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- Iniciativa inédita, OMS lança plano para a pesquisa sobre demência
O plano visa fornecer orientação aos formuladores de políticas, financiadores e à comunidade de pesquisadores. A demência é um dos maiores desafios de saúde da nossa geração. “Embora a demência seja a 7ª principal causa de morte em todo o mundo, a pesquisa de demência é responsável por menos de 1,5% da produção total de pesquisa em saúde”, disse o Dr. Soumya Swaminathan, cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Infelizmente, estamos ficando para trás na implementação do plano de ação global sobre a resposta de saúde pública à demência. Abordar a demência de forma abrangente exige que pesquisa e inovação sejam parte integrante da resposta.” Estratégias são necessárias para melhor compreender, prevenir e tratar as doenças subjacentes que causam demência e, ao mesmo tempo, prestar cuidados e apoio às pessoas com demência e seus cuidadores. Além disso, a pesquisa sobre demência precisa ser conduzida em um ambiente propício, onde as colaborações sejam promovidas e o investimento equitativo e sustentável seja realizado. Com esses objetivos, a OMS desenvolveu um plano para pesquisa sobre demência, que representa a primeira iniciativa deste tipo da organização para lidar com condições/doenças crônicas não transmissíveis (CCNTs/DCNTs). O plano visa fornecer orientação aos formuladores de políticas, financiadores e à comunidade científica sobre a pesquisa da demência, tornando-a mais eficiente, equitativa e impactante. Especificamente, o plano para a pesquisa de demência: baseia-se em lições aprendidas com os esforços da OMS para priorizar a pesquisa e coordenar as atividades de pesquisa para doenças infecciosas; considera todo o espectro de pesquisa de demência, incorporando diagnósticos e terapêuticas, bem como avanços científicos e tecnológicos emergentes, como inteligência artificial, multiômica e biomarcadores; abrange epidemiologia, economia da saúde, pesquisa sobre cuidados e cuidadores, redução de riscos e saúde do cérebro ao longo da vida; fornece insights sobre diferentes impulsionadores da pesquisa, como financiamento sustentável, diversidade e equidade, e o envolvimento de pessoas com experiência vivida de demência ao longo do processo de desenvolvimento da pesquisa. “Podemos alcançar progresso na pesquisa de demência fortalecendo e monitorando os fatores de pesquisa destacados no Blueprint para que se tornem a norma para boas práticas de pesquisa”, disse o Dr. Ren Minghui, Diretor-Geral Adjunto da Divisão de Cobertura Universal de Saúde /Doenças Transmissíveis e Não Transmissíveis da OMS. A OMS incentiva as agências de pesquisa nacionais e internacionais, juntamente com outros órgãos de financiamento, a usar este plano para informar os próximos fluxos de financiamento e operacionalizar os impulsionadores da pesquisa. A sociedade civil pode garantir que os esforços de advocacia também sejam alinhados, apoiando a busca por um cenário de pesquisa mais equitativo, eficiente e colaborativo. Além disso, os pesquisadores podem apoiar a realização de marcos e objetivos estratégicos deste plano, abordando as lacunas de pesquisa identificadas. A OMS trabalhará com todas as partes interessadas nos setores relevantes para garantir que as ações descritas no plano sejam implementadas, os marcos sejam alcançados e os objetivos estratégicos sejam alcançados, com o objetivo final de melhorar a qualidade de vida e o apoio oferecido às pessoas que vivem com demência , seus cuidadores e familiares. Para obter mais informações, visite a página do projeto de pesquisa A blueprint for dementia research e a página sobre demência da OMS (Dementia). Texto traduzido e adaptado de Launch of WHO’s first blueprint for dementia research.
- 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana aprova a Política de Melhoria da Saúde Mental
Documentos inclui 5 linhas estratégicas de ação e convoca Estados Membros a considerar a saúde mental como prioridade. Ministros da Saúde e autoridades de alto nível de todas as Américas discutiram e aprovaram a Política para Melhoria da Saúde Mental durante a 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana, em Washington (DC), realizada entre os dias 26 e 30 de setembro. A nova política orientará a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) a apoiar os Estados Membros em sua cooperação técnica para melhorar a saúde mental como prioridade para o avanço do desenvolvimento sanitário, social e econômico na Região no contexto da pandemia de COVID-19. A política inclui 5 linhas estratégicas de ação: 1) Construir liderança, governança e parcerias multissetoriais de integração da saúde mental em todas as políticas; 2) Melhorar a disponibilidade, acessibilidade e qualidade dos serviços comunitários para saúde mental e uso de substâncias; 3) Avançar nas estratégias e atividades de promoção e prevenção ao longo da vida; 4) Reforçar a integração da saúde mental e apoio psicossocial em contextos de emergência e 5) Fortalecer dados, evidências e pesquisas. A 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana instou os governos a promover o aumento do investimento, tanto financeiro quanto humano, para cuidados de saúde mental e construir sistemas de saúde mental mais fortes e resilientes para o período pós pandemia. Além disso, melhorar e ampliar os cuidados de saúde mental comunitários equitativos e abrangentes, e integrar ainda mais a saúde mental em todos os níveis de atenção, para assim garantir o progresso em direção à cobertura universal de saúde. Lições aprendidas com a pandemia do COVID-19 para enfrentar os desafios do futuro Ainda durante a 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana, foi realizado um evento paralelo para discutir as lições aprendidas com a pandemia de COVID-19 no enfrentamento aos desafios de saúde mental da Região para o futuro, como mudanças climáticas e desigualdade. “Os Estados Membros da OPAS encontraram abordagens inovadoras para responder às demandas de saúde mental durante a pandemia de COVID-19, incluindo o uso da telessaúde”, disse o Diretor da OPAS, Dr. Jarbas Barbosa da Silva Jr., do Brasil. “Mas é preciso muito mais para garantir uma verdadeira transformação da saúde mental por meio de ações políticas no mais alto nível, parcerias multissetoriais fortalecidas, investimentos em infraestrutura, recursos humanos e serviços”, concluiu. A seguir, confira alguns documentos importantes: Relatório Oficial da 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana. Clique aqui. Diretrizes da OMS sobre Saúde Mental no Trabalho: o material fornece recomendações baseadas em evidências para promover a saúde mental, prevenir problemas de saúde mental e permitir que pessoas que vivem com problemas de saúde mental participem e prosperem no trabalho. Clique aqui. Guia de Orientação sobre Serviços Comunitários de Saúde Mental: promovendo abordagens centradas na pessoa e baseadas em direitos. Clique aqui. Fonte: OPAS
- OPAS divulga informe sobre regulação da publicidade de produtos alimentícios nas Américas
Documento traz estudos de casos do Brasil, Chile, México e Peru. A regulamentação da publicidade de alimentos é uma política fundamental para reduzir a demanda de produtos nocivos. Alguns países específicos dispõem de legislação sobre a publicidade desses itens, enquanto em outros consta na regulamentação vigente a ser informada. Nesse sentido, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) divulgou um informe sobre a regulamentação da publicidade, reforçando a importância de se respeitar, proteger e cumprir as obrigações relativas aos direitos humanos, em especial os diretos à saúde e à alimentação adequada. Segundo a OPAS, a publicidade de produtos alimentícios não saudáveis explora crenças, desejos ou ilusões irracionais que enfraquecem decisões racionais e autocontrole, contribuindo negativamente para o desequilíbrio da alimentação das populações e a prevalência de obesidade e sobrepeso na Região das Américas e no mundo. A indústria alimentícia investe cada vez mais dinheiro em estratégias de marketing que seduzem a todos consumidores e influenciam sua capacidade de escolher opções saudáveis. Isso afeta especialmente as crianças e adolescentes, pois funções cognitivas estão se desenvolvendo, e portanto alguns deles não conseguem distinguir mensagens com intenção persuasiva. O documento, disponibilizado no site da OPAS em espanhol, traz estudos de casos do Brasil, Chile, México e Peru e a experiência adquirida nesses países visando à melhoria da proteção do direito a uma alimentação saudável como parte das estratégias de saúde pública. O exemplo brasileiro destacado no informe é o caso do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que considerou abusiva a campanha publicitária do produto "Gulosos" por ser dirigida a meninos e meninas. Além disso, a publicidade em questão representou um caso de venda cruzada no que meninos e meninas foram convidados a consumir o produto mencionado para obter um relógio colecionável de Shrek. Esta campanha publicitária, conhecida como "É hora de Shrek", condicionou a aquisição de um relógio associada ao referido caráter infantil, com a apresentação de cinco embalagens do produto mais a soma de R$ 5. Clique aqui para acessar o informe. Fonte: OPAS
- OPAS lança novas Fichas Técnicas da Série Álcool e Saúde
Material visa à conscientização sobre os danos relacionados ao consumo de álcool, responsável por mais de 200 doenças e lesões. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), com apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), lançou em setembro três novas Fichas Técnicas da Série Álcool e Saúde, nas quais analisa como a ingestão de bebidas alcoólicas afeta o sono, o cérebro e favorece o desenvolvimento de mais de 200 doenças e lesões específicas. As fichas são dirigidas ao público geral da Região das Américas para aumentar a sensibilização sobre os danos relacionados ao uso de álcool. De acordo com a OPAS, o álcool, substância psicoativa com propriedades que causam dependência, tem sido amplamente utilizado em muitas culturas durante os séculos. Seu uso nocivo tem um grande peso na carga de doenças, além de um ônus social e econômico para as sociedades. O álcool afeta as pessoas e as sociedades de muitas formas e seus efeitos são determinados pelo volume consumido, pelos padrões de consumo e, em raras ocasiões, pela qualidade do álcool. O uso nocivo do álcool também pode resultar em danos a outras pessoas, como membros da família, amigos, colegas de trabalho ou estranhos. Além disso, o uso nocivo de bebidas alcoólicas resulta em um fardo significativo em termos sociais, econômicos e de saúde. O folheto informativo sobre os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) define e descreve os TEAF, suas consequências ao longo da vida e importância de reconhecê-los. Também destaca o diagnóstico, intervenção e conscientização sobre o tema, além de ações importantes para o público-alvo. A segunda ficha traz o tema Álcool e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No material é descrito como o consumo de álcool está ligado a problemas de saúde e desigualdade sustentável, e se tornou uma barreira ao desenvolvimento da produção. Já a ficha técnica sobre os Serviços de saúde voltados ao uso nocivo de álcool e transtornos por uso de álcool: evidências mais recentes fornece ensaios recentes sobre triagem e intervenções breves para o tratamento de problemas de álcool, bem como sobre os transtornos por uso de álcool. Além disso, é apresentado serviços de tratamento em sistemas de saúde como outras modalidades de tratamento farmacológico e comportamental. Todos os materiais estão disponíveis em português. Acesse a série completa sobre Álcool e Saúde aqui. Fonte: OPAS
- NCD Alliance desenvolve Agenda Global de DCNTs para mitigar ameaças trazidas pela COVID-19
A NCD Alliance desenvolveu a Agenda Global de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) para a Resiliência e Recuperação da crise da COVID-19, com a finalidade de responder à crise atual instalada pela pandemia, e que está longe de terminar, e ajudar os gestores políticos na reconstrução do país, além de se preparar para as ameaças futuras. As recomendações destinam-se a apoiar os líderes e decisores políticos a intensificar ações e investimentos políticos equitativos e rentáveis para reforçar a saúde da população e construir sistemas de saúde mais resilientes. O material apresenta 12 recomendações a partir de três pilares: 1. Governação: Redefinir prioridades e poder, e aferir o que importa; 2. Prevenção: Dar prioridade à saúde da população como caminho para se estar preparado; 3. Sistemas de saúde: Mais justos e aptos para o futuro. Segundo a NCD Alliance, as respostas para os desafios impostos pela pandemia até à data têm sido inadequadas, revelando falhas na solidariedade internacional e agravando as desigualdades. No entanto, a resposta à pandemia proporciona uma oportunidade de aprender algumas lições e assegurar que as inovações, recursos e tecnologias mobilizadas possam também ter um impacto transformador no combate às DCNTs mundialmente predominantes, que matam anualmente mais de 40 milhões de vidas e conduzem cerca de 100 milhões de pessoas à pobreza. Para a NCD, a forma como as DCNTs forem abordadas pela ação política futura, incluindo a discussão do tratado internacional sobre pandemias, irá aumentar ou diminuir a eficácia da resposta pandêmica. Assim, a Agenda Global de DCNTs para a Resiliência e Recuperação da crise da COVID-19 apresenta soluções vantajosas para todas as partes, com o intuito de garantir que todos os países possam se recuperar de forma mais sólida e abraçar um futuro mais seguro e saudável. A agenda é guiada pelos princípios de equidade e qualidade dos cuidados, colocando as pessoas em primeiro lugar. As recomendações são fundamentadas por peritos de saúde global, incluindo pessoas que vivem com DCNTs e organizações da sociedade civil. Clique aqui para acessar o documento. Fonte: NCD Alliance
- OMS busca membros para Grupo Consultivo (TAG) de Eliminação de Gordura Trans
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está procurando especialistas para atuar como membros do Grupo Consultivo (TAG) de Eliminação de Gordura Trans, que faz recomendações sobre a concessão do certificado de validação da OMS. Serão selecionadas até 12 pessoas com conhecimento, habilidades e experiência distintas em: ciência da alimentação e nutrição; tecnologia de alimentos; laboratório de alimentos; controle e regulamentação de alimentos; nutrição epidemiologia e política alimentar e nutricional. O Programa de Validação da OMS para a Eliminação da Gordura Trans reconhecerá os Membros que possuem uma estrutura normativa para eliminar os ácidos graxos trans produzidos pela indústria de alimentos, concedendo-lhes um certificado de Validação da OMS para a Eliminação da Gordura Trans. Nesse contexto, a OMS institui o Grupo Consultivo com o objetivo de garantir independência, rigor científico e transparência no julgamento da concessão do certificado de validação da OMS. São duas as principais funções do TAG: 1) Revisar e avaliar os pedidos apresentados pelos Estados Membros para a concessão do certificado de validação da OMS, incluindo qualquer documentação de apoio; 2) Fornecer recomendações à OMS sobre a concessão do certificado de validação da OMS aos Estados Membros requerentes. Os profissionais que desejam participar do TAG podem manifestar seu interesse até dia 03 de novembro de 2022 para NFS@who.int usando a linha de assunto “Manifestação de interesse para o TFATAG”. O e-mail deve conter: Uma carta de apresentação (máximo de 2 páginas), indicando sua motivação para se candidatar e descrevendo como você atende aos critérios de seleção. Observe que, se selecionado, a associação será a título pessoal. Portanto, não use o papel timbrado ou outra identificação do seu empregador. O seu curriculum vitae (CV) (máximo 5 páginas); Uma lista de publicações revisadas por pares; Um formulário de Declaração de Interesses (DOI) assinado e preenchido para especialistas da OMS, disponível aqui . Após o envio, sua manifestação de interesse será analisada pela OMS. Devido ao alto volume esperado de inscrições, apenas indivíduos selecionados serão informados. Para saber mais, clique aqui. Fonte: World Health Organization
- FórumDCNTs participa do 9º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer
Entre os dias 27 e 29 de setembro aconteceu o 9º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) na cidade de São Paulo, com transmissão online e a participação de vários especialistas em oncologia, além de representantes de diversas entidades públicas e privadas e 200 palestrantes. As palestras abordaram a atenção oncológica, por meio de painéis simultâneos, palestras satélites, simpósios multiprofissionais e podcasts, que proporcionaram a troca de informações e experiências entre os diferentes públicos do evento, seja de forma presencial ou online. O fundador e coordenador do FórumDCNTs, Dr. Mark Barone, moderou o painel "Trabalho em rede: quando a colaboração e advocacy promovem impacto social" do 1º dia de congresso TJCC. O painel demonstrou como acontece a criação de um trabalho em conjunto; como engajar organizações em prol da causa e o poder que a colaboração e o advocacy têm para promover transformações sociais. Entre os painelistas estiveram a Sra. Marília Albiero, Membro da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável e Facilitadora do Grupo Temático de Alimentação Saudável do FórumDCNTs, a Dra. Cristina Perez, Diretora de Desenvolvimento de Capacidades da NCD Alliance), o Sr Wellington Nogueira, Fundador do Doutores da Alegria, Dra. Tania Cavalcanti, da Organização Mundial da Saúde, a Sra. Luana Ferreira, Coordenadora de Políticas Públicas e Advocacy da ABRALE, e a Sra. Nayara Landim, Relações Institucionais e Governamentais do Movimento TJCC e Facilitadora do Grupo Temático de Oncologia do FórumDCNTs. Clique aqui e assista ao vídeo. Na foto: Dr. Mark Barone, coordenador do FórumDCNTs (2ª pessoa da esquerda para a direita), que moderou um dos painéis do 9º TJCC
- Colesterol alto está entre as principais causas de morte
Para controle do colesterol é preciso engajar a população em atividades físicas e alimentação saudável, além de diagnosticar e tratar alterações sem demora. O colesterol é muito importante na formação das estruturas de todas as células do corpo humano, bem como na produção de hormônios, dos ácidos biliares, que atuam na digestão de gorduras, e da vitamina D. Ao mesmo tempo, ele se torna um problema quando os níveis de LDL, conhecido como colesterol ruim, estão muito elevados. Como consequência, ocorre acúmulo de gordura nas artérias, contribuindo para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, infarto e AVC, principais causas de morte no país e no mundo. Das 17 milhões de mortes prematuras (pessoas com menos de 70 anos), por condições crônicas não transmissíveis ocorridas no mundo em 2019, 38% foram causadas por doenças cardiovasculares. De acordo com documento publicado pela OMS em setembro de 2022, 86% das mortes por doenças cardiovasculares poderiam ter sido evitadas ou retardadas por meio de prevenção e tratamento. Um dos maiores obstáculos para o diagnóstico e tratamento precoce da elevação do colesterol e dos triglicerídeos, ou dislipidemia, é a ausência de sintomas na maior parte dos casos. Em relação aos fatores de risco causadores da elevação do colesterol, o principal deles é o consumo excessivo de gordura saturada, encontrada em alimentos como carne vermelha e pele de frango, e em produtos ultraprocessados. De acordo com a nutricionista Dra. Valéria Machado, Coordenadora do Ambulatório de Nutrição do setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autora do livro Nutrição em Cardiologia, “a gordura saturada traz palatabilidade, ou seja, mais sabor ao alimento, mas aumenta o colesterol LDL”. Durante anos, o ovo foi considerado um grande inimigo do colesterol. Mas a Dra. Valéria esclarece que hoje “não existe um determinado alimento que seja o vilão da história, assim como não há um superalimento que forneça todos os nutrientes que precisamos. O que existe é a palavra equilíbrio. Em linha geral, devemos adotar uma alimentação equilibrada”. Ela destaca também a importância da educação das famílias sobre alimentação saudável. “Estudos mostram que o consumo de 3 porções de fruta por dia, além de 2 porções de legumes e 2 porções de verduras reduz em 30% o risco de morte por doença cardiovascular.” Outra causa do colesterol alto é a Hipercolesterolemia Familiar (HF), uma doença silenciosa e grave, provocada por “uma falha genética que altera a retirada do colesterol, pelo organismo, da circulação sanguínea, provocando seu acúmulo”, explica Patrícia Vieira de Luca, Cofundadora do FórumDCNTs e CEO da Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF). “Adultos com colesterol total acima de 310 mg/dL e crianças e adolescentes com colesterol total acima de 230 mg/dL devem pensar em HF”, acrescenta. Estima-se que no mundo todo existam mais de 34 milhões de pessoas com HF. No entanto, menos de 10% têm diagnóstico conhecido e menos de 25% recebe tratamento hipolipemiante, para baixar o colesterol no sangue. No Brasil, estima-se que 1 a cada 263 pessoas vive com HF, o equivalente a cerca de 800 mil indivíduos. Segundo Patrícia, a HF se manifesta com níveis aumentados de colesterol total e LDL desde a infância, expondo todo o sistema cardiovascular e provocando morte prematura por infarto ou AVC. “O primeiro grande desafio é o diagnóstico precoce para que seja feito o tratamento o mais breve possível. Infelizmente, a pessoa descobre que tem HF após o primeiro evento cardiovascular. “Por isso, insistimos no rastreamento universal de crianças a partir dos 10 anos de idade, principalmente, quando há casos na família de morte prematura por eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC". Dra. Valéria completa que “pessoas com HF devem manter uma alimentação saudável e o uso do medicamento sempre. Essa recomendação está na última Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (2021), que todos os profissionais da área da saúde precisam conhecer para atender bem a pessoa”. Fonte: FórumDCNTs
- Consulta Pública sobre Manutenção das Insulinas Análogas de Ação Prolongada no SUS até 3/10/2022
Através da presente recomendação, o FórumDCNTs pretende mobilizar os parceiros e todas as pessoas físicas e entidades interessadas a contribuírem com a Consulta Pública CONITEC nº 59/2022 - Alteração das insulinas análogas de ação prolongada para o tratamento de diabetes mellitus tipo 1, através do link: https://www.gov.br/conitec/pt-br/assuntos/participacao-social/consultas-publicas O Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil (FórumDCNTs) reúne e facilita parcerias entre as mais de 100 principais instituições não governamentais (ONGs), empresas da área de saúde, universidades e órgãos do governo. Dentre os principais temas tratados está o diabetes, uma das cinco principais DCNTs/CCNTs devido à sua alta prevalência global, complicações microvasculares e macrovasculares que causam impacto na qualidade de vida, absenteísmo, entre outros. O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma das condições crônicas mais comuns da infância, mas pode ocorrer em qualquer idade. É causado por um processo autoimune em que o sistema imune ataca as células beta produtoras de insulina do pâncreas, pelo que pessoas com DM1 precisam de aplicações diárias de insulina para manter o nível de glicemia em um intervalo apropriado. Chamamos a atenção para o fato de a recomendação preliminar da CONITEC ser favorável à manutenção da incorporação das insulinas análogas de ação prolongada no SUS. O FórumDCNTs concorda com a recomendação preliminar da CONITEC e considera que a manutenção das insulinas análogas de ação prolongada no SUS será um passo importante para melhorar a situação crítica da DM1 no Brasil, conforme foi apontado no estudo do T1D Index. (1) Dada a importância do assunto, o FórumDCNTs recomenda que as instituições e pessoas físicas interessadas se manifestem nesta consulta pública, uma vez que a matéria será debatida novamente após a consulta pública, e uma revisão negativa da recomendação preliminar representaria a desincorporação destes análogos de insulina de ação prolongada no SUS. Em 2019, as insulinas análogas de ação prolongada foram incorporadas no SUS para o tratamento do DM1, com a condicionante do preço ser igual ou inferior ao da insulina NPH. Esta condicionante impossibilitou a compra e distribuição às pessoas com DM1 e, a ser mantida, será um empecilho insuperável para a real incorporação no SUS. O preço mais elevado destas insulinas análogas de ação prolongada é amplamente compensado, mesmo economicamente, conforme os argumentos que apresentamos abaixo. Em 2021, a OMS adicionou os análogos de insulina de ação prolongada - insulinas degludeca, detemir e glargina e seus biossimilares - à sua Lista de Medicamentos Essenciais. Esta lista e a de Medicamentos Essenciais Pediátricos identificam os medicamentos que proporcionam os maiores benefícios e que deveriam estar disponíveis e acessíveis para todos; no caso dos análogos de insulina, a agência ressalta que a qualidade de vida das pessoas com diabetes melhora com uma maior flexibilidade no momento e na dosagem dos análogos da insulina. (2) Uma revisão sistemática de 65 estudos clínicos examinando 14.200 pessoas com DM1 feita em 2021 sugere que os análogos de insulina de ação prolongada foram superiores às insulinas de ação intermediária (por exemplo, NPH) em áreas-chave, incluindo incidência de hipoglicemia grave e noturna, reduções de hemoglobina glicada, de glicemia em jejum e de ganho de peso. (3) Outra publicação de 2018 que analisou 25 estudos clínicos relatou que os análogos de insulina de ação prolongada produziram uma redução da hemoglobina glicada clínica e estatisticamente significativa em relação à insulina NPH. Em relação à hipoglicemia geral e à noturna, os resultados também favorecem os análogos de insulina de ação prolongada, tendo o risco de episódios de hipoglicemia sido reduzido. (4) As insulinas análogas de ação prolongada têm perfis de ação relativamente planos e previsíveis em comparação com a insulina NPH, tendo sido desenvolvidos especificamente para atenuar/resolver os problemas de picos variáveis de atividade e durações imprevisíveis de ação observados com as formulações tradicionais de insulina humana. (5) Diversos estudos mostram ainda que os custos mais altos de aquisição de análogos de insulina de ação prolongada podem ser total ou parcialmente compensados pela economia de custos de hipoglicemias evitadas e outras complicações associadas ao diabetes. (6-9) Uma revisão sistemática de 117 estudos clínicos publicada em 2018 mostrou que apesar das pessoas com diabetes que usaram análogos de insulina de ação prolongada terem custos com medicamentos mais altos do que aqueles que usaram NPH, os seus custos totais e relacionados ao diabetes foram neutros ou reduzidos em comparação às pessoas com diabetes que não usaram esses análogos. Modelos econômicos sugerem que os análogos de insulina de ação prolongada são mais rentáveis do que a NPH para DM1. (7) Nos países de baixa e média renda, como o Brasil, a insegurança alimentar pode dificultar o consumo regular de alimentos necessários quando a NPH é usada. A NPH está associada a eventos de hipoglicemia mais graves. Além disso, o acesso ao glucagon, um produto de alto custo usando em caso de hipoglicemia grave, é bastante limitado. Análogos da insulina de ação prolongada, com ação mais previsível e estável, permitem maior flexibilidade no número e horário das refeições e podem estar associados a uma melhor adesão quando comparados à NPH. (3) Reiteramos que o FórumDCNTs convida todas as pessoas físicas e entidades interessadas a participarem nesta Consulta Pública, uma vez que a utilização das insulinas análogas de ação prolongada melhora a qualidade de vida das pessoas com DM1, permitindo que vivam uma vida ativa sem sacrificar o necessário controle glicêmico. (10) Para participar, é necessário acessar o link https://www.gov.br/conitec/pt-br/assuntos/participacao-social/consultas-publicas e fazer o cadastro no site GOV.BR, seguindo as orientações. As pessoas com DM1, familiares, amigos, profissionais de saúde que queiram contribuir com as suas opiniões e experiências sobre o uso dos análogos de insulina de ação prolongada para o tratamento de DM1, devem acessar o formulário de experiência e opinião: https://www.gov.br/participamaisbrasil/consulta-publica-conitec-sctie-n-59-2022-opiniao-insulinas Para apresentar uma contribuição técnica (evidências científicas e/ou clínicas, impacto econômico, outras contribuições), é necessário acessar o formulário técnico científico: https://www.gov.br/participamaisbrasil/consulta-publica-conitec-sctie-n-59-2022-tecnico-cientifico-insulinas . ............................................................................................... Referências 1. Lançado Maior Estudo Epidemiológico de Diabetes Tipo 1 e Ferramenta para Simulações da JDRF. Disponível em: https://www.forumdcnts.org/post/t1dindex-brasil-2022 2. WHO prioritizes access to diabetes and cancer treatments in new Essential Medicines Lists. Disponível em: https://www.who.int/news/item/01-10-2021-who-prioritizes-access-to-diabetes-and-cancer-treatments-in-new-essential-medicines-lists 3. Tricco, A.C., Ashoor, H.M., Antony J., et al.. Comparative Efficacy and Safety of Ultra-Long-Acting, Long-Acting, Intermediate-Acting, and Biosimilar Insulins for Type 1 Diabetes Mellitus: a Systematic Review and Network Meta-Analysis. J Gen Intern Med. 2021 Aug;36(8):2414-2426. doi: 10.1007/s11606-021-06642-7. 4. Laranjeira, F.O., Andrade, K.R.C., Figueiredo, A.C.M.G, et al.. Long-acting insulin analogues for type 1 diabetes: An overview of systematic reviews and meta-analysis of randomized controlled trials. PLoS One. 2018 Apr 12;13(4):e0194801. doi: 10.1371/journal.pone.0194801. 5. Brunton, S.A.. Nocturnal hypoglycemia: answering the challenge with long-acting insulin analogs. MedGenMed. 2007 May 17;9(2):38. PMID: 17955093; PMCID: PMC1994862. 6. Godman, B., Wladysiuk, M., McTaggart, S., et al.. Utilisation Trend of Long-Acting Insulin Analogues including Biosimilars across Europe: Findings and Implications. Biomed Res Int. 2021 Oct 11;2021:9996193. doi: 10.1155/2021/9996193. 7. Alemayehu, B., Speiser, J., Bloudek, L., Sarnes E.. Costs associated with long-acting insulin analogues in patients with diabetes. Am J Manag Care. 2018 Jul;24(8 Spec No.):SP265-SP272. PMID: 30020738. 8. Lee, T.Y., Kuo, S., Yang, C.Y., Ou, H.T.. Cost-effectiveness of long-acting insulin analogues vs intermediate/long-acting human insulin for type 1 diabetes: A population-based cohort followed over 10 years. Br J Clin Pharmacol. 2020 May;86(5):852-860. doi: 10.1111/bcp.14188. 9. Gururaj, S. S., Crasto, W., Jarvis, J., et al..New insulins and newer insulin regimens: a review of their role in improving glycaemic control in patients with diabetes.Postgraduate Medical Journal 2016;92:152-164. 10. Mathieu, C., Gillard, P., Benhalima, K. Insulin analogues in type 1 diabetes mellitus: getting better all the time. Nat Rev Endocrinol 13, 385–399 (2017). doi: https://doi.org/10.1038/nrendo.2017.39
- Prêmio Péter Murányi 2023 está com inscrições abertas para projetos sobre Saúde
A Fundação Péter Murányi está com inscrições abertas até o dia 15 de outubro para o Prêmio Péter Murányi 2023, que tem como tema “Saúde”. São oferecidos R$ 250 mil, troféu e certificado de reconhecimento público para os trabalhos que tenham proporcionado benefícios comprovados para a sociedade de países em desenvolvimento. Podem participar pessoas físicas indicadas por instituições de ensino previamente cadastradas, institutos e empresas. Os projetos devem atender três critérios: abordagem inovadora, aplicação prática com resultados que comprovem sua eficácia e melhoria na qualidade da vida das populações em desenvolvimento. A entrega do prêmio está prevista para abril de 2023. A Fundação Péter Murányi foi instituída em 1999 com o objetivo de reconhecer e premiar trabalhos que, de forma inovadora e prática, contribuam para a melhoria da qualidade de vida das populações. Inscrições aqui.
- Instituto Desiderata lança panorama sobre o câncer infantojuvenil no Brasil
Por ano, 8.500 novos casos de câncer são diagnosticados em crianças e adolescentes no país. Diagnóstico precoce e tratamento adequado aumentam chances de cura. O Instituto Desiderata elaborou o primeiro Panorama de Oncologia Pediátrica no Brasil, trazendo informações regionais e estaduais sobre o perfil do câncer infantojuvenil, o acesso ao tratamento e o monitoramento da informação no país. O material foi construído com o apoio técnico de profissionais da Fundação do Câncer, do Instituto Nacional de Câncer e da Iniciativa Global da Organização Mundial da Saúde para o Câncer Infantil na América Latina e Caribe. O câncer é uma doença complexa, mas que tem enormes chances de sucesso no tratamento quando diagnosticada oportunamente. Na oncologia pediátrica (faixa etária de 0 a 19 anos), a cura pode ser de até 80% dos casos. No Brasil, anualmente, cerca de 8.500 novos casos de câncer são diagnosticados em crianças e adolescentes. Isso corresponde a cerca de 2-3% do total dos casos de câncer diagnosticados e é a principal causa de morte por doenças nessa idade (importante observar que no país o que mais mata crianças são as chamadas causas externas, as violências, depois vem o câncer). O documento conta ainda com reflexões de vários profissionais de saúde sobre o cenário atual e as perspectivas futuras sobre o câncer infantojuvenil no Brasil. As análises foram realizadas com os dados mais atuais disponibilizados nos sistemas de informação sobre mortalidade, os dados populacionais, dados de estabelecimento de saúde, registros de câncer de base hospitalar e populacional. As informações analisadas são até o ano de 2019, não refletem o impacto da pandemia de COVID-19, que só poderá ser mensurado nas próximas edições. No território brasileiro, existem 30 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) ativos e três em fase de implantação. Os dados sistematizados nesses centros subsidiam o planejamento e a avaliação de programas de prevenção e controle do câncer, e a qualidade das informações coletadas é fundamental nesse processo. Faça o download do Panorama de Oncologia Pediátrica no Brasil aqui. Fonte: Instituto Desiderata
- Recomendações do FórumDCNTs são incorporadas em propostas para governadores de SP
No dia 20 de setembro, o FórumDCNTs participou do evento Seminário Proposta Saúde São Paulo, realizado pelo SindHosp na capital paulista, e que marcou o lançamento da edição ampliada da Proposta Saúde São Paulo. O evento reuniu os responsáveis pela plataforma de saúde dos três principais candidatos ao Governo do Estado de São Paulo para debater as propostas apresentadas nessa iniciativa do SindHosp. Na abertura do evento, o presidente do SindHosp, Dr. Francisco Balestrin, explicou que a Proposta Saúde São Paulo é o resultado do trabalho de 15 meses, liderado pelo SindHosp, que envolveu cerca de 150 lideranças de vários segmentos da saúde, entre elas Dr. Mark Barone, coordenador geral do FórumDCNTs e vice-presidente Global da Federação Internacional de Diabetes (IDF), além de agentes políticos, associações de pessoas com DCNTs, órgãos de classe, indústria e prestadores de serviços que atuam tanto no setor público quanto no privado. O documento reúne 10 propostas importantes na direção de promover e desenvolver um sistema de saúde mais inclusivo, eficaz e sustentável. De acordo com Dr. Balestrin, os objetivos da Proposta Saúde São Paulo são: construir uma agenda de curto, médio e longo prazo para saúde dos paulistas; aumentar o acesso à saúde e proporcionar uma rede assistencial mais qualificada e ampla; fortalecer a capacidade de respostas às demandas e garantir a sustentabilidade; e potencializar sinergias entre os setores público e privado. O próximo passo será reunir coordenadores e assessores técnicos do governador eleito, antes de assumir o Governo, para debater um Planejamento para a Saúde e na sequência agendar Diálogos Saúde SP com senadores e deputados federais eleitos por São Paulo para debater uma agenda legislativa propositiva para a saúde no Estado. Confira a íntegra da proposta aqui. Texto escrito com informações do site do SindHosp.












