O progresso global da Agenda 2030 e o panorama das CCNTs no Brasil
- FórumCCNTs

- há 1 dia
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Relatório de Desenvolvimento Sustentável de 2026 aponta que o compromisso com as metas da ONU segue forte, mas acena para a urgência de investimentos estruturais em saúde no país
O recém-lançado relatório Sustainable Development Report 2026: Implementing Sustainable Development: 2030 and Beyond (Relatório de Desenvolvimento Sustentável 2026: Implementando o Desenvolvimento Sustentável: 2030 e Além), publicado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN) da ONU trouxe um balanço realista sobre as metas globais. De forma geral, apenas 16% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estão a caminho de ser atingidas até 2030. No entanto, o desempenho do Brasil traz um dado novo e relevante: a trajetória do país no ranking seguiu um formato em "U". Após iniciar em uma posição relativamente alta em 2015 e registrar quedas consecutivas nos oito anos seguintes, o Brasil iniciou uma forte trajetória de recuperação a partir de 2023, alcançando em 2026 a 53ª posição entre 169 países, com uma pontuação geral de 74,21 de 100.
![[BRAZIL Overall Performance - SDG Dashboard and Trends (Página 136)]](https://static.wixstatic.com/media/26ede1_b661dc49438c4c65b481873d7f6b7e4a~mv2.png/v1/fill/w_940,h_821,al_c,q_90,enc_avif,quality_auto/26ede1_b661dc49438c4c65b481873d7f6b7e4a~mv2.png)
Outro destaque do relatório é a liderança do Brasil no apoio ao multilateralismo. O indicador que mede o percentual de votos na Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA) alinhados com a maioria internacional aponta que o Brasil, ao lado de nações como a Indonésia e o México, votou com a maioria simples em pelo menos 80% das 550 resoluções registradas entre 2021 e 2025. Esse comportamento contrasta drasticamente com o dos Estados Unidos, que se alinharam à maioria em apenas 23% das ocasiões no período — e em somente 5% das votações em 2025 —, opondo-se firmemente a resoluções cruciais de desenvolvimento sustentável e ação climática. Essa recuperação de fôlego e o compromisso diplomático do Brasil geram o cenário ideal para acelerar o cumprimento do ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e, especificamente, da Meta 3.4, voltada à redução da mortalidade prematura por Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs).
As CCNTs representam a maior carga de morbimortalidade no país e demandam ações coordenadas na saúde coletiva. Os dados específicos do perfil do Brasil em 2026 mostram que a taxa de mortalidade prematura padronizada por idade devido a essas condições (entre 30 e 70 anos) situa-se em 14,5%. O relatório também aponta que o Índice de Cobertura de Serviços de Saúde Universal (UHC) do país atingiu a marca de 84 de 100, evidenciando a robustez estrutural do Sistema Único de Saúde (SUS) no acolhimento e manejo das pessoas com condições crônicas. No entanto, o envelhecimento acelerado da população e o subfinanciamento do sistema de saúde exigem o fortalecimento contínuo da atenção especializada e do fornecimento de tratamentos complexos para evitar o retrocesso desses indicadores.
O avanço na Meta 3.4 também depende diretamente do enfrentamento dos fatores de risco, que interligam o ODS 3 a outras metas do relatório. Os novos dados revelam que a prevalência de obesidade na população adulta brasileira atingiu 28,1%, um número preocupante que tensiona diretamente o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável). Esse cenário reforça a necessidade de transformar os sistemas alimentares, desestimulando o consumo de ultraprocessados e promovendo dietas mais saudáveis desde a infância. Além disso, embora o país apresente ótimos indicadores de infraestrutura básica nas cidades — como 100% de acesso à água encanada na população urbana —, o relatório indica a necessidade de melhorias no desenho urbano e na mobilidade (ODS 11) para mitigar a poluição do ar e incentivar a atividade física regular.
As recomendações da ONU para esta nova era de implementação ressaltam que o progresso exige planos de investimento de longo prazo e uma profunda integração multissetorial. O cumprimento da Meta 3.4 e o bem-estar das pessoas com condições crônicas dependem de políticas públicas que conectem saúde, educação e sustentabilidade. Com sua trajetória de recuperação nos ODS e seu forte protagonismo na diplomacia internacional, o Brasil tem uma oportunidade histórica até 2030. Cabe agora transformar esse alinhamento político em financiamento estável e ações práticas na ponta, unindo o setor público, o privado e o terceiro setor para garantir uma vida digna e saudável a toda a sociedade.
Abaixo estão consolidados alguns dos principais indicadores oficiais de desempenho do Brasil extraídos diretamente do relatório da ONU de 2026, servindo de base para o monitoramento das metas de desenvolvimento e saúde no país.
![[BRAZIL - Performance Indicator - SDG Dashboard and Trends (Página 137)]](https://static.wixstatic.com/media/26ede1_b1280b86b143417f8e6a881142909b30~mv2.png/v1/fill/w_403,h_442,al_c,q_85,enc_avif,quality_auto/26ede1_b1280b86b143417f8e6a881142909b30~mv2.png)
Fonte: IISD




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