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  • DCNTs em 2023, o que priorizar? - Cobertura do Evento 27/01

    Primeiro evento do FórumDCNTs de 2023 apresenta o panorama e as tendências das DCNTs/CCNTs em 2023, e a importância da Carta de Prioridades para o avanço no enfrentamento às CCNTs Na última sexta-feira, dia 27 de janeiro, aconteceu o primeiro evento online do FórumDCNTs em 2023 com o tema “DCNTs em 2023, o que priorizar?”, que apresentou a atual situação ao combate às DCNTs/CCNTs no Brasil. Moderador do evento, o Dr. Mark Barone, Coordenador Geral do FórumDCNTs, abriu o evento destacando a importância do debate sobre esse tema para iniciar o ano com as atenções direcionadas aos pontos estratégicos e as prioridades na Carta de Prioridades do FórumDCNTs no enfrentamento dessas condições. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). A primeira painelista a se apresentar foi a Profª Dra. Deborah Malta, Professora Associada e pesquisadora da Escola de Enfermagem da UFMG e Coordenadora do Grupo de Pesquisa do GBD Brasil, que relembrou a meta DCNT da Agenda 2030 com o Indicador 3.4, que resulta na redução em um terço da mortalidade no mundo. Mas o enfrentamento às condições crônicas deve ser constante, e a Taxa de Mortalidade prematura por CCNTs no Brasil aumentou antes mesmo da pandemia, como mostrou o gráfico Population health metrics. “Gostaria de relembrar um desses estudos, que não foram frequentes durante a pandemia, na parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz, UFMG e UNICAMP, a pesquisa CONVID, com 45 mil participações na população adulta e mais de 9 mil adolescentes”, declarou a Profª Deborah, já que o período foi desafiador na amostragem. Também foi ressaltado que a pandemia da COVID-19 afetou diretamente o combate às CCNTs, principalmente na questão comportamental da sociedade e a diminuição da atividade física de 30,4% antes da pandemia para 12,6% em 2020. A procura de serviços de saúde por pessoas com CCNTs aumentou durante a pandemia, mas a dificuldade nos atendimentos foi duramente sentida. A disputa de leitos e de UTI também reduziu o acesso e aumentou significativamente o número de mortes no Brasil, principalmente nas capitais do Norte do país. A Profª Deborah também reafirma que temos que nos preparar com relação à COVID longa, que interferem diretamente às pessoas com CCNTs. Na comparação entre 2019 e 2022, a prática de atividades físicas diminuíram, mas os números com relação ao sedentarismo, excesso de peso e obesidade cresceram mais que 3%, de acordo com a pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem da UFMG. Em seguida o Dr. Marco Antônio de Moraes, Diretor Técnico de Saúde da Divisão de Doenças Crônicas da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES/SP), levantou as ações que a Vigilância Epidemiológica está priorizando para o ano de 2023. Primeiramente foi apresentado as ideias dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que reafirmam e ampliam as propostas para o enfrentamento das DCNTs e promoção da saúde no Brasil, bem como o Plano de DANT (Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil). Os indicadores e metas procuram reduzir em um terço a mortalidade prematura por DCNTs, assim como buscam a redução da mortalidade prematura em 10% com relação aos diferentes tipos de câncer (mama, colo do útero e aparelho digestivo) nas pessoas entre 30 e 69 anos “Não iremos alcançar a redução da taxa padronizada de mortalidade prematura por DCNT no Estado de São Paulo entre 2015 e 2030, e a nossa equipe está preocupada por esses números”, afirmou o Dr. Marco Antônio, que também alertou sobre a qualidade de vida da população quanto à prática de atividades físicas. Segundo o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), a previsão é de que a taxa de pessoas que praticam exercícios físicos no município de São Paulo reduza drasticamente de 32,3%, em 2021, para 16,6%, como previsão em 2030. Em contrapartida, a prevalência do tabagismo na cidade paulistana também seria reduzida, de 11,2% em 2021 para 2,5% em 2030. Para tanto será necessário fomentar ações como o monitoramento dos indicadores segundo sexo, idade em diferentes unidades de saúde; a disseminação desses indicadores pelo acesso automatizado; educação em saúde por meio de encontros virtuais; parceria com a OPAS para diminuir as desigualdades sociais; e elaboração de síntese de evidências em temas relacionas às CCNTs. Na sequência, o Sr. Diogo Alves, Consultor Nacional da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), apresentou as propostas que a OPAS está priorizando para o enfrentamento das CCNTs no Brasil neste ano, e corroborou sobre os impactos da pandemia com relação à saúde mental e agravamento das desigualdades sociais. A descontinuidades dos serviços de saúde também trouxeram resultados negativos no tratamento das DCNTs. "Um conjunto de países têm demonstrado desafios no cumprimento das metas do Plano DANT, mas elas não inatingíveis", ressaltou o Sr. Diogo ao abrir o assunto sobre a estratégia de cooperação do Brasil entre 2022 e 2027. Cinco grandes eixos foram abordados, como reforçar a prevenção, resposta e a recuperação em emergências; impulsionar pesquisas e inovações na tecnologia; recuperar e melhorar os serviços de saúde impactados pela pandemia; contribuir no desenvolvimento de um SUS mais resiliente; e proteger e promover a saúde para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O fortalecimento e integração das ações de saúde mental e apoio psicossocial como prioridade transversal também foi reforçado como uma das prioridades da OPAS para enfrentamento das CCNTs, área duramente impactada pela pandemia e que merece atenção redobrada nos próximos anos. Já a Sra. Paula Johns, Diretora Geral da ACT Promoção da Saúde, apontou quais ações o novo governo deve priorizar no enfrentamento dos fatores de risco para CCNTs. Foi ressaltada a meta de auxiliar o governo para a promoção de saúde de qualidade por meio de políticas públicas. O diálogo com o governo também passa pela Agenda Brasil + Saudável, com atenção ao controle do tabaco, alimentação saudável, assim como o consumo abusivo do álcool e o aumento da pratica de atividades físicas por meio de políticas públicas. "Temos trabalhado bastante na Agenda Brasil + Saudável os fatores de risco e também com relação à poluição do mar. Precisamos de políticas públicas para fortalecer esses objetivos para avançar nessa agenda regulatória", afirmou a Sra. Paula. Defensora da redução e/ou exclusão do marketing e propagandas abusivas e apelativas da indústria, a Sra. Paula Johns aponta que deve haver a regulamentação de ambientes para que o uso de certas substâncias seja monitorado, como já acontece com o tabaco, mas dessa vez na atenção ao álcool para ocasionar a redução de seu consumo abusivo, assim como aumentar os impostos sobre ele. A tributação referente ao tabaco e ao álcool também foi destacado pelo fato das pesquisas da ACT mostrarem que a população é favorável quanto às ações que procuram diminuir o consumo abusivo dessas substâncias, que afetam diretamente na qualidade de vida da sociedade, seja direta ou indiretamente. Por fim, o debate do primeiro evento do FórumDCNTs em 2023 foi iniciado pelo Dr. Marco de Moraes que comentou sobre a baixa cobertura vacinal durante e após a pandemia, em torno de 40%, longe da meta de imunizar 90% das pessoas no Estado de São Paulo. “A cobertura vacinal abaixou de maneira geral, e agora a gente deslumbra que essa cobertura seja melhorada com a nova gestão de governo, com estudos e propostas para essa ampliação.” A Prof.ª Dra. Deborah Malta reforçou a necessidade da aplicação da segunda dose da vacina da COVID-19, também afetadas pelas fake news em diversos setores da sociedade, assim como a falta de vacinas. “As fake news atingiram de frente a situação da cobertura vacinal, que afetou não apenas a COVID, mas sim todas as outras vacinas disponíveis.” O Sr. Diogo Alves mencionou as estratégias para eliminação do câncer de colo de útero, com acessibilidade no rastreio e na parte do tratamento a partir de equidades com a cobertura principalmente na região Norte, a região do Brasil mais afetada, com números similares a países da África. "É um câncer que entra na parte de inequidade e a região Norte é a primeira no número de óbitos, 40 pessoas por 100 mil, similares à África", afirmou. Além disso, foi destacado os indicadores de transtornos de saúde, descontinuidade dos atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), que aumentaram durante a pandemia. Em continuidade às discussões, a Sra. Paula Johns citou o desafio no combate aos cigarros eletrônicos, na questão do vício da nicotina, uma nova forma de perpetuar o uso do cigarro, que passa da forma convencional para outra mais atrativa, principalmente para os mais jovens com a presença de sabores e essências. "Os dispositivos eletrônicos são as novas formas para perpetuar o uso da nicotina, de forma mais atrativa para o consumidor", relatou. Corroborando à essa discussão, o Dr. Marco Antônio reforçou a preocupação nesse combate no Estado de São Paulo e o curto período de monitoramento dos cigarros eletrônicos, vide o crescimento exponencial de usuários pós-pandemia. De acordo com o último censo IBGE, cerca de 16% dos adolescentes utilizaram ao menos uma vez o cigarro eletrônico. "Nós observamos que enquanto o consumo do cigarro tradicional tenha diminuído, houve um aumento em 2020 no consumo dos cigarros eletrônicos, que ainda não é monitorado de forma ampla", afirmou a Profª Deborah Malta. Na questão da rotulagem de alimentos, como na Tributação de Bebidas Adoçadas, a Sra. Paula Johns comentou sobre as novas marcações estarem corretas e beneficiar seu propósito nutricional, mas criticou os prazos de mudanças de cada produto ou empresa. Em exemplo, “caso tenham dois produtos iguais e de marcas diferentes, duas embalagens, com lupa e sem lupa, ambas estão dentro da lei”, completou. A Prof.ª Dra. Deborah Malta considerou urgente ampliar o foco na atenção da obesidade e também a nutrição, e defende essas pautas nas próximas agendas. Em números, 125 milhões de pessoas no Brasil estão em insegurança alimentar, e a desnutrição, que acarreta no desenvolvimento de CCNTs no futuro, deve ser combatida para não repetir erros passados, como a volta do país ao Mapa da Fome. "Nós temos que voltar a monitorar a desnutrição e manter os números referentes à obesidade. Precisamos de novas pesquisas, pois podemos estar com os dois lados da insegurança alimentar", finalizou. Os desafios no enfrentamento às DCNTs/CCNTs no Brasil são muitos, mas com estratégias específicas é possível atingir resultados favoráveis em todos os âmbitos da sociedade, seja na revisão de assuntos que não estavam em evidência como a obesidade, e também na manutenção de outras metas que seguem em alta, como a saúde mental, tributação de alimentos adoçados e o álcool e tabaco, substâncias lícitas, mas que merecem a atenção necessária da sociedade, algo que o FórumDCNTs promove constantemente. Na Imprensa: Criativa Online DF na Mídia ES 24 Horas Jornal Terceira Visão Portal Comunique-se Terra Parceiros Institucionais

  • Câncer: como melhorar diagnóstico e tratamento agora? - Cobertura do Evento 24/02

    Evento Interativo do FórumDCNTs debate a situação do câncer no Brasil, os desafios para seu enfrentamento e os prognósticos para 2023. O FórumDCNTs realizou na última sexta-feira, dia 24 de fevereiro, o Evento Interativo “Câncer: como melhorar diagnóstico e tratamento agora”, mediado Coordenador Geral do FórumDCNTs, Dr. Mark Barone. Entre muitas situações e casos do debate formado por especialistas na área de oncologia, chamou a atenção o fato de 1 a cada 10 cidades brasileiras terem o câncer como principal causa de morte, segundo o Observatório de Oncologia. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). O Dr. Mark Barone abriu o evento interativo com a apresentação dos painelistas e contextualização da temática, apresentando os desafios e as possíveis soluções para enfrentar esse cenário, e destacou a preocupação pelas mortes prematuras por câncer, isso não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. O Sr. Antônio Silva, Diretor de Acesso na Roche, foi convidado a dividir a abertura do evento e ressaltou o trabalho intersetorial promovido pelo FórumDCNTs na reunião de esforços no enfrentamento ao câncer. Em suas palavras “é preciso permanecer conectado e agir pelo futuro do país”. A primeira painelista a se apresentar foi a Sra. Luciana Holtz, Fundadora e Presidente do Instituto Oncoguia, e confirmou que a disponibilização em 180 dias de tecnologias incorporadas precisa de ajustes, principalmente pelo fato da oncologia não ser tratada da forma como deveria pelas incorporações no Sistema Único de Saúde (SUS). Sem uma padronização de protocolos na oncologia, há muitas dificuldades na disponibilização em 180 dias dessas tecnologias, o que diferem nas regiões pelo Brasil, mostrado pelo estudo “Meu SUS é diferente do teu SUS”, da Oncoguia. O prazo de 180 dias não é aplicado e muitas pessoas com essas condições não conseguem alcançar o pleno acompanhamento na oncologia, ou ao menos um primeiro acompanhamento igualitário para a população. A Sra. Luciana Holtz frisou que desde a criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) em 2011, 13 tecnologias tiveram recomendações positivas no gerenciamento do câncer, mas apenas duas estão disponíveis para todas as pessoas, mas as outras 11 tecnologias não são custeadas no Brasil. A lista de incorporações “fora da lei” está grande com a imunoterapia para acompanhamento do melanoma metastático incorporada há 752 dias, Sunitinib e Pazopanibe para rim metastático incorporadas há 1.338 dias e inibidores de ciclina para câncer de mama avançado incorporados há 263 dias. Algumas soluções são elencadas para que a gestão do câncer seja de fato estabelecida, segundo a Sra. Luciana Holtz: Protocolos mínimos e obrigatórios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para que os hospitais de oncologia sigam; Pactuação na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) logo após a incorporação desses medicamentos para que seja definida a forma de financiamento deles; Negociação com a indústria farmacêutica. No final de 2022 tiveram duas incorporações para medicamentos no combate ao câncer de mama (Trastuzumabe Entansina, com vencimento para 15 de março de 2023) e câncer de pulmão (com vencimento para junho de 2023). Em seguida a Sra. Luana Lima, Coordenadora de Políticas Públicas e Advocacy da ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) e do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), introduziu o tema dos maiores desafios da pessoa com diagnóstico de câncer no país e as possíveis soluções. Um dos grandes empecilhos apontados é o tempo médio de diagnóstico de câncer no Brasil em torno de 36 dias, sendo que 33% dos casos levaram mais que 30 dias para o diagnóstico. Os números do Observatório de Oncologia ainda apontam que o câncer é a principal causa de morte em 606 municípios brasileiros (10,9%), o que representa um aumento de 90 municípios (17,4%), com relação aos levantamentos de 2015 e 2021. Os principais desafios destacados pela Sra. Luana Lima para a pessoa com câncer são: Acesso ao diagnóstico conforme protocolos e consulta com especialistas em tempo hábil; Garantia ao tratamento regular em tempo hábil e acesso à medicamentos; Dificuldades de deslocamento para tratamento (descentralização dos CACONS E UNACONS); Cuidado integral (cirurgia oncológica, acesso a equipe multidisciplinar e cuidados paliativos). A "Jornada do Paciente", um conjunto de nove pesquisas realizadas entre 2019 e 2022, entrevistou 2.085 pessoas com câncer e também mostrou que o tempo para receber o diagnóstico de linfoma é menor para quem possui plano de saúde, enquanto na parte da saúde pública o acesso direto até o médico especialista é carente de melhorias. Além disso, foi apontado que 2 em cada 10 pessoas encontraram dificuldades para ter acesso aos medicamentos e 19% das pessoas têm dificuldades de custear todos os medicamentos necessários para a sua saúde. As soluções encontradas para os atuais desafios foram mapeadas como: Na sequência a Dra. Anelisa Coutinho, presidenta da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), contribuiu ao evento interativo com o debate das leis dos 30 e dos 60 dias. Primeiramente, as leis asseguram às pessoas atendidas pelo SUS o início de tratamento em até 60 dias a partir do diagnóstico (Lei 12.732/12), e também garantem às pessoas atendidas pelo SUS e com suspeita de câncer o direito à realização de exames no prazo de 30 dias (Lei 13.896/19), mas existe a preocupação com os prazos a serem cumpridos no sistema de saúde com a difícil monitorização dessas pessoas. A Dra. Anelisa Coutinho também trouxe dados do DATASUS que comprovam a defasagem dessas leis, a começar pelo tempo de início dos cuidados, como no número de Neoplasias Malignas em que apenas 283.889 dos 988.525 casos foram atendidos dentro de 30 dias, o que corresponde a 28,7%. O mais alarmante é que não há informações desse gerenciamento em 426.845 pessoas, 43,1% do total. No Painel de Oncologia, que mostra a distribuição dos casos de neoplasia até o início do acompanhamento oncológico no SUS, entre 2013 e 2019, 472.905 pessoas (40,4%) foram atendidas com mais de 60 dias apenas em 2019, 48,4% dos casos sequer tinham informações da pessoa e de sua condição, e 1 em cada 10 pessoas não tinham sequer informação sobre os cuidados de sua condição. Entre os cânceres mais incidentes, o câncer de próstata é o que mais preocupa, uma vez que 61,21% dos casos (93.652 pessoas) foram atendidos após 60 dias do diagnóstico, assim como números elevados desse mesmo quesito com relação ao câncer de mama (48,86%), colo de útero (48,82%) e reto (48,02%). Apenas o câncer de pulmão apresentou número reduzido, 26,55% dos casos estão nessa situação. Na sequência o Dr. Eduardo Macário, representante da equipe de apoio institucional e participativo do Ministério da Saúde para Santa Catarina, ressaltou que o Brasil não alcançará, segundo números do Instituto Nacional do Câncer (INCA), as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização Mundial da Saúde, e que encontra dificuldades na meta 3.4 em reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis até 2030, via prevenção e gerenciamento, e promover a saúde mental e o bem-estar. Ainda demonstrou alerta sobre os cânceres de intestino, colo de útero e reto, que devem aumentar a incidência nos próximos anos. O Brasil tem dificuldades para atender os índices de desenvolvimento sustentável e, para isso, seria necessário melhorar a qualidade da alimentação da população brasileira, combater o alcoolismo e tabagismo, e aumentar a cobertura vacinal. A política de redução de riscos na cobertura vacinal de HPV também não é plena, como afirmou o Dr. Eduardo Macário, portanto é fundamental resgatar a Atenção Primária à Saúde (APS). Em seguida o Dr. Sergio Serrano, membro do Conselho Administrativo Consultivo do Hospital de Amor, comentou sobre as prioridades em termos de programas e políticas intersetoriais e interníveis de atenção para gerenciamento e acompanhamento oncológico no Brasil e apontou cinco prioridades: Registro Populacional de Câncer Nacional: banco de dados com informação de saúde das pessoas em todo o Brasil; Saúde Digital Integrada e Telessaúde: gestão da linha de cuidado com a pessoa e integração nos cuidados presenciais e a distância; Redução de riscos, Rastreamento e Detecção precoce: criar estratégias para ampliar o acesso e adesão; Acesso a novas Tecnologias e Medicamentos: parcerias público-privadas; Revisão do Modelo de Remuneração das Instituições SUS: Sistema Cacon/Unacon, Modelo APAC; Redes Integradas de Oncologia – Descentralização Coordenada. “A vacinação do HPV tem que ser prioridade e pode ser 100% erradicada no Brasil", afirmou o Dr. Sergio. Outra questão para inovações é a Saúde Digital Integrada Telessaúde para a melhor gestão da linha de cuidados da população, na integração com a Atenção Básica e no protagonismo da equipe multidisciplinar. Números apontam que 71% dos óbitos por câncer são causados por neoplasias sem recomendação para rastreamento, segundo pesquisa da SEER de 2018, além de que 79% dos casos tiveram detecção tardia. O Dr. Aristides Vitorino de Oliveira Neto, Diretor de Programa da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, situou a atual conjuntura política do Brasil, que desde 2016 prejudica o pleno exercício do Ministério da Saúde, mas afirmou que o tema da oncologia é uma prioridade do atual governo. “Inicialmente foi criado a Coordenação Geral de Cuidado e Atenção ao Câncer, estratégia do ponto de vista de gestão, para que seja possível organizar a política com discussões intersetoriais para um tema tão complexo”, destacou. Ainda para o Dr. Aristides Neto, vontade política, investimento, racionalidade sanitária e racionalidade em gestão são os pilares para enfrentar os desafios no enfrentamento ao câncer no país, que envolve tomadas de decisão, os planejamentos e as organizações internas. Uma reformulação é prevista no sentido de lidar com políticas públicas no custeio, remuneração, equipamentos e vazios existenciais a serem supridos. O monitoramento dos indicadores da população brasileira, que possa envolver tecnologias, também está entre as prioridades do Ministério da Saúde, a fim de capacitar profissionais de saúde para qualificar o acompanhamento do câncer pelo país, principalmente com a telessaúde ao utilizar a tecnologia como aliada à APS, que precisam estar integradas em todos os sentidos. “Podemos falar sobre Recife, onde há pessoas nas filas todas as semanas, um caso precisa passar por colonoscopia, a fim de fazer o check-up, e outro caso tem alta suspeição de câncer. A priorização de atendimento poderia ter inteligência artificial com protocolos embutidos no sistema, e com busca ativa de pessoas. Por que não estabelecer uma gestão de pessoas com essas condições crônicas para não desperdiçar esforços? Temos as ferramentas na mão, mas a racionalidade sanitária precisa ser melhor desenhada, divulgada e implementada”, questionou o Dr. Aristides. A iniciativa do Estado de Pernambuco, em parceria a Secretaria de Saúde de Recife e com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Programa "Útero é Vida", lançado em dezembro de 2021 e em fase de testagem de tecnologia inovadora para rastreamento do câncer cervical com testagem molecular. A perspectiva é fazer uma agenda robusta para erradicar o câncer de colo de útero Brasil. O INCA discute a elaboração de diretriz para rastreamento de câncer de colorretal. Entre os desafios foi elencado que as pessoas têm o diagnóstico e acompanhamento tardios, além de diferentes regiões do Brasil apresentarem situações graves quanto ao tempo de rastreio do câncer. Além disso, um Grupo de Trabalho de Hepatite, instituído em 2022, mas que será retomado em 2023 pelo Ministério da Saúde em parceria com o CONASEMS, que é a revisão da portaria 1399, que trata das habilitações dos Unacons e Cacons, que define os parâmetros para quem será habilitado, para acertar mais nesses critérios e propiciar uma melhor remuneração. Por fim, o Dr. Aristides Neto destacou que “As pessoas precisam voltar a comer bem, ter o mínimo de dignidade, isso por si só é uma ação e promoção na redução dos riscos de condições crônicas. Estamos em um momento de divisor de águas no Brasil”. Dando continuidade aos debates, o Dr. Mark Barone salientou a importância do registro de todas as condições de saúde da população brasileira para o enfrentamento ao câncer e a outras condições crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças respiratórias e cardiovasculares. A integração digital com a telemedicina também foi ressaltada como primordial para a sequência do melhor aproveitamento na jornada da pessoa com essa condição. Na sequência, a Dra. Anelisa Coutinho ressaltou o foco no indivíduo no enfrentamento ao câncer em todas as diretrizes, determinações e políticas, tudo para qualificar ainda mais o atendimento. Corroborando a essa fala, a Sra. Luciana Holtz deu ênfase na defasagem que aconteceu no combate ao câncer durante a pandemia, com exames e biópsias represadas, destacando que reverter esse quadro deve ser prioridade para os próximos quatro anos. Já o Dr. Eduardo Macário reforçou a necessidade do debate e ações diretas sobre os fatores de risco, como alcoolismo, tabagismo e alimentação não saudável, além do aumento na cobertura vacinal de HPV pelo Brasil para erradicar o câncer de colo de útero. Da mesma forma, a Sra. Luana Lima destacou que a presença de agrotóxicos na alimentação da população influencia diretamente no desenvolvimento de cânceres, e por isso deve-se haver programas visando a redução desses danos. O debate intersetorial promovido pelo FórumDCNTs fomenta cada vez mais o enfrentamento ao câncer no Brasil, com a participação de diversos atores, públicos e privados, para promover a qualidade de vida para a população. Detecção precoce, cumprimento de leis e participação da sociedade são pontos fundamentais para que esse alinhamento não se perca e que permaneça como o foco principal. Os desafios são muitos e contínuos, portanto buscar soluções viáveis e debates interníveis é de fundamental importância. Na Imprensa: Criativa Online Estadão PE Online Portal Comunique-se Site da Serra Terra Valor Econômico Veja SC Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo

  • DCNTs em 2022: O que esperar? - Cobertura do evento do dia 28/01/2022

    Na última sexta-feira (28/01), às 16h, o FórumDCNTs promoveu seu primeiro painel do ano cujo tema foi “DCNTs em 2022: O que esperar?”. O evento teve como objetivos entender quais serão os maiores desafios para as doenças crônicas em 2022, se haverá avanços nas prioridades identificadas pelo FórumDCNTs e, por fim, discutir sobre como os diferentes setores poderão contribuir para reduzir os riscos de agravamento das DCNTs durante 2022. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). Participaram do encontro Patricia Vieira, diretora Executiva da Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF), Mônica Andreis (ACT Promoção da Saúde), Deborah Malta (UFMG), Levimar Araújo (SBD) e Patrícia Vasconcelos (SVS-MS) Patricia Vieira deu início ao painel apresentando a carta enviada pelo FórumDCNTs ao Ministério da Saúde com pontos importantes voltados para a prevenção e atenção necessária a pessoas com DCNTs e a toda a sociedade. Já Mônica Andreis (ACT Promoção da Saúde) foi a primeira painelista a falar e destacou a importância da construção de políticas públicas que ajudem a reduzir hábitos não saudáveis agravados pela pandemia: aumento de consumo de cigarro e bebidas alcoólicas no mesmo tempo que a diminuição de uma alimentação mais saudável. Segunda Deborah Malta, professora e pesquisadora na UFMG, durante a pandemia, o número de internações em geral caiu em relação às internações pela Covid-19, havendo uma certa negligência a outras doenças. Outro ponto que ela destacou foi o número de óbitos de pessoas em casa. Malta afirmou que a Covid-19 produziu uma profunda desigualdade em relação a raça/cor e a estratos sociais menos favorecidos. Entre os hábitos das pessoas com DCNT’s, explica ela, houve uma queda na prática de exercícios físicos, mais tempo em frente a tela e computadores, além do aumento do consumo de ultraprocessados. Tudo isso, de acordo com Malta, coloca um grande desafio para o futuro, pois o cenário que se apresenta é um maior número de pessoas com doenças crônicas, e piora as condições de saúde de quem já tem uma ou mais das doenças crônicas. “A Covid acentuou nossas desigualdades e as mortes foram maiores entre negros e pobres. Doença crônica deve constar nas nossas agendas de prioridades.” Levimar Rocha Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, foi o terceiro convidado a falar no painel. O médico destacou que a Covid-19 aumenta a incidência de diabetes do tipo 1 e tipo 2 em jovens. Outro ponto tratado por ele foi a necessidade de criar planos de ação para desestimular o consumo de tabaco e de hábitos alimentares pouco saudáveis. “A proposta da SDB é fortalecer nossos departamentos” disse. Segundo ele, a instituição fará este ano um congresso de enfermagem e diabetes, uma vez que esses profissionais são importantes para a conscientização sobre esta condição de saúde. De acordo com a representante da pasta da Saúde, está previsto várias iniciativas para este ano, entre elas está o lançamento de séries de Cadernos de Promoção da Saúde, a interiorização da Agenda2030 na Amazônia Legal e o início do projeto de desenvolvimento da Plataforma de Tradução do Conhecimento de modo que dê acesso a informação a toda a sociedade. Vasconcelos finalizou sua fala destacando que o Brasil precisa investir na prevenção do desenvolvimento saudável da população e na prevenção contra DCNT’s. Ao final, quando o painel foi aberto para debate, Deborah Malta disse que alguns males que já haviam sido superados estão voltando ao Brasil, que voltou a ser incluído no Mapa da Fome. “Temos um problema que se agravou com a pandemia e desigualdade social: as pessoas não têm dinheiro para comprar alimentos saudáveis. Isso é deletério em relação a doenças crônicas”, disse. Segundo ela, é preciso taxar os alimentos ultraprocessados e reduzir o preço das comidas saudáveis. Levimar Rocha Araújo, corroborando Malta, relembrou o aumento da má alimentação e do aumento de casos de diabetes 2 em jovens. A painelista Patricia Vasconcelos falou sobre a importância de unificar as informações para poder fazer advocacy por melhorias. “Entender melhor os mecanismos e trazer evidências que se aprofundem é importante para realizar ações mais focadas”. Por fim, Mônica Andreis lembrou que neste ano haverá eleições e é fundamental que os candidatos incorporem a temática das doenças crônicas e da reforma tributária, que pode influenciar na promoção da saúde.

  • Câncer no Brasil: Necessidades de Integração e Avanços - Cobertura do evento do dia 18/02/2022

    Na última sexta-feira (18/02), o FórumDCNTs promoveu o debate “Câncer no Brasil: Necessidades de Integração e Avanços”. O evento teve como objetivos entender os elos frágeis na jornada da pessoa com câncer no país; conhecer os planos já implementados e aqueles que demandarão esforços multissetoriais e interníveis de atenção para que tenham suas metas atingidas até 2030; e, por fim, firmar compromisso entre os setores público, privado e terceiro setor para a implementação colaborativa de programas e políticas de saúde que permitam ao país melhorar seus indicadores de diagnóstico oportuno e cura do câncer no país. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). Participaram do encontro Dr. Mark Barone, coordenador do FórumDCNTs; Sra. Alcina Romero (SESAB); Sr. Antônio Silva (Roche); Dra. Eliana Dourado (CONASS), Sra. Nayara Landim (Abrale/TJCC); Dr. Marco Moraes (SES-SP); Dra. Luciane Duarte (SES-SP); Dra. Maria Braghiroli (SBOC); e Dr. Sandro Martins (Hospital Universitário de Brasília/EBSERH). Na abertura do painel, Mark Barone lembrou a meta de reduzir a mortalidade prematura em ⅓ até 2030 e que o câncer tem sido um dos maiores motivos desse tipo de morte. Ele destacou em sua fala que o tipo de câncer com maior incidência e mortalidade no Brasil são o de pulmão, mama e prótese. Entre os fatores de risco, segundo Barone, estão o tabagismo, o álcool, a radiação ultravioleta, as infecções e a obesidade. Já o painelista Antônio Silva, da Roche, destacou a relevância do fórum e do painel na busca de um debate e trabalho em conjunto. Nayara Landim, do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, destacou um levantamento recém publicado que afirma que a pandemia irá impactar o tratamento oncológico dos brasileiro por 5 a 10 anos. Ela lembrou que atualmente há pacientes prejudicados pela falta de medicamentos em diferentes regiões do país e o projeto de lei que está tramitando no Congresso pode onerar ainda mais o valor dos medicamentos. Após a abertura do evento, Sandro Martins, do Hospital Universitário de Brasília/EBSERH falou sobre os motivos que fazem com que o câncer seja o principal causador de mortes prematuras no Brasil. De acordo com ele, é preciso observar os números e tentar aplicar ações diferentes, sobretudo porque a pandemia estressou ainda mais os números que já são delicados. Martins destacou também a importância de desenvolver um plano de ação que diz respeito ao acesso a tratamento oncológico e que é um ponto importante para o SUS com o objetivo de lograr uma diminuição das mortes. Já Alcina Romero, da SESAB, contou sobre os avanços sobre prevenção e controle do câncer na Bahia, plano que envolve o período de 2015 a 2023. De acordo com ela, há dois avanços que podem ser destacados. O primeiro deles é a estratégia para redução do tempo de confirmação diagnóstica com a implantação de 28 policlínicas estaduais. Segundo ela, isso possibilitou a redução de tempo do diagnóstico. O segundo é a expansão e regionalização da rede de assistência especializada em oncologia na Bahia: quatro novas redes serão implantadas até 2032, além das nove já existentes. Em seguida, Maria Braghiroli (SBOC | ICESP) lembrou que os pontos prioritários no Brasil devem ser o diagnóstico e o tratamento do câncer, que estão diretamente interligados. Ela informou que a SBOC faz campanhas de conscientização que envolvem mudança de estilo de vida, vacinação e rastreamento. Para a doutora, a educação está diretamente ligada ao diagnóstico para a formação de médicos generalistas. A painelista Luciane Duarte, representante da Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo, tratou, em sua fala, das ações da pasta voltadas para o monitoramento e combate ao câncer. De acordo com ela, a mortalidade prematura por neoplasias malignas tende a diminuir em 2030, chegando a 101,85 para cada 100 mil habitantes. Ela, porém, destacou que o câncer de mama há um aumento de mortes prematuras por conta dessa neoplasia - valor superior se considerado todo o Brasil. O mesmo acontece com o câncer de colo do útero. Antes de abrir para o debate, a representante do CONASS, Eliana Dourado falou como o conselho tem orientado a integração entre níveis de atenção para o combate ao câncer no país. Ela destacou ainda a importância do financiamento tripartite, porque, cada vez mais, há uma redução de recursos e de financiamento na esfera federal, obrigando estados e municípios a terem que aportar mais verba da parte deles. Por fim, a Dourado destacou a necessidade de uma formação e qualificação dos profissionais, não apenas dos especialistas. A representante do CONASS falou da necessidade de focar essa formação também na Atenção Primária para deixar de “enxugar gelo” e poder trabalhar efetivamente na prevenção e diagnóstico precoce. “É preciso ter a atenção primária fortalecida para que ele tenha a possibilidade de fazer o enfrentamento do câncer". Já a painelista Liz Almeida, do INCA, falou da importância de ter uma infraestrutura adequada para que se possa fazer o diagnóstico precoce do câncer. “O que precisamos fazer é deixar de ter uma corrida de obstáculos para os pacientes e ter uma linha de cuidados eficiente”. Almeida ainda citou a necessidade de capacitar e apoiar o profissional da ponta, dando infraestrutura para que os pacientes sigam adiante na precisão do diagnóstico e, posteriormente, o tratamento. Durante o debate e considerações finais do evento, o representante da Roche, Antônio Silva, citou a importância de criar marcos para que a tecnologia e a inovação estejam abertas no Brasil, assim como ocorre em outros países. Sandro Martins (HuB/EBSERH), por sua vez, afirmou que a grande dificuldade é a regulação do acesso das redes de oncologia e todos os processos para chegar ao tratamento. Segundo o médico, o paciente encara uma maratona com obstáculos. “Há muito o que se fazer para que o paciente tenha um fluxo linear e acesso ao tratamento o mais rápido possível”, disse. Nayara Landim (TJCC) focou sua fala no trabalho do movimento com lançamento de campanhas e manuais sobre os principais fatores de câncer. Já Marcos Moraes, da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, abordou a a importância da integração entre a questão da vigilância e da atenção à saúde. De acordo com ele, a vigilância vem com a coleta de dados que dá subsídio à atenção à saúde e a realização de pesquisas. “Vemos uma priorização da questão da assistência no atendimento, mas temos que prever e fazer de tudo para que não tenhamos o alto custo da assistência. Isso só vai melhorar se investirmos nos fatores de risco e priorizar na promoção da saúde”. Miriam Shirassu, também da secretaria paulista, contou que São Paulo está investindo em modelos preditivos de Inteligência Artificial para identificar em diferentes territórios os principais tipos de doenças. Eliana Dourado (CONASS), por sua vez, falou do trabalho do conselho, entre eles o fórum com secretários estaduais de saúde onde o tema câncer é pautado sistematicamente. Outros são projetos que ela considera bastante audaciosos - são 20 projetos ligados ao Ministério da Saúde -, por exemplo a construção de redes de atenção. Questionada por Mark Barone quais são as ações prioritárias para reduzir as mortes prematuras, Liz Almeida exemplificou com as ações que envolvem o câncer do colo do útero, uma vez que existem vacinas, exames que preveem a neoplasia e tratamento. Temos uma série de medidas que podemos levar mais a sério no país. Não é possível criar um sistema de vacina e não ter campanha sobre isso. É preciso falar sobre a vacina do HPV”.

  • Cobertura do 10° Encontro do FórumDCNTs

    Na última segunda-feira (18/04), dezenas de pessoas da área da saúde se reuniram virtualmente para debater e compartilhar experiências e reflexões no 10º Encontro FórumDCNTs. O fundador e coordenador do Fórum, Mark Barone, fez a abertura do evento, que foi também um momento de celebração pela décima edição do encontro, desde outubro de 2017. Segundo ele, neste tempo de vida, 86% dos participantes concordam que os eventos promovidos pelo Fórum DCNTs facilitaram o diálogo e parceria em saúde. 82% identificaram novos parceiros e oportunidades durante o encontro. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). Membros da Comissão Consultiva também deram as boas-vindas aos painelistas e participantes do evento. Conrado Carrasco foi o primeiro a falar e focou na importância de entender e debater todo o contexto que influencia. Eduardo Marques Macário falou que o evento marca um encontro da agenda positiva referente às DCNTs, incluindo também a temática da saúde mental. Laerte Honorato, por sua vez, lembrou como as doenças do sono têm relação direta nos cuidados da atenção primária e se colocou à disposição de debater o assunto para auxiliar na construção de políticas públicas. Lucia Xavier, ADJ Diabetes Brasil, agradeceu a todos que proporcionaram a promoção do décimo encontro. Por fim, Paulo Fascina, Boehringer Ingelheim, falou das áreas que ele trabalha no Brasil, doenças cardiorrespiratórias. Ele lembrou que, devido à pandemia, muitos pacientes deixaram de fazer o acompanhamento de suas condições. Após a abertura, Yara Baxter, da Novartis Foundation tomou a palavra para apresentar os convidados da primeira exposição do evento e ressaltou a importância da coleta de dados para a elaboração de ações eficazes para combater as DCNTs. Patricia Vasconcelos, representando o Ministério da Saúde, falou sobre os principais resultados do VIGITEL de 2021. Entre os focos da pesquisa está mensurar o aumento da prevalência de atividades físicas no lazer em 30%, deter o crescimento da obesidade entre os adultos, reduzir o consumo de ultraprocessados e promover uma alimentação saudá vel, entre outros. Entre as perspectivas para 2022, Vasconcelos destacou a manutenção das parcerias com a UFMG, Anatel e ANS, a ampliação da representatividade da pesquisa para o Brasil e o aprimoramento dos módulos de visualização e tabulação dos dados. Já Pedro de Paula, da Vital Strategies, falou do pré-lançamento do COVITEL, estudo que tem como objetivo trazer novas contribuições ao monitoramento dos fatores de riscos no Brasil a partir de novas abordagens metodológicas e intersetoriais e análise acerca dos impactos da Covid-19 na saúde do brasileiro. “O COVITEL nasce do seguinte questionamento: Se as DCNTs são o grande fardo da saúde pública no mundo moderno, como elas foram afetadas durante a pandemia?”. Como exemplo, De Paula citou que a pesquisa tenta revelar o impacto do diagnóstico precoce dessas doenças a partir da mudança de vida que todos viveram. A pesquisa também inclui questões que tratam do comportamento das pessoas antes e depois da pandemia. “Uma análise de mudanças e de Brasil como um todo é nosso diferencial.” O painelista Francisco Balestrin, do SindHosp, tratou das prioridades na gestão das DCNTs que foram e serão apresentadas aos pré-candidatos de São Paulo nas eleições que ocorrerão em outubro deste ano. “Trabalhamos com quatro específicas áreas: inovação, a necessidade de informar, integrar e impactar, que resultaram em 10 propostas”. Entre as propostas apresentadas está a criação de uma agência de centro de controle das doenças e aumentar a qualidade assistencial. PAINEL INTERNACIONAL Após as falas iniciais dos profissionais convidados Diogo Alves, da OPAS/OMS, deu início ao painel internacional apresentando os convidados. Shekhar Potkar, da Viatris, abordou o papel do setor privado nas parcerias intersetoriais para melhorar a prevenção e o cuidado das DCNTs. Ele lembrou como a pandemia expôs falhas nos sistemas de saúde e mostrou a urgência de construir um sistema de saúde forte com profissionais resilientes e uma população saudável. Potkar apontou ainda que o momento também representou uma oportunidade de inovação sem precedentes em termos de inovação e pensar nos avanços obtidos com a pandemia. Francesco Branca (OMS), por sua vez, tratou da importância da alimentação e o impacto dela na prevalência de DCNTs, sobretudo em doenças como o câncer e a obesidade - este último trazendo impacto para doenças cardiovasculares e diabetes. Segundo ele, hábitos alimentares não saudáveis e a desnutrição estão entre os dez principais fatores de risco para doenças em todo mundo, causando milhões de mortes todos os anos. O consumo excessivo de sódio, uma dieta pobre em grão, frutas, sementes e vegetais são alguns dos pontos principais para o aumento da mortalidade atribuída a uma dieta restrita. Entre os países que consomem mais ultraprocessados no mundo estão os Estados Unidos, o Reino Unidos, Alemanha e Irlanda. Do lado oposto estão Portugal, Itália, Grécia e França. Já Tomas Anker, da IFC/Banco Mundial, destacou em sua fala a importância das parcerias público-privada na área da saúde para enfrentar os problemas relacionados às DCNTs. Segundo ele, as PPPs promovem melhorias dos níveis de prestação de serviço de saúde nos municípios brasileiros. Anker relatou que o setor privado tem um potencial enorme em contribuir com as necessidades de investimentos. Porém, para incentivar uma maior participação deste setor é necessário focar na regulamentação, aprimorar e facilitar os meios de investimento, ampliar o acesso das pessoas aos serviços privados e a criação de um mercado propício para a vinda dos investidores. Entre as vantagens desse modelo, ele destacou também o acesso a melhores práticas e o aumento dos padrões de qualidade dos serviços. Além disso, as PPPs possibilitam prever com maior precisão os compromissos orçamentários, inclusive de longo prazo e implantação de processos licitatórios competitivos, permitindo a alocação de recursos de forma eficaz. PRÊMIO FEBRACE Ao final do painel internacional, Lucas Xavier (EE-USP|YLD-IDF), deu início a apresentação dos três vencedores da FEBRACE 2022. O primeiro projeto contemplado foi a “Detecção de Parkinson utilizando inteligência artificial”, da Melise Rocha, aluna do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. O segundo, cuja autoria é dos alunos da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, Vladimir da Luz Junior e Marcos Flores, foi o trabalho “HEVS (Hypertension Estimation Visual System): Computação Visual na Estimação da Pressão Arterial através de Inteligência Artificial”. Por último, o “Incentivador Respiratório Digital para tratamento de pacientes pós-Covid com interface gráfica motivacional e conexão Web para auxílio ao telemonitoramento”, elaborado pelos alunos Ana Elisa da Silva e Enso Matheus de Carvalho, da Escola Estadual Profª Maria das Dores Ferreira Rocha, foi apresentado aos participante. GTs Após a premiação, oito grupos de trabalho se reuniram para debater diferentes temas importantes sobre DCNTs. Convidados e palestrantes foram divididos em salas cujos temas eram: Alimentação Saudável, DCV, Diabete, Obesidade, Oncologia, Prevenção, Problemas Respiratórios e Saúde Mental e Neurológica. Após o intervalo do almoço, painelistas convidados comentaram as apresentações dos grupos de trabalho que se reuniram no final da manhã. Paulo Saldiva (USP) destacou o problema de fluxo no sistema de saúde entre a rede primária para a secundária e terciária, que precisa ser revisto para propiciar tratamento rápido e adequado. Alessandro Chagas, da CONASEMS, criticou a fragmentação da esfera federal do sistema de saúde e da atenção básica de saúde. Para ele, a regulamentação é essencial e deve estar na mão do estado. Já a convidada Sheila Martins, da Rede Brasil AVC/WSO, ressaltou que é necessário focar na reorganização de fluxos e na atenção à formação dos profissionais. Priscila Rebello, do CONASS, reforçou a organização e operacionalização de uma linha de cuidado de pacientes com obesidade. “Precisamos implantar essas linhas e que elas sejam construídas respeitando o caráter regionalizado”. Ela falou da importância de ampliar o acesso das soluções farmacológicas. O convidado Fernando Cembranelli (Health Innova HUB) destacou em sua fala a importância do digital para inclusão e pesquisas científicas voltadas ao acesso e cuidado da saúde. A respeito da temática de saúde mental, Cembranelli afirmou que o maior desafio dessa área, hoje, é o diagnóstico e superar os estigmas que envolvem essas doenças. De acordo com ele, é preciso ampliar as pesquisas para verificar de que forma o uso da tecnologia está efetivamente auxiliando no tratamento de pacientes. Priscila Rabello, por sua vez, tomou a palavra para reforçar a importância de trabalhar em sistema e integrar questões tecnológicas para promover a saúde mental. Alessandro Chagas, do CONASEMS, provocou os convidados do encontro com uma temática importante: “Temos uma média de 1,3 anos de permanência do ministro da Saúde. Em 33 anos de SUS, apenas 3 ministros ficaram mais de 3 anos”, disse. “O Estado brasileiro precisa levar isso mais a sério e isso é um compromisso nosso também, não apenas do governo.” De acordo com ele, é preciso parar de tratar o Ministério da Saúde como uma “politicagem” e, neste ano eleitoral, é necessário questionar os pré-candidatos à Presidência se a pasta da Saúde vai continuar sendo tratada do jeito que está sendo. Por último, o painelista Paulo Saldiva ressaltou a importância de integrar os agentes públicos de saúde no desenvolvimento de pesquisas. “Não dá pra fazer política pública em saúde da universidade para baixo. É preciso construir junto, com o setor público organizado e as comunidades que estão na ponta para que se possa compreender quais os problemas principais de cada região.” Ele informou aos participantes que em breve serão lançados editais com foco no desenvolvimento de pesquisas na área de saúde a partir desse ponto de vista. No final do 10º Encontro Fórum DCNTs, convidados debateram o tema: “Como otimizar os avanços no enfrentamento das DCNTs no Brasil, contando com a parceria dos diferentes setores?”. O primeiro a falar foi Bernardo Tinoco, responsável pelas parcerias sustentáveis na Roche. Questionado sobre como evitar o conflito de interesses entre empresa e poder público, ele afirmou que as iniciativas das empresas precisam ter clareza do benefício para o paciente, para os stakeholders e para ela mesma. ”Trabalhar com toda a transparência possível é nossa política e tem sido um grande êxito”, ressaltou. Marco Bego (InovaHC), responsável pela área de inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, explicou que o foco do Inova HC é desenvolver trabalhos estruturantes e grandes, que beneficiam toda a sociedade. Ele destacou a importância do uso da tecnologia para auxiliar a APS, mas lembrou que ela é uma ferramenta, o meio para fazer as coisas e não o fim. “Quando começamos a trabalhar com saúde digital, vimos que a comunicação era uma questão muito relevante. Como se comunicar bem e de forma efetiva”, explica. Questionados sobre a possibilidade de integração dos sistemas de saúde, Bego destacou a importância de implementar projetos pilotos para verificar a forma mais adequada de fazer essa integração. Para Ricardo Heinzelmann, da SBMFC e professor da Universidade Federal de Santa Maria, um dos grandes problemas que é enfrentado é o baixo financiamento em Atenção Primária e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. “É necessário ter investimento nas equipes multiprofissionais, com qualificação que possa contribuir para atenção às mudanças de estilo de vida.” Luiz Bortolotto (SBH) corroborou a fala de Heinzelmann e falou do papel da academia e da sociedade médica no quesito da capacitação. “A APS é que tem que cuidar de 90% dos portadores de doenças crônicas não transmissíveis”. Ele destacou que 50% dos pacientes que estão na lista de transplante cardíaco não precisam estar na lista por serem doenças preveníveis justamente na Atenção Primária. Parceiros Corporativos

  • Riscos da Baixa Cobertura Vacinal no Brasil: Novos Dados e Carta Aberta - Cobertura do Evento 22/07

    Na sexta-feira, dia 23/07, aconteceu o evento interativo “Riscos da Baixa Cobertura Vacinal no Brasil”, realizado pelo FórumDCNTs. O painel teve por objetivo entender os riscos da baixa cobertura vacinal no país e lançar uma call to action, em formato de uma carta aberta destinada às autoridades, setores e instituições, com a intenção de juntar esforços para criar ações imediatas que revertam essa tendência tão perigosa e, assim, retornar a cobertura vacinal no país a patamares seguros para toda a população, principalmente para as pessoas com CCNTs/DCNTs que são mais vulneráveis dentro de um ambiente com baixa adesão de vacinas. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). O Dr. Mark Barone, coordenador do FórumDCNTs fez a abertura do evento apresentando dados que mostram a importância das vacinas para o aumento da expectativa de vida das pessoas. A partir dos anos 1980 houve uma ascensão da cobertura vacinal, atingindo seu ápice no meio dos anos 90 e mantendo este cenário até o ano de 2012, quando começou a haver uma queda. “A população realmente fazia uso desse recurso tão fundamental para evitar diferentes tipos de infecções e doenças que são preveníveis através da vacinação e com isso aumentaram a expectativa de vida. Entretanto, a partir de 2013, começa uma queda na cobertura vacinal da população brasileira e que continua caindo até hoje”, aponta Dr. Barone. Ele ressalta sua preocupação ao indicar que no gráfico apresentado, ainda não há informações sobre os dados pós pandemia, no qual a baixa cobertura vacinal foi ainda maior e se mantém. Um exemplo da baixa cobertura vacinal no Brasil é a vacina do sarampo. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2005 e 2009, grande parte do Brasil atingia mais de 90% da cobertura vacinal. Já em 2013 e 2017, o mapa se tornou mais heterogêneo, mostrando a redução na cobertura vacinal em muitas regiões brasileiras. Neste ano, a cobertura do sarampo ainda não chegou à 50% nas crianças, número extremamente preocupante, segundo Dr. Barone. Os panelistas convidados, Dra. Tercia Moreira Ribeiro (UFMG), Sra. Lely Guzmán (OPAS | OMS), Dr. Mario Hirschheimer (SPSP), Dr. Mauricio Mendonça (Sanofi), Dr. Nereu Mansano (CONASS), Dr. Renato Kfouri (SBP | SBIm) e Dra. Zuleid Mattar, (ABRA), argumentaram e mostraram dados que alertam a gravidade da situação, e deram ideias e sugestões para que o quadro atual seja revertido. Dr. Mauricio Mendonça (Sanofi) alertou que a baixa vacinação tem várias implicações devido as questões de saúde pública, a forma de produção das vacinas, além da pandemia que também afetou diretamente essa queda. “Existe um outro componente muito mais estrutural. Vem havendo uma grande transformação no processo de produção de vacinas no mundo. Um exemplo disso, são as vacinas de RNA mensageiro que foram utilizadas para combater a COVID. Mas existe um desenvolvimento tecnológico acelerado em 2 direções. Um na direção de combinação de vacinas, que melhora a eficiência do ato vacinal e garante uma cobertura mais eficiente, e a outra é desenvolvimento tecnológico com as vacinas recombinantes que encurtam o prazo de produção e desenvolvimento das vacinas e trazem um novo alento para que aumentemos as coberturas vacinais”, explana Dr. Mauricio. Dra. Zuleide Mattar (ABRA), afirma que é necessário resgatar a confiança das pessoas nas vacinas, e para isso devem ser tomadas ações que envolvam toda a sociedade. “Precisamos do apoio de todos, dos formadores de opinião, das entidades e, principalmente, dos médicos que devem reiterar a importância das vacinas”. Para Dra. Zuleid, as pessoas pararam de prestar atenção nas doenças achando que elas não existiam mais, e por isso deixaram de tomar as vacinar que previnem contra essas enfermidades. Entretanto, a pediatra explica que as doenças existem sim, elas só não se manifestavam devido as vacinas, e uma vez que essas vacinas não estão sendo mais aplicadas, as doenças estão voltando. Dando continuidade ao evento, Dra. Tercia Moreira Ribeiro (UFMG), apresentou dados sobre o impacto da pandemia por COVID-19 na vacinação, principalmente infantil, no Brasil. Os períodos analisados foram caracterizados como antes da pandemia (abril/2016 - março/2020) e durante a pandemia (abril/2020 - março/2021). Em relação à cobertura da febre amarela, houve uma redução nas regiões Sul (-63,50%), Norte (-34,71%), Sudeste (-34,42%) e Centro-Oeste (-21,72%). Já a vacina de Tríplice Viral apresentou uma queda nos estados de Roraima (-61,91%), Rio de Janeiro (-59,31%), Santa Catarina (-49,32%), Acre (-48,46%), Sergipe (-47,52%), Paraíba (-41,48%) e Amazonas (-28,26%). Sobre a vacinação contra o HPV, houve uma redução de 76,34% em todo Brasil no período de abril de 2020 a setembro de 2020, de acordo com os dados apresentados. Dra. Tercia apontou perspectivas que podem ajudar a reverter essa problemática: Identificar as áreas prioritárias, com piores indicadores de cobertura vacinal; Direcionar políticas públicas e estratégias de saúde para melhorar os indicadores de imunização; Utilizar análise espacial como ferramenta para identificação dos clusters com baixas coberturas vacinais. Dr. Mario Hirschheimer (SPSP) destacou que a vacinação contra o Coronavírus teve grande adesão na primeira e segunda dose, porém, as aplicações das doses de reforço estão caindo. Dando continuidade à discussão, Dr. Renato Kfouri (SBP | SBIm) destacou que a cobertura vacinal em crianças com menos de 1 ano de idade ficou abaixo de 70% em 2021. Dr. Kfouri também apresentou estratégias que podem ajudar a retomar as vacinações. Dra. Lely Guzmán (OPAS/OMS) também alertou a volta de doenças que já tinham sido erradicadas e agora tem voltado por conta da queda da vacinação. “É essencial alertar a toda a sociedade sobre os riscos de não se vacinarem. Uma forma de tentar reverter esse quadro é investir mais em ações conjuntas sobre a importância da vacinação! É necessário estratégias para haver mais cobertura vacinal em todo o Brasil”. A obrigatoriedade da vacinação infantil é para o Dr. Nereu Mansano (CONASS), o tema que merece mais atenção em todo cenário apresentado. Ele afirma que é preciso maior rigor dos órgãos responsáveis com os profissionais da área da saúde que são contra a vacinação infantil, sendo necessário colocar essa questão como prioridade absoluta. Ao fim do evento, os panelistas debateram sobre o assunto e concordaram que medidas precisam ser tomadas com urgência. Dr. Mark Barone apresentou um Call-to-Action endossado por mais de 30 entidades de saúde do país, o qual foi enviado ao Ministério da Saúde, solicitando medidas contra a baixa cobertura vacinal no Brasil. Na imprensa Jornal Tribuna Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) Terra Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) Valor Econômico Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo

  • Tratamento Integral do Câncer: Dor Oncológica e Saúde Mental - Cobertura do Evento 05/08/2022

    Importância do diagnóstico precoce e do acolhimento foram alguns dos aspectos abordados no debate para reduzir o sofrimento O Fórum DCNTs realizou no dia 05 de agosto o evento interativo Tratamento Integral do Câncer: Dor Oncológica e Saúde Mental e reuniu diversos profissionais de saúde para debater a importância dos aspectos físicos, psicológicos e sociais do tratamento das neoplasias. Transmitido ao vivo pelo Facebook e pela plataforma Zoom, o evento propôs modelos de cuidado integral da pessoa com câncer e estratégias que envolvam os órgãos públicos, privados e terceiro setor na implementação e melhoria de programas e políticas para essa condição. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). O coordenador geral do Fórum DCNTs, Dr. Mark Barone, apresentou um panorama sobre a relevância do câncer no Brasil, uma das doenças crônicas não transmissíveis de maior impacto. “As neoplasias são responsáveis por quase 19% das mortes no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares (DCV). Existem estudos indicando que o câncer irá ultrapassar as DCV em número de mortes, inclusive em alguns países isso já acontece. Por isso, precisamos prestar atenção nesta doença que é muito prevalente e leva a consequências que muitas vezes poderiam ser evitadas se fossem tratadas adequadamente”, declarou. Em relação à saúde mental, o câncer também causa um impacto imenso. Um terço das pessoas com câncer sofrem alterações de saúde mental, segundo dados da Melanoma UK, e, mesmo após a conclusão do tratamento, mais de 50% das pessoas têm alguma alteração psicológica, como depressão e ansiedade, precisando muitas vezes de intervenção. “É importante lembrarmos que as causas do câncer são multifatoriais e que, quando citamos a palavra câncer, estamos nos referindo a vários tipos de doenças que afetam diferentes órgãos e tecidos e se manifestam de formas variadas”, complementou Dr. Mark. Dor oncológica: tema complexo e urgente Tratar o câncer é necessário, mas não se pode esquecer de cuidar da dor oncológica. Ela deve ser avaliada e controlada corretamente. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais da metade dos indivíduos (55%) apresentam dor oncológica. No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Instituto Oncoguia com 543 brasileiros, entre abril e julho de 2020, revelou que este dado é ainda mais alto: 71% das pessoas com câncer afirmaram sentir dor, 92% disseram ter conversado com o oncologista sobre o assunto e 70% afirmaram que a dor foi tratada por este médico. Entre os entrevistados, 66% usavam medicamento para controlar a dor há mais de 1 ano, 31% estavam insatisfeitos por considerarem o tratamento ineficaz ou por causa dos efeitos colaterais e somente 43% reportaram estar com a dor controlada. “Além disso, 78% desses pacientes disseram ter recebido a informação de que a dor faz parte do tratamento do câncer. Isso é algo que buscamos diariamente desmistificar”, afirmou a psicóloga Luciana Holtz (foto à esquerda), presidente do Instituto Oncoguia, explicando que ter câncer não precisa ser sinônimo de sentir dor e levando à reflexão sobre a importância do tratamento multidisciplinar contra a condição. Marcos Silva, gerente de desfechos médicos da Viatris, reforçou que a dor é muito presente na vida da pessoa com câncer mesmo após o tratamento. “Estatísticas mostram que um terço dos pacientes que se curam do câncer convivem com dor. A própria presença da dor causa sintomas e pode levar à tristeza e depressão. Por isso, precisamos conectar esse tema e desenvolver políticas e protocolos que olhem esse paciente de forma integral”, disse. Para os especialistas do debate do Fórum DCNTs, a dor oncológica tem uma dimensão que vai além do sofrimento físico. Na maioria dos casos, ela é causada pela própria presença da neoplasia, mas também pode ser resultado de efeitos colaterais do tratamento, pela realização de exames, questões ambientais, entre outras razões, como explicou Luciana Holtz: “A dor total é interpretada não apenas como um fenômeno físico, mas também como sintomas imbuídos de questões emocionais, sociais e até espirituais”. Ela destacou ainda que mais de 30% da população mundial sofre com alguma dor crônica, e “isso tem um impacto gigantesco tanto para os pacientes quanto para a sociedade como um todo. Logo, seguir negligenciando este tema só aumenta o tamanho do desafio”. A dor moderada ou intensa ocorre em 30% das pessoas com câncer, de acordo com dados do relatório do Instituto Nacional do Câncer (INCA), e metade dos pacientes descobre a neoplasia em uma fase avançada. “Ou seja, quanto menos tratarmos o problema de forma precoce, maior ele se tornará. Por isso, precisamos, sem dúvida nenhuma, seguir orientando sobre a dor oncológica, capacitar os profissionais envolvidos no cuidado da pessoa com câncer e atualizar os tratamentos no SUS”, declarou a presidente do Oncoguia. Acolhimento e atendimento domiciliar Na sequência, a cofundadora e diretora do Instituto Bem do Estar, Isabel Marçal, abordou a questão do estigma em torno das doenças que demonstram pré-disponibilidade à dor crônica e salientou que os tabus foram potencializados na pandemia. “Um ponto importante para reflexão é lembrar que a saúde mental é coletiva e não individual, além de muito complexa. Pesquisas mostram que 1 a cada 3 pessoas no mundo, em 2017, já tinha algum diagnóstico de ansiedade. Por isso, é fundamental integrar a saúde mental ao tratamento do câncer”, disse. O tripé, segundo ela, deve ser saúde mental, física e social. Dra. Vânia Soares, do Hospital de Amor de Barretos (foto ao lado), apresentou o tratamento de ponta realizado nesse município paulista, que tem como foco o cuidado integral e humanizado à pessoa com câncer. “O acolhimento e a preocupação com os familiares dessas pessoas também fazem parte da política do Hospital de Amor”, afirmou. Segundo a médica, o Hospital de Barretos está desenvolvendo um projeto com o intuito de treinar e capacitar os profissionais de saúde. “O objetivo é focar principalmente o agente comunitário, para melhorar o manejo e o apoio a pessoas com câncer na Atenção Primária”, disse. Na sequência, a enfermeira Karina Mauro Dib, assessora técnica na Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, ressaltou que o controle da dor oncológica, no contexto do tratamento, deve ser prioridade das unidades básicas de saúde, e destacou o atendimento domiciliar, desenvolvido pelo projeto Melhor Em Casa, como estratégia importante considerando a necessidade singular e a realidade de cada pessoa com câncer. “A atenção domiciliar é uma modalidade potente e muito importante, que deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar. A escuta, o vínculo e o diálogo fazem parte desta modalidade”, declarou. O atendimento domiciliar tem como objetivo prevenir e aliviar o sofrimento, além de fazer um diagnóstico precoce das dores, que nem sempre são físicas, e direcionar o tratamento para a dor total. “Hoje, temos como desafio implementar a linha de cuidados paliativos no município de São Paulo e capacitar os profissionais para o cuidado da dor”, completou. Diagnóstico, estigma e medo Em sua apresentação, Dr. Francis Fujii, diretor clínico no SAMU de São Paulo e diretor médico de gestão em saúde na Amil, falou sobre a importância do diagnóstico precoce das neoplasias tanto para o desfecho do tratamento quanto para a redução de gastos públicos. “Um dos grandes desafios no Brasil é fazer o diagnóstico no tempo adequado e o diagnóstico correto. O cenário é complexo e o sistema é fragmentado”, argumentou Ele citou como exemplo a realização da mamografia como estratégia para detecção precoce do câncer de mama. “Todo ano acontece a campanha Outubro Rosa. Mas aproximadamente 30% somente das mulheres elegíveis fazem mamografia, e isso não significa que todas voltam para buscar o exame ou que um profissional de saúde avaliou o resultado", expôs Dr. Francis, citando um dado da realidade onde atua. “Como gestor, acho primordial entender a jornada do paciente, pois até o diagnóstico é difícil. A jornada é muito complexa”. De acordo com o médico, o tempo médio que uma paciente leva entre o diagnóstico e o primeiro tratamento varia entre 3 e 6 meses. “Nesse cenário todo ainda existe uma questão muito importante: a do estigma e da negação. Além da jornada da paciente ser tumultuada, muitas mulheres têm medo de encontrar alguma coisa. Portanto, o medo é outro estigma para a realização dos exames”, completa. Para ele, o gestor de saúde tem obrigação de “pegar na mão” dessas mulheres para ter uma trajetória melhor e oferecer apoio e suporte para a dor emocional, a fim de fazer um diagnóstico precoce. “O custo do tratamento do câncer em estágio inicial é somente 5% do tratamento tardio complexo. Por isso, o diagnóstico no tempo correto com o tratamento correto é altamente custo-efetivo e reduz sofrimento.” No debate, os convidados destacaram que o câncer traz uma ameaça de vida à pessoa que recebe o diagnóstico e que a própria notícia, dependendo da forma como for transmitida, pode impactar na adesão do tratamento. Por esta razão, é fundamental saber manejar a informação. A psicóloga Flávia Sayegh, coordenadora do Comitê de Saúde Mental da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), trouxe a perspectiva da pessoa com câncer e destacou como palavra central do tratamento a acolhida. “É importante acolher e validar o sofrimento da pessoa com câncer. Não adianta tratar a dor como algo natural sem validar o sofrimento para a pessoa com câncer e seus familiares”, disse. Para desmistificar os tabus e estigmas, os convidados salientaram a importância da informação sobre o diagnóstico e o tratamento, “com suporte psicológico, psiquiátrico e medicamentoso, se for o caso, para lidar com essas questões”, completou Flávia. Dra. Vânia apontou a necessidade de trabalhar um plano de cuidado integral em todos os níveis de atenção à saúde, utilizando inclusive a tecnologia. Isabel Marçal corroborou a fala da médica do Hospital de Barretos e completou citando a “tecla da educação” como chave para toda e qualquer mudança. “Sem educação dos profissionais de saúde, da equipe multidisciplinar e da sociedade não chegaremos ao diagnóstico precoce.” Ao final do evento, todos os painelistas concordaram que há necessidade de se implantar modelos de gestão, tanto na esfera pública quanto privada, para tornar a jornada da pessoa com câncer mais assertiva, a fim de aumentar o número de diagnóstico precoce e reduzir o sofrimento, além de capacitar os profissionais de saúde envolvidos em todo o tratamento. O debate, que durou duas horas, foi bastante elogiado pelo time de convidados quanto pelo coordenador geral do Fórum DCNTs. “Todos nós que participamos do debate aprendemos muito sobre os modelos de gestão e estratégias que devem ser feitos em diferentes situações sempre em busca de melhorar o sistema e o desfecho do tratamento da pessoa com câncer”, declarou Dr. Mark Barone. Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo

  • Doenças Metabólicas: Prevenção e Melhores Cuidados na APS - Cobertura do evento 18/11

    Evento debateu a associação entre diferentes condições crônicas de alta prevalência, apresentou modelos de programas que têm alcançado resultados positivos no acompanhamento de pessoas com CCNTs e discutiu estratégias para evitar o aumento e o agravamento dos casos. (Confira todos os vídeos do Evento aqui). No dia 18 de novembro, o FórumDCNTs realizou evento online com vários especialistas e gestores em saúde para debater a associação entre diferentes condições crônicas de alta prevalência e estratégias para preveni-las, diagnosticá-las e controlá-las. Na abertura, Dr. Mark Barone, Vice-presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e Coordenador Geral do FórumDCNTs, lembrou que novembro é o mês dedicado à conscientização do diabetes, uma das condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) mais prevalentes no mundo inteiro e que é resultado de várias alterações metabólicas. Ele destacou a importância de campanhas nacionais que visam à redução e prevenção dos fatores de risco das síndromes metabólicas, que podem incluir, além do diabetes, obesidade, dislipidemia e hipertensão arterial sistêmica (HAS). “As campanhas que acontecem em novembro por ocasião do Dia Mundial do Diabetes incentivam a população a adotar uma alimentação equilibrada e praticar atividade física a fim de ter uma vida mais saudável. O tema deste ano expressa bem esta mensagem: Educação para Proteger o Amanhã”, declarou. Ele apresentou ainda alguns números sobre o diabetes, que atinge cerca de 16 milhões de pessoas no Brasil e mais de meio bilhão de indivíduos no mundo inteiro. Outros dados sobre a condição foram divulgados também no evento online realizado no dia 04 de novembro pelo FórumDCNTs. Além de conscientizar a população sobre sintomas, formas de prevenção e tratamento do diabetes, a Diretora Científica da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Dra. Frida Plavnik, destacou a importância de capacitar os profissionais de saúde, principalmente os da Atenção Primária de Saúde (APS), para que possam fazer o diagnóstico precoce das CCNTs e cuidar da pessoa como um todo, não somente nos aspectos específicos da condição crônica que ela apresenta, isso porque “há uma forte conexão entre diabetes, hipertensão e obesidade, e precisamos agir o quanto antes para evitar que esses fatores de risco evoluam para complicações cardiovasculares e mortes prematura”, declarou. Dra. Frida ressaltou que “capacitar o profissional de saúde é tão importante quanto educar a sociedade, incluindo crianças e adolescentes. A mudança de hábitos deve ser feita precocemente. Todo esse movimento em prol da prevenção vai resultar em uma economia para o sistema de saúde público no futuro”. Na sequência, a Sra. Patrícia Carvalho, Gerente de Marketing e Desenvolvimentos de novos Negócios da Abbott, abordou sobre a importância do uso das tecnologias point of care para facilitar o acesso ao diagnóstico de condições cardiometabólicas, descentralizando os cuidados e o tratamento. Ela disse que a experiência da pandemia de COVID-19 evidenciou os benefícios de se envolver as pessoas com CCNTs e os cuidadores no diagnóstico precoce, conscientizando-os sobre sintomas, fatores de riscos e uso das tecnologias, como autotestes. “As tecnologias point of care permitem maior acesso principalmente na APS e promovem equidade na saúde, bem como impacto financeiro no sistema a médio e longo prazo, considerando todas as implicações que podem resultar das alterações metabólicas”, disse. “Nossa pauta principal é pensar nas tecnologias point of care para além do ambiente hospitalar e alcançar a atenção primária de saúde para cuidar da pessoa com condições crônicas de forma integral”. Dr. Mark corroborou dizendo o quanto essas tecnologias são bem-vindas em um país onde 1 em cada 9 pessoas com diabetes tipo 1 não recebe o diagnóstico e o número de casos só aumenta. Assim como o diabetes, a hipertensão arterial também representa uma epidemia, atingindo 30% da população brasileira adulta e sendo responsável por 8,5 milhões de mortes por acidente vascular cerebral, doença isquêmica do coração, outras doenças vasculares e doenças renais em todo o mundo. Apesar do panorama das síndromes metabólicas no Brasil ser bastante preocupante, alguns programas despontam como modelo de gestão para melhorar a saúde cardiovascular da população, como é o caso do HEARTS na Atenção Primária à Saúde em diferentes países das Américas, especialmente para a pressão arterial alta. De acordo com o Dr. Andres Rosende, Consultor da OPAS/OMS para a iniciativa HEARTS nas Américas, “por meio de uma abordagem baseada em protocolos de tratamento padronizados, objetivos e simplificados é possível superar a maioria dos obstáculos que interferem na prevenção e gerenciamento da hipertensão”, entre eles a falta de diagnóstico, a demora no início do tratamento da terapia medicamentosa e a baixa retenção de acompanhamento das pessoas diagnosticadas com essa condição que, associada ao diabetes, aumenta significativamente a mortalidade cardiovascular. O FórumDCNTs acompanha de perto o início da implementação desse pacote de ações no Brasil, que deverá, em breve, englobar também diabetes, obesidade e dislipidemia. Já o Sr. Fernando Freitas, Analista Técnico da Secretaria de Atenção Primária da Saúde do Ministério da Saúde, apresentou um panorama otimista sobre o programa Previne Brasil, criado em 2019, e mostrou como ele tem ajudado o país a avançar nos cuidados das CCNTs. “O Brasil tinha uma grande dificuldade de cadastrar a população. Com o programa Previne Brasil, os municípios estão se acostumando a cadastrar as pessoas com condições crônicas e prestar uma assistência de qualidade a elas”, disse. Ele citou o trabalho dos agentes comunitários de saúde, que fazem busca ativa por pessoas com CCNTs. O Previne Brasil mapeia sete indicadores de saúde na APS, que avaliam a proporção de gestantes com consultas pré-natal, com realização de exames para sífilis e HIV e com atendimento odontológico; mulheres com coleta de citopatológico; vacinação do público infantil, pessoas com hipertensão e diabetes. Entre os resultados positivos do Previne Brasil está a evolução do número de pessoas com diabetes que passaram por uma consulta médica no semestre e fizeram o exame de HbA1C. Em 2019, foram menos de 500 mil pessoas, enquanto no segundo quadrimestre de 2022 foram mais de 2,5 milhões, conforme mostra o gráfico abaixo. Já o número de pessoas com HAS que foram atendidas em consulta e tiveram a pressão arterial aferida na APS saltou de menos de 1 milhão para quase 10 milhões. “A APS é, muitas vezes, o primeiro acesso da pessoa ao sistema de saúde. Por isso, é muito importante que esse atendimento seja cada dia mais qualificado e eficaz. Não estamos falando apenas de números, mas de pessoas que receberam um atendimento individualizado”, declarou. Ele ponderou que o avanço desses resultados poderia ser maior, já que o programa é feito em nível nacional e todos os municípios que possuem APS aderiram ao programa automaticamente, mas argumentou que os municípios ainda encontram dificuldades nesta jornada e que o Ministério da Saúde mantém diálogo com as secretarias municipais, buscando soluções para esses problemas. Por sua vez, o Sr. Cristiano Soster, Assessor Técnico do Conselho Estadual dos Secretários Municipais da Bahia (Cosems-BA), falou sobre o novo modelo de financiamento de custeio da APS. Antes da implementação do Previne Brasil, o financiamento da APS tinha um valor fixo per capita e um valor variável com base nos serviços fornecidos pela população. A partir do Previne Brasil, o pagamento passou a ser dividido em três modalidades: captação ponderada (cadastro dos usuários), pagamento por desempenho e incentivos financeiros por ações estratégicas, como saúde bucal e consultório na rua. “O Previne Brasil estabelece uma nova cultura no processo de pagamento tanto dos gestores quanto dos trabalhadores”, declarou Sr. Cristiano. Ele analisa que o resultado quantitativo é positivo e segue evoluindo, no entanto, o percentual de pessoas avaliadas “ainda é muito baixo” em relação às cadastradas. “Menos de ¼ das pessoas com hipertensão são atendidas em consulta e têm a pressão arterial aferida. Nesse sentido, acredito que o HEARTS poderá ajudar ainda mais a qualificar o atendimento considerando o acesso e estratificando o risco dessas pessoas para que tenham um acompanhamento mais qualificado”, explicou. “A proporção de pessoas com diabetes acompanhadas em consultas e que são avaliadas a partir do exame de hemoglobina glicada também é muito pequeno: menos de 1/5”. O Prof. Márcio Galvão, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e membro da Comissão Consultiva do FórumDCNTs, também destacou a importância da capacitação profissional, da educação em saúde e dos marcadores metabólicos para melhorar os desfechos clínicos na APS, mas argumentou que “falta ainda no Brasil um programa permanente robusto de capacitação em saúde na atenção básica e acesso facilitado a evidências científicas”. Segundo ele, o que existe atualmente é um modelo pautado em várias capacitações sem contextualização prática com o trabalho do profissional de linha de frente e sem conexão com a realidade da população local. “O resultado da falta de informação qualificada pode ser percebido em muitos municípios brasileiros onde há enfermeiros que desconhecem técnicas de pressão arterial, médicos com dificuldade de prescrever insulina e farmacêuticos que não sabem indicação de medicamentos”, disse. Outro desafio que ele apresentou foi a dificuldade de acesso de grande parte da população a exames importantes para a qualidade do cuidado e apontou que, muitas vezes, existe um hiato longo de tempo entre a primeira consulta médica, a realização do exame e o retorno ao médico. Nessas situações, o resultado do exame pode estar desatualizado e não ser mais útil. Uma das possíveis soluções para este problema, segundo ele, é investir nas tecnologias point of care para possibilitar que esses os exames sejam feitos concomitantes à consulta e o profissional de saúde possa fazer ajustes terapêuticos. Portanto, além de investir nos programas que apresentam resultados exitosos no tratamento de CCNTs e síndromes metabólicas, como o HEARTS e o Previne Brasil, e na educação permanente dos profissionais de saúde, os especialistas apontaram como estratégias importantes para que o Brasil alcance um cenário melhor em relação à redução e agravamento dos casos de CCNTs, investir na avaliação física das pessoas com alguma CCNT e solicitar exames básicos para marcadores metabólicos, como hemoglobina glicada, função renal e aferição da pressão arterial; otimizar o tempo do médico especialista, treinando a equipe de saúde para ajudar no acompanhamento dos usuários da APS. Na imprensa Agência O Globo Estadão Gazeta dos Municípios Jornal Montes Claros Portal ABC Portal Comunique-se Redação News.com Terra Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo

  • Uso da telessaúde no enfrentamento às DCNTs - Finalista Melhores Projetos FórumDCNTs 2023

    Nome do Projeto: Uso da telessaúde no enfrentamento às DCNTs Responsável pelo projeto: Camila Mendonça Sartorato Lopes Instituição: Instituto Horas da Vida Contato: camila.sartorato@horasdavida.org.br Instituições Parceiras: Fonte privada (rede de laboratórios - nível nacional) e outras instituições do terceiro setor. Sobre o Projeto O objetivo do projeto é aproximar a população vulnerável às tecnologias em saúde, facilitando e garantindo o acesso a atenção em saúde, ao diagnóstico e tratamento de CCNTs, com a linguagem apropriada para estas pessoas, com conteúdos de saúde, assim como direitos e porta de entrada na atenção básica, levantando dados da relevância com resultados tangíveis da jornada das pessoas antes e depois do projeto. O participante teve toda a sua jornada/experiência monitorada por enfermeiros e analistas, com intervenções iniciais e regulares para entendimento do perfil de saúde pré, durante e pós projeto. Cerca de 40% das pessoas descobriram que tinham hipercolesterolemia e quase 30% constataram que estavam com hiperglicemia; houve 100% de adesão à telessaúde (mesmo sendo pessoas vulneráveis). Foi implementado utilizando de metodologia de gestão ágil de projetos, seguindo o cronograma nas respectivas etapas: captação de patrocínio com o setor privado, captação de participantes, capacitação tecnológica e cultural de equipes envolvidas (internas e externas), teleconsultas de enfermagem, exames de análises clínicas e telemedicina. O projeto foi avaliado por meio de indicadores quantitativos e qualitativos utilizando de entrevistas em saúde via vídeo chamada e formulários de avaliação de satisfação de todos os envolvidos via whatsapp, sendo monitorado semanalmente nos critérios de impacto, metas e processos. Permitiu-se que pessoas com baixo poder aquisitivo também tivessem acesso à telessaúde, evidenciando a importância de políticas públicas envolvendo o e-saúde. Das 237 pessoas foram 70% mulheres e 29% homens, 71% não exerciam qualquer atividade remunerada. Foram obtidos números convincentes de diagnósticos promovidos pelo projeto, assim como tratamento e educação em saúde e conhecimento sobre a continuidade desta pessoa na atenção primária, empoderando-a dos seus direitos e possibilidades dentro das unidades básicas de saúde.

  • Diabetes no Ambiente Educacional - Finalista Melhores Projetos FórumDCNTs 2023

    Nome do Projeto: Diabetes no ambiente educacional Responsável pelo projeto: Vinícius Batista Campos Instituição: Instituto Federal da Paraíba (IFPB) Contato: vinicius.campos@ifpb.edu.br Instituições parceiras Santa Casa de BH, Movimento Influencers Diabetes Brasil (MIDB) e Instituto Diabetes Brasil, prefeituras de Princesa Isabel-PB, Água Branca-PB e Quixaba-PE. Sobre o Projeto O objetivo do projeto é promover conscientização sobre diabetes nas escolas da rede municipal dos municípios de Serra do Teixeira (PB) e Pajeú Pernambucano, com vistas a assegurar orientações adequadas no meio escolar. Foram levantadas informações em estabelecimentos de ensino dessa região e conseguiu-se constatar estudantes DM1 em escolas de Manaíra-PB, Tavares-PB, Juru-PB, Princesa Isabel-PB, Água Branca-PB e Quixaba-PE, além da ausência de sinalização de DM1 no ensino fundamental I e II no município de São José de Princesa. Dos sete municípios, após articulação, realizaram-se ações em Princesa Isabel-PB, Água Branca-PB e Quixaba-PE, compartilhando informações básicas para o cotidiano de estudantes que convivem com diabetes, como hipoglicemia, hiperglicemia, mitos sobre diabetes importância do rodízio de aplicação de insulina, etc. A primeira etapa para a implementação foi visitar o poder público municipal (Prefeitos e câmaras de vereadores) para falar do projeto e apresentar a importância de políticas públicas sobre o assunto. Após a sinalização desses, buscou-se as escolas que tinham ciência de estudantes com DM1. Em diálogo com gestores escolares, usou-se o PROGRAMA KIDS (Kids and Diabetes in Schools), para auxiliar essas escolas que, com base na coleta de dados, não sabiam como lidar com a rotina dos estudantes. As avaliações quantitativas foram mensuradas pelo número de DM1 detectados, glicemias capilares e leis sancionadas. Por meio do projeto conseguiu-se auxiliar na elaboração de duas leis municipais voltadas para prevenção e controle do diabetes nas escolas, realizar um evento sobre diabetes na escola (1º da rede federal de educação profissional), que contou com 270 inscritos de 127 municípios de 19 estados brasileiros, elaboração da Carta de Princesa Isabel e identificação de 17 estudantes DM1. Levar essa discussão no meio escolar, onde a condição crônica transita ao seu redor inúmeros mitos e paradigmas, é fundamental. Dar visibilidade ao tema é colaborar com a inclusão de estudantes, mas também trazer proposituras de políticas públicas que possam facilitar a vida desses estudantes. O debate explicita e detalha informações científicas acerca do assunto, contribui-se para uma população mais apropriada no assunto e, com isso, auxilia-se no diagnóstico, acesso e tratamento. Saiba Mais: TVIFPB/Campus Princesa Isabel - I CONIDIES I CONFERÊNCIA DO IFPB SOBRE DIABETES NAS ESCOLAS - Parte 1 TVIFPB/Campus Princesa Isabel - I CONIDIES I CONFERÊNCIA DO IFPB SOBRE DIABETES NAS ESCOLAS - Parte

  • Saúde a Partir de Atividades Físicas Exitosas (SAFE) - Finalista Melhores Projetos FórumDCNTs 2023

    Nome do Projeto: Saúde a Partir de Atividades Físicas Exitosas (SAFE) Responsável pelo projeto: Tânia Rosane Bertoldo Benedetti Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Instituições parceiras Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Secretaria de Estado da Saúde, Secretarias Municipais de Saúde e Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde. Sobre o Projeto O projeto possui dois objetivos principais: 1) mapear e avaliar as ações de atividade física realizadas na APS do SUS e 2) instrumentalizar os profissionais de saúde para oferecerem ações exitosas de atividade física na APS do SUS. Participaram 1.645 ações de atividade física que ocorriam nos estabelecimentos da APS do SUS. O primeiro resultado do projeto foi a elaboração do conceito de “prática exitosa de atividade física na APS do SUS", que foi definida como uma ação que promove o aumento da atividade física dos participantes por meio de um processo planejado, replicável e sustentável que garante e promove participação e autonomia. O processo de elaboração desse conceito está detalhado na publicação de Benedetti et al. (2020). Posteriormente, foi enviado um questionário para todas secretarias municipais de saúde com o intuito de mapear as ações de atividade física realizadas na APS do SUS. Os resultados do mapeamento mostraram características das ações, como: possuir NASF; existir há 1 a 4 anos; utilizar as visitas dos ACSs como forma de divulgação; ocorrer no Programa Academia da Saúde e avaliar os participantes. Com relação à avaliação das ações de atividade física, 85 foram consideradas exitosas. A partir do mapeamento, as respostas obtidas foram avaliadas por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI) e 85 foram consideradas exitosas. Dessas, 10 receberam visita in loco da equipe de pesquisa, sendo contemplados municípios de todas as regiões do Brasil e de porte pequeno, médio e grande. A partir dos elementos observados no mapeamento, na avaliação e nas visitas, foram elaboradas Recomendações para o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de Atividade Física, publicadas pelo Ministério da Saúde. A partir dessa publicação, foi desenvolvido um aplicativo para ser utilizado pelos profissionais de saúde para organizarem e avaliarem as ações de atividade física que oferecem para os usuários do SUS. Atualmente, este aplicativo está em fase de aprovação. O projeto foi encomendado pelo Ministério da Saúde pois não havia mapeamento e nem avaliação das ações de atividade física que ocorriam na APS do SUS. Além disso, buscou-se instrumentalizar profissionais de saúde para que desenvolvessem práticas exitosas de atividade física por meio da publicação das Recomendações para o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de Atividade Física e de um aplicativo. Os usuários do SUS foram ouvidos nas visitas in loco para auxiliar a equipe do projeto a entender quais elementos faziam dessa ação uma prática exitosa. Foram realizadas rodas de conversa com usuários de 10 ações espalhadas pelo Brasil. Saiba Mais Site Saúde a Partir de Atividades Físicas Exitosas Instagram Pesquisa SAFE

  • Relatórios dos Grupos Temáticos do FórumDCNTs 2023

    Os Grupos Temáticos (GTs) são espaços neutros que convidam à participação dos setores público, privado e terceiro setor. Nelas são identificadas os principais problemas para que se avance em termos de prevenção e melhoria dos cuidados e dos indicadores de Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs) e de seus fatores de risco. Também são levantadas as ações prioritárias com potencial para reverter as ameaças ou acelerar as melhorias nas áreas, de forma multi- e inter-setorial e multistakeholder. Durante as reuniões, cada GT revisa, planeja e avalia as ações de forma intersetorial no avanço da resolução do PROBLEMA PRIORITÁRIO identificado. Abaixo os relatórios de cada Grupo Temático do FórumDCNTs. GT Alimentação Saudável 2023 - ACESSE AQUI GT Diabetes 2023 - ACESSE AQUI GT Doenças Cardiovasculares 2023 - ACESSE AQUI GT Doenças Respiratórias 2023 - ACESSE AQUI GT Obesidade 2023 - ACESSE AQUI GT Oncologia 2023 - ACESSE AQUI GT Prevenção de CCNTs em Adolescentes 2023 - ACESSE AQUI GT Saúde Digital em CCNTs 2023 - ACESSE AQUI GT Saúde Mental e Neurológica 2023 - ACESSE AQUI

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