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Vacinação é subutilizada na proteção de pessoas com condições crônicas, alerta publicação por brasileiros em revista internacional

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    FórumCCNTs
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Um artigo científico, publicado nesta semana na revista internacional Public Health, alerta que a vacinação permanece subutilizada como estratégia de proteção para pessoas que vivem com condições crônicas não transmissíveis (CCNTs), apesar das evidências demonstrarem redução de hospitalizações, complicações e mortes relacionadas a infecções como influenza, covid-19, condição de saúde pneumocócica e vírus sincicial respiratório (VSR).


Foto: Magnific
Foto: Magnific

A publicação, intitulada "Integrating vaccination into strategies to protect people living with noncommunicable diseases", foi desenvolvida por pesquisadores do Fórum Intersetorial de Condições Crônicas Não Transmissíveis do Brasil (ForumCCNTs) e da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os autores defendem que a vacinação deixe de ser tratada apenas como uma estratégia de manejo de condições de saúde infecciosas e passe a integrar de forma sistemática as políticas públicas de redução de risco e manejo das CCNTs.


Segundo os autores, pessoas com condições de saúde cardiovasculares, diabetes, condições de saúde respiratórias crônicas, câncer e condição de saúde renal crônica apresentam risco significativamente maior de desenvolver formas graves de infecções respiratórias, que frequentemente desencadeiam infarto, acidente vascular cerebral (AVC), descompensação metabólica e agravamento de condições de saúde pulmonares. O trabalho destaca ainda que vacinas contra influenza, covid-19, pneumococo, herpes-zóster e outros agentes infecciosos podem reduzir esses desfechos adversos e contribuir para o envelhecimento saudável.


"O desafio das condições crônicas de saúde não pode ser enfrentado apenas com medicamentos, atividade física e alimentação saudável. Reduzir riscos de infecções por meio da vacinação também significa prevenir complicações cardiovasculares, respiratórias e metabólicas, reduzindo hospitalizações e mortes evitáveis", afirma o pesquisador Mark Barone, autor correspondente do estudo.


Cobertura vacinal permanece abaixo da meta


O alerta dos pesquisadores ocorre em um momento de baixa adesão à vacinação contra influenza no Brasil. O monitoramento do Ministério da Saúde indica que a cobertura vacinal entre os grupos prioritários permanece abaixo de 50%, incluindo pessoas com 60 anos ou mais, gestantes e pessoas com CCNTs, como diabetes, condição de saúde pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), condições de saúde cardiovasculares, condição de saúde renal crônica e outras condições que aumentam o risco de complicações.


Para os autores, esse cenário amplia a preocupação diante da elevada circulação de vírus respiratórios e da vulnerabilidade das pessoas que convivem com essas condições de saúde.


Dados nacionais reforçam o impacto


O mais recente relatório anual de vigilância epidemiológica do Ministério da Saúde registrou 230.622 hospitalizações e 13.273 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país.


Entre os óbitos por SRAG associados à covid-19, 84,5% ocorreram em pessoas com uma ou mais CCNT, destacando-se:


  • cardiopatia crônica (52,9%);

  • diabetes (31,9%);

  • pneumopatia crônica (15,8%).


Nos óbitos por influenza, 79,0% também apresentavam CCNTs, principalmente:


  • cardiopatia crônica (52,2%);

  • diabetes (32,3%);

  • pneumopatia crônica (19,4%).


Já entre os óbitos por SRAG causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), 56,6% ocorreram em pessoas com CCNTs, incluindo:


  • cardiopatias (48,2%);

  • diabetes (25,0%);

  • pneumopatias crônicas (18,4%).


Segundo o Ministério da Saúde, esses óbitos concentram-se principalmente entre maiores de 60 anos, adultos com fatores de risco e, no caso do VSR, também entre crianças.


Mudança de paradigma


O artigo ressalta que a própria Declaração Política da 4ª Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Condições de Saúde Crônicas já reconhece a importância de ampliar o acesso à vacinação para pessoas com condições crônicas, mas observa que essa integração ainda aparece de forma limitada nas principais políticas internacionais voltadas às CCNTs.


Os pesquisadores defendem que a avaliação do calendário vacinal passe a fazer parte do acompanhamento rotineiro das pessoas com condições crônicas de saúde na atenção primária e nos serviços especializados, contribuindo para reduzir internações evitáveis, fortalecer a preparação para futuras emergências sanitárias e acelerar o alcance da Meta 3.4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, que prevê a redução da mortalidade prematura por condições de saúde crônicas não transmissíveis em um terço até 2030.


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