19,6 milhões de crianças subvacinadas, sendo 88% “dose zero”, segundo OMS e UNICEF
- FórumCCNTs

- 27 de jul.
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Atualizado: 3 de ago.
Estimativas de Cobertura Nacional de Imunização divulgadas pelas instituições apontam para uma estagnação na vacinação das crianças no mundo todo
A OMS e a UNICEF divulgaram o relatório “WHO/UNICEF Estimates of National Immunization Coverage” (WUENIC - Estimativas de Cobertura Nacional de Imunização), o maior conjunto de dados do mundo sobre as tendências de cobertura de imunização infantil contra 13 condições de saúde preveníveis por vacinação em 195 países.
Os resultados são preocupantes: 19,6 milhões de crianças estão subvacinadas. Dessas, 13,5 milhões são "dose zero", ou seja, não receberam nenhuma vacina, superando os 12,8 milhões de 2019. A estimativa é de que a vacinação seja responsável por evitar 4,4 milhões de mortes anuais, mas o progresso estagnou. O relatório também inclui o documento “progresso e desafios para alcançar o acesso universal a vacinas e a cobertura vacinal”, confira.

Desafios para a vacinação global
Cerca de 40% das crianças subvacinadas (7,8 milhões) vivem em contextos de fragilidade, conflito e violência (FCV). O relatório apontou que conflitos, como por exemplo a Guerra em Gaza, falta de investimento crônico e desabastecimentos contribuem para a fragilização dos sistemas de saúde e da vacinação. Dos 10 países com menos de 60% de cobertura DTP3 (3ª dose da vacina Tríplice Bacteriana, que combate difteria, tétano e coqueluche), metade deles enfrenta crises humanitárias agudas.
Essa vacina é considerada um dos principais indicadores de eficiência dos serviços de rotina da saúde de um país. Apenas duas das sete regiões mapeadas pela UNICEF superaram os níveis pré-pandemia. Em 2025, a cobertura global da DTP3 ficou em 85%. A cobertura da primeira dose (DTP1 - 1ª dose da vacina Tríplice Bacteriana), que é muito utilizada como indicador de acesso inicial aos serviços de saúde, variou de 49% (Papua-Nova Guiné e Iêmen) a 99% em 41 países. O relatório ainda apontou que mais de 50% das crianças “dose zero” concentram-se em 9 países.
No caso do sarampo, a cobertura subiu de 84% para 86% (19 milhões ainda ficaram sem a vacina). Isso significa que, apesar do aumento, permanecemos abaixo dos 95% de cobertura, necessários para evitar surtos. Também foram apresentados os pacotes de dados por país. Dados que baseiam-se nas estimativas mais recentes sobre a cobertura nacional de imunização e fornecem conjuntos de dados com perfis estatísticos, apresentações analíticas, relatórios de qualidade dos dados e principais argumentos para apoiar o planejamento de programas, a defesa de causas e a comunicação. Confira o material completo aqui.
Vacinação contra o HPV
Do montante de 66 milhões de meninas, consideradas pela OMS o público-alvo da vacinação contra o HPV apenas 33%, cerca de 22,5 milhões, receberam pelo menos uma dose. Enquanto isso, 32% foram perdidas/não alcançadas pelos programas existentes em seus países e 35% vivem em nações onde a vacina ainda não faz parte do calendário oficial. Até o fim de 2025, a vacina estava disponível em países que concentram quase 70% dos casos globais de câncer de colo de útero. Com as introduções planejadas e concluídas para 2026, a projeção é que essa proporção suba para aproximadamente 90% da carga mundial da condição de saúde.
As Américas lideram a vacinação global contra o HPV, atingindo 71% de cobertura em 2025, um avanço significativo em relação aos 58% registrados em 2019. Esse resultado reflete o forte compromisso político e financeiro da região contra a segunda principal causa de morte por câncer entre mulheres em diversos países.
No Brasil, entre as meninas, a cobertura vacinal passou de 79,1% em 2021 para 86,1% em 2025. Já entre os meninos, a cobertura avançou de 41,1% para 74,5% no mesmo período.
Análise e Síntese dos Dados do Brasil
O relatório da OMS/UNICEF demonstra que o Brasil conseguiu reverter a grave crise de subvacinação enfrentada no período pandêmico. Embora algumas vacinas ainda busquem consolidar a meta ideal de 95% de cobertura de forma homogênea, a trajetória atual (2024-2025) indica um sistema de saúde em franca recuperação e em níveis consideravelmente mais seguros do que no início da década.
Entre 2014 e 2019, o Brasil já vinha registrando uma perda gradual na cobertura vacinal. Esse cenário agravou-se drasticamente com a pandemia de COVID-19. Em 2021, a maioria das vacinas essenciais de rotina despencou para patamares perigosos, flutuando em torno de apenas 60% a 70% de cobertura. A vacina BCG (Vacina contra a Tuberculose), que historicamente mantinha taxas próximas a 100%, chegou ao seu nível mais baixo em 2021 (perto de 70%).
A partir de 2022, os gráficos mostram uma inflexão positiva consistente, sinalizando o sucesso dos esforços nacionais de busca ativa e fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI):
Vacinas como DTP1, DTP3, HEPB3 (3ª dose da vacina contra a Hepatite B) e HIB3 (3ª dose da vacina contra a bactéria Haemophilus influenzae tipo b, causadora de meningites e pneumonias graves) subiram de forma expressiva, aproximando-se ou atingindo novamente a faixa de 80% a 90% em 2024 e 2025.
A BCG e a MCV1 (1ª dose da vacina contendo o componente contra o Sarampo, frequentemente administrada no Brasil como a Tríplice Viral — Sarampo, Caxumba e Rubéola) demonstraram forte reação, retornando para patamares muito próximos a 100% de cobertura estimada nos anos mais recentes.
A vacina contra a Pólio (IPVC - Dose final recomendada da Vacina Inativada Contra a Pólio - VIP), cujos dados padronizados neste formato começaram a ser traçados com clareza a partir de 2021, saltou de aproximadamente 65% para uma cobertura superior a 80% em 2025.No Brasil, o número de crianças "zero-dose" (sem nenhuma dose da vacina pentavalente) despencou de 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025. Essa redução drástica é resultado direto de dois fatores: o avanço real da cobertura vacinal em todo o país e a modernização do sistema de registro do SUS, que tornou os dados públicos muito mais precisos e completos.
Fonte: OMS



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