Resultados da busca
Buscar neste site
1641 resultados encontrados com uma busca vazia
- Diretrizes e Propostas aprovadas na Conferência Livre do FórumDCNTs
O FórumDCNTs realizou no dia 29 de maio de 2023 a “Conferência Livre de Vigilância, Prevenção e Atenção à Saúde das Pessoas com Condições/Doenças Crônicas não Transmissíveis (CCNTs/DCNTs) e Promoção da Saúde”, que teve como objetivo debater e aprovar ações efetivas para conduzir à 17ª Conferência Nacional de Saúde, que acontecerá entre os dias 2 e 5 de julho de 2023, em Brasília, Distrito Federal. O presente material é o compilado de 130 participantes, incluindo usuários do SUS, profissionais de saúde e gestores que dedicam esforços nos cuidados das DCNTs e que votaram, em formato presencial e online, para aprovar as propostas estipuladas. Os delegados eleitos foram Eduardo Macário (SES-SC) e Letícia Lima Mota, seguido dos suplentes Mark Barone (FórumDCNTs) e Roseanne Montargil (UESC). Diretrizes e propostas estabelecidas na Conferência Livre do FórumDCNTs O Brasil que temos e o Brasil que queremos A primeira temática debatida foi a prevenção e tratamento da obesidade e distúrbios do sono, e que estava alinhada ao eixo temático “O Brasil que temos e o Brasil que queremos”, para que pessoas diagnosticadas com essas condições sejam tratadas adequadamente e a prevenção seja uma prioridade. Foi debatida a contextualização do tema, com abordagem na prevalência de obesidade em adultos no Brasil em 2019, que foi de 25,9%. Após os debates foi definida a diretriz: fortalecimento de estratégias e políticas de prevenção e tratamento da obesidade como problema de saúde pública de natureza complexa e resultante da interação de diversos fatores, por meio de ações regulatórias e estímulo à adoção de hábitos saudáveis, incluindo o acolhimento das pessoas com obesidade e a manutenção no sistema de saúde para um cuidado contínuo e integral em todas as fases da vida, a alimentação saudável, redução de comportamentos sedentários, e uma adequada quantidade e qualidade do sono. As propostas estabelecidas foram: Assegurar medidas fiscais para estimular a alimentação saudável e tributar alimentos ultraprocessados, como as bebidas adoçadas com açúcar, aprimoramento e fiscalização da rotulagem frontal e da publicidade destes, como um componente importante de prevenção de obesidade; Garantir a implementação da linha de cuidado com tratamento completo, abrangente e respeitoso para as pessoas com obesidade e o acesso às estratégias, como abordagem multiprofissional e interdisciplinar, orientação de hábitos saudáveis, práticas integrativas e complementares em saúde, terapia medicamentosa, tratamento cirúrgico, entre outras. Fomentar a criação de residências multiprofissionais em saúde na área das condições crônicas não transmissíveis (CCNTs); Garantir os direitos das pessoas que vivem com obesidade para que não sofram desrespeito, negligência, discriminação ou violência. Utilizar estratégias para prevenção da obesidade como forma de conscientização do eixo temático O Brasil que temos e o Brasil que queremos; Aumentar as estratégias de informação, sensibilização e suporte relacionadas à obesidade, à saúde mental e distúrbios do sono por meio da identificação dos aspectos que necessitam de melhorias e que facilitem a busca por prevenção e tratamento, prevenir o desenvolvimento e o agravamento destas condições. Considerar que a obesidade, saúde mental e os distúrbios do sono são condições coletivas e não individuais, muito complexas e fatores de risco para outras condições de saúde; Capacitar os profissionais de saúde de todos os níveis de atenção para o reconhecimento de distúrbios do sono, em virtude de estarem associados ao conjunto das CCNTs, de forma a melhorar a prevenção, o diagnóstico, superar os estigmas, garantir o acesso ao tratamento e elaboração de uma linha de cuidados dos distúrbios do sono. Aumentar as opções terapêuticas, incluindo as psicológicas, nutricionais, comportamentais, medicamentosas, cirúrgicas, e o uso de todos os equipamentos conforme a necessidade. Garantir direitos e defender o SUS, a vida e a democracia A segunda temática debatida foi sobre oncologia e interoperabilidade de sistemas, e que estava alinhada ao eixo temático “Garantir direitos e defender o SUS, a vida e a democracia”, para que pessoas com câncer tenham o direito de receber o tratamento adequado e em tempo hábil e que recebam cuidados integrais e eficientes. Após debates foi definida a diretriz: Garantir que todas as pessoas tenham o acesso à prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce, reabilitação e ao tratamento mais adequado e em tempo hábil ao câncer, e a serem acompanhadas através de cuidados integrais, abrangentes e eficientes. Para isso, é importante dispor de políticas públicas prioritárias, as tecnologias e opções terapêuticas mais efetivas para cada pessoa com câncer de forma equitativa, possuir os dados necessários para identificar e acompanhar essas pessoas e seus desfechos da melhor forma possível, inclusive com interoperabilidade desses dados entre os diferentes níveis de atenção. As propostas estabelecidas foram: Garantir a interoperabilidade e a integração de sistemas de informação entre os níveis de atenção primária, secundária e terciária, para que a pessoa com câncer possa ser localizada e acompanhada mesmo durante e após o tratamento, sempre garantindo a transparência dos dados, o empoderamento e o acesso aos prontuários médicos quando solicitado por parte dessas pessoas com câncer; Garantir que as tecnologias para tratamento do câncer incorporadas pelo Ministério da Saúde estejam disponíveis para todos os usuários do SUS, através da discussão responsável durante e após o processo de incorporação, inclusive com regras bem definidas para o processo de pactuação sobre o financiamento e disponibilização dessas tecnologias, de forma a dar acesso equitativo a todos que delas necessitam; Entender a jornada da pessoa com câncer e outras CCNTs e desenvolver planos de cuidados e acolhimento integrais, abrangentes e eficientes em todos os níveis de atenção à saúde, garantindo o número de vagas para o tratamento de pessoas com câncer, de forma a tratar e monitorar essas pessoas, a exemplo da Lei 14.450 - Programa Nacional de Navegação de Pacientes para Pessoas com Neoplasia Maligna de Mama. É muito importante que os diferentes momentos do tratamento das pessoas com câncer e outras CCNTs sejam contemplados, facilitando o engajamento nos cuidados; Ampliar e otimizar rastreio, diagnóstico e tratamento de câncer nos diferentes níveis de atenção e regiões do país, implementando e fortalecendo as linhas de cuidado para o câncer, bem como as medidas de prevenção de câncer com tributação de alimentos ultraprocessados, agrotóxicos, bebidas alcoólicas, tabaco e ampliando a cobertura vacinal contra o HPV; Garantir capacitação profissional em todos os níveis de atenção à saúde sobre as CCNTs, em especial o câncer, e cuidados paliativos, bem como o acesso adequado da população a estes cuidados, com criação de políticas públicas que incentivem esta prática de maneira humanizada e de forma a garantir financiamento adequado. Amanhã vai ser outro dia para todas as pessoas A terceira temática debatida foi sobre Doenças Cardiovasculares (DCV) e Diabetes, e que estava alinhada ao eixo temático “Amanhã vai ser outro dia para todas as pessoas”, sendo necessária uma política de longo prazo que passe por ações como a capacitação dos profissionais de saúde, desenvolver e implementar programas e políticas que melhorem a prevenção primária e secundária, entre outras, para prevenção e manejo destas condições crônicas. Após debates foi definida a seguinte diretriz: Fortalecer as políticas e programas intra e intersetoriais baseados em evidências e as parcerias entre o Ministério da Saúde, municípios, estados, instituições filantrópicas e privadas nos diferentes níveis de atenção, OSC e pessoas que vivem com CCNTs, para aumentar rastreio, prevenção e a educação permanente da população e profissionais de saúde para o desenvolvimento e implementação de modelos de cuidado integral da pessoa com diabetes e doenças cardiovasculares. Garantia do manejo adequado e do acesso à linha de cuidados, a fim de reduzir a morbimortalidade por essas duas condições. As propostas estabelecidas foram: Atualizar, aperfeiçoar e integrar a capacitação dos profissionais de saúde, em especial das equipes da Atenção Primária à Saúde, bem como garantir as condições de trabalho, para a melhoria dos cuidados e para o não agravamento das condições de saúde das pessoas com diabetes e doenças cardiovasculares; Identificar os programas e práticas exitosas de prevenção, promoção à saúde e cuidados das pessoas com CCNTs, com destaque do diabetes e doenças cardiovasculares (exemplos: Cuidando de Todos, GlicaMelito, HealthRise, HEARTS, HEARTS-D, Latin, CHARMING), desenvolver e implementar programas e políticas de saúde, educação, esporte e planejamento urbano que melhorem a prevenção primária e secundária, ampliando e otimizando o rastreio e diagnóstico do diabetes, das doenças cardiovasculares e de outras CCNTs; Garantir o fornecimento contínuo dos medicamentos que fazem parte da RENAME, revisando os processos administrativos e facilitando o acesso ao tratamento para diabetes, DCV e outras CCNTs no Brasil. A mudança da dispensação dos análogos de insulina, da atorvastatina, por exemplo, das Farmácias de Nível Especializado para a Atenção Primária permitiria o ganho de capilaridade necessário para garantir que esses tratamentos cheguem a todos àqueles que deles necessitam; Desenvolver, implementar e atualizar periodicamente programas nacionais de educação para a prevenção e autocuidado de pessoas com diabetes, doenças cardiovasculares e outras CCNTs, inclusive no ambiente escolar; Ampliar e otimizar o rastreio, diagnóstico e monitoramento das CCNTs, equipando a Atenção Primária à Saúde (APS), fazendo uso de marcadores metabólicos, dados antropométricos e sinais vitais que permitam o cálculo do risco cardiovascular de acordo com Diretrizes Nacionais, enfatizando o uso de tecnologias point of care, a fim de alcançar todas as regiões do país. Com isso, prevemos o início do tratamento mais rápido e efetivo das pessoas com condições crônicas. Estas tecnologias permitem maior acesso principalmente na APS, promovendo equidade e gestão de saúde.
- Abertas as inscrições para Edital de Emendas Participativas em Saúde 2023 - Até 13/9
Estão abertas as inscrições para o edital de Emendas Participativas, a partir da iniciativa do mandato da Deputada Estadual Marina Helou (Rede/SP). Em 2023 o edital tem como foco investir em equipamentos de saúde e educação, que são essenciais para atender a população. As inscrições vão até 13/9. O "Edital Educação e Saúde: Fortaleça as escolas e as UBSs do seu Município" visa fortalecer as UBSs e escolas de cada município paulista, a iniciativa irá destinar R$ 1,5 milhão em emendas parlamentares (R$ 750 mil destinados para UBSs) para projetos que fortaleçam a educação e a saúde em São Paulo, por meio de um processo participativo em todas as etapas. As emendas são parte dos recursos do orçamento público, ou seja, todo ano é possível destinar recursos para projetos específicos, neste caso, referentes ao ano de 2024. Quem pode participar? Podem participar gestores de UBSs, com o foco de estimular e fortalecer a saúde e a no Estado de São Paulo por meio de ações de saúde desenvolvidas pelas Unidades Básicas de Saúde. Na primeira etapa, as UBSs podem cadastrar suas propostas, desde que atendam aos requisitos definidos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias e aos critérios do edital. Logo após esse primeiro momento, as propostas inscritas e selecionadas vão disputar o voto popular, para que a sociedade escolha os projetos que gerem mais impacto e resultado na vida das pessoas. Um dos critérios é a exigência que a UBS proponente possua inscrição no Cadastro Nacional de Entidade de Saúde, exceto para municípios e entidades de repasse direto. Temática e valores das propostas A temática na área da saúde é "Fortaleça as UBS do seu município", e pretende com isso que as UBS indiquem a utilização de recursos que objetivem as melhorias no atendimento público, como custeio de reformas, investimentos de máquinas, compra de insumos e medicamentos, apoio à formação profissional, apoio à saúde da mulher, de crianças e adolescentes. As propostas devem ter valor entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, enquanto as propostas de aquisição de veículos devem ter valor mínimo de R$ 100 mil. Cronograma do edital As inscrições estão abertas desde às 8 horas do dia 21 de agosto de 2023 e vão até às 23h59 do dia 13 de setembro de 2023. 21/08/23 a 13/09/23 - Período de inscrição 18/09/23 a 22/09/23 - Período de votação popular 29/09/23 - Divulgação dos resultados Acesse o edital aqui. Fonte: Deputada Estadual Marina Helou
- Interoperabilidade da saúde digital é essencial para melhor gestão das CCNTs/DCNTs no Brasil
Em evento do FórumDCNTs, especialistas expuseram como a integração dos dados digitais pode otimizar o cuidado das pessoas com condições e doenças crônicas não transmissíveis A pandemia de Covid-19 impôs aos setores público e privado de todo o mundo o desenvolvimento, adoção e/ou aprimoramento de ações relacionadas à saúde digital. No Brasil, houve aumento dos investimentos em telemedicina e telessaúde, bem como a evolução dos serviços de coleta e disponibilização de dados para vigilância epidemiológica. De acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, em 2022, um em cada três médicos brasileiros realizou teleconsulta. Além disso, 80% guardaram dados de exames eletronicamente e 68% fizeram prescrição de remédios em formato eletrônico (Confira todos os vídeos do evento aqui). Esses recentes e bem-vindos avanços somam-se a programas e pesquisas que acontecem há mais de duas décadas no país e que envolvem universidades, empresas e governo. São iniciativas com sistemas de informação e comunicação diversos, os quais, na maioria das vezes, não possuem interoperabilidade. Por conseguinte, a menos que sejam feitas padronizações, não é possível reunir os todos dados gerados e usá-los de maneira coordenada para otimizar os resultados em saúde. O intercâmbio entre essas tecnologias pode melhorar os cuidados das pessoas com condições e doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. Tendo em vista os benefícios para essa população, o Fórum Intersetorial para Combate às Doenças Crônicas não Transmissíveis (FórumDCNTs) realizou o painel CCNTs/DCNTs, Saúde Digital e Interoperabilidade no dia 7 de julho. “O encontro viabilizou o diálogo entre diferentes setores da sociedade por meio da troca de experiências, relatos de casos de sucesso e apresentação de pesquisas acadêmicas. Dentre os assuntos discutidos, estiveram os gargalos que dificultam a interação entre as diversas linguagens informáticas, os procedimentos que nos direcionarão à gestão eficiente dos dados e as contribuições de cada ator social durante esse processo”, explicou Dr. Mark Barone, coordenador do FórumDCNTs. Os benefícios do compartilhamento de dados em saúde O registro unificado e o acesso compartilhado às informações dos sistemas de saúde digital do Brasil permitirão decisões em saúde pública baseadas no binômio indivíduo-população. Esse é o parecer do Dr. Lincoln Moura Júnior, membro da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) e consultor em estratégias de saúde digital. “Teremos uma visão integral da saúde de cada pessoa. Identificaremos em quais locais estão os brasileiros com condições e doenças crônicas e quais determinantes sociais da saúde estão atrelados a elas. Assim, poderemos assegurar que as linhas de cuidado alcancem as pessoas certas”, explicou. O engenheiro afirmou que as ações de prevenção também serão melhor direcionadas, pois os dados relativos às CCNTs/DCNTs facilitarão a estratificação da população conforme os resultados de avaliações de riscos. Para Alan Silva, secretário geral do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS/MG) e secretário municipal de saúde de Divinópolis/MG, o fortalecimento de projetos de interoperabilidade trará um aumento gigantesco na eficiência do SUS, além da economia de recursos financeiros. “A integração dos sistemas que monitoram toda a linha de vida do usuário evitará a solicitação desnecessária de exames e o desperdício de medicamentos”, ressaltou. Iseli Reis, co-facilitadora do grupo temático de Saúde Digital em Condições Crônicas não Transmissíveis do FórumDCNTs e CEO da Fleximedical, lembrou que o compartilhamento das informações do prontuário de um indivíduo garante melhores desfechos e acelera sua recuperação. “Além de tomadas de decisão mais assertivas, há melhor organização do cuidado entre os profissionais de saúde, maior eficiência e economia de tempo, bem como a redução de erros médicos e da mortalidade”. Em todos os níveis da atenção à saúde, a agilidade garantida pela organização e gestão das informações digitais do usuário pode salvar vidas. Em Pouso Alegre (MG), a pesquisa de mestrado de um médico da atenção primária levou ao desenvolvimento de um projeto de saúde digital para otimizar a jornada das mulheres com câncer de mama na cidade. No trabalho acadêmico, o pesquisador verificou que o tempo médio de espera entre o diagnóstico e o início do tratamento na atenção especializada era de 100 dias. Ao tomar conhecimento dessa realidade, a secretária municipal de saúde Silvia Regina da Silva coordenou o desenvolvimento de um aplicativo para computar os dados das usuárias na atenção básica e, a partir deles, verificar as dificuldades por ela enfrentadas em sua jornada. “Inserimos no programa as respostas das mulheres a um questionário. Assim, conseguimos detectar quem fez, ou não, mamografia, o resultado desse exame e o tempo decorrido desde sua realização. Com isso, priorizamos o retorno das mulheres que apresentaram alterações nas mamas, de maneira a agilizar o diagnóstico e tratamento, evitando que o tumor atinja um estágio avançado”, relatou Silva, que também é membro da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) do município. A farmacêutica Michele Mello, gerente de Assuntos Governamentais na Roche e membro do Conselho Consultivo do FórumDCNTs, ratificou a importância de iniciativas como a de Pouso Alegre para a compreensão das lacunas na jornada da saúde percorrida pelas comunidades locais. “Isso nos ajuda a, em parceria com gestores públicos, definirmos a melhor maneira de colaborar para a resolução dos problemas detectados”. Mello sublinhou que, estruturadas por meio da interoperabilidade, as ações digitais têm o poder de viabilizar o acesso sustentável dos usuários ao SUS. “A Roche é uma empresa de inovação, e esta somente faz sentido se estiver de acordo com as necessidades do país e se houver acesso a ela. Desse modo, é nossa responsabilidade auxiliar projetos de saúde digital por meio de investimentos financeiros e da partilha de conhecimentos”, refletiu. Desafios e estratégias de saúde digital O diretor de Políticas Públicas no Instituto de Estudos para as Políticas de Saúde (IEPS), Arthur Aguillar, enfatizou que a política digital de saúde deve ser objetiva e escalonada para não correr o risco de ser reduzida a um protocolo de intenções. “Precisamos determinar prioridades e como as propostas de resolução serão efetivadas. Para viabilizar a interoperabilidade, é prioritário criar uma política de governança de dados em saúde; avançar com os modelos de informação e comunicação de dados da RNDS [Rede Nacional de Dados em Saúde]; e aprimorar os mecanismos de proteção destas informações, o que inclui o estabelecimento de órgãos reguladores para essa finalidade”. Estas recomendações integram um amplo estudo técnico do IEPS sobre os desafios da Estratégias de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028. Moura Júnior concordou que o caminho para a interoperabilidade é trabalhar por meio da priorização dos problemas, criando projetos coordenados para sua solução, cuja implantação deve ser feita em etapas. “Temos o exemplo da eleição eletrônica que, inicialmente, envolveu apenas o pleito para vereadores de São Paulo em 1992, e hoje é um patrimônio imbatível. Ninguém executa um projeto nacional em poucos meses. Devemos começar pelo que é possível”, defendeu. “Podemos nos dedicar, a princípio, às populações mais vulneráveis, como os indígenas e quilombolas”, sugeriu o engenheiro. De acordo com Gabriella Neves, assessora da Coordenação Geral de Inovação em Sistemas Digitais do DATASUS, as prioridades apontadas por Aguillar fazem parte dos planos do governo federal no âmbito do fortalecimento da RNDS, considerada a plataforma nacional de interoperabilidade. “Prosseguiremos com o aperfeiçoamento da política de governança de dados e as discussões para definição dos modelos de informação em saúde a serem adotados”, declarou. Neves apresentou o aplicativo Conecte SUS como sistema de apoio ao autocuidado das pessoas com CCNTs/DCNTs. Nele, são disponibilizadas informações para a adoção de hábitos saudáveis e um programa de 12 semanas para melhorar a alimentação e praticar atividades físicas. O aplicativo possui campos para o preenchimento, pelo usuário, de seus índices pressóricos, glicêmicos e de massa corpórea, permitindo o acompanhamento de sua evolução ao longo do tempo. Saúde digital pode colaborar para a equidade de acesso ao SUS O evento também debateu as oportunidades geradas pela saúde digital para a promoção da equidade, um dos três princípios fundamentais do SUS. “A Telessaúde abre uma porta de acesso imensa para as regiões que carecem de equipamentos e profissionais de saúde, como a Amazônia Legal. A Teleconsultoria pode aumentar a resolubilidade da atenção básica por meio da orientação a distância que as equipes locais recebem de especialistas”, destacou Aguillar. Um exemplo da promoção de equidade pela telemedicina é o Projeto Minas TeleCardio, implementado em 2005 pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). “A telecardiologia surgiu da constatação da necessidade de suporte clínico para pontos remotos do estado com alta mortalidade por condições cardiovasculares e baixo acesso à eletrocardiografia. Iniciamos, então, o telediagnóstico por meio da realização desses exames a distância (TeleECG)”, contou a Prof.ª Dr.ª Isabela Borges, coordenadora clínica do Centro de Telessaúde do HC-UFMG. “O projeto cresceu ao longo dos anos e se expandiu para vários estados, principalmente durante a pandemia. Até agora, efetuamos mais de sete milhões de laudos de ECG”. Na Imprensa IG - O Canal Notícias Terra TV Thathi Cidade Valor Econômico Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo
- Datafolha aponta que 94% dos brasileiros apoiam aumento de impostos para produtos nocivos à saúde
Discussões acerca da Reforma Tributária ganham força entre a população, que apoia o aumento de impostos em cigarros, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados, de acordo com pesquisa Datafolha A maioria da população (94%) apoia impostos seletivos para produtos que fazem mal à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, plásticos e que têm alta emissão de carbono, em acordo com o previsto no texto da reforma tributária. Para 73% das pessoas entrevistadas, o valor arrecadado com esses produtos deve ir para o Sistema Único de Saúde (SUS), para tratamentos das doenças relacionadas ao seu consumo. Em temas como alimentação, 89% concordam que apenas alimentos saudáveis como frutas, arroz e feijão devem compor a cesta básica. A pesquisa Datafolha mostrou que, para 79% dos entrevistados, cigarro e outros produtos de tabaco devem ter impostos mais altos. A porcentagem para bebidas alcoólicas é de 71%. O meio ambiente também é uma preocupação e, assim, 72% concordam com impostos seletivos para produtos responsáveis por altas taxas de emissão de carbono; 64% para agrotóxicos; e 55% para embalagens e sacolas plásticas. Já para as bebidas adoçadas e ultraprocessados, os índices de aprovação são menores, mas ainda assim consideráveis, de 47% e 46%, respectivamente, o que mostra conscientização sobre os riscos associados desses produtos à saúde. Na questão sobre incentivos fiscais para os setores prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, a pesquisa mostra que 57% das pessoas entrevistadas são contrárias a que o governo estimule as empresas. A seguir, destacamos o que pensa a população a respeito dos principais fatores de risco de doenças crônicas não transmissíveis: Tabaco A população reconhece que cigarros são vendidos a partir de R$ 5 e 83% concordam que impostos de produtos de tabaco devem ser mais altos para desestimular o consumo, enquanto 84% são a favor que as empresas fabricantes paguem ao SUS pelo tratamento das doenças tabaco relacionadas. Para 70%, os aditivos de sabores como menta, cravo ou baunilha, que estimulam a iniciação, deveriam ser proibidos por lei. Já os dispositivos eletrônicos para fumar, categoria que inclui cigarros eletrônicos ou tabaco aquecido, devem continuar proibidos para 79% dos entrevistados. Álcool Metade da população entende que beber, mesmo de vez em quando, faz mal à saúde. Para 38% dos entrevistados, as bebidas estão associadas a acidentes de trânsito; para 36%, à dependência; e para 36%, à violência doméstica. Já 59% das pessoas são contra a veiculação de propaganda de cerveja na TV, redes sociais e eventos esportivos. A veiculação de propaganda de cerveja é mais aceita entre os homens, mais jovens (até 34 anos), com ensino superior e nas classes AB. É interessante observar que o percentual dos que consideram o consumo de álcool prejudicial à saúde é maior entre a classe D/E (60%) e aqueles com apenas o ensino fundamental (57%). Ultraprocessados A pesquisa Datafolha mostra aprovação maciça pela população, que chega a 89%, de uma cesta básica só com alimentos saudáveis, incluindo frutas, arroz e feijão. Tanto a venda de ultraprocessados em cantinas de escolas como sua publicidade voltada para crianças têm alta rejeição. No primeiro caso, alcança 73% dos entrevistados e, no segundo, 79%. Fonte: Texto retirado da Folha de São Paulo A pesquisa Datafolha encomendada pela ACT Promoção da Saúde pode ser acessada, na íntegra, aqui. Saiba Mais: Matéria na Folha de S. Paulo, impresso, sobre Datafolha/reforma tributária, com entrevista com Mônica Andreis e desdobramentos da audiência pública no Senado, na véspera. Matéria sobre consumo excessivo de álcool no país, com fechamento citando a pesquisa ACT/Datafolha mostrando apoio da população ao aumento de impostos de bebidas. Matéria na Folha com chamada de 1ª página, sobre impostos seletivos, em que cita pesquisa Datafolha/ACT.
- Fórum Internacional sobre Qualidade e Segurança na Saúde abre inscrições para palestrantes - Até 5/9
O Fórum Internacional sobre Qualidade e Segurança na Saúde (International Forum on Quality and Safety in Healthcare) procura palestrantes dinâmicos para discutir sua experiência e conhecimento em melhoria da qualidade e segurança na saúde da pessoa com condição de saúde para participar do seu próximo evento de alto nível, que acontecerá em Londres, de 10 a 12 de abril de 2024. A convocação de palestrantes termina dia 5/9. O Fórum Internacional sobre Qualidade e Segurança na Saúde tem uma rica história de apoio e dinamização do movimento internacional para a melhoria da saúde e dos cuidados. O objetivo é conectar líderes e profissionais de saúde e assistência em todo o mundo para melhorar os resultados para as pessoas e as comunidades. A presente chamada para palestrantes oferece a oportunidade de fazer parte de um movimento para promover mudanças nas redes de saúde para o público. Como palestrante no Fórum Internacional, você irá: Aumentar seu perfil como um líder de melhoria Chamar a atenção para projetos com uma base de evidências robusta e com resultados confiáveis Compartilhar novas ideias com potencial para mudar o status da saúde Iniciar conversas com uma comunidade engajada que pode contribuir com suas ideias e estratégias Em 2024, o intuito é concentrar esforços no que vem a seguir no mundo da melhoria, onde deve estar o foco, como enfrentar os novos desafios para a segurança da pessoa com a condição e a prestação de cuidados de qualidade que surgiram nos últimos anos. A busca pelo trabalho intersetorial e colaborativo é essencial. O Fórum Internacional sobre Qualidade e Segurança na Saúde tem preferência por um conteúdo que: É coprojetado e coproduzido com ou liderado por pessoas que utilizam os serviços de saúde Ilustra maneiras de facilitar abordagens interdependentes para alcançar melhorias dentro e entre configurações e sistemas Contém ideias novas, inovadoras e frescas que desafiam as práticas estabelecidas Pode demonstrar sustentabilidade de impacto e escalabilidade por meio de dados quantitativos ao longo do tempo e narrativas autênticas A próxima edição do evento tem algumas mudanças significativas para que os palestrantes estejam cientes desde o momento da inscrição: Não há upload de modelo de resumo, a proposta será feita totalmente online Há novos fluxos de tópicos e cada um dos fluxos será conduzido por co-presidentes e revisores especializados Não serão aceitas propostas de workshops de meio dia e dia inteiro, estes serão apenas por convite O processo de revisão e aceitação de propostas de palestrantes também está mudando (os revisores podem enfatizar a importância de diferentes critérios em cada fluxo) Quem pode se inscrever e quais são as categorias? Serão aceitas candidaturas de todo o setor de saúde, incluindo não médicos, pessoas/usuários e cuidadores de serviços, voluntários e profissionais e estudantes do setor de assistência social. Os melhores envios geralmente vêm de equipes de diferentes partes interessadas trabalhando juntas – dentro ou entre organizações, mesmo as candidaturas para quem demonstre o interesse em participar pela primeira vez. Conheça os novos fluxos da chamada para palestrantes, no qual terá como foco projetos e iniciativas que mostram resultados impactantes nas seguintes vertentes: Segurança (Co-presidentes: Ian Lestikow e Aidan Fowler) Pessoas (Co-presidentes: Emma Doble e Bob Klaber) População (Co-presidentes: Vibeke Rischel e Dominique Allwood) Mudanças (Co-presidentes: Helen Bevan e Göran Henriks) Ciência (Co-presidentes: Cat Chatfield, Amar Shah e Pierre Barker) Liderança (Co-presidentes: James Mountford e Inge Kristensen) Os envios devem incluir soluções e estratégias criativas que sejam de uso prático para pessoas que trabalham em prol de uma saúde melhor, sejam eles organizadores comunitários, líderes de equipes de alas ou executivos de grandes sistemas, instituições de caridade ou outras organizações. As submissões devem ser baseadas na prática e na aplicação no mundo real, não apenas na teoria. Este fluxo será desenvolvido em parceria com o BMJLeader, o jornal para evidências e debates em liderança em saúde e assistência. A resposta final será enviada pelo e-mail cadastrado em novembro de 2023. Inscreva-se aqui. Fonte: International Forum on Quality & Safety in Healthcare London
- Fortalecimento da APS é essencial para a qualidade de vida da pessoa com insuficiência cardíaca
Em evento promovido pelo FórumDCNTs, especialistas discutiram estratégias para prevenção da insuficiência cardíaca, eficiência do atendimento no SUS e redução de hospitalizações e óbitos As doenças cardiovasculares (DCV) estão entre as principais causas de morte da população mundial. Dentre elas, a mais prevalente é a insuficiência cardíaca (IC), que atinge aproximadamente 23 milhões de pessoas no mundo. A condição é considerada, atualmente, uma epidemia. Países desenvolvidos e em desenvolvimento, entre eles o Brasil, têm registrado crescimento gradativo de sua prevalência. Um dos motivos é o aumento da expectativa de vida, na medida em que a IC é encontrada, principalmente, em faixas etárias avançadas (Confira todos os vídeos do evento aqui). Essa doença crônica é um problema de saúde pública que impacta os países de maneira global, devido às altas taxas de incidência, mortalidade e hospitalização; diminuição da qualidade de vida das pessoas afetadas e de suas famílias; e repercussão negativa na economia. Entre os desafios relacionados à IC no Brasil, estão: deficiências na prevenção primária, ou seja, dos fatores de risco de alterações cardíacas (obesidade, diabetes, dislipidemias, hipertensão arterial, sedentarismo, tabagismo, entre outros); dificuldades enfrentadas pelas pessoas com a condição para acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) e também em sua jornada dentro dele, nos diferentes níveis de atenção; falta de adesão ao tratamento; baixa familiaridade, pelos profissionais da atenção básica, com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para IC. Há, ainda, as repercussões tanto na renda individual e familiar quanto na produtividade do país, além do ônus econômico nos sistemas de saúde e de seguridade social. Estas questões foram levantadas pelos painelistas do evento “Insuficiência Cardíaca e Doenças Cardiovasculares: Ações Necessárias para Prevenir e Tratar”, promovido pelo Fórum Intersetorial para Combate às Doenças Crônicas não Transmissíveis no Brasil (FórumDCNTs) no dia 28 de julho. “Reunimos profissionais de diferentes áreas do conhecimento e com experiências diversas para, juntos, entendermos o cenário da insuficiência cardíaca no nosso país, seus pontos fortes, necessidades de aprimoramento e lacunas, bem como seus efeitos diretos e indiretos na população. Esses especialistas apresentaram estratégias para superar os desafios identificados, bem como iniciativas já consolidadas nesse sentido”, explicou Dr. Mark Barone, coordenador geral do FórumDCNTs. “No debate, os convidados ressaltaram que ações efetivas para prevenir e tratar a insuficiência cardíaca envolvem a multidisciplinaridade e a articulação entre as esferas pública e privada e o terceiro setor”, destacou. Impactos sociais e econômicos da insuficiência cardíaca no Brasil Principal causa de hospitalização no SUS, a IC foi responsável por um terço das internações por doenças cardiovasculares entre 2008 e 2018. Foram mais de 2,8 milhões de hospitalizações no período. “À medida que as internações se tornam frequentes, a pessoa entra em estágios avançados e numa fase derradeira da doença. As hospitalizações custam a vida de pacientes”, alertou a Prof.ª Dr.ª Lídia Moura, diretora administrativa do Departamento de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A maior parte de óbitos por IC acontece nos hospitais. A pesquisa BREATHE (Brazilian Registry of Heart Failure) revela taxa de 12,6% de mortalidade intra-hospitalar no Brasil, extremamente alta em relação àquelas de outros países, que estão em torno de 5%, de acordo com estudos internacionais. A taxa de reinternação também é elevada – em um período de até 90 dias após a alta, cerca de 50% das pessoas voltam a ser hospitalizadas. As hospitalizações e falta de tratamento adequado não têm impacto financeiro somente nos sistemas de saúde. Pesquisadores da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN), em parceria com o laboratório farmacêutico Boehringer Ingelheim Brasil, conduziram um estudo que estima e correlaciona os dados socioepidemiológicos e os custos de saúde e previdenciários da IC no país entre 2018 e 2021. No período, foi de mais de R$ 18 bilhões o impacto financeiro decorrente da reposição da mão de obra por conta de afastamentos causados pela IC. Já a perda de produtividade em território nacional (em termos de serviços e bens produzidos), ultrapassou R$ 28 bilhões. “O Brasil todo paga o preço pela falta de acolhimento, tratamento e acompanhamento da pessoa com IC. Temos que compreender que os gastos com prevenção e promoção da saúde são investimentos que beneficiam a economia, pois refletem em produtividade”, asseverou Leon Nascimento, coautor do trabalho científico e representante da FIRJAN. Uma das maneiras de investir na saúde pública é incentivar a pesquisa e inovação na esfera do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Em abril deste ano, o Ministério da Saúde anunciou ações que visam expandir a produção nacional de medicamentos, equipamentos, vacinas e outros insumos médico-hospitalares. “A fabricação pelo Brasil desses produtos permite a redução das vulnerabilidades do SUS em relação ao mercado internacional e promove sua sustentabilidade”, afirmou a Dr.ª Elaine Goulart, médica da Farmanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Como melhorar as abordagens farmacológica e multidisciplinar Durante as internações, são baixas as taxas de prescrições de terapias baseadas em evidências. “O SUS disponibiliza medicamentos que atendem as diretrizes brasileiras para tratamento da IC, as quais são extremamente atualizadas. No entanto, verificamos que elas não são transpostas para a prática médica, pois há pouca utilização das novas drogas”, lamentou a cardiologista. Na opinião de Elton Chaves, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), a baixa adesão aos protocolos clínicos e condutas terapêuticas é reflexo do conhecimento deficitário acerca desses instrumentos pelos médicos e equipes multiprofissionais. Ele ressaltou a relevância do fortalecimento da farmacoterapia padrão para que as incorporações tecnológicas recentes, de alto custo e com indicações específicas, sejam bem utilizadas. “Temos um amplo arsenal terapêutico no SUS, o que nos permite trabalhar as diferentes classes medicamentosas conforme a necessidade”, lembrou o Prof. Dr. Luiz Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor – HCFMUSP) e representante da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH). O médico sustentou que a melhor estratégia para tratar a IC é começar o mais cedo possível. “Os estágios da insuficiência cardíaca são bem definidos, classificados por letras, de A até D, conforme o comprometimento do coração. As fases A e B são as melhores para o início da abordagem farmacológica e da atuação da equipe multidisciplinar, voltada para a mudança nos hábitos de vida, como alimentação saudável. Devemos evitar que a pessoa atinja a etapa D, equivalente à insuficiência cardíaca refratária, a qual requer intervenções em hospitais terciários para procedimentos como transplantes ou uso de corações artificiais de alta tecnologia”. Bortolotto ressaltou que o foco do tratamento devem ser os fatores de risco e morbidades relacionados à IC. “A maioria das pessoas da fila para transplante cardíaco não precisaria estar nessa situação. São indivíduos com hipertensão, diabetes, doenças isquêmicas, valvopatias, obesidade, dislipidemias, condições passíveis de intervenções, farmacológicas e não farmacológicas, precoces ou preventivas”, explicou. Propostas para facilitar a jornada do usuário com insuficiência cardíaca no SUS Na rede pública de saúde, o usuário tem dificuldade de acesso aos cardiologistas, que possuem agenda cheia devido à alta prevalência das doenças cardiovasculares. Para evitar a piora do quadro clínico da pessoa com IC, a Prof.ª Dr.ª Lídia Moura defende que o diagnóstico e a prescrição medicamentosa sejam realizados na atenção primária. “Com um treinamento simples, o médico de saúde da família pode identificar a insuficiência cardíaca e iniciar o tratamento. Concomitantemente, a equipe multiprofissional deve trabalhar com orientação alimentar, controle de balanço hídrico e ações educativas. Essas medidas irão proporcionar qualidade de vida ao usuário, prevenção de hospitalizações e redução da mortalidade. Posteriormente, o cardiologista, ao atender esse indivíduo, fará mais exames e, se necessário, adequará o tratamento”, recomendou. As sugestões de Moura integraram o debate sobre como facilitar o acesso e tornar mais efetiva a jornada do usuário com IC pelos níveis de atenção do SUS. “Mais da metade das pessoas que nos procuram mencionam dificuldade em iniciar o tratamento”, afirmou a comunicadora Flávia Lima, presidente da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF). “Após o diagnóstico, elas entram numa espécie de limbo: não conseguem a consulta com o cardiologista e nem retornar à atenção primária. A maioria tem comorbidades e necessita de mais de um especialista. Quando são finalmente atendidas na atenção especializada, parte delas permanece com dúvidas após a consulta. Elas demoram a entender o que é insuficiência cardíaca e que ela é consequência de condições como hipertensão e diabetes”, relatou. “A jornada do usuário do SUS ainda é muito sofrida”, concordou Moura. “Enquanto ele aguarda a consulta com o cardiologista, pode ser internado de forma emergencial devido a uma descompensação ou mesmo sofrer morte súbita domiciliar”. A solução indicada pela diretora da SBC é melhorar a comunicação entre os profissionais da rede de atenção à saúde (RAS) e o empoderar a atenção primária. “Temos dificuldade em ver com frequência as pessoas que atendemos. Quando eles são por nós encaminhados, na contrarreferência, à unidade básica de saúde, não podem ficar ‘soltos’, precisam de acompanhamento. A equipe multiprofissional pode desempenhar esse papel e nos auxiliar por meio de interconsultas”, propôs a cardiologista. Conforme a Dr.ª Enilda Lara, coordenadora de projetos do Hospital do Coração (HCor) no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (PROADI) do SUS, a equipe multiprofissional pode auxiliar os gestores no planejamento terapêutico e estabelecimento de fluxos. É o que acontece no projeto FortaleceRAS, parceria entre o HCor e o Ministério da Saúde, que oferece suporte à implementação das linhas de cuidado de Sobrepeso e Obesidade, Diabetes Mellitus tipo 2, Hipertensão Arterial Sistêmica, Acidente Vascular Cerebral e Infarto Agudo do Miocárdio, em duas regiões de saúde do país. “Orientamos o indivíduo em seu percurso assistencial, para que ele não fique perdido e lhe seja garantida a integralidade do cuidado. Com tratamentos não farmacológicos, investimos na promoção de hábitos saudáveis e estimulamos o diálogo entre os diferentes níveis de atenção”, esclareceu a nutricionista. “Estruturar a rede e implementar as linhas de cuidado são os nossos principais desafios”, avaliou Elton Chaves. O farmacêutico reforçou a necessidade de integração entre os serviços de saúde, consolidação do cuidado longitudinal e controle dos fatores de risco comportamentais e metabólicos. “É importante fortificar a gestão clínica do cuidado pela atenção básica, preparando os profissionais para que adquiram capacidade terapêutica e resolutiva. Com esse objetivo, oferecemos teleducação continuada em serviço nas Unidades Básicas de Saúde por meio do portal e TV Mais CONASEMS. Também incentivamos a equipe multiprofissional a participar dessa coordenação, inclusive com busca ativa de fatores de risco entre a população”, explanou. A iniciativa foi elogiada por Paulo Fascina, responsável pela área de Ecossistemas em Saúde da farmacêutica Boehringer Ingelheim Brasil. “Levar capacitação e formação qualificada à atenção primária dos quase 5.600 municípios brasileiros permite que os fármacos disponibilizados pelo SUS sejam utilizados com efetividade”, comentou. O protagonismo da pessoa com insuficiência cardíaca deve ser incentivado Chaves frisou a relevância da participação ativa da pessoa com IC em seu próprio tratamento. “O usuário deve ser preparado para melhorar sua capacidade de autocuidado, tornando-se corresponsável pela sua saúde; caso contrário, os demais esforços serão em vão”. Nesse sentido, Bortolotto considera que a melhor estratégia para garantir a adesão à terapêutica e impedir a progressão da doença é a educação do indivíduo e de sua família. Dados da pesquisa BREATHE manifestam a necessidade de melhoria da qualidade da atenção hospitalar. Foram computados baixos percentuais, no momento da alta, de orientações aos indivíduos. “A falta de adesão da pessoa com IC às recomendações médicas é a principal causa de hospitalização. Resta entender o contexto de cada usuário do sistema de saúde – se ele simplesmente não consegue seguir as orientações ou se determinadas condições não permitiram que ele compreendesse o tratamento”, ponderou Moura. Leon sugeriu a inclusão da medicina de trabalho nesse contexto. “As equipes de saúde do trabalho das empresas deveriam trabalhar com a criação de comunidades para prevenção e apoio às pessoas com IC por meio da Telemedicina”, propôs. De acordo com Patricia de Luca, cofundadora do FórumDCNTs e diretora executiva da Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF), é essencial que a pessoa com IC tenha condições de atuar de maneira proativa na defesa de seus direitos. “O FórumDCNTs vem trabalhando para que essas pessoas tenham poder de voz e de decisão na definição de políticas públicas”. Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo
- Câncer de Mama: Diagnóstico e Prevenção em Pessoas com Alto Risco - 18/08, às 16h
Objetivos: Entender os desafios, e oportunidades para superá-los, na jornada da pessoa com câncer de mama, da prevenção ao diagnóstico e tratamento, sem esquecer das leis dos 30 e a dos 60 dias. Conhecer e potencializar as diretrizes para detecção precoce do câncer de mama em pessoas com alto risco para desenvolvê-lo, assim como toda a sua linha de cuidado, a fim de atingir os resultados almejados. Reunir esforços intersetoriais para melhorar sistemas e otimizar políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento para pessoas com elevado de desenvolver esse tipo de câncer, a fim de retirá-lo do topo da lista de causas de morte no país. Agenda: 16h00-16h20 – Abertura e Contextualização (moderação: Mark Barone, FórumDCNTs) (Vídeo) Priscila Torres (Biored Brasil) (Vídeo) 16h25-16h30 – Quais são as pessoas com alto risco para desenvolver câncer de mama e quais as diretrizes para diagnóstico precoce dessas pessoas? (Mônica de Assis, INCA) (Vídeo) 16h35-16h40 – Quais os desafios da pessoa com alto risco para o acesso oportuno aos exames e tratamento do câncer de mama? (Luciana Holtz, Oncoguia) (Vídeo) 16h45-16h50 – Quais as melhores estratégias para prevenção, diagnóstico e tratamento desse tipo de câncer em pessoas com alto risco? Como escalá-las? (Kátia Audi, ANS) (Vídeo) 16h50-16h55 – Com base em experiências práticas, quais ajustes no sistema melhoram em curto prazo cuidados e desfechos em câncer de mama? (Daniely Votto, IGCC) (Vídeo) 17h00-17h05 – Quais políticas devem ser prioritárias a nível municipal para o enfrentamento desse desafio? (Alessandro Chagas, CONASEMS) (Vídeo) 17h10-17h15 – Quais ações a nível estadual estão sendo tomadas diagnóstico e tratamento precoce de pessoas em alto risco para câncer de mama? (Gustavo Ribas, SES-DF) (Vídeo) 17h15-17h45 – Debate com todos os painelistas – Com quais planos precisamos nos comprometer intersetorialmente, durante os próximos quatro anos, para melhorar os resultados de prevenção e tratamento do câncer de mama? (Moderação: Mark Barone, FórumDCNTs) (Vídeo) Painelistas e moderador Alessandro Chagas (CONASEMS) Graduado em Farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com ênfase em Análises Clínicas. Atuou em Farmácia Hospitalar e assessoria de implantação de sistema de gestão da qualidade, como Gestor de Laboratório e área técnica e na Auditoria aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública e de Referência Nacional do Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública. Experiência em Gestão Pública, Políticas Públicas, Assessoria, Auditoria, Análises Clínicas, com ênfase em Bioquímica, Epidemiologia e Farmácia Hospitalar. Atualmente é Consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) em Brasília/DF. Daniely Votto, MSc (IGCC) Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Mestre pela Escola de Humanidades da PUCRS, com foco na experiência do Orçamento Participativo de Porto Alegre e a emergência do clientelismo. Atuou na Coordenação de Relações Internacionais da Prefeitura de Porto Alegre e gerenciou a área de Governança Urbana do Programa Cidades do World Resources Institute (WRI Brasil). Atualmente é Membro do Hub Global de Democracia Participativa People Powered e Diretora Executiva do IGCC - Instituto de Governança e Controle do Câncer. Gustavo Ribas, MD (SES-DF) Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Residência em Clínica Médica no programa da SES-SP no Hospital Heliópolis, São Paulo e em Oncologia Clínica no programa da SES-DF no Hospital de Base do Distrito Federal. Atuou como Preceptor e Coordenador da Residência Médica em Oncologia Clínica do HBDF e Supervisor do Programa de Residência Médica em Oncologia Clínica do HDF. Atua como Médico Oncologista do Grupo Acreditar/Rede D'or e Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Atualmente é Chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer (ASCCAN) da Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal. Kátia Audi, MBA (ANS) Graduada em Saúde e Educação Físcia pela Universidade Gama Filho, Especialista em Gestão Hospitalar e Psiquiatria Social pela Fundação Oswaldo Cruz e MBA em Gestão de Serviços de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mais de 20 anos na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atualmente sendo a Coordenadora de Indução de Qualidade Setorial/COIME/GEEIQ/DIDES/ANS. Luciana Holtz (Oncoguia) Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Especialista em Bioética pela Faculdade de Saúde Pública da FMUSP e Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital Emílio Ribas. Atuou como Psico-oncologista instituições públicas e privadas, Conselheira Suplente do Conselho Nacional de Saúde, Coordenou a Iniciativa Global para a Conscientização do câncer de mama no Brasil da Ong Susan G. Komen for the cure e focou toda sua carreira na área do câncer, tornando-se também uma empreendedora social fellow ashoka. Fundadora do Instituto Oncoguia, onde atualmente é Presidente. Mônica de Assis, MSc, PhD (INCA) Graduada em Serviço Social pela UERJ, Sanitarista pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz), Especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (UERJ) e Doutora em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz). Experiência como Coordenadora e Docente do módulo de prevenção de doenças e promoção da saúde e orientadora acadêmica do Curso de Especialização em Geriatria e Gerontologia da UnATI/UERJ. Atualmente é Tecnologista do Instituto Nacional de Câncer (INCA)/Ministério da Saúde, onde atua na Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede, em ações de ensino, pesquisa e comunicação em saúde. Priscila Torres (Biored Brasil) Graduada em Jornalismo pela Faculdades Metropolitana Unidas, Mestranda em Assistência Farmacêutica na Universidade de Brasilia pelo programa de Pós-Graduação em Assistência Farmacêutica (PPGASFAR). É autora do Livro EncontrAR e do Blog Artrite Reumatoide - a vida após a artrite reumatoide. Além disso, colabora com diversos grupos de trabalho de escopo de diretrizes clínicas terapêuticas do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADIS-SUS). Atualmente é Coordenadora de Advocacy e Responsabilidade Social na Biored Brasil, participa como Conselheira Nacional de Saúde, do Conselho Nacional de Saúde na Câmara de Saúde Suplementar no Comitê Permanente de Atenção à Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e no Comitê de Protocolos Clínicos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia (CONITEC). Mark Barone, PhD (FórumDCNTs) Doutor em Fisiologia Humana pela USP, Especialista em Educação em Diabetes e em Comunicação. Desde 1999 desenvolve pesquisas e projetos de Educação em Saúde, Empoderamento, Liderança de (im)pacientes, Divulgação Científica e Saúde Global. Ampla experiência na facilitação de parcerias para a implementação, sustentabilidade e escala de programas e políticas de saúde. Foi Fellow no PHI e Diretor Técnico do Instituto de Saúde Pública do Brasil, prestando serviço à Medtronic Foundation como Senior Global Technical Advisor (2016-2019). Atualmente é Coordenador Geral do FórumDCNTs, Membro do Advisory, Scientific, Education ou Steering Committee de entidades nacionais e internacionais, incluindo SBD, ADJ Diabetes Brasil, IAPO, BMJ Patients Panel, RICPHI e LFAC. Parceiros institucionais Parceiro Corporativo
- Prêmio Marcos Moraes 2023 busca iniciativas inovadoras em oncologia - Até 4/9
A Fundação do Câncer anuncia a terceira edição do Prêmio Marcos Moraes, de pesquisa e inovação no manejo do câncer. O objetivo é de fomentar as melhores e mais inovadoras iniciativas para o manejo da condição no Brasil, com “A Oncologia em sua melhor expressão”. As inscrições vão até 4/9. O prêmio destaca a importância da ciência, da assistência e da pesquisa em oncologia no Brasil e homenageia o Dr. Marcos Fernando Oliveira Moraes, médico alagoano que foi diretor do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e idealizador da Fundação do Câncer sendo presidente do Conselho Curador até sua morte em maio de 2020. Teve grande atuação nas políticas antitabaco e ajudou a elaborar o Programa Nacional de Controle de Câncer. Serão três categorias premiadas Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer: destacando as ações, projetos e realizações ligadas à prevenção do câncer e difusão de medidas para deter o avanço da doença. Cuidados Paliativos: destinada a premiar ações ligadas aos projetos de promoção e ação para o conforto de pacientes oncológicos em estágio de finitude. Iniciativas para o Controle do Câncer: premiação voltada às entidades e associações que promovam o controle do câncer através de iniciativas transformadoras e modernizando a ação em Oncologia. Quem pode se inscrever? Podem participar do Prêmio Marcos Moraes profissionais e instituições que atuem diretamente no manejo do câncer no Brasil, bem como projetos desenvolvidos, aplicados e/ou implantados no país. As iniciativas inovadoras no sobre o câncer podem estar em andamento ou já concluídas, desde que tenham sido encerradas nos últimos quatro anos (de 1º de janeiro de 2019 em diante). Premiações A Iniciativa da Fundação do Câncer, com o apoio do Instituto Oncoclínicas, terá premiações em dinheiro com o objetivo de fomentar iniciativas inovadoras para manejo do câncer. Três categorias com prêmios de R$ 10 mil; Um certificado de participação será entregue aos finalistas; Os três finalistas, de cada categoria, receberão medalha pela participação. As inscrições começam a partir do dia 4 de setembro, mas para receber as informações sobre o Prêmio é preciso fazer o cadastrar na página do evento. Clique aqui. Acesse o regulamento aqui. Fonte: Prêmio Marcos Moraes
- Lançamento Material Advocacy sobre Cobertura Universal da Saúde - #ActOnNCDs NCD Alliance 2023
Conforme descrito no post anterior, nesta época do ano, com a aproximação da Assembleia Geral da ONU e diversos congressos de saúde, diferentes grupos lançam materiais de Advocacy. No post anterior, compartilhamos a tradução do texto produzido e endossado por ativistas com diabetes, durante o congresso da American Diabetes Association (ADA), com o objetivo de convidar profissionais de saúde e pesquisadores a serem aliados contra o estigma do diabetes. Aqui, compartilhamos materiais da NCD Alliance para Advocacy, com o objetivo de priorizar prevenção e tratamento das condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) no compromisso dos países com a Cobertura Universal da Saúde (UHC), em 21 de setembro de 2023. Anualmente a NCD Alliance promove em setembro a Semana Global para Ação sobre as CCNTs (#ActOnNCDs), a fim de mobilizar diferentes stakeholders em todo o mundo para atenção a essas condições. Os textos de alguns dos materiais prioritários deste ano foram traduzidos para o português, a fim de serem usados por ativistas brasileiros e de outros países com essa língua oficial. A tradução foi feita pela líder, educadora em diabetes e psicóloga Bruna Talita Patricio, com apoio de: Ana Paula Porto, Bruna Lima, Henrique Alves e Mark Barone. Acesse o conteúdo original aqui. Acesse o conteúdo original aqui. Acesse o conteúdo original aqui. Acesse o site da campanha completa aqui. Fonte: NCD Alliance
- Comunicação em saúde: o que é mais eficaz, comunicar riscos ou benefícios?
No dia 16 de agosto aconteceu o painel online do Projeto ESPIE "Estratégias de Comunicação de Evidências em Saúde para Gestores e para a População", organizado pelo Hospital Sírio-Libanês, juntamente com o Ministério da Saúde e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), que integra este sistema, e o resumo para políticas foi disponibilizado a fim de apresentar os principais resultados da revisão do Escopo e sobre aplicabilidade no Brasil. A apresentação do estudo, que contou com especialistas como Rachel Riera, Jorge Barreto e Cecícia Setti, Especialistas do Projeto ESPIE/HSL, Patrícia Couto, Analista de Políticas Sociais e Coordenadora de Gestão de Programas de Pesquisa - DECIT/SETICS/MS, Janine Miranda Cardoso, Pesquisadora em Comunicação e Saúde - PPGICS,ICICT/Fiocruz, Silvio Fernandes da Silva, Coordenador do Projeto ESPIE/HSL, teve como objetivo apresentar os principais resultados da revisão do Escopo que identificou estratégias de comunicação de evidências em saúde para gestores e para a população e as possibilidades de implementação das estratégias no contexto nacional. É fato que as mídias digitais modificaram e transformaram a comunicação em saúde, assim como em diversas áreas do conhecimento. Portanto existe a necessidade de ajustar e adaptar as diferentes formas de comunicar e transmitir uma mensagem. As diferentes estratégias desenvolvidas a partir do estudo visam aumentar a compreensão e entendimento das mensagens, seja para gestores, seja para a população. Resultados científicos precisam passar por uma apuração e tradução de dados para que possam facilitar seu real impacto, como estimativas de riscos em saúde, para isso foram analisadas diferentes formas de comunicação em qualquer nível de assistências. Confira as principais mensagens definidas no resumo de escopo: Evidências em saúde precisam ser comunicadas e disseminadas de modo claro para que sejam compreendidas pelos diferentes tomadores de decisão. Um amplo mapeamento na literatura científica (revisão de escopo) identificou estratégias para comunicar os resultados de estudos científicos na área da saúde. Foram identificadas 78 estratégias, a maioria abordando comunicação de riscos e benefícios em saúde, por exemplo, o uso de frequência (ex: 1 em 10) preferível ao uso de porcentagem (ex: 10%), e comunicação numérica (ex: 9 em 10) preferível a descrições nominais (ex: a maioria). Sínteses de evidências em linguagem acessível parecem ser eficazes para facilitar a compreensão e melhorar as habilidades de pensamento crítico para a interpretação dos resultados dos estudos científicos. Os achados da revisão de escopo contribuem tanto para o processo de tradução do conhecimento, identificando estratégias de comunicação com potencial para implementação imediata, quanto para pesquisas futuras. Comunicação Risco/Benefício Uma das principais estratégias elencadas pelos especialistas foi a comunicação de risco/benefício, ou seja, a mensagem que visa impactar com as perdas em comparação aos ganhos que tal comportamento, medicamento possa ter para as pessoas. Veja os exemplos: Maior compreensão de frequência natural do que de porcentagem (Ex: "Entre 10 pessoas que usam o medicamento, uma pode apresentar sonolência" versus "10% das pessoas que usam este medicamento podem apresentar sonolência"). Maior compreensão de risco absoluto do que de risco relativo e número necessário para tratar (NNT) (Ex: "Entre 100 idosos que praticam atividade física, 5 desenvolvem a doença e entre 100 idosos sedentários, 50 desenvolvem a doença" versus "Idosos que praticam atividade física têm o risco 10 vezes menor de desenvolver a doença"). Maior compreensão e mudança de comportamento com o uso de informação numérica do que nominal (Ex: "O consumo de álcool reduz em 5 vezes a probabilidade do medicamento funcionar" versus "O consumo de álcool reduz muito a probabilidade do medicamento funcionar"). Maior compreensão de informação que se refere à mortalidade do que à sobrevida. (Ex: "A mortalidade após cinco anos é de 1 pessoa em cada 1000" versus "A sobrevida após cinco anos é de 999 pessoas em cada 1000"). Mensagem com teor negativo ou de perda parece ser mais eficaz para compreensão e mudança de comportamento do que com teor positivo ou de ganho (Ex: "Uma alimentação inadequada aumenta o risco de progressão da doença" versus "Uma alimentação balanceada aumenta a probabilidade da doença não progredir"). Por fim, algumas das estratégias reconhecidas para comunicação em saúde podem ajudar nas melhorias de compreensão e entendimento de informações, principalmente de evidências científicas e resultados de pesquisas. Todo esse resumo busca ser mais acessível para a sociedade, o real foco para as melhorias em saúde em todos os níveis. Acesse o documento completo aqui. Você também pode assistir ao evento aqui. Fonte: Hospitais PROADI SUS
- Relatório da Comissão de Evidências é atualizado para qualificar produção de pesquisas
A Comissão Global de Evidências para Enfrentar os Desafios Sociais (Global Commission on Evidence to Address Societal Challenges) lança a atualização do relatório da Comissão de Evidências "Um chamado para a ação e caminho a seguir para tomadores de decisão, intermediários de evidências e produtores de evidências orientadas para o impacto". A atualização de 2023 acontece um ano após o lançamento da primeira versão do material. O relatório lançado em janeiro de 2022, disponível em sete idiomas e diversos formatos, fornece recomendações sobre maneiras de melhorar o uso de evidências de pesquisa, tanto em tempos de rotina quanto em futuras crises globais (consulte também o sumário executivo). Em 2023, a primeira atualização anual tem como foco em três prioridades de implementação: Formalizar e fortaleça os sistemas nacionais de apoio à evidência: conduzir ou participar de uma avaliação rápida do sistema de apoio à evidência para o seu país e encontrar maneiras de agir com base nas lições aprendidas, caso já tenha sido realizada. Aprimorar e alavancar a arquitetura global de evidências: incentivar financiadores e doadores - tanto em seu próprio país quanto aqueles que operam globalmente - a fazerem parte da solução e incentivar produtores de evidências orientados para o impacto - especialmente aqueles que produzem bens públicos globais, como sínteses de evidências vivas - a trabalhar de formas mais coordenadas e para construir conexões com redes e unidades domésticas de apoio à evidência. Colocar as evidências no centro da vida cotidiana: apoiar as ONGs e os líderes cidadãos que atendem os cidadãos a agir em seu país. A atualização do documento tem como objetivo qualificar e aumentar o aproveitamento de formuladores de políticas governamentais para que estejam abertos e disponíveis a novas abordagens para a tomada de decisão e o uso de evidências, sem retornar às medida anteriores à pandemia de COVID-19. Ou seja, o foco é evitar o grande desperdício de pesquisas realizadas O documento aborda diferentes temáticas a fim de abranger e dar profundidade a elementos importantes e fundamentais com relação às pesquisas de evidências: Natureza dos desafios sociais, a forma como ele é abordado, ou pela complexidade do problema subjacente Decisões e tomadores de decisão: demanda por evidências, que integram a parte de impulso para tomar uma ação e a reflexão necessária para dar o próximo passo, fator que exige uma série de etapas Estudos, sínteses e diretrizes: oferta de evidências, encontradas na tomada de decisão de oito formas diferentes. Seja em evidências quantitativas ou qualitativas a partir da análise de dados, modelagens e avaliações Papel dos intermediários de evidências, que define os tomadores de decisão e que produzem as evidências de acordo com as melhores estratégias definidas ao objetivo proposto Necessidade de bens públicos globais e capacidades distribuídas de maneira equitativa, que incluem robustez de processos, padrões rigorosos, publicações de livre acesso e priorização de esforços Confira as recomendações organizações multilaterais como o sistema da ONU, bancos multilaterais de desenvolvimento, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE, na sigla em inglês), o G20, e outros; formuladores de políticas governamentais nacionais e subnacionais; líderes de organizações, profissionais e cidadãos; intermediários de evidências, incluindo aqueles que atualmente não têm a função de intermediários de evidências (como os jornalistas, em sua maioria); produtores de evidências, em particular, unidades orientadas para o impacto envolvidas na produção e no apoio ao uso de análises de dados, modelagem, avaliação, pesquisa do comportamento/de implementação, informações qualitativas, sínteses de evidências, avaliação de tecnologias/análise de custo-efetividade, e diretrizes. Todos os documentos estão disponíveis na língua portuguesa, no site da Comissão Global de Evidências para Enfrentar os Desafios Sociais. Sobre a Comissão Global de Evidências para Enfrentar os Desafios Sociais O secretariado da Comissão de Evidências se envolve com os quatro grupos a seguir para abordar as prioridades de implementação da Comissão de Evidências: Nosso Conselho de Implementação promove, contribui e/ou lidera os esforços para implementar as 24 recomendações do relatório e as três prioridades de implementação. O Grupo de Líderes do Sistema de Avaliação Rápida de Apoio à Evidência (RESSA) promove a prioridade de implementação da Comissão de Evidências para fortalecer os sistemas domésticos de apoio à evidência, compartilhando as lições aprendidas com os países participantes e tomando medidas com base no que foi aprendido. O Grupo de Produtores de Evidências Globais promove a prioridade de implementação da Comissão de Evidências para aprimorar a arquitetura de evidências globais, discutindo oportunidades para melhorar a coordenação e reduzir a duplicação e formas de envolver financiadores e doadores nessas oportunidades. Nosso Grupo de Liderança Cidadã promove a prioridade de implementação da Comissão de Evidências para colocar as evidências no centro da vida cotidiana, fornecendo um fórum para líderes cidadãos e líderes de organizações que atendem aos cidadãos para moldar o pensamento e a ação. Acesse o documento completo aqui. Fonte: Comissão Global de Evidências para Enfrentar os Desafios Sociais
- Membros do FórumDCNTs colaboram em estudo indicando que 1.3 bi pessoas terá diabetes em 2050
Participantes do FórumDCNTs colaboram em estudo que aponta crescimento nos casos de diabetes e estima mais de 1 bilhão de pessoas com a condição em 2050 O diabetes é uma das condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) mais prevalentes em todo o mundo e está entre as principais causas de morte. Apenas no Brasil, pessoas com diabetes tipo 1 pode perder até 48 anos de vida saudável, de acordo com números do último T1D Index. Soma-se a esse número o novo estudo publicado pelo The Lancet, que teve a colaboração do FórumDCNTs e seus membros, a partir do Coordenador Geral, Dr. Mark Barone e Elton Junio Prates, facilitador do GT de Diabetes, ao apontar que, em 2050, 1 a cada 7 pessoas terá diabetes. O Estudo Global de Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (GBD), financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, produziu estimativas específicas de localização, idade e sexo da prevalência e carga de diabetes entre os anos de 1990 a 2021, a proporção de diabetes tipo 1 e tipo 2 há dois anos, período da pandemia de COVID-19, a proporção da carga de diabetes tipo 2 atribuível a fatores de risco selecionados e possíveis projeções da prevalência de diabetes até 2050. Apenas em 2021, 529 milhões de pessoas viviam com diabetes, ou seja, 6,1% da população global. No entanto, a atual estimativa é de 1,31 bilhão de pessoas com a condição na metade do século, no qual a Organização das Nações Unidas projeta a população mundial em 9,7 bilhões, sendo 11,3% desses casos na América Latina e Caribe. Os gastos em saúde chegam a US$ 966 bilhões globalmente (aproximadamente R$ 4,73 trilhões na cotação atual), com previsão de atingir mais de US$ 1.054 trilhões até 2045 (aproximadamente R$ 5,16 trilhões na cotação atual). Ao todo, foram 204 países estudados, incluindo o Brasil, em 25 faixas etárias para homens, mulheres, de forma separada e combinada. As estimativas estudadas abordam principalmente os anos saudáveis de vida que são perdidos pelo diabetes, o DALY, termo em inglês para Expectativa de vida ajustada pela incapacidade (Disability-adjusted life year) e a soma dos anos de vida perdidos YLL (Years of Life Lost). Vale ressaltar que o foco central do estudo esteve no diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2. O Brasil aparece na lista com a taxa DALY em 2021 de 2.740 (2370 a 3160), o que demonstra uma alteração percentual na contagem de DALY de 159,7% (149,2 a 172,1) entre 1990 e 2021. Já a taxa DALY padronizada por idade em 2021 (por 100.000) está em 1075·2 (931·4 a 1239·0), o que representa uma queda de −2·7% (−7·1 a 2·1) na mudança percentual na taxa DALY padronizada por idade no mesmo período. O aumento do número de casos de diabetes, no Brasil e no mundo, também eleva a preocupação pelo grave problema de saúde pública no diabetes mellitus tipo 2 (DM2), que compõem 90% dos casos, de acordo com o Ministério da Saúde. Globalmente, a prevalência total de diabetes excede 20% entre 65 e 95 anos, mas é inferior a 1% nas faixas etárias menores de 20 anos. Por ser amplamente evitável e até reversível em alguns casos, todas as evidências do material apontam prevalência ainda maior da condição ao longo dos anos devido a diversos fatores e CCNTs, como no caso da obesidade. Portanto, há a necessidade de entender, quantificar e interpretar as informações do diabetes no país para propor estratégias eficazes e de sucesso quanto ao aumento de casos e os fatores de risco acometidos pela condição. O que é um DALY? DALY é uma abreviatura para ano de vida ajustado por incapacidade. É uma métrica universal que permite aos pesquisadores e formuladores de políticas comparar diferentes populações e condições de saúde ao longo do tempo. DALY é igual à soma dos anos de vida perdidos (YLLs) e anos vividos com incapacidade (YLD). Um DALY é igual a um ano perdido de vida saudável. DALYs permite estimar o número total de anos perdidos devido a causas específicas e fatores de risco em nível de países, regional e mundial. O que é um YLL? Anos de vida perdidos (YLLs) são anos perdidos devido à mortalidade prematura. YLLs são calculados subtraindo a idade no momento da morte da maior expectativa de vida possível para uma pessoa nessa idade. Por exemplo, se a expectativa de vida mais longa para os homens em um determinado país é de 75, mas um homem morre de câncer aos 65 anos, esta seria de 10 anos de vida perdidos devido ao câncer. O que é um YLD? YLD é uma abreviatura de anos vividos com incapacidade, que também pode ser descrito como anos vividos com uma saúde menos do que a ideal. Isso inclui condições como a gripe, que podem durar apenas alguns dias, ou epilepsia, que podem durar uma vida. Ele é medido tomando a prevalência da condição multiplicado pelo peso deficiência para essa condição. Pesos de deficiência refletem a gravidade das condições diferentes e são desenvolvidos através de inquéritos da população em geral. Acesse o documento na íntegra aqui. Fonte: The Lancet












