Saúde global está sob ameaça de retrocesso, alerta OMS
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Relatório divulgado pela entidade revela que nenhuma meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionadas à saúde está no caminho certo para 2030
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou no dia 13 de maio o Relatório de Estatísticas Mundiais de Saúde 2026. No documento, trouxe um alerta severo: o mundo está falhando em alcançar as metas globais de saúde. Embora a última década tenha registrado avanços significativos no combate ao HIV e no acesso ao saneamento básico, o ritmo de progresso estagnou ou retrocedeu em áreas críticas. No documento fica claro que nenhum dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à saúde será atingido até 2030 se o cenário atual persistir. E um dos grandes responsáveis foi o impacto da pandemia de COVID-19, causando um excesso de 22,1 milhões de mortes entre 2020 e 2023, número três vezes maior do que as mortes oficialmente notificadas.

Mortes por condições crônicas não transmissíveis
Desde 2000, os esforços para reduzir a mortalidade prematura por condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) levaram a mudanças notáveis, refletindo tanto o progresso na prevenção quanto os desafios persistentes impostos pelas quatro condições que mais causam mortes: condições cardiovasculares, câncer, condições respiratórias crônicas e diabetes. Assim, historicamente, a Região das Américas apresenta o menor risco de mortalidade prematura por CCNTs do mundo. Entre 2000 e 2019, o risco global de morte prematura por condições crônicas (ODS 3.4.1) caiu de 22,5% para 18,0% (queda de 20%), evidenciando forte desigualdade regional: o Mediterrâneo Oriental manteve índices altos (22,7% em 2019), enquanto a Região das Américas registrou a menor taxa do mundo, recuando de 18,0% para 13,9% (redução de 22%). Apesar do bom desempenho comparativo das Américas, o ritmo anual de declínio desacelerou drasticamente após 2015, deixando a região e o mundo fora do caminho para atingir a meta dos ODS de reduzir essas mortes em um terço até 2030.

O próprio relatório também esclarece o motivo de não haver porcentagens mais recentes para os indicadores de mortalidade prematura por condições crônicas: a pandemia de COVID-19 gerou um impacto severo no monitoramento de dados epidemiológicos globais. Assim, os sistemas de saúde sofreram com a falta de testes e sobrecarga. E muitas mortes causadas por complicações de condições crônicas foram registradas puramente como COVID-19, e vice-versa.
Mortalidade atribuída à poluição do ar
A poluição por material particulado doméstico e ambiental é um gatilho crítico para CCNTs. E juntamente com a Europa, as cidades da Região das Américas registraram as menores médias de poluição do ar em 2023, com uma concentração média de 14 μg/m³ de (PM 2.5). Devido à menor exposição média, a região mantém taxas de mortalidade padronizadas por idade atribuídas à poluição do ar substancialmente inferiores às de regiões como o Sudeste Asiático e o Mediterrâneo Oriental.
Tabagismo e álcool
O relatório também traz dados fundamentais para a análise de fatores de risco globais, destacando cenários complexos no combate ao tabagismo e ao consumo de álcool em populações de 15 anos ou mais. Ambos são dois dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e o agravamento das CCNTs, como condições cardiovasculares, cânceres, diabetes e condições respiratórias crônicas. Assim, no panorama do tabagismo, observa-se um recuo consistente na prevalência global, que encolheu de 26,2% em 2010 para 19,5% em 2024, trazendo uma estimativa de queda contínua para 19,2% em 2025. Apesar de desenhar uma redução relativa de 27% ao longo desse período, o avanço ainda vai ficar 3 pontos percentuais aquém da meta de 30% estipulada pelo Plano de Ação Global.
As mulheres lideram globalmente a redução e o ritmo de queda no consumo de tabaco, superando a meta de 30% de redução de forma antecipada em todo o mundo, exceto na Europa. Entre os homens, essa meta antecipada foi atingida nas regiões das Américas e do Sudeste Asiático.

Já no que diz respeito ao consumo de álcool, um dos grandes agentes no surgimento de condições crônicas e de saúde, o cenário mundial dá sinais de melhora ao reverter uma tendência de alta que se arrastava desde o início dos anos 2000. O consumo médio per capita recuou 13%, passando de 5,6 litros de álcool puro por ano em 2010 para 4,9 litros em 2024.
Progresso dos ODS até o momento
A menos de cinco anos para 2030, o progresso rumo aos ODS de saúde é lento, desigual e insuficiente globalmente. Dos 52 indicadores avaliados, nenhum está no caminho certo para atingir suas metas numéricas, um cenário agravado pela falta de dados para análises robustas. O Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que, embora avanços passados demonstrem que "a ação coordenada em larga escala produz resultados mensuráveis", o panorama atual ainda é preocupante. "O progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à saúde é insuficiente, desigual entre regiões e populações, e cada vez mais vulnerável a choques sistêmicos", sintetizando os dados como uma "história de progresso e desigualdade persistente".
O "Apagão" de Dados e Cobertura Universal
No relatório, a OMS alerta também que a falta de dados confiáveis sabota as políticas públicas de saúde: apenas 18% dos países notificam a mortalidade no prazo e só um terço das 61 milhões de mortes de 2023 teve a causa registrada. Esse cenário, somado à crise de financiamento e aos riscos ambientais (como a poluição, que causou 6,6 milhões de mortes em 2021), afasta o mundo da Cobertura Universal de Saúde e empurrou 1,6 bilhão de pessoas para a pobreza por gastos médicos em 2022, exigindo investimentos urgentes na atenção primária. Além disso, a pandemia de COVID-19 provocou um retrocesso histórico nos indicadores de saúde da região, afetando indiretamente a gestão e o tratamento das CCNTs devido à severa sobrecarga dos sistemas de saúde. A Região das Américas foi a mais severamente impactada em todo o mundo no que diz respeito à perda de expectativa de vida. Entre 2019 e 2021, tanto a Expectativa de Vida ao Nascer quanto a Expectativa de Vida Saudável (HALE) nas Américas despencaram cerca de 3 anos.
Relatório de Estatísticas Mundiais de Saúde
O relatório de Estatísticas Mundiais de Saúde é a compilação anual de indicadores de saúde e relacionados à saúde, publicada pela Organização Mundial da Saúde desde 2005. A edição de 2026 consolida dados de indicadores de saúde provenientes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O documento avalia o progresso em direção às metas acordadas globalmente, descreve os principais desafios para os próximos anos e inclui revisões sobre temas de saúde global, tais como a expectativa de vida saudável e mortalidade prematura, as metas dos 'Três Bilhões' e as desigualdades na imunização.
Para acessar o material completo, clique aqui.
Fonte: OMS




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