Resultados da busca
Buscar neste site
1642 resultados encontrados com uma busca vazia
- Dia Mundial do Diabetes: Acesso e Educação para Aumentar Qualidade e Expectativa de Vida - Cobertura
Investir na capacitação dos profissionais de saúde e das pessoas com diabetes para o autocuidado, aumentar o acesso a medicamentos modernos no SUS e melhorar a organização da gestão são algumas das propostas levantadas no evento do FórumDCNTs.(Confira todos os vídeos do Evento aqui). Instituído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Federação Internacional de Diabetes (IFD) em 1991, o Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro) é dedicado às campanhas de conscientização e prevenção sobre o diabetes. A data foi escolhida por lembrar o aniversário do cientista canadense Frederick Banting, que descobriu a insulina em 1921. No entanto, devido ao aumento de casos de diabetes no mundo, as iniciativas não ficam restritas somente a esse dia. Durante o mês de novembro inteiro são realizadas diversas ações em vários países para alertar a população sobre os sintomas, as causas e as formas de prevenção e de tratamento desta condição crônica, que atinge 537 milhões de pessoas no mundo, segundo a IDF. Esses e outros dados foram destacados pelo Coordenador Geral do FórumDCNTs, Dr. Mark Barone, durante a abertura do evento online realizado pelo FórumDCNTs no dia 04 de novembro para debater o acesso e a educação em diabetes no Brasil. “Historicamente, todas as projeções feitas sobre o número de pessoas que terá o diagnóstico de diabetes no mundo foram ultrapassadas. Isso mostra que essa condição tem alta prevalência, com proporções epidêmicas e pandêmicas assustadoras. Em 2003, por exemplo, estimava-se que em 2025 haveria 333 milhões de pessoas com diabetes, mas este número foi ultrapassado em 2011 e hoje há mais de meio bilhão de pessoas com diabetes no mundo”, comparou Dr. Mark. Na Região da América do Sul e Central (SACA), a tendência de crescimento é de 50%. “O Brasil é o sexto país com mais casos de diabetes no mundo, cerca de 16 milhões, muito mais do que a população da maior cidade brasileira, que é São Paulo”, completou o fundador do FórumDCNTs. Ele também chamou a atenção para o total de investimentos feito pelos países para a prevenção e o tratamento do diabetes e suas complicações. Conforme o gráfico abaixo mostra, o Brasil investe mais em diabetes do que outros países, como China, Índia, Paquistão, Indonésia, México, Bangladesh e Egito. "No entanto, um dos pontos mais preocupantes é a falta de diagnóstico", apontou Dr. Mark. Segundo o relatório TD1 Index, divulgado recentemente pela JDRF, uma em cada 9 pessoas com diabetes não é diagnosticada no Brasil e uma em cada três pessoas diagnosticadas com diabetes não ultrapassa os 55 anos de idade. Também participaram da abertura do evento o Sr. Conrado Carrasco, da Novo Nordisk Brasil, e a coordenadora de Advocacy da SBD, Sra. Débora Aligieri, que destacaram a importância de eventos como o FórumDCNTs para promover o debate e pressionar programas e políticas públicas que de fato mudem para melhor o panorama atual. A Sra. Débora falou sobre os desafios do tratamento do diabetes pela perspectiva das pessoas que vivem com essa condição e são usuárias do SUS, e que foram identificados pela própria Débora em sua pesquisa de mestrado “Ciberativismo em diabetes: lutamos por vidas, não por likes”, defendida em 2021 na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Segundo Débora, os desafios apontados nas publicações das pessoas com diabetes na rede social Facebook são de três ordens: a primeira delas é relacionada ao desempenho insuficiente do sistema de saúde associado à oferta de serviços educacionais e intervenção de apoio, ao desabastecimento de insumos e medicamentos na rede pública (problema mais relatado pelos autores das postagens), à desinformação sobre as opções terapêuticas, à ausência de programas educacionais e intersetoriais sobre diabetes em várias cidades, e à desatualização dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. “Esses problemas se relacionam a questões da segunda ordem, que diz respeito à informação, comunicação e diálogo entre pessoas com diabetes, gestores e profissionais. Por exemplo, problemas no acesso à informação sobre ações, serviços e fluxos de atendimento no SUS e pouco aproveitamento das mídias digitais para escuta dos pacientes, usadas muitas vezes para resolver problemas individuais e não coletivos”, disse Débora. Já os desafios da terceira ordem são relacionados à gestão e participação social. “Há pouca informação sobre os instrumentos e os espaços de controle social do SUS e há fragmentação da rede de assistência às doenças crônicas não transmissíveis, a exemplo da incorporação dos análogos de insulina de ação prolongada, que ocorreu em 2019 e até hoje não está disponível na rede pública”, apontou. Dando sequência às apresentações, a Dra. Karla Melo, Coordenadora do Departamento de Saúde Pública da SBD, apresentou alguns dados do TD1 Index e ressaltou a importância de dados atualizados sobre o diabetes tipo 1 (DM1) para que se possa pautar, discutir e desenvolver políticas públicas eficazes em prol da saúde das pessoas com essa condição, principalmente relacionadas às populações que serão beneficiadas no processo de incorporação das tecnologias no SUS. No mundo, existem aproximadamente 9 milhões de pessoas com DM1, enquanto no Brasil são cerca de 588 mil, número bastante inferior às estimativas consideradas até então, mas que não é motivo de comemoração, pois estima-se que “32 anos de vida saudáveis” são perdidos devido à falta de acesso e dificuldades de tratamento. “Anteriormente, considerava-se que o DM1 representava entre 5% a 10% do total de pessoas com diabetes no Brasil, o que ficava entre 800 mil a 1,6 milhão de pessoas com DM1. No entanto, se somarmos o número de 588 mil a 235 mil, referente àquelas que perderam a vida, vamos chegar ao total de 800 mil pessoas com diabetes tipo 1. Um número assombroso, sem dúvida”, analisou a médica endocrinologista. Dra. Karla refletiu que o Brasil tem assegurado por lei tratamento do diabetes no sistema público de saúde, o que configura um grande avanço, mas então por que os casos de diabetes e anos saudáveis perdidos são tão ruins? “O que falta para atingirmos um cenário melhor?”, questionou. Na opinião dela, falta organização na gestão da assistência a pessoas com diabetes e educação em diabetes tanto para as pessoas que vivem com a condição quanto para os profissionais de saúde, como evidenciado pela Sra. Débora Aligieri em sua apresentação. Dra. Karla elegeu o primeiro ponto necessário para melhorar a gestão: levantar dados por região de quem são as pessoas com diabetes, onde vivem e quais insumos e medicamentos precisam. “A compra de medicamentos para o tratamento o diabetes é feita pelo Ministério da Saúde e entregue aos estados, que, por sua vez, distribuem aos municípios. Então, é necessário ter uma compra centralizada e saber exatamente qual é a demanda necessária”, disse ela. Dr. Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD), da Federação Nacional das Associações e Entidades de Diabetes (Fenad) e da IDF para a Região da América do Sul e América Central (SACA), concordou com a Dra. Karla sobre os principais desafios do diabetes no Brasil e destacou que entre as pessoas com o tipo 2 (DM2) falta conscientização em relação à gravidade da condição. “Muitas pessoas com diabetes tipo 2 negligenciam o tratamento por não reconhecer a condição como um problema grave de saúde quando não tratada. O remédio para isso é educação”, declarou. O presidente da ANAD também afirmou que “o Ministério da Saúde e os gestores de saúde de uma forma geral não reconhecem o diabetes como a principal causa de mortalidade no Brasil. Entre 50% e 60% das mortes por doenças cardiovasculares são de pessoas com diabetes”, declarou. Dr. Fadlo. De acordo com ele, o Brasil teve importantes avanços no tratamento do diabetes nos últimos anos, como a incorporação de insulinas humanas no SUS, substituindo as insulinas de origem animal, mas argumentou que ainda é necessário incluir novos medicamentos orais. “Durante cerca de 40 anos, o SUS dispôs apenas de metformina e sulfonilureia. Recentemente, foi incluída na Farmácia Popular a dapaglifozina, mas com restrições para idade e complicações. Mas não houve a incorporação dos inibidores de DPP-4 nem de agonistas de GLP-1. É preciso incorporar os novos avanços em medicamentos na rede pública. Este é um grande desafio”, completou. Em seguida, a Sra. Ana Maria Maya, consultora técnica na Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) do Ministério da Saúde, explicou que os programas de alimentação saudável e adequada contribuem na prevenção primária e secundária do diabetes e citou como ferramentais importantes nesta seara o Guia Alimentar para a População Brasileira e atualização de dois protocolos voltados para pessoas com diabetes, obesidade e hipertensão arterial. No final de sua apresentação, ela divulgou um folder que reúne as principais orientações práticas do Ministério da Saúde para manejo da glicemia, com foco na ingestão de alimentos minimamente processados, consumo diário de verduras, legumes e frutas, além de bebidas naturais, sem adição de açúcar ou adoçantes. Já a Dra. Nancy Chang, Diretora de Pesquisa em Diabetes Tipo 2 no Hospital Infantil de Los Angeles (CHLA), trouxe para o debate a necessidade de priorizar a educação em diabetes nos programas nacionais para melhorar o atual cenário brasileiro. Ela citou como estratégias importantes a educação e capacitação de médicos, enfermeiros e demais profissionais da área da saúde a fim de melhorar o diagnóstico de diabetes e promover mais campanhas nacionais para informar a população sobre os sinais, sintomas e complicações da condição. Além disso, providenciar suporte psicológico para todas as pessoas diagnosticadas com diabetes darem continuidade ao autocuidado em casa. “Nos Estados Unidos, há enfermeiros e nutricionistas especializados e preparados para educação do automanejo do diabetes. O país também investe muito dinheiro para o tratamento do diabetes. Desde o diagnóstico, os pacientes recebem educação e medicamentos, mas muitos ainda não conseguem atingir o nível de hemoglobina glicada adequada, porque muitas vezes têm barreiras psicológicas que o impendem de fazer o autocuidado em diabetes. Talvez o Brasil ainda não esteja percebendo isso”, alertou. Dra. Nancy citou ainda a importância de aumentar o acesso às tecnologias mais modernas, como bomba de insulina e sensores de glicose para melhorar o tratamento. “Entendo que seja difícil pensar em tecnologias quando muitas vezes falta o básico para as pessoas com diabetes, como insulina, mas é fundamental abordar este ponto”, disse. Outro exemplo americano apresentado pela diretora do CHLA como estratégia que o Brasil poderia adotar para melhor o tratamento do diabetes é obrigar as companhias de seguro médico a cobrir todas as despesas relacionadas com educação em diabetes. A Sra. Débora Aligieri alertou que o Brasil é o único país que não obriga por lei os planos de saúde a proverem o tratamento das pessoas com diabetes em uso de insulina e monitoramento da glicemia. “Precisamos mudar a Lei dos Planos de Saúde para derrubar o artigo que exclui da responsabilidade dos planos de saúde o custeio de terapias domiciliares”, declarou Débora. Ela lembrou que recentemente rol taxativo da Agência Nacional da Saúde (ANS) foi derrubado por causa da mobilização e pressão das instituições médicas, associações de apoio a pessoas com diabetes e pessoas com a condição. O Sr. Alexandre Lopes apresentou algumas ações articuladas da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo para o gerenciamento do diabetes e evitar complicações crônicas. Uma dessas ações é o programa “Viva a Vida com Diabetes”, que visa à capacitação de profissionais de saúde da Atenção Primária da Saúde. Segundo ele, o plano de saúde dos próximos anos prevê o aumento do rastreamento precoce das DCNTs nas unidades básicas de saúde e melhorar os indicadores de prevalência do diabetes e outras condições. No debate, os convidados foram provocados a falar sobre a responsabilidade dos planos de saúde no tratamento do diabetes. Corroborando nas discussões, o Sr. Conrado Carrasco (foto à esquerda), da Novo Nordisk, destacou a escuta ativa e empática, o entendimento da real situação da pessoa que está na ponta e a utilização de multimeios online e offline também são importantes para conectar as pessoas com diabetes ao tratamento. Por parte dos gestores e dos profissionais de saúde, ele apontou como ideal a abertura para a troca de experiência e a simplificação dos protocolos, para facilitar o entendimento de todos os envolvidos para o manejo e autocuidado. Por fim, os especialistas abordaram dois pontos fundamentais para melhorar o manejo do diabetes. O primeiro é investir em centros, ou clínicas, de atenção especializada ao diabetes, com equipe multidisciplinar, a exemplo do Instituto da Criança com Diabetes do Rio Grande do Sul (ICD-RS). O segundo ponto é a importância de inserir o profissional de educação física nos serviços de atenção primária de saúde às pessoas com diabetes, pois são fundamentais para combater o pré-diabetes, a obesidade e o diabetes, quanto para ajudar no gerenciamento do peso e do diabetes. A valorização do SUS, com aumento do financiamento público em saúde, a união de todos os stakeholders dos diferentes setores e o fortalecimento dos programas nutricionais e de prevenção às DCNTs também foram destacados como estratégias centrais para mudar o panorama do diabetes no Brasil. Na imprensa Agência O Globo Estadão Gazeta dos Municípios Jornal Montes Claros Portal ABC Portal Comunique-se Redação News.com Terra Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo
- Doenças Respiratórias na APS: Hora de Avançar! – Cobertura 16/12
Investir em capacitação dos profissionais de saúde e em treinamento remoto com espirometria são algumas das propostas dos especialistas convidados pelo FórumDCNTS para melhorar o acesso ao diagnóstico das doenças respiratórias No dia 16 de dezembro, o FórumDCNTs realizou o último evento interativo de 2022 com um debate sobre o desafio de diagnosticar e tratar doenças respiratórias na Atenção Primária da Saúde (APS) (confira todos os vídeos do Evento aqui). A moderadora Dra. Sônia Martins, médica de família e coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa Respiratória na APS (GEPRAPS), iniciou o evento ressaltando que as doenças respiratórias são condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) altamente prevalentes no Brasil e motivo frequente de busca de atendimento, sobretudo a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a asma, consideradas as mais comuns. O Sr. Paulo Fascina, responsável pela área de Ecossistemas em Saúde na Boehringer Ingelheim Brasil, destacou a importância do evento na viabilização de parcerias intersetoriais que visem melhorar o cenário da saúde pública no país. Ele acrescentou que as doenças respiratórias são a terceira causa de mortalidade no Brasil e que o problema começa na baixa taxa de diagnóstico. Estima-se que 7 milhões de brasileiros têm DPOC, mas apenas 12% foram devidamente diagnosticadas e que “por mais que o país tenha evoluído muito com incorporação de políticas públicas recentes e PCDTs atualizados para doenças respiratórias, ainda há um gap importante na implementação e execução do tratamento”, disse. Entre os projetos desenvolvidos e apoiados pela Boehringer Ingelheim está o programa AbraçAr, uma plataforma de serviços com ações estruturadas que fortalece o aumento do diagnóstico e tratamento da DPOC, proporcionando redução no tempo da jornada e dos custos de hospitalizações para municípios e estados. A Sra. Karina Mauro Dib (foto acima), assessora técnica na Coordenação de Atenção Básica e representante da Área de Cuidado às DCNTs da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), compartilhou alguns resultados da parceria público-privada com a Boehringer Ingelheim, que possibilitou implementar câmaras de espirometrias na capital paulista no início da pandemia de COVID-19 e aumentar em 120% a realização de exames do pulmão. Entre junho de 2021 e novembro de 2022 foram feitos 16.123 exames. A previsão para 2023 é realizar 19.500 exames de espirometrias e seis mutirões. “Além de ampliar o acesso ao diagnóstico em tempo oportuno, identificar os fatores de risco, como tabagismo e comorbidades, e melhorar a adesão ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso, o programa AbraçAr também visa capacitar as equipes de saúde em DPOC, pois o subdiagnóstico é decorrente do baixo conhecimento sobre DPOC por parte dos profissionais da APS”, disse. Segundo ela, os profissionais de saúde estão sendo capacitados na modalidade à distância, por meio de videoaulas, numa plataforma própria da Escola Municipal da Saúde. A Sra. Flávia Lima (foto à esquerda), presidente da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF), também apontou a capacitação dos profissionais de saúde, principalmente da APS, como ação fundamental para reduzir o impacto das doenças respiratórias no sistema público de saúde e na qualidade de vida das pessoas. É este o objetivo do projeto Capacita, um curso online desenvolvido pela ABRAF que aborda o diagnóstico e o tratamento da DPOC, além de trazer depoimentos de pessoas que convivem com essa CCNT. A ABRAF também mantém ativa a Central do Pulmão, que presta atendimento por WhatsApp e telefone, encurtando a jornada das pessoas à informação, facilitando o diagnóstico e oferecendo acolhimento. “Diariamente recebemos pessoas que estão perdidos na rede pública de saúde, transitando entre a atenção básica, hospitais e internações. Este cenário resulta no aumento das filas para consultas com especialistas e da demanda de atendimentos nas emergências”, analisou. “Acredito que o subdiagnóstico está tanto no desconhecimento do médico sobre as doenças respiratórias, quanto na falta do instrumento para fazer o diagnóstico e este instrumento é a espirometria”, acrescentou a Dra. Eliane Mancuzo, médica coordenadora do Laboratório de Função Pulmonar do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Ela relatou a experiência bem-sucedida do programa Tele-Espirometria, que tem permitido ampliar diagnóstico e melhorar o tratamento de doenças respiratórias crônicas através da APS. A ideia para o projeto surgiu depois que a coordenadora constatou que muitas pessoas viajavam até 700 km para fazer a espirometria no HC-UFMG. Assim, em novembro de 2021, o hospital e o Ministério da Saúde firmaram uma parceria inédita em âmbito nacional, que começou com a implantação de espirômetros em 100 municípios brasileiros e a capacitação online e presencial de profissionais de saúde. “O técnico faz a espirometria no município, encaminha pela plataforma Telessaúde e a equipe de pneumologistas do HC-UFMG analisa e emite o laudo, devolvendo-o à APS. Pela teleconsultoria, o médico pode esclarecer qualquer dúvida relacionada ao laudo ou ao atendimento”, explicou Dra. Eliane. Recentemente foram adquiridos mais 70 espirômetros e treinados outros 70 técnicos, totalizando 170 municípios com espirômetros e cerca de 4 mil exames realizados. A previsão é realizar 50 mil exames. “O projeto mostrou que é possível treinar um profissional não especialista para fazer espirometria com qualidade. Nossa meta é que o profissional da ponta faça mais de 90% dos exames com qualidade”, afirmou a Dra. Eliane. Por sua vez, Dra. Cristina Sette (foto à esquerda), médica sanitarista e consultora do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), trouxe a visão do gestor de saúde e destacou três desafios urgentes de serem sanados. O primeiro deles diz respeito à formação acadêmica, que deve ser aperfeiçoada para que os médicos sejam formados sabendo como diagnosticar e tratar as doenças respiratórias. Segundo ela, “à gestão municipal de saúde compete garantir os espaços de atualização e aperfeiçoamento”, mas o conhecimento básico inicial deve vir da academia. “O segundo desafio é melhorar o acesso da população ao diagnóstico no contexto de um sistema de saúde subfinanciado. É preciso discutir como garantir a universalidade, a integralidade e o cuidado adequado em um território heterogêneo, que não vai mudar”, expôs Dra. Cristina. Nesse sentido, a médica do Conasems inclui o terceiro desafio: a construção da rede de saúde e as relações com as secretarias estaduais nas macrorregiões de saúde e nas regiões de saúde. Dra. Angela Honda (foto à direita), médica pneumologista e líder de Programas Educacionais da Fundação ProAR, corroborou a análise da Dra. Cristina, dizendo que “existe uma grande falha na formação acadêmica” e ressaltou a importância de educar a população sobre os fatores de risco, como tabagismo e comorbidades, e chamar a atenção para a gravidade das doenças respiratórias quando não identificadas e tratadas adequadamente. Na opinião da Dra. Angela, os desafios precisam ser avaliados com base na realidade de cada região. “Implementar espirômetros em São Paulo, por exemplo, é uma medida excelente, porque há uma fila enorme de pessoas esperando para fazer o exame, mas em outro lugar, onde os profissionais de saúde sequer sabem como fazer o diagnóstico, o primeiro passo é a capacitação”, afirmou. Outro cenário que precisa ser repensado é a atenção especializada de saúde. Segundo a médica pneumologista, atualmente a maior parte das pessoas acompanhadas na atenção especializada têm asma leve ou moderada não controlada, em vez de pessoas com asma grave. “Pessoas com asma leve e moderada devem ser acompanhados na Atenção Primária”, afirmou. Os especialistas debateram também o acesso ao tratamento. Dra. Sônia apontou a necessidade de descentralizar a reabilitação pulmonar dos indivíduos, pois muitos encontram dificuldades em ir aos centros de tratamento. Já a Sra. Karina falou sobre a importância do tratamento não medicamentoso para o fortalecimento da saúde das pessoas com doenças respiratórias e salientou o papel de outros profissionais, como farmacêuticos, nutricionistas e profissionais de educação física, no acompanhamento. O Sr. Paulo Fascina complementou citando outro programa da Boehringer Ingelheim, AbraçAr a Vida, que tem como foco o atendimento multidisciplinar, incluindo psicólogos. Ele assumiu o compromisso de disponibilizar este programa em 2023 aos parceiros interessados. Por fim, os convidados sugeriram algumas ações a médio prazo para melhorar o cenário do diagnóstico e tratamento das doenças respiratórias no Brasil. “Todos os profissionais de saúde são importantes para a educação das pessoas com doenças respiratórias, ensinando por exemplo a usar as bombinhas de asmas, mas precisamos ouvir mais as pessoas com CCNTs. Então sugiro ampliar os espaços para que as pessoas com doenças respiratórias contem as suas histórias para sensibilizar a população e os profissionais”, destacou a Sra. Flávia Lima. Já a Dra. Cristina Sette sugeriu ao ProAr, Abraf, AbraçAr e outros programas participarem da Mostra Brasil, Aqui tem SUS, que acontecerá em 2023 e tem como objetivo promover a troca de experiências. A Sra. Karina Mauro Dib (SMS-SP) apontou a importância de construir protocolos enxutos e práticos para que os médicos e profissionais de saúde possam se atualizar e capacitar, a fim de clarificar a linha de jornada do indivíduo. Investir em educação e informação foi a recomendação de todos os especialistas, que citaram, por exemplo, desconhecimento da população em questões básicas, como identificar os sintomas das doenças respiratórias como algo grave e o significado da sigla DPOC. Na Imprensa: Agência O Globo Estadão Jornal Montes Claros Valor Econômico Terra Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo
- OMS abre Grupo de Debate para Pessoas com Diabetes - Até 30/03
A Organização Mundial da Saúde (OMS), comprometida com o envolvimento contínuo das pessoas que vivem com diabetes, abre as inscrições para participação no Grupo de Discussão do Global Diabetes Compact (GDC). O Grupo de Debate para pessoas que vivem com Diabetes acontecerá nos dias 30 e 31 de março, das 10h às 13h (horário de Brasília). As inscrições vão até o dia 30/03/2023. O evento acontece em colaboração com o Departamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da OMS e o Mecanismo de Coordenação Global para Prevenção e Controle de Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Os objetivos nesses dias são de aproveitar os principais aprendizados de compromissos anteriores da OMS para pessoas que vivem com diabetes e entender melhor a experiência de cada um para apoiar os futuros esforços da organização para a comunidade global de diabetes. O evento será em inglês, com tradução disponível em espanhol e francês. É necessário registrar seu interesse em participar e responder breves perguntas sobre sua condição com o diabetes para submeter sua inscrição. Para registrar seu interesse em participar você pode optar pelo inglês ou espanhol.
- Banco Mundial divulga números alarmantes de DCNTs em Relatório sobre a pandemia de COVID-19
América Latina e Caribe concentraram 13% dos casos de COVID-19 em todo o mundo; 82% morreram por complicações de DCNTs/CCNTs Mais de dois anos após a pandemia, as evidências são claras: a COVID-19 desencadeou uma crise socioeconômica e de saúde sem precedentes e devastou comunidades na América Latina e no Caribe (ALC). Com esse pensamento, o Grupo Banco Mundial divulgou o relatório “Construindo Sistemas de Saúde Resilientes na América Latina e o Caribe: Lições aprendidas com a pandemia de COVID-19”. Conforme é destacado no documento, a América Latina e Caribe representam 8% da população mundial, e cerca de 13% dos casos de COVID-19 em todo o mundo ficaram concentrados nessa região (Peru, México e Equador tiveram maior excesso de mortalidade). Em 2020, a contração do PIB da região atingiu 7%, a maior dos últimos 100 anos e a pior do mundo. O documento ainda afirma que 82% das mortes na América Latina e Caribe se deram por doenças crônicas não transmissíveis. Chama a atenção que todos os países dessa região estão fora dos objetivos para atender a todas as DCNTs/CCNTs relacionadas à alimentação saudável, metas estabelecidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Na questão da obesidade, a América Latina e Caribe possui apenas 8% da população global, mas registra 16% de todos as pessoas com essa condição no mundo. Também foi perceptível que o uso formal de cuidados de saúde entre a população com sintomas de doença diminuiu 62% entre as pessoas de classes sociais mais carentes. Outro agravante social é a crise no sistema de saúde, com exemplo do Peru, país no qual 30% a 40% da população parou de trabalhar, porque sua própria saúde estava em risco, e 7 mil centros de atendimento de primeiro contato foram fechados por falta de pessoal e equipamentos de proteção individual (EPI). Este relatório resume as principais descobertas sobre os impactos da pandemia na saúde em toda a região. Com base em uma variedade de fontes, incluindo pesquisas conduzidas pelo Banco Mundial, bem como pesquisas de organizações parceiras, governos e especialistas acadêmicos, os três primeiros capítulos investigam três áreas de impacto: impactos nas sociedades, impactos nas pessoas e impactos na saúde sistemas. Em seguida, desenvolve essas percepções em um capítulo final que mapeia um plano de ação de cinco pilares e investimentos inteligentes para os tomadores de decisão considerarem ao traçar um caminho a seguir para criar resiliência na saúde sistemas e melhorar os resultados de saúde para todos. Acesse o relatório completo, que está disponível em inglês e espanhol. Fonte: Grupo Banco Mundial
- Ministério da Saúde abre Chamada Pública sobre tratamento para Edema Macular no Diabetes - Até 26/02
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abriu a Chamada Pública n.º 09/2023 para a Perspectiva da Pessoa com Condição de Saúde (Paciente) sobre Implante biodegradável de dexametasona para tratamento do edema macular em pessoas com diabetes como opção terapêutica aos anti-VEGFs (ranibizumabe aflibercepte) até ao dia 26/02/2023. A Perspectiva da Pessoa com Condição de Saúde (Paciente) é um espaço na reunião da Conitec para que usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) relatem sua experiência sobre as tecnologias em avaliação. Nesta chamada, serão priorizadas as inscrições de pessoas que tenham feito uso do medicamento em avaliação. A participação ocorrerá na reunião de apreciação inicial da tecnologia em avaliação, que antecede a consulta pública. Também é a ocasião em que o Plenário da Conitec faz a recomendação preliminar da demanda. Abaixo o FórumDCNTs traz pontos relevantes para auxiliar o posicionamento daqueles interessados no tema, a fim de poderem se manifestar nesta chamada até o dia 26/02, assim como na Consulta Pública que deverá ser aberta em sequência. O edema macular em pessoas com diabetes (EMD) é uma causa bem conhecida de perda visual em pessoas com diabetes. Hoje, os anti-VEGFs e os corticosteróides (como a dexametasona) são as principais alternativas no tratamento medicamentoso do EMD, utilizados com o objetivo de reduzir a gravidade do edema e prevenir a perda de visão (Karti, 2021). O implante biodegradável de dexametasona fornece um resultado anatômico e funcional favorável no EMD, conforme demonstrado em vários estudos. Esta tecnologia é atualmente a opção de tratamento para aqueles que demonstram resposta clínica inadequada à terapia anti-VEGF (Karti, 2021). O grupo de estudo espanhol MOMENTUM-D concluiu que o implante biodegradável de dexametasona é particularmente benéfico no tratamento de EMD em pessoas com histórico de evento cardiovascular importante, vitrectomizadas, as não aderentes ao tratamento, que necessitam de cirurgia de catarata ou com componente inflamatório substancial (García, 2020). O consenso alemão sobre a utilização da tecnologia sugere que a mudança para o implante biodegradável de dexametasona deve ser realizada em pessoas com resposta inadequada ao tratamento após 3-6 injeções mensais de anti-VEGF (Augustin, 2021). Um estudo espanhol cujo objetivo era estabelecer o impacto orçamentário no Sistema de Saúde Espanhol da inclusão do implante de dexametasona no tratamento do EMD em uma região específica do país demonstrou que a inclusão da tecnologia levaria a uma economia de recursos, principalmente pela redução dos custos de aplicação. A economia anual por pessoa foi calculada entre €41 e €350 (Cervera, 2018). Estamos certos de que a incorporação do implante biodegradável de dexametasona para tratamento do edema macular em pessoas com diabetes no SUS será um passo importante para melhorar o tratamento de quem desenvolve essa complicação do diabetes, o EMD, uma condição que tem um forte impacto negativo na qualidade de vida dessas pessoas, afetando sua capacidade de realizar tarefas cotidianas, incluindo a autogestão do diabetes. Além disso, a incorporação desta tecnologia vai também ajudar a diminuir o alto impacto econômico do EMD (tanto os seus custos diretos como demonstrado na literatura, bem como seus custos indiretos, como redução de receita ou maior necessidade de apoio social à medida que a visão piora, por exemplo). Assim, o FórumDCNTs estimula que todas as pessoas interessadas no tema façam sua inscrição nesta Chamada Pública, uma vez que a participação social no processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é um importante fator para a incorporação das tecnologias no SUS, neste caso particularmente do implante biodegradável de dexametasona nas condições apresentadas. Para participar, é necessário acessar o link https://www.gov.br/participamaisbrasil/acesso e fazer o login ou o cadastro no site GOV.BR, seguindo as orientações. Para registrar a sua opinião e fazer a sua inscrição na chamada pública n.º 09/2023 - Implante biodegradável de dexametasona para tratamento do edema macular em pessoas com diabetes como opção terapêutica aos anti-VEGFs (ranibizumabe aflibercepte) é necessário acessar o seguinte link e preencher o formulário: https://www.gov.br/participamaisbrasil/chamada-publica-09-2023-dexametasona Referências Augustin, A.J., Feltgen, N., Haritoglou, C., Hoerauf, H., Maier, M.M., Mardin, C.Y., Schargus, M.. [Clinical Decision Making for Treatment of Diabetic Macular Oedema with DEX Implant: a Consensus Paper] Klin Monbl Augenheilkd. 2021;238:73–84. doi: 10.1055/a-1024-4089 Cervera, E., De Andrés-Nogales, F., Armadá, F., Arias, L., Oyagüez, I., Martínez, C.. Budget impact analysis of dexamethasone intravitreal implant for the treatment of diabetic macular oedema. Farm Hosp. 2018 Nov 1;42(6):244-250. English. doi: 10.7399/fh.11016. García, A.L., Adán, A., Ascaso, F.J., Cabrera, F., Donate, J., Escobar, J.J.B., Peralta, G., Reyes, R.G., Rodríguez, M.M., Ruiz-Moreno, J.M., Vinagre, I.. MOMENTUM-D Study Group. Use of intravitreal dexamethasone implants in the treatment of diabetic macular edema: Expert recommendations using a Delphi approach. Eur J Ophthalmol. 2020;30:1042–1052. doi: 10.1177/1120672119861623 Karti, O., Saatci, A.O.. Place of intravitreal dexamethasone implant in the treatment armamentarium of diabetic macular edema. World J Diabetes. 2021 Aug 15;12(8):1220-1232. doi: 10.4239/wjd.v12.i8.1220.
- Carta Aberta de Prioridades às Autoridades 2022/2023 - FórumDCNTs
A carta abaixo, documento produzido ao final de cada ano e que apresenta as prioridades compiladas pelo FórumDCNTs e seus mais de 100 parceiros, foi enviada hoje a autoridades, com destaque à Ministra da Saúde do Brasil, Dra. Nísia Trindade, ao CNS, ao CONASS, ao CONASEMS, a Deputados(as) Federais e Senadores(as), Secretários(as) Estaduais e Municipais entre outros líderes e instituições. ________________________________________________________________________ O Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil (FórumDCNTs), iniciativa inter e multi setorial e multi stakeholder, fundada em 2017, através da colaboração entre as principais organizações não governamentais, empresas da área da saúde, universidades e órgãos do governo e multilaterais, se reuniu pelo quinto ano, em dezessete encontros ao longo do ano de 2022, para identificar prioridades sobre as diferentes condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) e seus fatores de risco, bem como facilitar a implementação de estratégias integradas, sustentáveis, custo-efetivas e baseadas em evidências para a prevenção, rastreio, diagnóstico, controle e tratamento das CCNTs no Brasil. A atenção e parceria de V. Exa. é fundamental para enfrentarmos efetivamente as prioridades identificadas pelas instituições listadas ao final, em 2022, e aqui resumidas. Destacamos que o debate sobre insegurança alimentar e fome no Brasil se intensificou com a pandemia de COVID-19 e que, em 2022, o país voltou ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), com 4,1% da população brasileira enfrentando falta crônica de alimentos. Esta situação coloca grandes desafios no enfrentamento das CCNTs, uma vez que a insegurança alimentar está associada a fatores de risco para as CCNTs. Destacamos também que a pandemia de COVID-19 acirrou hábitos nocivos na população, como por exemplo o consumo de bebidas alcoólicas e de cigarros eletrônicos. Dados do Covitel (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia) revelam que houve aumento de 20,6% no consumo abusivo de álcool (5 ou mais doses em uma mesma ocasião). No Brasil, 7,1% da população está consumindo cigarro eletrônico e entre os jovens de 18 a 24 anos, quase 20% já tiveram algum contato com o dispositivo. O mesmo estudo demonstrou que as pessoas mais afetadas por esse aumento de habitos não saudáveis são as mais vulneráveis socioeconomicamente, aquelas de menor escolaridade, além de negros, pardos, desempregados e moradores das regiões Norte e Nordeste. Destacamos, ainda, a perigosa situação atual de queda e baixa cobertura vacinal no Brasil, conforme a carta aberta às autoridades enviada pelo FórumDCNTs em julho de 2022. Esta é uma situação muito preocupante no enfrentamento das CCNTs, dado o papel fundamental da imunização, tanto na prevenção primária de algumas doenças crônicas, quanto no risco agravamento de condições crônicas existentes por doenças infecciosas. Outro aspecto que observamos minimizado na atenção à saúde diz respeito ao sono, sua qualidade, duração e seus distúrbios. Apesar da alta prevalência dos distúrbios do sono e de muitos deles serem condições crônicas de saúde e considerados fatores de risco para a maioria das principais CCNTs/DCNTs, raramente são valorizados em consultas com profissionais de saúde. O diagnóstico e os cuidados com apneia obstrutiva, insônia e outros distúrbios do sono em todos os níveis de atenção e o engajamento dos setores público, privado e terceiro setor em esforços conjuntos para a elaboração de políticas e programas que deixem de ignorar os riscos das doenças crônicas ligadas ao sono ou resultantes delas são fundamentais para reduzirmos os custos em saúde, sociais e financeiros relacionados a essa atual desatenção. Um dos objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU é assegurar uma vida saudável; a meta 3.4 em específico objetiva até 2030 a redução em 1 ⁄ 3 da mortalidade prematura por doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento. Para que o Brasil consiga cumprir o objetivo mencionado e a meta 3.4 em particular, é necessário priorizar de imediato ações de promoção da saúde, implementando políticas públicas intra e intersetoriais e parcerias entre todas as entidades públicas e privadas, visando a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das CCNTs. Entre as prioridades identificadas pelo FórumDCNTs e seus membros em 2022, e sobre as quais nos colocamos à disposição para auxiliar em ações imediatas, destacamos necessidade de: - Atualizar, aperfeiçoar e integrar a capacitação dos profissionais de saúde, em especial das equipes da Atenção Primária à Saúde (APS), com a valorização dos profissionais de Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), para a melhoria dos cuidados e da jornada das pessoas com CCNTs e para a redução e não agravamento dos mesmos. Propomos a ampliação da equipe mínima, com a otimização dos papéis entre os seus profissionais, de forma que a equipe de saúde seja capaz de auxiliar efetivamente no acompanhamento dos usuários na APS. Enfatizamos que a educação dos profissionais de saúde precisa ser permanente e contínua, de acordo com as necessidades da população, contextualizada na prática com o trabalho dos profissionais de linha de frente e prevista dentro do horário de trabalho. É de extrema importância utilizar a medicina baseada em evidências, procurando agregar qualidade e valor às capacitações entregues. - Promover a interoperabilidade entre os níveis de atenção à saúde. É fundamental concluir a informatização do SUS, a implementação efetiva e em definitivo, em todo o território nacional, do Previne Brasil e da Carteira Nacional Digital de Vacinação para todas as vacinas. É também imperativo melhorar a referência e a contrarreferência, tornando possível a unificação das informações em todas as esferas. - Identificar os melhores programas, políticas públicas e boas práticas de combate às CCNTs e investir em sua escala e integração. Entre eles, os programas: AbraçAr, Cuidando de Todos, GlicaMelito, HealthRise, HEARTS, HEARTS-D, Latin, Tele-espirometria. A articulação de soluções integradas em políticas públicas e o alinhamento estratégico são fundamentais para melhorar o combate das CCNTs em nosso país. A fim de contarmos com cuidado integral e resultados efetivos, precisam estar associados aos demais programas a atenção à saúde mental, aos distúrbios do sono e aos determinantes sociais e comerciais da saúde. - Desenvolver e implementar programas e políticas de saúde, educação, esporte e planejamento urbano que melhorem a prevenção primária e secundária das CCNTs, com foco nos fatores de risco e hábitos não saudáveis agravados pela pandemia (dietas inadequadas, sedentarismo, uso de tabaco e uso nocivo do álcool). É necessário promover avanços na agenda regulatória para facilitar as escolhas saudáveis e dificultar as não saudáveis, com medidas fiscais, aprimoramento e fiscalização da rotulagem frontal, dando especial atenção à regulamentação da tributação e da publicidade de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, uma vez que o aumento do consumo desses alimentos foi associado a mais de 10% das mortes prematuras e evitáveis no país em 2019 (estudo publicado em novembro de 2022). - Ampliar e otimizar o rastreio e diagnóstico das CCNTs, fazendo uso de marcadores metabólicos como pressão arterial, hemoglobina glicada, testes de função renal, entre outros, das aferições básicas listadas pela OMS como glicemia, colesterol LDL, peso, altura, circunferência abdominal, espirometria, mamografia, papanicolau, dosagem de PSA, presença de sangue oculto nas fezes, enfatizando o uso de tecnologias point of care, a fim de alcançar todas as regiões do país. Com isso, prevemos o início do tratamento mais rápido e efetivo das pessoas com condições crônicas. Estas tecnologias permitem maior acesso principalmente na APS e promovem equidade na saúde, bem como um menor impacto financeiro no sistema a médio e longo prazo, considerando a redução das complicações e das mortes prematuras por CCNTs. - Entender a jornada da pessoa com CCNTs e desenvolver planos de cuidados integrais, abrangentes e eficientes em todos os níveis de atenção à saúde, de forma a tratar e monitorar as CCNTs, a exemplo da Lei 14.450 - Programa Nacional de Navegação de Pacientes para Pessoas com Neoplasia Maligna de Mama. É muito importante que os diferentes momentos do tratamento das pessoas com CCNTs sejam contemplados, facilitando o engajamento nos cuidados. - Diminuir as barreiras na aquisição e distribuição dos medicamentos para tratar as CCNTs no Brasil. É necessário garantir o fornecimento contínuo dos medicamentos, diminuindo também a burocracia e consequentemente facilitando o acesso ao tratamento. A mudança da dispensação dos análogos de insulina, da atorvastatina, dos medicamentos para tratamento da Fibrose Cística e da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), por exemplo, das Farmácias de Alto Custo para a Atenção Primária permitiriam o ganho de capilaridade necessário para garantir que esses tratamentos cheguem a quem deles necessita. - Aumentar as estratégias de informação, conscientização e suporte para a saúde mental e para a obesidade, identificando os pontos que precisam de melhorias, facilitando a busca por tratamento e potencialmente prevenindo o desenvolvimento e o agravamento destas condições de saúde. É muito importante ter em conta que a saúde mental e a obesidade são condições coletivas e não individuais, muito complexas e fatores de risco para outras condições de saúde. Também é fundamental a capacitação dos profissionais de saúde para o reconhecimento dessas condições como doenças, diagnosticando e superando os estigmas que as envolvem, e facilitando o acesso ao tratamento. Aumentar as opções terapêuticas, incluindo as psicológicas, comportamentais, medicamentosas, cirúrgicas, e outras conforme a necessidade, irá beneficiar inequivocamente as pessoas com essas condições de saúde. Por fim, gostaríamos de fazer referência às cartas e propostas elaboradas e endossadas pelo FórumDCNTs e parceiros e enviadas aos candidatos à presidência da República, que esperamos sejam oportunamente consultadas para o planejamento de ações prioritárias em nível federal e em todos os demais níveis. Acreditamos que dessa forma possamos, mesmo com alguns retrocessos apontados nos últimos anos, com o vosso compromisso, colaboração e esforço, alcançar a meta de reduzir em 1/3 as mortes prematuras por CCNTs até 2030 e reduzir os custos diretos e indiretos a toda a sociedade. Concluímos enfatizando a importância das políticas e programas intra e intersetoriais baseados em evidências e parcerias entre o Ministério da Saúde, os municípios, os estados, os hospitais, as ONGs e representantes das pessoas que vivem com CCNTs, as empresas, entre outras instituições tanto da saúde pública quanto suplementar para aumentar o rastreio, a prevenção e a educação permanente da população e dos profissionais de saúde sobre as diferentes CCNTs e para o desenvolvimento e implementação de modelos de cuidado integral da pessoa com CCNTs. Reiteramos estarmos totalmente à disposição para colaborar nesse processo para que consigamos superar os desafios relativos às CCNTs no Brasil, fortalecendo nosso sistema de saúde e melhorando a saúde da nossa população. Respeitosamente, Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil www.ForumDCNTs.org Instituições que estiveram ativas nos GTs e/ou eventos do FórumDCNTs em 2022 Abbott, ACCamargo, ACT Promoção da Saúde, ADJ Diabetes Brasil, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Amil, Associação Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF), Associação Brasileira de Asmáticos (ABRA), Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF), Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS), Associação Brasileira de Odontologia do Sono (ABROS), Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), Associação Brasileira do Sono (ABS), Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD), Associação Peter Pan, Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), Beneficência Portuguesa, Boehringer Ingelheim, BCare, Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN), Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais de Goiás (CRIE-Goiás), Centro Universitário São Camilo, Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde da Bahia (COSEMS-BA), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Conselho Regional de Nutricionistas - 3ª Região (CRN-3), Coordenação-Geral de Vigilância das Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde (CGDANT/MS), Crônicos do Dia a Dia (CDD), Deputados/as Federais, D-FOOT International, Escola de Enfermagem da USP (EE-USP), Execution Health, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), Federação Nacional das Associações e Entidades de Diabetes (FENAD), FGV Saúde, Fiocruz, Fleximedical, Fundação do Câncer, Fundação Novartis, Fundação ProAr, GBD Brasil, Glic, Governo da Dinamarca, GT Agenda 2030, Grupo de Estudos de Respiração na Atenção Primária (GEPRAPS) da Faculdade de Medicina do ABC, Health Innova HUB, Hospital de Amor de Barretos, Hospital do Coração (HCor), Hospital Sírio-Libanês, Hospital Universitário de Brasília, IFMSA Brazil, InovaHC - FM-USP, Instituto Bem do Estar, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), IBTED Tecnologia e Educação em Diabetes, Instituto Contemplo, Instituto Cordial, Instituto Correndo pelo Diabetes (CPD), Instituto da Criança com Diabetes (ICD), Instituto de Saúde Mental e Diabetes, Instituto do Coração (InCor-FM-USP), Instituto Desiderata, Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), Instituto Horas da Vida, Instituto Obesidade Brasil, Instituto Nacional de Câncer (INCA), Instituto Oncoguia, Instituto Opy de Saúde, Instituto Sabin, Instituto Tellus, Instituto Vita Alere, Instituto Vencer o Câncer (IVOC), International Diabetes Federation (IDF) - Região SACA, Lar Amigos de Jesus, Liga Acadêmica de Diabetes e Hipertensão Arterial Sistêmica (LADHAS), Liga Acadêmica de Educação em Diabetes (LED), Liga Acadêmica de Endocrinologia da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), Liga Acadêmica de Endocrinologia de Rondônia (Laedro), Liga Acadêmica de Endocrinologia e Metabologia do Piauí (LAEMPI), Liga de Enfermagem em Oncologia (Leonco), Liga de Enfermagem na Atenção ao Diabetes da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (LEAD EEUSP), Liga-Mente, Logicalis, Merck, Ministério da Saúde, Momento Saúde Editora, Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), MSD, Novartis, Novo Nordisk, Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio (NEPS) da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS) da Universidade de São Paulo (USP), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Painel Brasileiro da Obesidade, Pé de Feijão, Plan International, Procter & Gamble, Rede Brasil AVC, ResMed Brasil, Roche, Sanofi, Santa Casa de São Paulo, Saúde com Ciências, Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS), Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SES-AP), Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), Secretaria Municipal de Saúde de Araguari, Secretaria Municipal da Saúde de Manaus (SMS-Manaus), Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS-MS), SindHosp, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), SulAmérica, Tato Fisioterapia Inteligente, Umane, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), UNICAMP, Vencer o Câncer, Viatris, Vital Strategies, World Diabetes Foundation (WDF), World Stroke Organization (WSO).
- Projeto Plano de Ações para o Enfrentamento das DCNTs em Santa Catarina
O Plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) apresenta-se como um importante instrumento de gestão com intuito de nortear o processo de planejamento de ações, controle, monitoramento e avaliação das DCNT no Estado de Santa Catarina, num esforço coletivo para o período de 2022 a 2030. A proposta foi elaborada utilizando como referência as recomendações do Plano Nacional de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil, 2021-2030, por iniciativa da equipe da Gerência de Análises Epidemiológicas e Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GADNT), da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), que compõe a Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV) na Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES). O projeto foi elaborado com a contribuição de representantes da Diretoria de Atenção Primária à Saúde (DAPS), vinculada à Superintendência de Planejamento em Saúde (SPS), assim como representantes da Superintendência de Serviços Especializados e Regulação (SUR) e Superintendência de Hospitais Públicos Estaduais (SUH) da Secretaria de Estado da Saúde. Além disso, contribuíram para a construção deste plano a Secretaria de Estado da Educação (SED) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS). Seguindo o modelo nacional, este plano de ação para o enfrentamento das DCNTs, fundamenta-se na vigilância, análise e monitoramento dos indicadores de mortalidade, morbidade e fatores de risco, adequando-se a realidade das regiões de saúde do estado de Santa Catarina, de acordo com seu perfil epidemiológico, a fim de promover e apoiar iniciativas voltadas ao enfrentamento desses agravos, além de buscar parcerias com outros setores e áreas para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas a prevenção e promoção da saúde. O objetivo é induzir o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis, baseadas em evidências, na busca da prevenção de fatores de risco, da promoção da saúde da população e do fortalecimento dos serviços de saúde voltados às doenças crônicas. Desta forma, pretende-se reduzir a taxa de mortalidade prematura em adultos (30 a 69 anos), pelo conjunto das quatro principais DCNT: doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes e doenças respiratórias crônicas. Quadro 1 - Metas do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNTs. Santa Catarina, 2021. Execução das ações por eixos EIXO I - Promoção da saúde - Resulta da interação de fatores sociais, econômicos, culturais e políticos, que produzem, com sujeito e coletivos, as condições objetivas de vida nos diversos contextos sociais, favoráveis ou não à saúde. A principal estratégia da promoção da saúde é a construção de capacidades de indivíduos e coletivos para maior participação e controle dos processos que incidem diretamente em suas vidas, como decisões políticas. A promoção da saúde está diretamente ligada ao enfrentamento dos determinantes sociais da saúde. EIXO II - Atenção integral à saúde - Conjunto de ações que engloba promoção da saúde, prevenção de doenças e assistência à saúde em todos os níveis de complexidade, considerando as dimensões biológica, social e cultural dos sujeitos. EIXO III - Vigilância em Saúde - Conjunto de práticas contínuas e articuladas voltadas para o conhecimento, a previsão, a prevenção e o enfrentamento de problemas de saúde da população de um território determinado relativos a fatores de risco, atuais e potenciais, a acidentes, a incapacidades, a doenças e a agravos à saúde. Inclui, além da vigilância epidemiológica de doenças não transmissíveis e promoção da saúde, a vigilância em saúde ambiental, a vigilância da saúde do trabalhador e a vigilância das situações de saúde. EIXO IV - Prevenção de doenças e agravos - Compreende ações conjuntas entre vigilância e atenção à saúde com o objetivo de estruturar rede de proteção e cuidado com componentes de produção e uso de informações sociais e em saúde; ações antecipadas frente aos fatores de risco das doenças; ações intersetoriais que pactuem intervenções estruturantes nas cidades e no campo e lançamento de acordos regulatórios que incidam nos fatores de risco. Resultados e planos futuros No quadro 2 apresenta-se o cronograma que tem como objetivo organizar as ações da Gerência das Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GDANT) da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) da Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina (SES) para o ano de 2022. Quadro 2 - Cronograma de ações do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNTs. Santa Catarina, 2022. *O Programa Gente Catarina, do Governo do Estado de Santa Catarina, tem como objetivo principal melhorar a vida das pessoas por meio da elevação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas 61 cidades que estão abaixo da média do Estado. Busca integrar ações já em execução no território catarinense, como programas de transferência de renda, de combate à mortalidade infantil e por DCNT. Membros da equipe que lideram o projeto: João Augusto Brancher Fuck - DIRETOR DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA (DIVE) Aline Piaceski Arceno - GERENTE DE ANÁLISES EPIDEMIOLÓGICAS E DOENÇAS E AGRAVOS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DIVE) Franciele Budziareck das Neves - RESPONSÁVEL TÉCNICA PELAS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DIVE) Saiba Mais: Organograma https://www.dive.sc.gov.br/phocadownload/DIVE/fluxograma-dive.pdf Gerência de Análises Epidemiológicas e Doenças e Agravos Não Transmissíveis - GADNT https://dive.sc.gov.br/index.php/gerencia-de-analises-epidemiologicas-e-doencas-e-agravos-nao-transmissiveis-gadnt Plano de ações https://dive.sc.gov.br/index.php/component/phocadownload/category/32-doencas-cronicas-nao-transmissiveis?download=1098:plano-de-acoes-estrategicas-para-o-enfrentamento-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-dcnt-no-estado-de-santa-catarina Boletim Epidemiológico das DCNTs no Estado de Santa Catarina https://dive.sc.gov.br/index.php/component/phocadownload/category/62-boletim-barriga-verde?download=1400:boletim-epidemiologico-de-doencas-cronicas-nao-transmissiveis Tabnet Estadual de Mortalidade http://200.19.223.105/cgi-bin/dh?sim/def/sim96.def Monitoramento de óbitos Programa Gente Catarina (BI) https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiYWRkMzMyOWMtNjEwNi00OTFhLThlZWEtNzEyNDk4OGU1YWNkIiwidCI6IjhkNjNlOThhLWM0MzktNDM5Yy1iYjAyLTEwOGM5ZWZiZTBjMyJ9&pageName=ReportSection
- Lançamento do livro "Noncommunicable Diseases: A Compendium"
A Taylor & Francis Group lança o livro “Noncommunicable Diseases: A Compendium" (em português "Doenças crônicas não transmissíveis: um compêndio”), que apresenta aos leitores as Condições/Doenças Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs/DCNTs) – o que são, sua carga, seus determinantes e como podem ser prevenidas e controladas. A obra foi editada por Nick Banatvala e Pascal Bovet. Com foco em doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas e seus cinco principais fatores de risco compartilhados (uso de tabaco, uso nocivo de álcool, dieta pouco saudável, sedentarismo e poluição do ar), o livro fornece uma sinopse de um dos maiores desafios mundiais do século XXI. As CCNTs ceifam prematuramente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo todos os anos, com sofrimento incalculável para centenas de milhões, prendendo muitas pessoas na pobreza e reduzindo o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável. Embora os recursos entre e dentro dos países variem amplamente, os princípios fundamentais de vigilância, prevenção e gestão se aplicam a todos os países, assim como a necessidade de concentrar recursos nas intervenções mais custo-efetivas e acessíveis e a necessidade de forte vontade política, recursos suficientes, e parcerias sustentadas e amplas. Este compêndio consiste em 59 capítulos curtos e acessíveis em seis seções: Descrevendo e medindo a carga e o impacto das DCNTs; Carga, epidemiologia e intervenções prioritárias para DCNTs individuais; Determinantes sociais e fatores de risco para DCNTs e intervenções prioritárias; Política global; Questões transversais; Ação das partes interessadas. Baseando-se na experiência de uma grande e diversificada equipe de especialistas acadêmicos e políticos de renome internacional, o livro descreve as principais características epidemiológicas das CCNTs e intervenções baseadas em evidências de maneira concisa, que será útil para formuladores de políticas em todas as partes da sociedade, bem como para a saúde pública e profissionais clínicos. Acesse o livro online aqui. Fonte: Taylor & Francis Group
- Mais de 15 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar severa no Brasil
A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o Relatório Panorama Regional de Segurança Alimentar e Nutricional – América Latina e Caribe 2022 para apresentar uma atualização sobre a situação da segurança alimentar e nutricional na América Latina e no Caribe, incluindo também estimativas atualizadas sobre o custo e acessibilidade de uma alimentação saudável, mas o fato é que 131,3 milhões de pessoas na região não tem condições de arcar com esses custos. O número corresponde a última pesquisa feita pelas Nações Unidas em 2020, na qual é possível observar o aumento de 6,5% (oito milhões de pessoas), com relação ao balanço realizado em 2019. Esse novo relatório também apresenta números alarmantes. Na América Latina e Caribe, 22,5% da população não tem acesso a uma alimentação saudável. No Caribe, este número atinge 52%, enquanto na Mesoamérica (região da América Central) 27,8%, e na América do Sul 18,4%. A OPAS também destaca que o número de pessoas com fome na região segue aumentando. Apenas entre 2019 e 2021 o aumento foi de 13,2 milhões de pessoas nessa situação, o que resulta em atuais 56,5 milhões de vidas. A América do Sul é a mais atingida com 11 milhões de pessoas. Em 2021, 40,6% da população regional passou por uma insegurança alimentar moderada ou grave, em comparação com 29,3% no mundo inteiro. No Brasil os números não são favoráveis. A taxa de desnutrição aumentou com relação aos três últimos relatórios: era <2,5% em 2017-2019; subiu para 2,6% em 2018-2020 e; 4,1% em 2019-2021. A escala mais preocupante é da insegurança alimentar severa, que marcou 1,6% em 2017-2019; mais que dobrou para 3,5% em 2018-2020 e; 7,3% em 2019-2021, um aumento de 108% que resulta em 15,4 milhões de pessoas nessa situação no país. O ponto positivo fica pela baixa prevalência da desnutrição crônica em crianças menores de cinco anos de idade. Em 2020 este número era de 11,3% na América Latina e no Caribe, aproximadamente dez pontos percentuais abaixo da média mundial. Entretanto, 3,9 milhões de crianças de até cinco anos de idade estão acima do peso. O relatório examina o complexo cenário econômico e social da região e seu impacto sobre o custo da alimentação saudável, incluindo as associações entre inacessibilidade de alimentos saudáveis e indicadores socioeconômicos e nutricionais. Além disso, esta edição do Panorama Regional apresenta uma análise de algumas políticas alimentares e agrícolas que estão sendo implementadas na região e que têm potencial para apoiar o acesso a uma alimentação saudável, bem como os fatores e dinâmicas através das quais atuam. Acesse o Relatório completo aqui. Fonte: OPAS
- OMS prorroga chamada para Grupo Consultivo sobre Políticas de Preços de Medicamentos - Até 13/03
A Organização Mundial da Saúde (OMS) prorroga a busca especialistas para atuar como membros do Grupo Técnico Consultivo (TAG) sobre Políticas de Preços de Medicamentos. Divulgada pelo FórumDCNTs em outubro de 2022, a extensão do prazo é visto como nova oportunidade para as partes interessadas. A chamada pública estará aberta até o dia 13 de março de 2023. Esta convocação de especialistas leva em conta a necessidade de diversas perspectivas dos Estados Membros, especialmente de países de baixa e média renda, e para o equilíbrio de gênero, além de fornecer informações sobre o grupo consultivo em questão, os perfis de especialistas procurados, o processo de manifestação de interesse e o processo de seleção. Quem já submeteu uma candidatura nessa chamada, não tem a necessidade de voltar a candidatar-se. O Grupo Técnico Consultivo sobre Políticas de Preços para Medicamentos será multidisciplinar, com até 20 membros selecionados que possuam uma gama de conhecimentos técnicos, habilidades e experiências relevantes sobre preços e acessibilidade de medicamentos. São esperados profissionais de saúde, acadêmicos e representantes da sociedade civil com conhecimento em qualquer uma das seguintes áreas: Normas, padrões, diretrizes técnicas e recomendações estratégicas sobre valor de medicamentos; Economia da saúde, financiamento, precificação e avaliação de tecnologia em saúde; Aquisição, reembolso e propriedade intelectual de medicamentos; Estratégias para fortalecer as políticas de preços de medicamentos; Ética e justiça no acesso/acessibilidade de medicamentos essenciais. Os profissionais que desejam participar do TAG de Políticas de Preços de Medicamentos, devem enviar os documentos listados abaixo até o dia 13 de março de 2022 para fairpricing@who.int, usando a linha de assunto “Expressão de interesse para o Grupo Técnico Consultivo sobre Políticas de Preços de Medicamentos”: Uma carta de apresentação, indicando a sua motivação para se candidatar e como satisfaz os critérios de seleção. (Observe que, se selecionado, a associação será em caráter pessoal. Portanto, não use papel timbrado ou outra identificação de seu empregador); Seu currículo; Um formulário de Declaração de Interesse (DOI) assinado e preenchido para especialistas da OMS, disponível no site de declaração de interesses da OMS. (Clique aqui) Após o envio, a manifestação de interesse será analisada pela OMS. Para mais informações, clique aqui. Fonte: Organização Mundial da Saúde
- Nova Iniciativa Global do Câncer de Mama é lançada pela OMS
Organização Mundial da Saúde detalha nova Estrutura da Iniciativa Global do Câncer de Mama com meta de salvar 2,5 milhões de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma nova Estrutura da Iniciativa Global do Câncer de Mama, fornecendo um roteiro para atingir a meta de salvar 2,5 milhões de vidas de câncer de mama até 2040. O material recomenda aos países a implementar os três pilares da promoção da saúde para detecção precoce, diagnóstico oportuno e tratamento abrangente do câncer de mama para atingir as metas. Existem mais de 2,3 milhões de casos de câncer de mama que ocorrem a cada ano, o que o torna o câncer mais comum entre os adultos. Em 95% dos países, o câncer de mama é a primeira ou a segunda causa principal de mortes por câncer em mulheres. No entanto, a sobrevivência do câncer de mama é amplamente desigual entre e dentro dos países; quase 80% das mortes por câncer de mama e cervical ocorrem em países de baixa e média renda. O câncer em mulheres, incluindo o câncer de mama, deixa um impacto devastador para a próxima geração. Um estudo publicado em 2020 pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, sugere que, com cerca de 4,4 milhões de mulheres morrendo de câncer em 2020, quase 1 milhão de crianças ficaram órfãs devido ao câncer, sendo 25% devido ao câncer de mama. As crianças que perdem suas mães para o câncer experimentam desvantagens de saúde e educação ao longo de suas vidas, desencadeando perturbações sociais crônicas geracionais e prejuízos financeiros em muitos casos. A estrutura recém-publicada aproveita estratégias comprovadas para projetar sistemas de saúde específicos para cada país, e adequados aos recursos para a prestação de cuidados de câncer de mama em ambientes de baixa e média renda. Ele descreve três pilares de ação com indicadores-chave de desempenho específicos: Recomendar aos países que se concentrem em programas de detecção precoce do câncer de mama, para que pelo menos 60% dos cânceres de mama sejam diagnosticados e tratados como doença em estágio inicial; Diagnosticar o câncer de mama dentro de 60 dias após a apresentação inicial pode melhorar os resultados do câncer de mama. O tratamento deve começar três meses após a primeira apresentação; Gerenciar o câncer de mama para que pelo menos 80% das pessoas completem o tratamento recomendado. Acelerar a implementação da Iniciativa Global de Câncer de Mama da OMS tem o potencial de evitar não apenas milhões de mortes por câncer, mas também as consequências intergeracionais associadas a essas mortes. Acesse aqui a nova Estrutura da Iniciativa Global do Câncer de Mama completa. Fonte: Organização Mundial da Saúde
- OPAS divulga Manual Promovendo o Bem-Estar e a Saúde Mental nas Escolas
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apresenta o novo Manual Promovendo o Bem-Estar e a Saúde Mental nas escolas. Este material tem como público-alvo educadores, para orientá-los sobre a promoção da saúde mental nos ambientes educacionais. O documento apresenta números preocupantes sobre saúde mental, e que motivaram a criação do manual. Segundo a OPAS, 1 a cada 300 pessoas com depressão tem o tratamento adequado países de alta renda; nos países de baixa renda essa proporção é de 1 para 5.000 pessoas. Além disso, 50% dos problemas de saúde mental começam na infância e atualmente é estimado que 970 milhões de pessoas têm uma condição de saúde mental. Conheça o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). O manual lançado é dividido em cinco capítulos que definem a rota dos temas abordados: O que é saúde mental? A importância do bem-estar e da saúde mental na escola Compreensão do desenvolvimento infantil Influências no desenvolvimento infantil Principais transtornos emocionais e comportamentais O manual visa fornecer treinamento para professores, administradores e pessoas envolvidas na educação de crianças do ensino fundamental sobre a implementação da alfabetização em saúde mental na rotina escolar. Esses conhecimentos, habilidades e atitudes equiparão todos os níveis de educadores com ferramentas essenciais para apoiar a saúde mental dos alunos, administrar o comportamento difícil em sala de aula e promover o bem-estar e o sucesso acadêmico dos alunos. Acesse o manual na íntegra. Clique aqui. Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde












