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  • OMS declara ser possível eliminar HPV

    O câncer do colo do útero é evitável e curável, desde que seja detectado precocemente e tratado de forma eficaz. No entanto, é a quarta forma de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo, com a doença ceifando a vida de mais de 300.000 mulheres em 2018. Poucas doenças refletem tanto as desigualdades globais quanto o câncer do colo do útero. Quase 90% das mortes em 2018 ocorreram em países de baixa e média renda. É aí que a carga do câncer do colo do útero é maior, porque o acesso aos serviços públicos de saúde é limitado e o rastreamento e o tratamento da doença não foram amplamente implementados. Uma estratégia ambiciosa, concertada e inclusiva foi desenvolvida para orientar a eliminação do câncer do colo do útero como um problema de saúde pública. Em maio de 2018, o Diretor-Geral da OMS anunciou um apelo global à ação para eliminar o câncer do colo do útero, ressaltando a vontade política renovada de tornar a eliminação uma realidade e convocando todas as partes interessadas a se unirem em torno desse objetivo comum. Em agosto de 2020, a Assembleia Mundial da Saúde adotou a Estratégia Global para a eliminação do câncer do colo do útero. Para eliminar o câncer do colo do útero, todos os países devem atingir e manter uma taxa de incidência abaixo de quatro por 100.000 mulheres. Atingir esse objetivo baseia-se em três pilares principais e suas metas correspondentes: Vacinação: 90% das meninas totalmente vacinadas com a vacina contra o HPV até os 15 anos; Triagem: 70% das mulheres rastreadas usando um teste de alto desempenho aos 35 anos e novamente aos 45 anos; Tratamento: 90% das mulheres com pré-câncer tratadas e 90% das mulheres com câncer invasivo tratadas. Cada país deve cumprir as metas até 2030 para entrar no caminho da eliminação do câncer do colo do útero no próximo século. Fonte: https://www.who.int/initiatives/cervical-cancer-elimination-initiative

  • OMS alerta que o mundo não está progredindo em DCNTs

    A cobertura universal de saúde (CUS) é uma meta prioritária para muitos países e uma das metas de três bilhões de pessoas da OMS para melhorar a saúde de bilhões de pessoas até 2023. A CUS significa que todos recebem serviços de saúde de qualidade, quando e onde precisam, sem incorrer em dificuldades financeiras. Antes do ataque do COVID-19, o mundo estava muito aquém de atingir a meta 3.8 dos ODS. A OMS publicou recentemente seu relatório de monitoramento global sobre rastreamento de cobertura universal de saúde para 2021. O relatório usa 14 indicadores de cobertura de serviços de saúde reprodutiva, materna, neonatal e infantil (RMNCH); doenças infecciosas; DCNTs; e capacidade de serviço e acesso. Esses indicadores são indicativos da cobertura do serviço, em vez de uma lista completa ou exaustiva dos serviços ou intervenções necessárias para alcançar a cobertura universal de saúde. O relatório mostra que: Embora a cobertura do serviço tenha melhorado nos últimos 20 anos, a proporção de pessoas que enfrentam dificuldades financeiras devido a gastos diretos com saúde aumentou; A pandemia de COVID-19 provavelmente interromperá o progresso feito em direção à cobertura universal de saúde, principalmente entre as populações desfavorecidas; Mesmo antes da pandemia, o mundo ainda estava com 730 milhões de pessoas aquém da meta da OMS de mais de um bilhão de pessoas se beneficiando da cobertura universal de saúde até 2023 - agora estima-se que esse déficit esteja entre 800 e 840 milhões; O progresso nas DCNTs está acontecendo mais lentamente do que nas doenças infecciosas ou RMNCH; Os dados primários estavam disponíveis apenas para 42% dos indicadores de DCNT em nível global - pior do que qualquer outro indicador - com a coleta de dados mais pobre em países de renda mais baixa. Veja o relatório completo. Fonte: https://www.who.int/publications/i/item/9789240040618

  • NCD Alliance publica Agenda Global para Resiliência e Recuperação do COVID-19

    A NCD Alliance desenvolveu esta Agenda Global para Resiliência e Recuperação do COVID-19 com o objetivo de alcançar os formuladores de políticas que buscam uma reconstrução mais justa. A pandemia está longe de terminar e as respostas até o momento foram inadequadas, revelando falhas na solidariedade internacional e exacerbando as desigualdades. No entanto, a resposta à pandemia oferece uma oportunidade de aprender lições e garantir que inovações, recursos e tecnologias mobilizados também possam ter um impacto transformador para lidar com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) - que anualmente são responsáveis por mais de 40 milhões de óbitos e levar cerca de 100 milhões de pessoas à pobreza. A ação e o investimento em DCNTs devem ser vistos como fundamentais para a resiliência, segurança, equidade e estabilidade econômica. Esta Agenda Global de DCNTs para Resiliência e Recuperação do COVID-19 descreve soluções de ganho mútuo para garantir que todos os países possam se recuperar mais fortes e adotar um futuro mais seguro e saudável. As recomendações destinam-se a apoiar líderes e tomadores de decisão a intensificar ações e investimentos equitativos e econômicos para fortalecer a saúde da população e construir sistemas de saúde mais resilientes. Isso inclui tomadores de decisão em governos nacionais, em todos os ministérios e departamentos, liderança de serviços públicos, incluindo sistemas de saúde, força de trabalho em saúde, instituições internacionais, sociedade civil, instituições de pesquisa, filantropia e o setor privado trabalhando para melhorar a saúde e o desenvolvimento sustentável. A Agenda conta com 12 recomendações que estão agrupadas em três pilares: Pilar 1 - Governança: Redefinir prioridades e poder e medir o que importa Incluir DCNTs nos planos de resposta, recuperação e preparação para a COVID-19 Envolver a comunidade na tomada de decisões Repensar o caso de investimento para DCNTs, valorizando a segurança e o patrimônio Redefinir como a segurança sanitária e a preparação para pandemias são medidas Corrigir conflitos de interesse e desequilíbrios de poder Pilar 2 - Prevenção: Priorizar a saúde como caminho para a preparação Aposte na prevenção Combater as desigualdades através de uma melhor proteção social Pilar 3 - Sistemas de saúde: mais justos e aptos para o futuro Integrar serviços de DCNT na resposta à pandemia e após Fortalecer os serviços de saúde e os cuidados primários a nível comunitário Ancorar inovações em dados e implantação de tecnologias digitais Resolver gargalos nas cadeias de suprimentos Facilitar e apoiar a produção local de medicamentos essenciais para as DCNTs Acesse o documento na íntegra.

  • World Heart Federation publica material sobre Impacto do Consumo de Álcool na Saúde Cardiovascular

    Intitulado "O Impacto do Consumo de Álcool na Saúde Cardiovascular: Mitos e Medidas", o resumo desafia a noção generalizada de que o consumo de quantidades moderadas de álcool pode diminuir o risco de doenças cardíacas e pede ações urgentes e decisivas para combater o aumento sem precedentes das mortes e invalidez em todo o mundo causado pelo álcool. Em 2019, mais de 2,4 milhões de pessoas morreram por causa do álcool, representando 4,3% de todas as mortes no mundo e foi responsável 12,6% das mortes em homens de 15 a 49 anos. O álcool é uma substância psicoativa e nociva que pode causar danos significativos ao corpo humano. Seu consumo é um importante fator de risco evitável para doenças crônicas não transmissíveis, incluindo doenças cardiovasculares, doenças digestivas e lesões intencionais e não intencionais, e para várias doenças infecciosas. Estudos mostraram que mesmo pequenas quantidades de álcool podem aumentar o risco de doença cardiovascular de uma pessoa, incluindo doença coronariana, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, doença cardíaca hipertensiva, cardiomiopatia, fibrilação atrial e aneurisma. Os estudos que afirmam o contrário são amplamente baseados em pesquisas puramente observacionais, que não levam em conta outros fatores, como condições pré-existentes e histórico de alcoolismo naqueles considerados “abstinentes”. Até o momento, nenhuma correlação confiável foi encontrada entre o consumo moderado de álcool e um menor risco de doença cardíaca. O WHF Policy Brief resume as evidências disponíveis sobre os impactos negativos do uso de álcool na saúde, explica o debate “danos versus benefícios” do álcool e apresenta recomendações para indivíduos e formuladores de políticas para ajudar a combater o impacto mortal do álcool globalmente. Acesse o documento "O Impacto do Consumo de Álcool na Saúde Cardiovascular: Mitos e Medidas".

  • Premiação da OMS do Dia Mundial Sem Tabaco - inscrições até 11/03/2022

    Todos os anos, em 31 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e seus parceiros celebram o Dia Mundial sem Tabaco (WNTD). A campanha anual é uma oportunidade para aumentar a conscientização sobre os malefícios do tabaco e desencorajar o uso do tabaco em qualquer forma. Em 2022, o tema da campanha será “Tabaco: Ameaça ao Nosso Meio Ambiente”. Tenciona-se aumentar a conscientização pública sobre o impacto ambiental do tabaco, desde o cultivo, passando pela produção, a distribuição e os resíduos, o que pode promover uma razão adicional ao abandono do tabaco. Concomitante à celebração da data, todos os anos, a Organização abre chamada pública para que indivíduos ou organizações em cada uma das seis regiões da OMS sejam premiados e reconhecidos por suas realizações na área de controle do tabaco. Em anos recentes, o Brasil esteve presente, quando em 2020 o Dr. Drauzio Varella recebeu o prêmio, assim como em 2021, quando a Dra. Tânia Cavalcante foi agraciada com a premiação. O período de nomeações ao referido prêmio estão abertas até 11 de março de 2022. No total, haverá um máximo de seis prêmios WNTD por região da OMS, incluindo até dois potenciais vencedores que receberão reconhecimento especial por meio do Prêmio de Reconhecimento Especial do Diretor-Geral da OMS. Os vencedores serão anunciados pela sede da OMS no site da Iniciativa Livre do Tabaco da OMS na semana anterior a 31 de maio. Para mais detalhes e instruções sobre como enviar indicações, visite o seguinte site: https://www.who.int/news-room/articles-detail/world-no-tobacco-day-2022-awards Em breve, a página do Dia Mundial sem Tabaco 2022 também estará disponível na página Controle do Tabaco no site da OPAS.

  • Estudos da OCDE sobre os Sistemas de Saúde: Brasil 2021

    Nos 30 anos desde o início do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil reduziu as desigualdades em saúde e melhorou a cobertura e o acesso à saúde. No entanto, mobilizar financiamento suficiente para o mandato de cobertura universal de saúde do SUS tem sido um desafio constante, não ajudado por ineficiências persistentes no uso de recursos no sistema de saúde brasileiro. Mudanças demográficas e epidemiológicas, expectativas crescentes da sociedade e as necessidades emergentes de um período de recuperação pós-COVID-19 significam que são necessários ajustes e reformas contínuos para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde. Esta revisão usa indicadores e estruturas políticas reconhecidas internacionalmente para examinar o desempenho do sistema de saúde brasileiro. O relatório aponta as principais ações que o Brasil deve considerar priorizar nos próximos anos para fortalecer o desempenho do sistema de saúde, especialmente melhorando a eficiência e a sustentabilidade do financiamento, atualizando sua infraestrutura de dados de saúde para alavancar uma transformação digital e abordando os principais fatores de risco da população, como excesso de peso e consumo nocivo de álcool. Destaques do relatório: O Brasil dedicou uma menor parcela de seu orçamento público para a saúde (10,5%) do que a maioria dos países da OCDE em 2019, ficando bem abaixo da média de 15,3%. Projeta-se que os gastos em saúde no Brasil aumentarão para 12,6% do PIB em 2040 (comparado a 9,6% em 2019). Os gastos poderiam ser mais eficientes em áreas como atenção primária à saúde, cuidados hospitalares, produtos farmacêuticos, cuidados a longo prazo e gestão. Estima-se que 21.9% da população brasileira terá 65 anos ou mais em 2050, comparado a 8.9% em 2017. O Brasil precisa antecipar-se às necessidades futuras de cuidados longa duração de uma população que passa por um processo de envelhecimento. O Brasil deveria fazer um melhor uso dos dados em saúde e acompanhar a trajetória clínica dos pacientes para monitorar regularmente a qualidade e performance dos serviços de saúde. No Brasil, 90% dos gastos com produtos farmacêuticos são financiados por desembolsos diretos das famílias. O acesso insuficiente a medicamentos essenciais afeta de maneira desproporcional a população mais pobre e desfavorecida. Melhores estratégias de prevenção e saúde pública são urgentemente necessárias, em especial para lidar com o aumento do sobrepeso e uso abusivo de álcool nos últimos anos: - O consumo excessivo de álcool dentre os adultos quase triplicou em seis anos, indo de 5,9% em 2013 para 17,1% em 2019 - A taxa de sobrepeso aumentou em 12,5% entre 2006 e 2016, a quarta maior taxa de crescimento, apenas atrás da Costa Rica, Japão e Coréia. Acesse o relatório completo aqui.

  • CONITEC abre Consulta Pública sobre AVC - Participe até 19/1/2022

    O FórumDCNTs estimula todos os seus membros e demais interessados nos temas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e acidente vascular cerebral (AVC) a se manifestarem na Consulta Pública 110, aberta pela CONITEC, para o recebimento de contribuições até o dia 19/1/2022. Abaixo seguem os comentários já submetidos pelo FórumDCNTs, revisados com auxílio da Dra. Sheila Martins (presidente da Rede Brasil AVC e da World Stroke Organization – WSO), para que possam eventualmente auxiliar outras manifestações. Pedimos que o texto abaixo não seja copiado, a fim de que cada submissão seja considerada legítima. O Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil (FórumDCNTs), iniciativa inter e multi setorial e multi stakeholder, fundada em 2017, através da parceria entre as principais instituições não governamentais, empresas da área da saúde, universidades, órgãos do governo e multilaterais, com a finalidade de identificar prioridades sobre as diferentes doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e seus fatores de risco, assim como facilitar colaborações para a implementação, sustentabilidade e escala de estratégias custo-efetivas e políticas de saúde para enfrentá-las, vem respeitosamente parabenizar a iniciativa de atualização do PCDT de AVCi Agudo, melhorando a tomada de decisão dos gestores e profissionais da saúde no sistema público de saúde no Brasil. Após a leitura, gostaríamos de acrescentar algumas sugestões referentes ao fluxograma de tratamento apresentado e considerações nos itens de monitoramento e gestão e controle: 6.4. Fluxograma de tratamento do paciente com suspeita de AVCi agudo Verificar figura 1, na página 20 e figura 1 da página 21. Os quadros “AQUISIÇÃO DE NEUROIMAGEM” divergem entre si dificultando a compreensão da necessidade ou não do contraste na TC. Aparentemente apenas a primeira figura está correta e, com isso, será importante retirar a figura da página 21. 7. Monitoramento. Faz-se importante lembrar da alta frequência da disfagia e sua relevância na morbi-mortalidade nas pessoas acometidas pelo AVC, que pode ser transitória ou permanente. Esta não está contemplada neste protocolo e é fundamental que seja incluída. A necessidade do diagnóstico precoce e medidas assertivas para evitar bronco-aspiração são imprescindíveis para o melhor prognóstico, principalmente no tempo de hospitalização e qualidade de vida. Assim, apesar do screenning, e de a disartria estar presente na “VERSÃO E ADAPTAÇÃO AO PORTUGUÊS DA NIH STROKE SCALE UTILIZADA EM ESTUDO DE CONFIABILIDADE NO BRASIL”, citado como referência de apoio a este protocolo, e que um índice acima de 10 está relacionado com um maior risco para disfagia, sugerimos consulta e citação à recente publicação da European Stroke Organisation and European Society for Swallowing Disorders guideline for the diagnosis and treatment of post-stroke dysphagia; European Stroke Journal 2021 6:3, LXXXIX-CXV para o alerta e medidas terapêuticas mais assertivas para esta grave condição. 8. GESTÃO E CONTROLE. Consideramos muito importante que o gestor e os profissionais da saúde, responsáveis pelo atendimento das pessoas com suspeita de AVCi agudo, estejam em constante aprimoramento para que o atendimento seja assertivo e em tempo hábil para a reversão do quadro agudo e melhor prognóstico. A qualidade do protocolo apresentado é muito evidente. Enfatizaríamos, ainda, a empatia para com a pessoa e seus familiares, fundamentais para a obtenção de informações cruciais no diagnóstico clínico desta condição. Colocamo-nos à vossa inteira disposição para outras contribuições e esclarecimentos. Respeitosamente, Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil

  • Call of Projects da AMGEN - Inscrições até 31/01/2022

    O Call of Projects é uma iniciativa da Amgen Biotecnologia do Brasil Ltda. com o objetivo de identificar, apoiar e estimular o desenvolvimento de projetos realizados por associações que atuem em áreas terapêuticas convergentes com o portfólio da Amgen e em prol da melhoria na jornada de pessoas que vivem com uma condição crônica. O edital busca estabelecer entre a Amgen e as Associações, um processo padronizado e transparente de recebimento, avaliação e aprovação de projetos por meio de ética, respeito, transparência e benefício à pessoa que vive com uma DCNT. Áreas terapêuticas da Amgen: Cardiologia - Colesterol alto, hipercolesterolemia familiar e doenças cardiovasculares gerais; Oncologia - Câncer colorretal metastático, Câncer de Mama Metastático, Câncer de pulmão, Câncer de próstata, Câncer gástrico; Hematologia - Mieloma Múltiplo, Leucemia Linfóide Aguda; Reumatologia - Artrite Reumatóide, Artrite Psoriásica, Espondilite Anquilosante, Doença de Crohn, Colite Ulcerativa, Psoríase, Artrite Idiopática e Osteoporose. As propostas a serem apoiadas devem ter prazo máximo de execução estabelecido em 12 meses. Periodicamente durante a execução do projeto, a associação deverá enviar por meio da plataforma, relatórios técnicos e financeiros que demonstrem a aplicação dos valores recebidos e resultados alcançados com o projeto. As associações interessadas podem submeter até 5 projetos e as inscrições está abertas até o dia 31/01/2022. Acesse o edital completo aqui.

  • Depressão e pensamentos suicidas aumentam em profissionais de saúde na América Latina

    Os profissionais de saúde de onze países latino-americanos apresentam altas taxas de sintomas depressivos, pensamentos suicidas e sofrimento psíquico, de acordo com os resultados de um estudo liderado pelas universidades do Chile e da Colômbia, com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O relatório The COVID-19 Health care wOrkErs Study (HEROES) mostra que entre 14,7% e 22% dos profissionais de saúde entrevistados em 2020 apresentaram sintomas que permitiram suspeitar de um episódio depressivo, enquanto entre 5 e 15% disseram que pensavam em cometer suicídio. O estudo também mostra que, em alguns países, apenas cerca de um terço dos que disseram precisar receberam atendimento psicológico. "A pandemia evidenciou o desgaste dos profissionais de saúde e, em países onde o sistema de saúde entrou em colapso, os profissionais sofreram com horas extenuantes e dilemas éticos que impactaram sua saúde mental", disse Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS. “A pandemia não acabou. É essencial cuidar de quem cuida de nós”, frisou. HEROES consistiu em entrevistas com 14.502 trabalhadores de saúde da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Peru, Porto Rico, Venezuela e Uruguai, e contou com a participação de acadêmicos e pesquisadores de dezenas de instituições desses países. A necessidade de apoio emocional e financeiro, preocupação em contagiar familiares, conflitos com familiares de pessoas infectadas e mudanças nas funções normais de trabalho foram alguns dos principais fatores que afetaram a saúde mental da equipe. Por outro lado, confiar que a instituição de saúde e o governo conseguiriam lidar com a pandemia, ter o apoio dos colegas de trabalho e se considerar uma pessoa espiritual ou religiosa foram citados como alguns dos fatores que ajudaram a proteger sua saúde mental. “A pandemia aumentou o estresse, a ansiedade e a depressão dos profissionais de saúde e revelou que os países não desenvolveram políticas específicas para proteger sua saúde mental. Há uma dívida de saúde que deve ser paga”, disse Rubén Alvarado, acadêmico do programa de saúde mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile e um dos principais pesquisadores do estudo. O relatório ressalta que é urgente desenvolver políticas específicas para organizar ações que protejam a saúde mental desses trabalhadores. Nesse sentido, recomenda modificar o ambiente de trabalho e garantir condições de trabalho adequadas. Além disso, conceder remuneração digna, condições contratuais estáveis ​​e criar espaços onde as equipes possam conversar, desabafar e realizar práticas de autocuidado. Da mesma forma, o documento pede apoio aos profissionais de saúde para o cuidado de seus filhos e idosos sob seus cuidados, já que a maioria são mulheres e cuidadores. Recomenda também colocar em prática as diretrizes para proteger a saúde mental do pessoal dos centros de saúde e tornar os serviços de saúde mental acessíveis a esses trabalhadores. “Após dois anos de pandemia, muitos trabalhadores ainda não recebem o apoio de que precisam e isso pode levá-los a desenvolver diferentes transtornos mentais nos próximos anos, algo para o qual temos que estar preparados”, alertou Ezra Susser, da Universidade de Columbia. e outro dos principais investigadores do relatório. Acesse também: Curso virtual de autocuidado para pessoal de resposta a emergências de primeira linha. Saúde Mental Agora - Depoimentos de Profissionais de Saúde Campanha Saúde Mental Agora: compartilhe sua história!

  • Diabetes: Necessidade Urgente de Melhorar Gestão e Resultados - Cobertura do evento do dia 23/8/2021

    Na última segunda-feira (23/8), o FórumDCNTs realizou o evento interativo "Diabetes: Necessidade Urgente de Melhorar Gestão e Resultados". O evento teve por objetivo a) identificar barreiras que, mesmo após 100 anos de descoberta da insulina e disponibilidade no SUS, impedem melhoria dos resultados no país; b) alinhar saúde pública e suplementar a movimentos globais de acesso aos cuidados de qualidade, com a participação da sociedade civil, para melhoria significativa dos indicadores e c) Engajar diferentes stakeholders para implementação de programas e políticas de saúde com potencial de reduzir o risco de diabetes e de suas custosas complicações (confira a agenda completa e a gravação de todos os trechos aqui). Participaram do evento líderes da World Diabetes Foundation (WDF), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), da ADJ Diabetes Brasil, do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da empresa Novo Nordisk. Na abertura o Dr. Mark Barone, fundador do FórumDCNTs, relembrou que há 100 anos a insulina foi descoberta, mudando a perspectiva de vida de pessoas que têm diabetes. Atualmente 100 milhões de pessoas são beneficiadas com a insulina, porém metade das pessoas que necessitam de insulina no mundo, tem acesso parcial ou nenhum acesso. Relatou, ainda, a participou do FórumDCNTs no lançamento do Global Diabetes Compact, que propõe ações para reduzir os riscos de desenvolver diabetes e garantir que pessoas que tem diabetes tenham acesso a cuidados de qualidade. Mostrou que o Brasil é o 5º pais em número de pessoas com diabetes, o país que mais gasta por pessoa com diabetes na América Latina e que, ainda assim, contabiliza mais de 135 mil mortes anuais por diabetes, sendo 50% delas pessoas com menos de 60 anos. Trouxe, ainda, resultados alarmantes de estudos sobre as grave complicações crônicas resultantes do diabetes fora dos alvos de cuidados, presentes em 77% de pessoas com diabetes tipo 2, e 31,4% dos jovens abaixo de 19 anos com diabetes tipo 1. Em seguida, a Sra. Simone Tcherniakovsky, diretora sênior da Novo Nordisk no Brasil, destacou o comprometimento da empresa em promover mudanças para melhorar o quadro da diabetes no mundo e apoiar a melhoria dos sistemas de saúde e iniciativas do sistema público. Destacou, especialmente, os esforços em parceria com a ADJ, ANAD/FENAD, SBD, CONASEMS e outras instituições para melhorar o fornecimento da insulina no Brasil, assim como a empresa faz em nível global. Ainda na abertura do evento, o Sr. Carlos Rotea Jr., diretor de advocacy da ADJ Diabetes Brasil, contou um pouco de sua vivência com 45 anos de diabetes tipo 1. Ressaltou também a importância das redes sociais nos dias de hoje para promover educação e mobilização em diabetes e para que a sociedade civil consiga expor seus desafios de acesso aos insumos e seja ouvida. O Sr. Bent Lautrup-Nielsen, diretor de desenvolvimento global e advocacy da World Diabetes Foundation (WDF), destacou que os países da América Latina estão em maior risco de saúde pública, com as piores projeções para os futuro, porém o Brasil tem condições para implementar, de forma efetiva, o Diabetes Global Compact por ter estruturas de saúde pública robustas como o SUS, estratégia de saúde da família e a Atenção Primária. Destacou que as relações e parcerias entre setor privado, governos, 3º setor e sociedade civil são fundamentais, visto que não há instituição ou setor que sozinho conseguirá resolver desafios tão grandes para melhorar os resultados de prevenção e cuidados com diabetes. Logo após, a Dra. Karla Melo, coordenadora do departamento de saúde pública da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), falou sobre como o envelhecimento da população e o estilo de vida estão colaborando para o aumento do diabetes tipo 2. Analisando um estudo, observou que a região Sul do Brasil tem previsão de menos novos casos de diabetes tipo 2 nos próximos 10 anos e a região Norte é a com previsão de maior aumento dos casos, refletindo a inequidade e organização do sistema de saúde e seus programas em ambas as regiões. Dra. Karla enfatizou que apenas incorporar medicamentos e insulina não basta, é preciso adquirir os insumos, melhorar a dispensação dos medicamentos e melhorar estilo de vida. Mencionou que o Brasil é o pais da América Latina com maior incidência de hipoglicemias, o que também dificulta a adesão ao tratamento. Em seguida a Sra. Kátia Audi, coordenadora de indução de qualidade setorial/COIME/GEEIQ/DIDES/ANS, enfatizou que a saúde suplementar beneficia 48 milhões de pessoas e é importante monitorar a carteira de beneficiários desde a entrada, estimulando o desenvolvimento de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças e a adoção de um modelo assistencial centrado na pessoa, de forma a garantir o acesso, a continuidade, a qualidade do cuidado e a sustentabilidade do setor, em conformidade com os produtos contratados. Enfatizou que a Atenção Primária e as Linhas de Cuidado, assim como na saúde pública, também são fundamentais para melhores resultados custo-efetivos na saúde suplementar. Sra. Izabella Brito, assessora técnica na Coordenação Geral de Prevenção de Doenças Crônicas e Controle do Tabagismo na SAPS/MS, falou sobre as ações desenvolvidas para o cuidado da pessoa com diabetes na Atenção Primária à Saúde. Segundo dados da APS, 12,3 milhões de pessoas vivem com diabetes no Brasil porém somente 3,4 milhões de pessoas estão cadastradas na APS. As ações imediatas que a APS foram: a criação de linhas de cuidado, manual de boas práticas (voltado para gestores e equipes de saúde), estratégias para o suporte das doenças crônicas não transmissíveis no contexto da pandemia, novas portarias e monitoramento de indicadores. No encerramento do evento, os painelistas responderam às perguntas da plateia e enfatizaram a importância de investir no fortalecimento da APS e melhorar a dispensação dos insumos para quem tem diabetes. Os painelistas concordaram que é preciso, com urgência, preparar a saúde pública e a saúde suplementar para a alta demanda de pessoas que vão precisar de atendimento, melhorar ações de prevenção e promoção em saúde, fortalecer parcerias multisetoriais, investir na educação em diabetes para a população e para profissionais de saúde, e fortalecer a linha de comunicação entre SUS e sociedade civil. Todas as instituições participantes se comprometeram a colaborar para que os 100 anos de descoberta da insulina não passe sem avanços. Parceiros Institucionais: Parceiro Corporativo: Na Imprensa Agência Brasil Isto É UOL

  • Cobertura do 8° Encontro - dos lançamentos da OMS ao impacto da COVID-19 sobre as DCNTs

    O impacto das doenças crônicas no atual cenário da pandemia e lançamentos de dois materiais internacionais foram destaques do 8º encontro do FórumDCNTs As doenças crônicas são um dos principais desafios de saúde pública nos países da América, com impactos na qualidade de vida, nos serviços de atendimento e, atualmente, elevado índice de mortalidade de pessoas com essas condições quando infectadas pelo novo coronavírus. Mesa de Abertura - Comissão Consultiva do FórumDCNTs trazendo reflexões multistakeholders e multisetoriais sobre "Parcerias, Oportunidades e Riscos em 2021". A proposta do FórumDCNTs é identificar prioridades e promover parcerias entre instituições dos setores público, privado e terceiro setor para contribuir ao combate da causa de mais de 75% das mortes no Brasil. “Além de fortalecer os esforços no enfrentamento dessas doenças, o encontro abordou o importante papel das parcerias em saúde nas questões de prevenção, tratamento e controle dessas doenças, dentre elas: diabetes, hipertensão arterial, câncer, doenças vasculares, doenças respiratórias, saúde mental e obesidade”, conta o Coordenador do FórumDCNTs, Dr. Mark Barone, Doutor em Fisiologia Humana pela USP, Especialista em Educação em Diabetes. Uma das doenças com maior prevalência, o diabetes, possui, atualmente, meio bilhão de pessoas acometidas no mundo. Como o aumento na incidência dessa condição vem preocupando especialistas, o evento também foi palco do lançamento do Global Diabetes Compact no Brasil. O material, produzido pela OMS com a colaboração de especialistas de diferentes setores e países, incentiva ações que contribuem para melhorias de acesso aos tratamentos e uma reconstrução otimizada dos sistemas de saúde, levando em conta o que estamos aprendendo com as experiências da pandemia. “Empoderar pessoas com diabetes e elevar o nível de letramento e educação em saúde em populações de risco pode levar a importantes resultados para a prevenção de DCNTs e suas complicações”, analisa o especialista ao enfatizar que as ações sobre os fatores de risco ainda são limitadas e que vivemos em um ambiente descrito como obesogênico, que favorece comportamentos não saudáveis. Esse cenário revela que a população continua sob risco de desenvolver complicações devido à presença de comorbidades. Por esse motivo, o FórumDCNTs também aproveitou o encontro para lançar outro material estimulando o engajamento das pessoas com DCNTs em processos decisórios. O assunto está no relatório da OMS "Nothing for us, without us", que descreve como e por que engajar pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e alterações de saúde mental ou neurológica, para a efetividade de programas e políticas dedicadas a essas condições. Apresentação da Dra. Neda Milevska-Kostova (IAPO). Além dos especialistas da OMS, Dr. Guy Fones, e da OPAS, Dr. Anselm Hennis, participou do painel internacional a vice-presidente da Aliança Internacional das Organizações de Pacientes (IAPO), Dra. Neda Milevska-Kostova. A moderação foi conduzida pelo Sr. Pedro de Paula, diretor Brasil da Vital Strategies, organização global composta por especialistas e pesquisadores de vários campos do conhecimento que trabalham com governos e outras organizações para enfrentar alguns dos mais difíceis desafios mundiais para a saúde. Apresentação Profa. Dra. Deborah Malta. Durante o 8° encontro, muitos painelistas relataram desafios atuais associados ao fato de os grupos de pessoas com DCNTs terem mais risco de agravamento e morte por COVID-19. Além disso, a Profa. Dra. Deborah Malta (UFMG), uma das principais pesquisadoras de doenças crônicas no país, destacou aumento de comportamentos não saudáveis da população em geral, mas ainda mais pronunciado em pessoas com DCNTs, que relatam também piora de sua saúde. Com isso, os especialistas alertaram para uma potencial aceleração no aumento da prevalência de obesidade e outras DCNTs e desenvolvimento de complicações como doença renal crônica, infarto e AVC entre aqueles que já têm diabetes, hipertensão, dislipidemia e não estão conseguindo atendimento, medicamento ou manter hábitos saudáveis necessários para o manejo dessas condições. Debate multisetorial sobre "Atual ameaça ao ODS 3.4 e o papel dos setores público, privado e das parcerias". A fim de comentar as prioridades identificadas pelos GTs do FórumDCNTs, que conta com representantes da sociedade civil, academia e setor privado, tomadores de decisão do setor público também participaram ativamente dos debates e se engajaram nos planos. Entre eles, destacamos o engajamento do Deputado Federal Dr. Pedro Westphalen nos avanços da imunização de pessoas com DCNTs e nos protocolos para diagnóstico precoce e tratamento oportuno de doenças respiratórias; da Dra. Ana Patrícia de Paula, do Ministério da Saúde, para ações de conscientização, letramento e educação em saúde a fim de voltarmos aos trilhos em direção ao ODS 3.4; a Sra. Patricia Vasconcelos, também do Ministério da Saúde, comprometida a avançar nos planos de implementação do Plano Nacional de Enfrentamento das DCNTs 2021-2030, no qual o FórumDCNTs contribuiu ativamente da elaboração; e do Sr. Mauro Junqueira, que abriu as portas do CONASEMS para parcerias com os membros do FórumDCNTs, a fim de avançar nas ações através da Atenção Primária de todo o país. Painel sobre "Análise de Potencial de Enfrentamento e Parcerias por Stakeholders de Diferentes Setores". Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como o 17, que estimula parcerias para o atingimento das metas, incluindo a 3.4, de redução em 1/3 de mortes prematuras por DCNTs até 2030, foram debatidos durante o 8° encontro. Especialistas, como o Prof. Dr. Alberto Ogata (FGV) e a Dra. Zeliete Zambon (SBMFC), enfatizaram a necessidade de um pensamento mais holístico para entendermos e agirmos sobre a íntima associação entre o desafio das doenças crônicas e os determinantes sociais da saúde. Deixaram claro, assim, como declara a ONU, que os ODSs não podem ser vistos de forma isolada. Portanto avançarmos no ODS 3, sobre saúde de bem-estar - especialmente neste momento dramático de pandemia -, teremos também que investir no ODS 1 - erradicação da pobreza - e no ODS 4 - educação de qualidade -, por exemplo. Para mais informações e acesso à gravação de todos os trechos do evento, visite: https://www.forumdcnts.org/post/8-encontro-forumdcnts Fotos do evento em: https://www.forumdcnts.org/fotos-8-encontro-forumdcnts Cobertura na Imprensa: - Atlântica Editora - CBN Campo Grande (8/4/2021), entrevista - Jornal do Comércio do RS - Momento Diabetes - Nutrição Brasil - O Dia - Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Thathi TV (13/4/2021), entrevista a partir de 1'24"00''' do vídeo - TJCC: DCNTs e impactos da pandemia são discutidos no 8º Encontro do FórumDCNT

  • Gestão do Câncer no Brasil: Necessidade de Ajustes Imediatos - Cobertura do evento do dia 12/11/2021

    Na tarde da última sexta-feira (12), o FórumDCNTs promoveu o painel “Gestão do Câncer no Brasil: Necessidade de Ajustes Imediatos”. O evento teve como objetivo entender o que precisa ser melhorado para reduzir morbimortalidade por câncer; identificar estratégias com resultados concretos para prevenção e tratamento efetivo da DCNT; e planejar programas e políticas de saúde que possam reconstruir melhor os sistemas e ambientes públicos e privados para prevenir, diagnosticar e tratar neoplasias. Participaram do encontro Dr. Mark Barone, coordenador do Fórum, Sr. Antônio Silva (Roche), Sra. Nayara Landim (TJCC), Sra. Marília Albiero (ACT Promoção da Saúde), Dra. Leticia Katz (SES-PE), Dr. Augusto Mota (SBOC), Dra. Maria Braghiroli, (ICESP) e Dra. Patrícia Izetti (SAPS-MS). Na abertura do painel, Dr. Mark Barone citou os fatores de risco para o desenvolvimento de DCNTs, sobretudo o câncer. “Uma pessoa com diabetes tem risco maior de desenvolver alguns tipos de câncer”. Dentre as doenças crônicas motivadas pelas mortes precoces, o câncer representa 18,85%. Sr. Antônio Silva destacou que a preocupação da Roche, é buscar soluções para que o sistema de saúde seja mais sustentável, detectando doenças mais precocemente e permitir que o tratamento seja destinado àqueles que precisam. Já a Sra. Nayara Landim, do movimento Todos Juntos Contra o Câncer, contou que a organização está fazendo uma pesquisa com pessoas que vivem com câncer. Segundo ela, um a cada quatro pacientes ainda sofrem com os impactos da pandemia para fazer seu tratamento. O estudo também apontou a desaceleração de gastos com procedimento cirúrgico oncológico no período da pandemia. “Precisamos de soluções estruturais no sistema de saúde e ações rápidas e coordenadas para mitigar o impacto de médio prazo na oncologia”. Após a abertura, a Sra. Marília Albiero, ACT Promoção da Saúde, explicou que os 20 tipos de câncer perpassam fatores de risco, entre eles estão a obesidade, inatividade física, alcoolismo, tabagismo e má alimentação. “Tabagismo ainda é a principal causa dos novos casos de câncer no Brasil”, explica. Segundo ela, as políticas públicas contra o tabagismo foram as que mais avançaram, no entanto, a “indústria do tabaco cria novos produtos e traz impactos grandes”. Na ocasião, a Sra. Albiero fez o lançamento da nota técnica "Câncer, é possível eliminar fatores de risco". Albiero diz que é necessário ter um conjunto de políticas públicas para que os fatores de riscos sejam mitigados em nossa sociedade. Entre os exemplos que apontam a ausência de boa políticas está o fato de a comida saudável tem um valor superior que os ultraprocessados em nossa sociedade, o que se transforma em um obstáculo para estilos de vidas mais saudáveis. Já a Dra. Leticia Katz, da Secretaria Estadual da Saúde de Pernambuco, destacou a importância da atenção primária para a prevenção da detecção do câncer e o trabalho em seu estado. Ela explicou que Pernambuco fez um plano de retomada da prevenção e detecção do câncer de colo e de mama em julho de 2020. “Fazemos o rastreio organizado das mulheres cadastradas no sistema de saúde”. O trabalho da secretaria é orientar os profissionais da saúde e fornecer informações da situação das mulheres do estado, dando prioridade aos casos mais graves. Dr. Augusto Mota, SBOC, trouxe para o evento uma perspectiva jurídica sobre a temática. Segundo ele, acórdãos do TCU apontam que não houve avanços na temática oncológica. Ele destacou a importância de descentralizar o atendimento oncológico. Para ele, casos mais simples deveriam ser tratados em centros menores e os mais complexos serem encaminhados para centros maiores. A Dra. Maria Braghiroli, do ICESP, aponta que os pacientes se apresentam quando estão em estágios mais avançados do câncer e isso piorou com a pandemia, pela dificuldade ao acesso a consultas, os exames necessários para um diagnóstico complexo. Dra. Patrícia Izetti, do SAPS do Ministério da Saúde, falou como a atenção primária tem se organizado para se integrar com a especializada no diagnóstico precoce e tratamento de câncer no Brasil. Segundo ela, a aplicação de doses da vacina do HPV, que previne o câncer do colo de útero, tem sido bom mesmo durante a pandemia no país. O mesmo, porém, não se pode dizer dos exames. Patrícia disse que houve redução de 42,6% de atendimentos para rastreamento do câncer de colo de útero e 48,7% em relação ao câncer de mama. Segundo ela, o Ministério da Saúde destinou dinheiro para que os municípios promovam iniciativas para que as mulheres busquem fazer os exames de prevenção e detecção. Na última parte do encontro, os painelistas foram convidados a responderem perguntas e fazerem suas considerações finais. Questionada sobre a importância da busca por uma segunda opinião médica nos casos de câncer, Dr. Augusto Mota, afirmou ser válida essa procura, porém destacou a importância de refletir sobre o problema que se enfrenta para conseguir realizar o diagnóstico no país. “Do número estimado de biópsias para detectar câncer de próstata só 4% é feito. Como queremos pensar em lapidar e melhorar a esfera terapêutica se temos tamanho gargalo do diagnóstico?”, questionou. Dra. Leticia Katz, da SES-PE, também focou na importância do diagnóstico e do acompanhamento para oferecer um tratamento adequado às pacientes. “Se você chama a mulher, diagnostica e não trata, você estressa o sistema. Por isso é importante capacitar os médicos no tratamento das lesões”. Segundo ela, há inúmeros casos no estados de mulheres com câncer do colo de útero que não deram prosseguimento ao tratamento e que o rastreamento delas é fundamental. Já Dra. Maria Braghiroli, ICESP, lembrou que no casos de alguns câncer, o diagnóstico pode ser bastante difícil e complexo, necessitando de muitos exames e profissionais capacitados para a detecção. Ainda durante o debate, a Dra. Patrícia Izetti, representante do Ministério da Saúde, destacou a necessidade de alterar a forma de trabalho no atendimento primário. Se nesse primeiro atendimento o foco estava em não pedir exames que pareciam ser desnecessários, agora é importante treinar profissionais a pedir exames para não atrasar tratamentos dos eventuais diagnósticos de câncer. Questionada por um participante do evento sobre como a tributação no país pode contribuir para a melhoria da saúde, a Sra. Nayara Landim, do TJCC, afirmou que estamos em um momento que é preciso vigiar para não haver retrocessos. Segundo ela, há riscos de o custo de medicamentos, incluindo os oncológicos, aumentarem com a reforma tributária debatida no Congresso. Na mesma linha, a Sra. Marília Albiero, do ACT, destacou que “vivemos um mau uso das nossas escolhas fiscais”. Segundo ela, o Brasil não só não tributa, como desonera produtos não saudáveis. Já o Sr. Antônio Silva, da Roche, lembrou que o sistema de saúde requer sustentabilidade e convidou o poder público e privado a olhar para casos que funcionam bem no país ou no mundo e amplificar para outras regiões. “Iniciativa privada pode trabalhar de mãos dados com o setor público para avançar. O diagnóstico é o que faz a diferença na vida das pessoas e esse tem que ser o esforço coletivo.” Na Imprensa Correio Carioca Saúde Lazer

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