FórumCCNTs integra coalizão global por resolução histórica sobre condição hepática esteatótica na WHA79
- FórumCCNTs
- 15 de mai.
- 3 min de leitura
O FórumCCNTs passa a figurar entre 55 organizações internacionais que endossam um posicionamento global publicado na revista científica Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, em defesa da aprovação da primeira resolução da Assembleia Mundial da Saúde dedicada à condição hepática esteatótica.

O documento reúne especialistas e 55 organizações nacionais, internacionais e de pessoas com condições de saúde de diversas regiões do mundo, em um movimento coordenado para inserir a condição no centro da agenda global de condições crônicas não transmissíveis (CCNTs).
O que está em debate?
A proposta será apreciada na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, principal instância decisória da Organização Mundial da Saúde (OMS), em maio de 2026.
Se aprovada, a resolução reconhecerá oficialmente a magnitude global da condição hepática esteatótica e recomendará sua integração em políticas públicas já existentes de:
condições crônicas não transmissíveis;
atenção primária à saúde;
cobertura universal em saúde;
redução de riscos, diagnóstico precoce e monitoramento;
cooperação internacional entre governos e instituições.
A iniciativa também solicita apoio técnico da OMS aos países-membros e mecanismos formais de acompanhamento de resultados, ampliando a capacidade de resposta dos sistemas de saúde diante do avanço das condições metabólicas.
Um problema de escala global
Segundo o artigo, a condição hepática esteatótica afeta cerca de 1,7 bilhão de pessoas no mundo. Trata-se de uma das condições metabólicas de maior crescimento global e já figura entre as principais causas de morte relacionadas ao fígado.

A condição está fortemente associada a:
obesidade;
diabetes tipo 2;
condição cardiovascular;
condição renal crônica;
câncer hepático.
Os autores destacam que o acúmulo de gordura no fígado costuma surgir antes mesmo do diabetes manifesto ou de eventos cardiovasculares, funcionando como sinal precoce de desequilíbrio metabólico sistêmico. Isso significa que o fígado pode atuar como marcador antecipado de risco para outros agravos crônicos, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do cuidado na redução de riscos.
As projeções científicas indicam crescimento expressivo dos casos avançados de condição hepática e de câncer hepático caso as tendências atuais persistam, especialmente em contextos marcados por obesidade crescente, sedentarismo e alimentação inadequada.
Por que isso importa para a saúde pública?
Apesar da alta prevalência e do impacto econômico crescente, a condição ainda permanece sub-representada em marcos estratégicos globais da OMS e em sistemas nacionais de monitoramento.

Na prática, isso significa:
diagnósticos tardios;
progressão silenciosa para fibrose, cirrose e câncer;
aumento de custos assistenciais;
maior carga sobre sistemas de saúde;
ampliação das desigualdades em saúde.
Em muitos casos, o diagnóstico ocorre apenas quando já há comprometimento importante do fígado, exigindo tratamentos mais complexos, internações frequentes e maior consumo de recursos públicos e privados.
O posicionamento internacional argumenta que incluir a condição nas políticas globais existentes é uma medida racional, eficiente e de alto impacto. Ao integrar a condição às estratégias já adotadas para obesidade, diabetes e saúde cardiovascular, governos podem reduzir duplicidades, ampliar rastreamento e melhorar resultados clínicos com maior eficiência.
O endosso brasileiro
A presença do FórumCCNTs entre os signatários do posicionamento global publicado na revista Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology reforça o protagonismo brasileiro no debate internacional sobre CCNTs e evidencia a relevância estratégica do tema para a saúde pública. O documento reúne especialistas e dezenas de organizações nacionais, internacionais e de pessoas com condições de saúde em apoio à aprovação da primeira resolução da Assembleia Mundial da Saúde dedicada à condição hepática esteatótica.

Ao apoiar formalmente a resolução, o FórumCCNTs fortalece a defesa de políticas públicas integradas, baseadas em redução de riscos, diagnóstico precoce, monitoramento e cuidado coordenado. Também posiciona o país em sintonia com a agenda internacional de enfrentamento das CCNTS e amplia a voz da sociedade civil brasileira em fóruns multilaterais de decisão. Em um cenário marcado pelo crescimento do excesso de peso, sedentarismo, diabetes e pressão financeira sobre os sistemas de saúde, reconhecer a saúde hepática como parte central da saúde cardiometabólica é uma medida técnica, racional e necessária.
A possível aprovação da resolução na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2026, representa um momento decisivo para transformar evidências científicas acumuladas em ação institucional concreta. Nesse contexto, o apoio do FórumCCNTs reafirma o compromisso brasileiro com respostas integradas e sustentáveis para os principais desafios sanitários do século XXI.
