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OMS divulga relatório global e projeta 35 milhões de diagnósticos anuais de câncer até 2050

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    FórumCCNTs
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Relatório divulgado apresenta panoramas mundial e regionais sobre uma das CCNTs que mais cresce no mundo moderno


A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) divulgaram, na última semana, o Relatório Global de Status do Câncer 2026. Consolidando o panorama epidemiológico atual da oncologia e estabelecendo projeções urgentes. Com isso, para que os avanços no gerenciamento dessa condição continuem, é necessária uma transição estrutural imediata para sistemas de saúde baseados na equidade e centrados nas necessidades e na experiência vivida das pessoas.


Imagem: Divulgação OMS
Imagem: Divulgação OMS

Globalmente, o câncer se mantém como a segunda causa de morte no planeta. E segundo o relatório, sem ações coordenadas, as estimativas apontam uma trajetória severa para as próximas décadas. Neste novo documento, a OMS busca renovar a agenda global para o câncer valorizando o cuidado tanto quanto a cura. Surgindo em um momento que exige uma mudança para reorientar as prioridades e necessidades das pessoas que estão na jornada de enfrentamento do câncer com linhas de cuidado centradas na pessoa. 


Incidência e Mortalidade Global


Foram contabilizados 20,6 milhões de novos casos de câncer em todo o mundo. Desse montante, 9,9 milhões de diagnósticos foram em homens e 9,6 milhões em mulheres. Enquanto isso, o total de óbitos no mesmo ano atingiu 9,7 milhões de pessoas.


Imagem: Divulgação OMS
Imagem: Divulgação OMS

A probabilidade de receber um diagnóstico de câncer entre o nascimento e os 74 anos de idade é de 19,8% (cerca de 1 em cada 5 pessoas). Esse indicador varia de 27,6% em nações de IDH muito elevado a 12% em nações de IDH baixo, refletindo discrepâncias na expectativa de vida e na robustez da capacidade diagnóstica local. E as projeções até 2050 apontam para uma maior distância entre os países no monitoramento da condição.


 Distribuição por Tipo de Câncer A análise da OMS aponta que aproximadamente 40% dos casos de câncer no mundo estão associados a fatores de risco modificáveis. Alguns deles identificados como responsáveis pela carga global de câncer:


  • Tabagismo 

  • Consumo nocivo de álcool

  • Obesidade e Alimentação não saudável (Ultraprocessados)

  • Inatividade física

  • Poluição do ar e Agentes infecciosos (HPV, HBV, HCV, H. pylori)


  • Em Homens - A maior incidência foi atribuída ao câncer de pulmão (1,6 milhão), seguido pelo de próstata (1,5 milhão). No índice de mortalidade, o câncer de pulmão liderou isolado com 1,3 milhão de óbitos, acompanhado sequencialmente pelo colorretal (0,5 milhão) e pelo de fígado e vias biliares (0,5 milhão).

  • Em Mulheres - O câncer de mama apresentou a maior incidência global, com 2,4 milhões de novos casos, seguido pelo câncer de pulmão (1 milhão). A mortalidade feminina seguiu perfil semelhante, com o câncer de mama respondendo por 0,7 milhão de óbitos, o de pulmão por 0,6 milhão e o colorretal por 0,4 milhão.

  • Perfil Geral e Infantojuvenil - O câncer colorretal consolidou-se como o terceiro tipo mais comum para ambos os sexos (1,1 milhão em homens; 0,9 milhão em mulheres). No segmento infantojuvenil (0 a 19 anos), estima-se a ocorrência de 400.000 novos casos anuais, sendo que aproximadamente 90% destes concentram-se em países de baixa e média renda (PBMR).


Panorama das Américas


Imagem: Divulgação OMS
Imagem: Divulgação OMS

Na América Latina e no Caribe, foram estimados cerca de 1,5 milhão de novos casos e mais de 750 mil mortes por câncer. Nos países da região ainda há diversas desigualdades no acesso à detecção precoce, diagnóstico, tratamento, cuidados paliativos e à proteção financeira contra os custos da condição de saúde.


De acordo com as estimativas de 2024 do Observatório Global do Câncer da OPAS, foram registrados 4,34 milhões de novos casos e 1,48 milhão de óbitos, em 2024. Estima-se que até 2050 haverá 7,13 milhões de novos diagnósticos, um aumento de 64% impulsionado pelo crescimento e envelhecimento populacional. Atualmente, 61% dos novos casos ocorrem em pessoas com 65 anos ou mais. O relatório também indicou que graças à ampliação da cobertura vacinal e de saneamento básico, os cânceres de origem infecciosa diminuíram. Assim como o consumo de tabaco que caiu 27% desde 2010, contribuindo para a redução dos casos e das mortes por câncer de pulmão em algumas regiões.


Brasil


Enquanto isso, a realidade brasileira evidencia que os obstáculos nacionais estão fortemente atrelados a iniquidades internas de caráter socioeconômico e geográfico, afetando toda a linha de cuidado da pessoa com condição de saúde. E embora o Brasil integre o grupo de países de renda média-alta, as disparidades na sobrevida observadas globalmente se reproduzem no território nacional entre diferentes estados e entre os setores público e privado de saúde.


Imagem: Divulgação OMS
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Conforme monitoramento histórico do Instituto Oncoguia, o cumprimento efetivo da Lei dos 60 Dias (prazo regulamentar para o início do tratamento oncológico no SUS após a confirmação diagnóstica) enfrenta sérias barreiras devido à fragmentação do percurso assistencial que antecede a realização da biópsia. Esse atraso na identificação oportuna restringe consideravelmente as opções terapêuticas e a probabilidade de sobrevida, penalizando de forma mais acentuada os cidadãos dependentes da rede pública nas regiões Norte e Nordeste. De acordo com dados consolidados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), o Brasil possui hoje a seguinte incidência:


Agenda centrada nas pessoas e políticas públicas


O relatório trouxe apontamentos para que as iniciativas de manejo do câncer sejam estruturadas e centradas na pessoa para o cuidado de indivíduos e famílias afetados pelo câncer. Apontando para o compartilhamento de experiências vividas, a fim de orientar soluções mais equitativas e eficazes para proteger e promover a vida e o bem-estar das gerações futuras. E ainda apresenta sete recomendações principais e três mudanças estratégicas que devem ser implementadas em todos os países e comunidades:


  • Melhor capacidade - integrar o manejo do câncer à cobertura universal de saúde e investir em recursos humanos voltados à prevenção e ao manejo da condição de saúde; 

  • Melhor proteção - colocar as pessoas com experiência vivida do câncer no centro dos sistemas oncológicos, fortalecendo simultaneamente a proteção social; 

  • Maior valor - alinhar pesquisa e inovação às necessidades da saúde pública e garantir acesso equitativo a avanços terapêuticos com comprovado valor clínico. Como por exemplo, estudos de imunoterapia e as vacinas de mRNA para pessoas já diagnosticados.


Para leitura do relatório completo, acesse aqui.


Fonte: OMS

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