resposta do governo brasileiro à COVID-19 incentivou um outro estudos que publicamos, indicando que os diferentes estados não protegeram adequadamente as pessoas com diabetes nesse período. Como resultado, mais da metade das pessoas com diabetes tiveram piora de glicemia (aumento ou maior variabilidade) e mais de 38% tiveram que cancelar ou adiar seus atendimentos e exames. Com isso, fica clara a migração de toda essa população para um grupo com risco de morte ainda mais alto (diferentes pesquisas apontaram hiperglicemia e maior variabilidade como fatores preditores de pior prognóstico em caso de infecção por COVID-19), além de, a médio e longo prazo, uma população com risco de complicações crônicas muito aumentado. Para encerrar, vou apresentar dados do Ministério da Saúde, que identificam que entre os mortos por COVID-19, mais de 64% tinham uma ou mais comorbidades (no gráfico abaixo fica claro que em sua maioria, condições crônicas, especialmente diabetes e doenças cardiovasculares). Contudo, se observarmos os dados italianos, verificamos que, na realidade mais de 90% das mortes foram pessoas com condições crônicas de saúde (veja acima a queda no número de mortes sem contar essas pessoas). Estariam talvez esses dados do Brasil subestimados devido à grande proporção de pessoas que têm diabetes, hipertensão e não foram diagnosticadas, ou que têm obesidade e, erroneamente, não foi computada como comorbidade? Não parece que novas ações para proteger essas populações com diabetes e outras DCNTs tenham sido implementadas e que agora sim essas pessoas podem ficar mais tranquilas. Muito pelo contrário, a maioria das mortes por COVID-19 continua associada a esses grupos. Salvo alguns estados e municípios que conseguiram se organizar melhor, como a Bahia, através dos serviços à distância do CEDEBA e do telerrastreio em Vitória da Conquista, a maioria das pessoas com diabetes continua tendo que se arriscar indo ao posto ou farmácia buscar seus medicamentos mensalmente e sem acesso a teleconsultas e exames point-of-care (entidades como a ADJ Diabetes Brasil abriram serviços gratuitos de teleatendimento durante esse período para quem não consegue acesso à sua equipe de saúde). Portanto, o recado para a população e, especialmente para quem tem diabetes e outras DCNTs é: não descuide agora! Continue usando máscara, saindo de casa somente quando necessário, sem parar seu tratamento e mantendo sua glicemia, pressão arterial e outros parâmetros dentro do recomendado. E para os tomadores de decisão: não esperem a 2ª onda! Está mais do que na hora de implementar de verdade as medidas anunciadas no início da pandemia, assim como ampliar as estratégias para proteger os grupos de maior risco (ao invés disso, infelizmente temos acompanhado decisões que reafirmam ou aumentam burocracia para acesso a medicamentos)." Referências Figura 29, publicada no Boletim Epidemiológico coronavírus - N34, site: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/October/08/Boletim-epidemiologico-COVID-34.pdf Barone MTU, Harnik SB, de Luca PV, Lima BLS, Wieselberg RJP, Ngongo B, Pedrosa HC, Pimazoni-Netto A, Franco DR, Marinho de Souza MF, Malta DC, Giampaoli V. The impact of COVID-19 on people with diabetes in Brazil. Diabetes Res Clin Pract. 2020 Aug;166:108304. doi: 10.1016/j.diabres.2020.108304. Sleep-wake cycle impairment adding on the risk for COVID-19 severity in people with diabetes Barone MTU, Ngongo B, Menna-Barreto L. Sleep-wake cycle impairment adding on the risk for COVID-19 severity in people with diabetes. Sleep Sci.0;0(0):1-4 Ugliara Barone MT, Harnik SB, Chaluppe M, Vieira de Luca P, Ngongo B, Pedrosa HC, Pirolo V, Franco DR, Malta DC, Giampaoli V. Decentralized COVID-19 measures in Brazil were ineffective to protect people with diabetes. Diabetes Metab Syndr. 2020 Oct 7;14(6):1973-1978. doi: 10.1016/j.dsx.2020.10.005.
- Política sobre rotulagem na frente da embalagem dos alimentos
A má alimentação é responsável por mais mortes em todo o mundo do que qualquer outro fator de risco e é uma das principais causas de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Estimativas globais sugerem que quase 2,3 bilhões de crianças e adultos estão acima do peso. A crescente disponibilidade de alimentos ultraprocessados, que contêm altos níveis de açúcares, sódio, gorduras saturadas e carboidratos refinados, é um dos principais contribuintes para a atual epidemia de obesidade. No 16 de outubro de 2020, Dia Mundial da Alimentação, a WHF lançou seu último Policy Brief sobre Rotulagem na Frente da Embalagem (FOPL) para ajudar a enfrentar esse desafio crescente. O resumo analisa as evidências mais recentes sobre os diferentes sistemas FOPL, compartilha histórias de sucesso de todo o mundo e conclui com um conjunto de recomendações de políticas para dar aos governos as ferramentas de que precisam para selecionar o sistema FOPL que melhor atenderá às necessidades de suas populações.












