Quatro em cada dez casos de câncer poderiam ser evitáveis, alerta OMS no Dia Mundial do Câncer
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Atualizado: há 4 minutos
Em um novo relatório global divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês), especialistas apontam que até 37% dos casos de câncer diagnosticados em 2022, cerca de 7,1 milhões, estão associados a fatores evitáveis. O estudo, publicado em 3 de fevereiro, às vésperas do Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, destaca que grande parte desses casos pode ser evitados por meio de políticas públicas eficazes e mudanças nos estilos de vida.

Segundo o relatório, entre os 30 fatores de risco analisados estão tabagismo, consumo de álcool, obesidade, sedentarismo, poluição do ar e exposição à radiação ultravioleta, além de nove infecções causadoras de câncer consideradas pela primeira vez na análise.
O tabagismo surge como principal fator evitável, responsável por cerca de 15% dos novos casos no mundo, seguido por infecções relacionadas ao câncer (10%) e consumo de álcool (3%). Três tipos de câncer (pulmão, estômago e colo do útero) representaram quase metade de todos os casos atribuíveis a causas evitáveis.
O estudo também aponta que a carga de câncer evitável é maior entre os homens (45% dos casos) do que entre as mulheres (30%), refletindo diferenças nos comportamentos de risco e fatores de exposição.
No Brasil, a condição também representa um importante desafio de saúde pública. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no triênio de 2023 a 2025, número que inclui os tipos mais comuns como câncer de pele não melanoma, mama feminina e próstata.
Além disso, o câncer está entre as principais causas de morte no país e, conforme dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), representa cerca de uma em cada oito mortes prematuras (antes dos 75 anos) no Brasil, o que evidencia a magnitude do impacto da condiçãono sistema de saúde e na sociedade.
Especialistas brasileiros ressaltam que até 30% dos casos de câncer no Brasil podem ser evitados, especialmente aqueles associados a fatores modificáveis como tabagismo, alimentação inadequada, obesidade e sedentarismo, reforçando que a redução de risco e a detecção precoce seguem sendo pilares fundamentais para reduzir a incidência e a mortalidade da condição.
No caso do câncer do colo do útero, uma das principais estratégias de redução de risco é a vacinação contra o HPV, vírus responsável pela maioria dos casos desse tipo de câncer. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de outros grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. A ampliação da cobertura vacinal é considerada essencial para reduzir a incidência e a mortalidade dos cânceres relacionados ao HPV, em consonância com as metas globais da OMS.
Redução de risco como estratégia central
A análise da OMS destaca a importância de políticas públicas robustas de redução de risco, incluindo:
Controle rigoroso do tabaco e regulamentação do álcool;
Vacinação contra infecções que causam câncer, como o HPV (vírus associado principalmente ao câncer de colo do útero);
Melhoria da qualidade do ar e ambientes de trabalho mais seguros;
Promoção de dietas saudáveis e atividade física regular.
Especialistas afirmam que estratégias integradas que cruzem saúde pública, educação, transporte, trabalho e meio ambiente podem reduzir o risco de milhões de diagnósticos e aliviar tanto o sofrimento das famílias quanto os altos custos do tratamento ao longo prazo.
