top of page

Vigitel 2025: diabetes cresce 135% no Brasil em 18 anos; obesidade, hipertensão e outros riscos também avançam

  • Foto do escritor: FórumCCNTs
    FórumCCNTs
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

O número de adultos brasileiros diagnosticados com diabetes aumentou 135% em 18 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 12,9% em 2024, conforme os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Condições Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025, divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

O Vigitel, sistema de vigilância implantado em 2006 em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal com objetivo de monitorar anualmente fatores de risco e proteção para condições crônicas não transmissíveis (CCNTs), fornece o panorama mais abrangente sobre a saúde adulta no país, incluindo diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo, alimentação e atividade física.


Além do diabetes, a obesidade cresceu 118% no período entre 2006 e 2024, e o excesso de peso já atinge mais de 60% da população adulta no Brasil. A prevalência de hipertensão arterial, outro fator de risco importante para condições cardiovasculares, também avançou, de 22,6% em 2006 para cerca de 29,7% em 2024.


Esses indicadores reafirmam o crescimento contínuo de condições crônicas no país, que compartilham fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, alimentação desequilibrada, consumo de álcool e, historicamente, o tabagismo.


O Vigitel 2025 mostra mudanças importantes nos hábitos da população. A prática de atividade física no deslocamento caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, embora a realização de atividades físicas moderadas no tempo livre tenha aumentado para 42,3% da população adulta. O consumo regular de frutas e hortaliças permaneceu estável ao longo dos anos, girando em torno de 31% da população.



O Vigitel monitora o tabagismo como fator de risco desde sua implantação. Embora relatórios anteriores apontaram tendência de queda no hábito de fumar ao longo da série histórica, há sinais recentes de estagnação e possível reversão desse cenário, ainda em fase de consolidação nos dados mais recentes. Especialistas associam esse movimento a dois fatores principais: a estagnação da política de preços e impostos sobre produtos de tabaco, sem reajustes por cerca de oito anos, e o aumento da experimentação de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs). O contexto reforça o papel central da política tributária como uma das medidas mais eficazes para o desestímulo ao consumo de tabaco e a redução de risco de condições crônicas associadas.


Em resposta aos alarmantes indicadores, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, com foco na promoção da saúde, redução de risco de condições crônicas e melhoria da qualidade de vida da população.


Foto: Ministério da Saúde
Foto: Ministério da Saúde

O programa contará com investimento de R$ 340 milhões, com destaque para a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026. A estimativa é expandir a oferta de espaços para práticas de atividade física, com credenciamento de centenas de novas unidades no país.


A estratégia inclui também iniciativas voltadas à alimentação saudável, redução de fatores de risco como tabagismo e álcool, promoção da vacinação e fortalecimento da Atenção Primária em Saúde, com repasses que podem chegar a 30% a mais para municípios que cumprirem indicadores de qualidade definidos pelo Ministério da Saúde.


Os dados do Vigitel 2025 reforçam que o Brasil enfrenta um ciclo crescente de condições crônicas e fatores de risco associados a estilos de vida, que exigem ações integradas entre políticas públicas, educação em saúde e participação comunitária. A inclusão de indicadores como sono e qualidade de vida amplia a compreensão dos determinantes sociais da saúde, enquanto o debate sobre tabagismo e tributação evidencia a necessidade de políticas econômicas como instrumentos centrais de promoção da saúde.


A continuidade e qualificação de vigilância, aliadas ao fortalecimento de políticas como o Viva Mais Brasil, são apontadas por especialistas e gestores como caminhos essenciais para reverter tendências e reduzir o impacto das condições crônicas no sistema de saúde e na vida dos brasileiros.


bottom of page