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- Evolução das políticas de diabetes no Brasil: conquistas, desafios e os próximos passos
Em entrevista ao FórumCCNTs, a Dra. Karla Melo, médica endocrinologista, com especialização e doutorado em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Fundadora do Departamento de Saúde Pública, Vice-Presidente e Assessora para Assuntos Governamentais da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), fala sobre a trajetória das políticas públicas para o diabetes no Brasil, as conquistas alcançadas nos últimos anos e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para ampliar o acesso a tecnologias e tratamentos no SUS. Com mais de cinco décadas de vivência pessoal com o diabetes tipo 1, a Dra. Karla combina conhecimento técnico, experiência profissional e vivência cotidiana da condição. Na entrevista, ela destaca como a articulação entre pessoas que vivem com diabetes, sociedades científicas e organizações da sociedade civil pode transformar evidências em políticas públicas — e fazer com que experiências brasileiras influenciem, inclusive, decisões internacionais. FórumCCNTs: Como você avalia a evolução das políticas públicas relacionadas ao diabetes no Brasil? Dra. Karla Melo: Tivemos avanços muito importantes, especialmente na incorporação de tecnologias e medicamentos que hoje fazem parte do cuidado de muitas pessoas com diabetes no SUS. Mas ainda temos um caminho significativo pela frente. Um dos aprendizados mais importantes foi perceber que a advocacia em saúde precisa unir ciência, experiência de vida e compreensão das necessidades do sistema público. Quem vive com uma condição crônica conhece, na prática, as dificuldades enfrentadas no cuidado. As sociedades científicas, por sua vez, contribuem com as evidências clínicas. Quando esses conhecimentos são reunidos e organizados, conseguimos construir propostas mais consistentes para as políticas públicas. FórumCCNTs: O que é fundamental para transformar uma necessidade em uma política pública? Dra. Karla Melo: Primeiro, é preciso identificar claramente o problema. Depois, buscar na literatura científica quais soluções podem enfrentá-lo e compartilhar essa construção com parceiros. Também é fundamental delimitar a população que será beneficiada e quantificar esse público. Esse é um ponto muito importante para o financiador público, porque precisamos compreender o impacto da proposta para o SUS. Outro aspecto essencial é olhar para a perspectiva do gestor. Evidências clínicas são indispensáveis, mas o impacto orçamentário também precisa ser considerado. Aprendemos, inclusive, que critérios excessivamente baseados em indicações clínicas podem tornar uma proposta muito ampla. Em algumas situações, critérios objetivos, como faixas etárias, ajudam a definir inicialmente uma população prioritária e tornam a incorporação mais viável. Por isso, a advocacia precisa ser estruturada e baseada em evidências. E precisamos atuar nacionalmente para reduzir as desigualdades entre estados e municípios, evitando que o CEP ou a condição socioeconômica determinem a qualidade do cuidado recebido. FórumCCNTs: Uma das principais conquistas foi a incorporação dos análogos de insulina. O que essa experiência representa? Dra. Karla Melo: A incorporação dos análogos de insulina de ação rápida foi um marco. Conseguimos demonstrar, por meio de estudos publicados em revistas científicas internacionais, benefícios como a redução de episódios de hipoglicemia grave e noturna, além de melhora, ainda que discreta, da hemoglobina glicada e da glicemia após as refeições. Essa experiência ultrapassou as fronteiras do Brasil. O trabalho desenvolvido pela SBD e seus parceiros foi utilizado como referência no processo que levou à inclusão dos análogos de insulina de ação rápida na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024. É uma demonstração muito importante de que uma política construída no Brasil pode contribuir para decisões que beneficiam pessoas com diabetes em outros países. FórumCCNTs: E quais são hoje os principais desafios para as pessoas com diabetes tipo 2? Dra. Karla Melo: No diabetes tipo 2, precisamos avançar principalmente na atenção primária à saúde. É necessário identificar precocemente o risco cardiovascular e renal, especialmente a presença de insuficiência cardíaca e doença renal associada ao diabetes, e utilizar adequadamente os medicamentos que oferecem proteção para esses órgãos, além da glicemia. Também precisamos tratar de maneira adequada fatores de risco como hipertensão e alterações dos lipídios. Outro desafio é ampliar as opções terapêuticas disponíveis no sistema público, especialmente medicamentos que possam combinar redução do peso corporal, proteção cardiovascular e gerenciamento glicêmico. Também precisamos olhar com mais atenção para o pré-diabetes, criando estratégias de identificação e intervenção capazes de reduzir a progressão para o diabetes. FórumCCNTs: E no diabetes tipo 1? Dra. Karla Melo: Ainda temos uma lacuna importante. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do diabetes tipo 1 continua contemplando insulinas humanas, incluindo a insulina regular. Na minha avaliação, o análogo de ação rápida já deveria fazer parte desse protocolo de forma mais ampla. Hoje, a evolução terapêutica prevista inclui a combinação de análogo de ação rápida e análogo de ação prolongada para situações clínicas específicas. Também avançamos na possibilidade de migração da NPH para a insulina glargina para crianças e adolescentes de 2 a 17 anos e para pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 2. FórumCCNTs: A monitorização contínua da glicose (MCG) parece ser o próximo grande desafio. Em que ponto estamos? Dra. Karla Melo: A MCG é, de fato, o próximo passo. A solicitação de incorporação ao SUS foi inicialmente negada pela Conitec por causa do impacto orçamentário, e não por falta de evidências sobre seus benefícios clínicos. A partir disso, mudamos a estratégia. Em vez de propor inicialmente a incorporação para todas as pessoas com diabetes tipo 1, estamos defendendo uma implementação progressiva, começando por populações prioritárias: crianças e adolescentes, mulheres com diabetes tipo 1 durante a gestação e pessoas idosas com diabetes tipo 1. Essa estratégia permite delimitar melhor o número de pessoas beneficiadas e, ao mesmo tempo, construir experiência e evidências para uma futura ampliação. Um dos grandes benefícios da MCG é permitir acompanhar o que acontece durante a noite. Uma pessoa pode dormir com uma glicemia de 200 mg/dL e acordar com 90 mg/dL. À primeira vista, o resultado parece positivo. Mas o sensor mostra que houve uma queda importante durante o sono, algo que a medição pontual não permite identificar. FórumCCNTs: E quanto aos sistemas automatizados de infusão de insulina? Dra. Karla Melo: Essa é outra fronteira importante. Os sistemas atuais são automatizados e utilizam informações da glicose para ajustar a administração de insulina em tempo real. Participei de uma audiência no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a obrigação das operadoras de planos de saúde de custear essa tecnologia. A decisão estabeleceu a obrigação de cobertura em determinadas condições e representa um precedente importante. O problema é que grande parte das pessoas que utilizam sistemas automatizados no Brasil ainda chegou a essa tecnologia por meio da judicialização. Isso evidencia uma questão de equidade: uma tecnologia não pode estar disponível apenas para quem consegue recorrer à Justiça. Precisamos avançar para que também esteja acessível às pessoas que dependem exclusivamente do SUS. FórumCCNTs: O que a experiência brasileira ensina para outros movimentos de advocacia em saúde? Dra. Karla Melo: Ensina que é possível transformar uma necessidade identificada por quem vive com uma condição de saúde em uma proposta de política pública respaldada por evidências. O Brasil desenvolveu uma experiência muito relevante de advocacia em diabetes. Quando conseguimos combinar mobilização, conhecimento técnico, evidências científicas e compreensão das necessidades do sistema de saúde, podemos influenciar decisões nacionais e até internacionais. Esse modelo não precisa ficar restrito ao diabetes. Ele pode ser utilizado por pessoas e organizações que atuam em outras condições crônicas, como câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. FórumCCNTs: Quais são, então, os próximos passos? Dra. Karla Melo: Temos algumas prioridades muito claras: avançar na incorporação da MCG para populações prioritárias; trabalhar pela ampliação do acesso aos sistemas automatizados de infusão de insulina no SUS; melhorar o cuidado das pessoas com diabetes tipo 2, especialmente em relação à proteção cardiovascular e renal; e fortalecer as estratégias de identificação e intervenção no pré-diabetes. Mas existe um princípio que deve orientar todas essas iniciativas: o acesso ao cuidado não pode depender de onde a pessoa mora ou de sua condição socioeconômica. A evolução das políticas públicas de diabetes no Brasil mostra que mudanças são possíveis. O desafio agora é transformar as conquistas já alcançadas em acesso mais amplo, equitativo e oportuno às melhores opções disponíveis de cuidado.
- IDF recebe indicações para o prêmio Dr. R. D. Lawrence - Até 30/10
Reconhecimento internacional valoriza trajetórias que unem excelência científica e clínica à experiência vivida com o diabetes A Federação Internacional de Diabetes (IDF) abriu a convocatória oficial para as indicações ao prestigiado prêmio Dr. R. D. Lawrence, que será apresentado no Congresso IDF 2027, com submissões abertas até 30 de outubro de 2026. O reconhecimento internacional é concedido a profissionais, cientistas e ativistas de destaque global que tenham demonstrado contribuições extraordinárias, avanço em pesquisas ou liderança transformadora na promoção do bem-estar e no avanço do conhecimento científico relacionado a essa condição crônica. Imagem: Reprodução O prêmio celebra o legado do Dr. Robert Daniel Lawrence, primeiro presidente da IDF, cofundador da Diabetes UK e figura central na história do cuidado em diabetes no mundo. Dr. Lawrence viveu com diabetes tipo 1 desde antes da descoberta da insulina e tornou-se reconhecido por unir sua trajetória como médico à experiência de viver com diabetes. Sua perspectiva permanece especialmente atual para o reconhecimento de iniciativas que aproximam excelência profissional, conhecimento científico e experiência vivida. Quem pode ser indicado? A IDF busca profissionais de saúde, pesquisadores, educadores e ativistas, de qualquer parte do mundo, que tenham demonstrado contribuições de destaque para a comunidade global do diabetes. A pessoa selecionada deverá apresentar uma trajetória de impacto em uma ou ambas das seguintes áreas: 🔬 Impacto da pesquisa: histórico comprovado de contribuição científica de alto nível que tenha contribuído para avanços capazes de se traduzir em melhorias no cuidado ou em políticas de saúde para pessoas que vivem com diabetes. 🤝 Melhoria da vida e dos resultados em saúde: liderança de iniciativas ou ações de advocacy que tenham contribuído de forma significativa para melhorar a realidade cotidiana e os resultados em saúde das pessoas que vivem com diabetes, em âmbito nacional ou internacional. O reconhecimento A pessoa homenageada será convidada a realizar uma palestra magna no IDF Congress 2027, que será realizado em Singapura. Como parte da homenagem, a IDF oferecerá passagem e hospedagem integralmente patrocinadas à pessoa selecionada. 📅 Prazo para indicações e candidaturas: 30 de outubro de 2026 🔎 Período de análise e seleção: 2 a 20 de novembro de 2026 📩 Convite oficial à pessoa selecionada: 23 de novembro de 2026 👉 Confira os critérios e faça uma indicação ou candidatura na página oficial da IDF Uma oportunidade para dar visibilidade internacional a trajetórias que transformam conhecimento, experiência vivida, advocacy e inovação em avanços concretos para as pessoas que vivem com diabetes. Como participar: Envios de formulários e documentos diretamente na Plataforma Oficial da IDF. Fonte: IDF
- HEAR CSO Abre Consulta para Reforma Global da Saúde - Até 21/9
O consórcio HEAR CSO abriu a chamada para manifestação de interesse voltada a organizações da sociedade civil que desejam participar das consultas sobre a reforma da arquitetura global da saúde, com prazo de preenchimento até 21 de setembro de 2026. A iniciativa busca mobilizar lideranças locais e internacionais para garantir que a voz de comunidades e organizações independentes seja ouvida em instâncias multilaterais, influenciando o direcionamento de políticas públicas globais e o fortalecimento dos sistemas de saúde. Imagem: Divulgação O mapeamento promovido pelo consórcio tem como foco identificar parceiros estratégicos e integrar contribuições regionais em debates de alto nível, promovendo maior equidade na governança internacional de saúde. Ao participar dessa consulta, as entidades contribuem diretamente para a formulação de recomendações estruturais que visam garantir respostas mais eficientes, inclusivas e transparentes para os desafios globais de saúde pública. 🎯 Objetivos da Chamada e Atuação A manifestação de interesse visa fortalecer o ecossistema de engajamento comunitário a partir das seguintes frentes: Amplificação da voz de organizações da sociedade civil em fóruns internacionais. Construção de propostas coletivas para o aprimoramento da governança global da saúde. Promoção da equidade e transparência nos processos de tomada de decisão multilateral. 👥 Quem Pode Participar Podem enviar suas contribuições: Organizações não governamentais e coletivos da sociedade civil. Entidades comunitárias e parceiros que atuam em defesa do acesso à saúde. Pesquisadores e ativistas engajados na reformulação de políticas públicas e governança internacional. Serviço: O quê: Chamada de Manifestação de Interesse do HEAR CSO para Consultas sobre Arquitetura Global da Saúde. Quem promove: Consórcio HEAR CSO. Público-alvo: Organizações da sociedade civil, ONGs, coletivos e parceiros do setor de saúde pública. Até quando: Manifestações devem ser enviadas até 21 de setembro de 2026. Como participar: Preenchimento do formulário eletrônico na Plataforma Oficial do HEAR CSO. Fonte: HEAR CSO
- Segurança no cuidado para pessoas com CCNTs entra no centro da agenda global da OMS
OMS lança campanha do Dia Mundial da Segurança do Paciente 2026 com foco nas condições crônicas e apresenta cinco metas para transformar evidências em ações concretas nos serviços de saúde Uma em cada seis pessoas que recebem cuidados para condições não transmissíveis (CCNTs) sofre algum dano evitável. Entre pessoas com câncer, a proporção chega a uma em cada cinco. Esses dados, apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) durante o lançamento global da campanha do Dia Mundial da Segurança do Paciente 2026, ajudam a dimensionar um problema que ainda permanece pouco reconhecido: para milhões de pessoas com CCNTs, a segurança do cuidado não é uma questão pontual, mas um desafio que acompanha toda a trajetória de vida. Foto: Divulgação Com o tema “Safe care for noncommunicable diseases” — “Cuidado seguro para condições crônicas não transmissíveis” e o slogan “Safe care for life!” — “Cuidado seguro para toda a vida”, a campanha de 2026 coloca as pessoas com CCNTs no centro da agenda de segurança do cuidado e chama governos, serviços de saúde, profissionais, organizações da sociedade civil, pessoas com experiência vivida e parceiros nos cuidados a atuarem conjuntamente para reduzir danos evitáveis. Um problema de escala global — e ainda subestimado A dimensão do problema é expressiva. Globalmente, uma em cada dez pessoas é vítima de algum dano durante o cuidado em saúde, enquanto mais de 3 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de cuidados inseguros. Mais da metade desses danos é considerada evitável. Imagem: Divulgação Quando o olhar se volta especificamente para as CCNTs, a situação se torna ainda mais preocupante. Aproximadamente 16% — ou uma em cada seis pessoas — sofrem danos evitáveis durante o cuidado de condições crônicas não transmissíveis. A proporção é cerca de três vezes superior à observada na população geral em cuidados de saúde, estimada em aproximadamente uma em 20. Os números não representam uma taxa fixa aplicável a todas as populações ou contextos — há importante heterogeneidade entre condições, grupos de pessoas e sistemas de saúde. Ainda assim, a evidência deixa clara a necessidade de incorporar a segurança como componente estrutural do cuidado às CCNTs. E há uma característica particularmente importante: os danos não se restringem a erros visíveis ou eventos adversos ocorridos dentro de um serviço de saúde. Medicamentos estão entre os principais fatores associados a danos evitáveis, mas também precisam ser considerados problemas como atrasos ou falhas no diagnóstico, perda de informações entre serviços, ausência de acompanhamento, interrupções no cuidado e dificuldades nas transições entre diferentes profissionais e níveis de atenção. O custo da falta de segurança também é econômico Além do impacto humano, a segurança do cuidado representa uma questão de sustentabilidade dos sistemas de saúde. Foto: Divulgação Nos países da OCDE, até quatro em cada cinco pessoas com 45 anos ou mais que utilizam a atenção primária vivem com pelo menos uma condição crônica, enquanto quase dois terços convivem com múltiplas condições crônicas. Entre pessoas com quatro ou mais condições crônicas, as chances de relatar um dano são 3,2 vezes maiores. Ao mesmo tempo, internações potencialmente evitáveis relacionadas às condições crônicas representam cerca de 47,5 milhões de dias de leito, com um custo de oportunidade superior a US$ 21 bilhões nos países da OCDE. Os danos relacionados a medicamentos acrescentam um impacto estimado em mais de US$ 50 bilhões. Os dados reforçam uma mudança importante de perspectiva: em condições crônicas, a segurança não pode ser avaliada apenas em uma consulta ou em um episódio isolado. É preciso perguntar se o cuidado é coordenado, contínuo e confiável ao longo dos anos. A própria experiência das pessoas atendidas pelo sistema é um indicador relevante de segurança. Na pesquisa PARIS, da OCDE, que envolveu mais de 100 mil pessoas em 19 países, dificuldades para conseguir atendimento oportuno, cuidado fragmentado, necessidade de repetir informações e falta de coordenação apareceram entre os fatores associados a maior risco de eventos de segurança. Por outro lado, pessoas que relataram receber um cuidado bem organizado apresentaram aproximadamente redução pela metade da probabilidade de relatar um evento de segurança em seus cuidados. Continuidade com um profissional de referência, revisão de medicamentos, coordenação do cuidado, comunicação clara, tempo adequado para a consulta, participação nas decisões e confiança para realizar o autocuidado também apareceram como fatores protetores. Melhorar a experiência das pessoas no sistema de saúde, portanto, também é uma intervenção de segurança O dano nem sempre acontece de uma vez Essa compreensão foi reforçada durante o painel internacional do lançamento, que contou com a participação de Mark Barone, do Fórum Intersetorial de CCNTs no Brasil (FórumCCNTs). Em sua contribuição, Barone chamou atenção para uma dimensão frequentemente invisibilizada da segurança: os danos que acontecem silenciosamente, ao longo do tempo. Para quem vive com uma CCNT, a experiência de insegurança pode estar associada a um diagnóstico que demora, a um tratamento que não é adequadamente explicado, a um medicamento que não está disponível, à perda de informações na passagem de um serviço para outro, a profissionais que trabalham com informações diferentes, à introdução de uma tecnologia sem suporte suficiente ou simplesmente ao fato de a pessoa não ser ouvida. “Precisamos deixar de pensar na segurança do cuidado simplesmente para as pessoas e avançar para um modelo em que as pessoas com CCNTs sejam parceiras na identificação e na redução de riscos dos riscos, incluindo no desenvolvimento de protocolos e políticas para o tema. A segurança do cuidado precisa fazer parte da agenda das CCNTs, e não ser tratada como uma agenda paralela.” Essa perspectiva está diretamente alinhada ao conceito de engajamento significativo de pessoas com CCNTs, ao reconhecer que elas não devem ser apenas receptoras de orientações, mas participantes ativas da construção, implementação e avaliação de serviços mais seguros. Cinco metas para transformar segurança em prática A OMS apresentou cinco metas de segurança para 2026. A própria OMS destaca que as metas buscam facilitar mudanças concretas no ponto de cuidado e reduzir danos evitáveis às pessoas com CCNTs. Imagem: Divulgação 1. Parceria: Pessoas com experiência vivida devem ser parceiras tanto do próprio cuidado quanto na melhoria dos serviços. 2. Redução de riscos: A segurança começa antes do atendimento e exige reduzir riscos e avaliação adequada dos riscos, inclusive fora das unidades de saúde. 3. Manejo seguro e integrado: Os sistemas devem assegurar detecção oportuna, diagnóstico preciso e manejo integrado, seguro e centrado nas pessoas. 4. Acesso e uso seguro de medicamentos e dispositivos: É necessário garantir acesso a medicamentos e dispositivos médicos, além de apoiar as pessoas para que saibam utilizá-los com segurança. 5. Coordenação e continuidade do cuidado: As pessoas não podem “cair nas lacunas” existentes entre profissionais, serviços e níveis de atenção. É necessário fortalecer a coordenação, a continuidade e as transições do cuidado. As metas não representam novas recomendações clínicas. Segundo a OMS, elas reúnem recomendações já existentes sob a perspectiva da segurança das CCNTs, criando uma estrutura prática para sua aplicação nos serviços. Cada meta contempla ações relacionadas a cinco dimensões: pessoas; capacidades e competências; tarefas e processos de cuidado; ferramentas, equipamentos e tecnologias; e governança e sistemas, além de medidas para acompanhar o progresso. Entre os indicadores sugeridos está, por exemplo, a taxa de perda de seguimento e a taxa de readmissão hospitalar — medidas que ajudam a revelar se as pessoas estão conseguindo permanecer conectadas ao cuidado de que necessitam. Da política ao território: segurança precisa atravessar toda a jornada A campanha também chama atenção para a necessidade de superar uma visão hospitalocêntrica da segurança. Para as pessoas com CCNTs, grande parte do cuidado acontece na atenção primária, na comunidade e dentro de casa, onde decisões sobre medicamentos, dispositivos, alimentação, atividade física, monitoramento e busca de atendimento são tomadas diariamente. Imagem: Divulgação No caso das crianças e adolescentes com CCNTs, por exemplo, a transição para o cuidado de adultos, geralmente entre 14 e 17 anos, é apontada como um problema global ainda pouco estruturado, independentemente do nível de renda dos países. A recomendação é começar a construir essa transição precocemente e em conjunto com jovens e famílias. 17 de setembro: mais do que uma data, um chamado à ação O Dia Mundial da Segurança do Paciente acontece em 17 de setembro, mas a proposta da campanha é que a mobilização não termine nessa data. A OMS incentiva serviços e organizações a identificar suas principais lacunas de segurança, adaptar as cinco metas ao contexto local e estabelecer indicadores para acompanhar avanços. Organizações também são estimuladas a promover atividades, utilizar os materiais da campanha e iluminar monumentos e espaços públicos na cor laranja em 17 de setembro. A própria OMS disponibiliza materiais da campanha — incluindo pôsteres, infográficos, vídeos e conteúdos para redes sociais — em seis idiomas oficiais das Nações Unidas, permitindo que governos, serviços, organizações da sociedade civil e movimentos de pessoas com CCNTs adaptem e ampliem a mensagem em seus próprios contextos. Para o FórumCCNTs, a mensagem que emerge desse movimento internacional é clara: não haverá cuidado verdadeiramente centrado nas pessoas se ele não for também seguro, contínuo, coordenado e construído com as pessoas com CCNTs. A segurança não começa quando uma pessoa entra em uma unidade de saúde — e tampouco termina quando deixa o serviço. Ela está presente no diagnóstico, na prescrição, no acesso aos medicamentos, na comunicação com e entre profissionais, na transição entre serviços, no acompanhamento, no autocuidado e nas decisões tomadas todos os dias. Por isso, “Safe care for life!” não deve ser entendido apenas como o slogan de uma campanha. É uma expectativa legítima de toda pessoa com uma condição crônica: receber, ao longo de toda a vida, um cuidado seguro, integrado, contínuo e centrado nas pessoas.
- UN Task Force Awards de Saúde Respiratória: Inscrições Abertas - Até 30/9
A Força-Tarefa Interagencial das Nações Unidas (UNIATF), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), abriu as indicações globais para a edição 2026 do UN Task Force Awards, que recebe submissões de candidaturas até o dia 30 de setembro de 2026. Este ano, o reconhecimento internacional será concedido a instituições que demonstram excelência e resultados mensuráveis em estratégias e intervenções voltadas à promoção da saúde respiratória e à mitigação dos impactos nocivos da poluição do ar na saúde humana. Imagem: Divulgação A premiação busca destacar iniciativas intersetoriais e políticas sustentáveis implementadas por órgãos governamentais, prefeituras, instituições acadêmicas, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil em todo o mundo. O edital valoriza de forma especial os projetos integrados que aliam a prevenção de problemas respiratórios crônicos a ações concretas de preservação ambiental e redução de poluentes, gerando soluções duradouras para o bem-estar populacional. 🏆 Categorias Reconhecidas Os prêmios serão distribuídos em três vertentes de atuação: Ministérios da Saúde e agências governamentais de saúde. Outros órgãos públicos, incluindo ministérios fora do setor da saúde, secretarias municipais e autoridades locais. Organizações não governamentais, instituições de ensino, centros de pesquisa e fundações (incluindo iniciativas desenvolvidas em parceria com governos). 📋 Critérios de Elegibilidade e Destaques As organizações indicadas devem demonstrar contribuições de alto impacto e resultados comprovados no desenho, desenvolvimento ou promoção de iniciativas eficazes. Os principais pontos de atenção do prêmio incluem: Integração entre ações para a melhoria da saúde respiratória e a redução de emissões e poluição atmosférica. Projetos que envolvam colaboração intersetorial e alianças estratégicas. Implementação de políticas públicas e programas sustentáveis de longo prazo. Serviço: O quê: Chamada de Indicações para o Prêmio Internacional da Força-Tarefa da ONU 2026 (UN NCD Task Force Award). Quem promove: UNIATF com apoio da OMS. Público-alvo: Governos, prefeituras, ONGs, universidades e fundações. Até quando: Prazo prorrogado até 30 de setembro de 2026. Como participar: Submissão de candidaturas diretamente na Plataforma Oficial da UNIATF/OMS. Fonte: UN Interagency Task Force on NCDs
- Como a linguagem pode reforçar — ou combater — o estigma em saúde mental e demências
Especialistas defendem mudanças na comunicação sobre demências e saúde mental para combater preconceitos, ampliar direitos e fortalecer o protagonismo das pessoas “Demente”, “sofre de Alzheimer”, “mal de Alzheimer”, “está surtando”, “paciente”. Expressões comuns no cotidiano, na mídia e nos serviços de saúde podem parecer inofensivas, mas ajudam a construir percepções sobre quem vive com uma condição de saúde — e podem reforçar estigmas com consequências concretas. A linguagem está no centro de uma transformação necessária na forma como a sociedade compreende saúde mental, demências e outras condições de saúde. Mais do que substituir palavras, trata-se de reconhecer que as pessoas não se resumem aos seus diagnósticos, que sua experiência vivida é uma forma legítima de conhecimento e que a comunicação pode contribuir para a garantia de direitos. “Estigma implica uma relação de poder. É quando um grupo que tem poder nomeia, define e coloca o outro em um lugar de exclusão”, explica Elaine Mateus, pesquisadora e presidente da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz). Segundo ela, os efeitos vão além do preconceito: pessoas estigmatizadas podem ser privadas de direitos fundamentais, como acesso à informação, ao diagnóstico e aos serviços de saúde. Nas demências, mais de 80% das pessoas com 60 anos ou mais permanecem sem diagnóstico no Brasil. “Quando um profissional diz ‘não é nada’ ou ‘ela já tem 80 anos, é assim mesmo’, ele também está reproduzindo estigma”, afirma Elaine. Não é apenas uma questão de palavras Para Elaine, mudar a linguagem não significa criar uma lista de palavras “proibidas”. “Não se trata de policiar palavras. Quando você entende por que uma palavra é inadequada, muda o seu olhar, muda a sua percepção e muda a forma como você aborda aquela pessoa.” Expressões como “sofre de Alzheimer”, “mal de Alzheimer” e “demente” podem reduzir a pessoa à condição. O mesmo pode ocorrer com o uso indiscriminado de “paciente”. “Eu nunca fui cuidadora da minha mãe. Eu sou filha dela. O cônjuge continua sendo cônjuge. A pessoa não deixa de ser quem é porque passou a viver com uma condição.” No campo da saúde mental, Isabel Marçal, cofundadora e diretora executiva do Instituto Bem do Estar e membro do Comitê Diretivo do Vertentes - Ecossistema de Saúde Mental, também defende uma mudança que ultrapassa a terminologia. Ela relata ter vivido uma situação de estigmatização após um afastamento do trabalho por depressão. “Não basta levar o conteúdo. É preciso levar também o como: como fazemos, como comunicamos e como construímos essas práticas.” Divulgação: FórumCCNTs Expressões como “você está surtando com esse projeto” ou “ela sofre de depressão” são exemplos de como a linguagem pode reforçar estereótipos. Isabel prefere falar que uma pessoa “vive com depressão”. Linguagem também é imagem A comunicação inclusiva vai além das palavras. O Guia de Linguagem Inclusiva em Demência, da Febraz aborda também semiótica, incluindo imagens, representações e trilhas sonoras. “Tudo isso é linguagem, tudo isso constrói sentidos”, explica Elaine. Na saúde mental, a cartilha Linguagem em Saúde Mental Importa, do Vertentes apresenta termos a evitar e alternativas, além de conteúdos sobre comunicação não violenta e um glossário de conceitos. Os dois materiais foram inspirados pelo movimento global Language Matters, trazido ao Brasil pelo FórumCCNTs. Guia Linguagem Importa, do FórumCCNTs. Imagem: Divulgação Acesse aqui o material "Linguagem Importa - Atualização de Linguagem para Diabetes, Obesidade, Saúde Mental e outras Condições Crônicas de Saúde", do FórumCCNTs: A experiência vivida também é conhecimento A discussão sobre linguagem está ligada a uma mudança mais ampla na produção de conhecimento em saúde. “Os estudos randomizados são uma forma legítima de evidência. Mas a experiência vivida também é uma evidência legítima”, afirma Elaine. Para ela, quem vive com uma condição possui conhecimentos sobre barreiras, preconceitos e dificuldades de acesso que nem sempre aparecem nos indicadores clínicos. Para Mark Barone, do FórumCCNTs, mudar a linguagem também é necessário para fortalecer a decisão compartilhada. “Quando chamamos alguém de paciente, já estamos colocando essa pessoa em um lugar de quem espera. Isso pode inviabilizar a decisão compartilhada antes mesmo de ela começar.” Por isso, defende que as pessoas sejam estimuladas a conhecer seus direitos, participar das decisões e se engajar no próprio cuidado. Quando houver dúvida, pergunte Não existe uma fórmula definitiva para uma linguagem adequada. Os significados mudam, e cada pessoa pode ter preferências diferentes. “Não saber é o primeiro passo. A gente pode perguntar”, afirma Elaine. Isabel reforça: “Ninguém deve ser negado de ter informações.” Para profissionais de saúde, pesquisadores, jornalistas, comunicadores e gestores, a recomendação é optar, diante de dúvidas, pela formulação com menor potencial de estigmatização — especialmente quando a mensagem alcança grandes públicos. A linguagem é dinâmica e os próprios guias precisarão acompanhar essas transformações. Mais importante do que decorar palavras é compreender os princípios: reconhecer a pessoa antes da condição, respeitar sua identidade, valorizar sua experiência e questionar relações de poder. Porque mudar a linguagem não é apenas mudar palavras. É mudar a forma como enxergamos as pessoas — e o lugar que lhes damos nas decisões, no cuidado e na sociedade.
- Dia Nacional da Diálise reforça a importância da redução de riscos, do diagnóstico precoce e do protagonismo das pessoas no cuidado renal
O cuidado das pessoas que vivem com condições renais crônicas precisa começar muito antes da diálise. Essa foi uma das principais mensagens do encontro Dia Nacional da Diálise, realizado em 27 de agosto, das 10h às 13h, na sede da empresa Vantive, em São Paulo, capital. O evento reuniu especialistas e representantes da sociedade para discutir os desafios relacionados à saúde renal e a construção de uma agenda de cuidado mais integrada, baseada em evidências, escuta e colaboração. Para o FórumCCNTs, a discussão reforça uma perspectiva fundamental: falar de condição saúde renal crônica não significa falar apenas de terapia renal substitutiva. Significa fortalecer a prevenção e o controle dos fatores de risco, ampliar o diagnóstico oportuno, garantir acesso ao cuidado adequado e assegurar que as pessoas tenham informação e participação nas decisões relacionadas à própria saúde. Atenção primária é estratégica para prevenir a progressão da condição renal Durante o encontro, a Dra. Patrícia Abreu, diretora da Sociedade Brasileira de Nefrologia, destacou a importância de qualificar os profissionais da Atenção Primária à Saúde, que estão na linha de frente do cuidado da grande maioria das pessoas com condições renais. Segundo a especialista, cerca de 95% das pessoas com condições renais precisam ser acompanhadas no âmbito da atenção primária, tornando fundamental que as equipes estejam preparadas para reconhecer fatores de risco, realizar o rastreamento adequado, acompanhar a evolução da condição e identificar o momento oportuno para encaminhamento ao nefrologista. Foto: FórumCCNTs Essa abordagem é particularmente relevante diante da forte relação entre saúde renal e condições como hipertensão, diabetes, obesidade e condições cardiovasculares. Dados apresentados no encontro mostraram, por exemplo, maior ocorrência de hipertensão, diabetes e problemas circulatórios entre pessoas sedentárias, reforçando a necessidade de uma abordagem que integre a saúde renal às demais condições crônicas. A existência de protocolos clínicos e diretrizes para orientar esse cuidado é um importante instrumento para a organização da linha de cuidado. Mas, como ressaltado no encontro, é necessário que essas ferramentas sejam efetivamente incorporadas à prática dos serviços de saúde. Medidas relativamente simples podem contribuir para o rastreamento, diagnóstico e monitoramento. Entre elas estão a dosagem da creatinina sérica e a avaliação da albuminúria, especialmente por meio da relação albumina/creatinina urinária. A identificação precoce de alterações permite acompanhar a função renal e atuar sobre fatores modificáveis antes que a condição evolua para estágios mais avançados. Prevenir ou retardar a progressão da condição renal crônica também significa reduzir a necessidade futura de diálise, além de preservar qualidade de vida, autonomia e capacidade funcional das pessoas. Informação ainda não chega de forma adequada à população As apresentações também chamaram atenção para uma lacuna importante: o conhecimento da população sobre a saúde dos rins ainda é limitado. Entre os dados apresentados, 20,3% das pessoas entrevistadas afirmaram não saber avaliar sua probabilidade de desenvolver uma condição renal. Apenas 15,4% perceberam seu risco como alto ou muito alto, enquanto 27,2% consideraram o risco médio e 24,3%, baixo. Foto: FórumCCNTs O desconhecimento também aparece quando as pessoas são questionadas sobre as funções dos rins. Embora 81% reconheçam que os rins filtram o sangue e removem toxinas, poucas pessoas associam os órgãos a outras funções importantes, como a participação no controle da pressão arterial e da anemia. Outro ponto de atenção é o reconhecimento dos sinais de alerta. Dor nas costas na região dos rins, inchaço dos membros inferiores e urina espumosa ou com sangue foram os sintomas mais frequentemente associados à condição renal. Entretanto, 10,6% disseram não saber identificar sinais ou sintomas, enquanto a relação entre hipertensão e saúde renal foi reconhecida por apenas 23,3% dos entrevistados. Para o FórumCCNTs, esses resultados evidenciam que educação em saúde precisa fazer parte da política de cuidado, e não ser tratada como uma ação complementar. Informação qualificada pode ajudar as pessoas a reconhecer fatores de risco, procurar os serviços de saúde oportunamente e participar de forma mais ativa das decisões sobre seu cuidado. Fazer exames não significa necessariamente compreender para que eles servem Os dados apresentados também revelaram uma contradição importante. Embora exames de rotina façam parte da vida de grande parcela da população, existe pouco conhecimento sobre quais deles são especificamente relevantes para a avaliação da saúde renal. O exame de urina foi reconhecido por 63,8% dos entrevistados como relacionado à saúde dos rins. Já a creatinina no sangue foi mencionada por 32,8% e a ureia por 38,5%. Ao mesmo tempo, 12,9% afirmaram não saber quais exames avaliam os rins. Entre aqueles que realizaram exames de rotina nos dois anos anteriores, 42,9% fizeram dosagem de creatinina, 40,7% de ureia, 33,8% proteinúria e 28,5% relação albumina/creatinina na urina. A taxa de filtração glomerular foi mencionada por apenas 18,2%. Os números reforçam a necessidade de aproximar acesso, informação e cuidado. Não basta ampliar a realização de exames: é preciso que as pessoas e os profissionais compreendam seu propósito e saibam como os resultados devem orientar o acompanhamento. Medo e barreiras de acesso também interferem no cuidado O encontro apresentou ainda dados sobre as barreiras que dificultam a realização de cuidados preventivos. Custo ou falta de dinheiro (31,9%) e falta de tempo (28,3%) aparecem entre os principais motivos para não realizar exames preventivos com maior frequência. A dificuldade de acesso também é relevante, especialmente em determinadas regiões do país. Ao mesmo tempo, o medo permanece como uma barreira importante. 60,6% apontaram o medo de descobrir algo grave como seu principal temor relacionado à saúde, seguido pelo medo de não ter dinheiro para o tratamento (50,5%) e pelo medo de perder a independência (30,9%). Esses dados mostram que promover o cuidado renal exige mais do que disponibilizar serviços. É necessário enfrentar barreiras financeiras, geográficas, informacionais e culturais, além de considerar os sentimentos e as prioridades das pessoas. Existe vida além da diálise A enfermeira Camila Barbosa trouxe outra dimensão fundamental para o debate: existe vida além da diálise. Foto: FórumCCNTs A terapia renal substitutiva é uma parte do cuidado de uma pessoa com condição renal avançada, mas não pode definir toda a sua existência. Trabalho, estudos, relações familiares, atividades sociais, autonomia e projetos de vida continuam sendo dimensões essenciais. Nesse contexto, a diálise peritoneal foi apresentada como uma das modalidades disponíveis de terapia renal substitutiva, com alternativas como a diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) e a diálise peritoneal automatizada (APD). Entre as características discutidas estão a possibilidade de realização do tratamento no domicílio e, em determinadas situações, maior flexibilidade para organizar a rotina. Mas a mensagem central é que a escolha da modalidade deve ser individualizada e construída de forma compartilhada com a equipe de saúde, considerando condições clínicas, aspectos da cavidade abdominal, histórico cirúrgico, rotina, suporte disponível, autonomia e preferências da pessoa. Foto: FórumCCNTs Os dados apresentados também ajudam a dimensionar o desafio brasileiro. Segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2025, citado durante o encontro, havia 173.408 pessoas em diálise crônica no país, sendo 4,2% em diálise peritoneal e 85,8% em hemodiálise — com a apresentação destacando ainda a participação da hemodiafiltração entre as pessoas com condições de saúde em hemodiálise. Mais do que discutir qual modalidade é melhor, portanto, é necessário garantir que as pessoas conheçam as alternativas e tenham condições de participar da decisão sobre o tratamento. Protagonismo das pessoas precisa estar no centro do cuidado A Dra. Geovanna reforçou a importância de mudar a forma como falamos sobre condição renal crônica, colocando as pessoas que vivem com a condição no centro da discussão e reconhecendo seu protagonismo no tratamento. Essa mudança de perspectiva é essencial para um modelo de atenção verdadeiramente centrado nas pessoas. O indivíduo não deve ser visto apenas como alguém que recebe procedimentos ou segue prescrições, mas como sujeito de direitos, decisões e escolhas, cuja experiência cotidiana precisa ser considerada na organização do cuidado. A participação informada também é particularmente importante quando existem diferentes possibilidades terapêuticas. A decisão compartilhada permite que aspectos clínicos sejam considerados conjuntamente com valores, preferências, rotina, contexto familiar e condições sociais. Conscientização precisa fazer parte da agenda de saúde renal A Dra. Arcangela apresentou dados sobre o comportamento e o conhecimento da população diante da saúde renal, evidenciando a necessidade de ampliar as ações de conscientização. Foto: FórumCCNTs Um dos dados mais expressivos diz respeito à própria diálise peritoneal: 59,5% dos entrevistados afirmaram nunca ter ouvido falar sobre a modalidade, enquanto apenas 9,8% disseram conhecê-la bem. Em contraste, 93,4% já haviam ouvido falar em hemodiálise. A diferença evidencia como o conhecimento sobre as opções de tratamento é desigual e reforça a importância de oferecer informação acessível e baseada em evidências antes que a pessoa precise tomar uma decisão em situação de maior vulnerabilidade. Uma agenda que começa antes da diálise A participação no Dia Nacional da Diálise reforça uma agenda que dialoga diretamente com as prioridades do FórumCCNTs: prevenir, diagnosticar precocemente, qualificar a atenção primária, integrar o cuidado, reduzir desigualdades de acesso e garantir o protagonismo das pessoas que vivem com condições crônicas. A saúde renal precisa ser incorporada de maneira mais efetiva à agenda das condições crônicas não transmissíveis. Isso significa fortalecer a capacidade da Atenção Primária para identificar riscos e acompanhar as pessoas; garantir acesso a exames essenciais; estabelecer fluxos adequados de encaminhamento; ampliar o conhecimento da população; e assegurar que, quando a terapia renal substitutiva for necessária, as diferentes alternativas sejam apresentadas de forma clara e em um processo de decisão compartilhada. Cuidar dos rins é, antes de tudo, cuidar das pessoas. E esse cuidado começa muito antes da diálise.
- Toolkit de Advocacy para o Acesso a Medicamentos e Tecnologias em CCNTs
Novo toolkit global da NCD Alliance orienta ações de equidade na saúde e destaca, em parceria com o FórumCCNTs, estudo de caso brasileiro sobre a incorporação de insulinas análogas Lançado durante a Semana Global de Ação sobre as CCNTs (Global Week for Action on NCDs), a NCD Alliance e o NCD Policy Lab da Universidade de Genebra apresentaram o guia prático "Advancing Access: A practical advocacy toolkit for improving access to NCD medicines, diagnostics and medical devices". O material, agora disponível na biblioteca +Recursos do FórumCCNTs, foi desenvolvido para capacitar ativistas de saúde e organizações da sociedade civil a transformarem compromissos globais em ações concretas de gestão e equidade. Divulgação: NCD Alliance Milhões de pessoas que convivem com CCNTs enfrentam desafios diários para obter recursos terapêuticos essenciais e dispositivos médicos com preço acessível e qualidade garantida. Este toolkit fornece ferramentas analíticas para identificar barreiras ao longo da cadeia de valor farmacêutica — abrangendo seleção, regulação, previsão de demanda, compras públicas e precificação —, permitindo a construção de estratégias de advocacy baseadas em evidências locais. Um dos maiores destaques da publicação global está na página 13, que traz como contribuição direta do FórumCCNTs o estudo de caso sobre a incorporação das insulinas análogas no SUS. O exemplo brasileiro ilustra como a mobilização multissetorial e a fundamentação técnica podem influenciar positivamente a ampliação de tratamentos essenciais na rede pública de saúde. Cadeia de Valor e Fortalecimento do Acesso Sustentável O material divide o percurso do acesso em cinco etapas estratégicas para que os defensores de direitos em saúde consigam atuar onde os gargalos realmente acontecem. Na fase de seleção e incorporação, orienta-se a análise da inclusão de itens prioritários nas listas de Rename e diretrizes clínicas nacionais. Na etapa regulatória, o foco recai sobre a agilidade na aprovação de biossimilares e genéricos de qualidade. Os pilares de previsão e compras públicas destacam estratégias para evitar o desabastecimento de insumos e promover mecanismos transparentes de aquisição. Por fim, na precificação, o guia aborda mecanismos de proteção financeira para garantir que o cuidado em saúde não represente custos catastróficos para as famílias e indivíduos. A inserção da experiência do FórumCCNTs na defesa das insulinas análogas no Brasil reforça a importância de monitorar o fluxo contínuo desde a recomendação oficial até a efetiva entrega do insumo à pessoa que necessita do acompanhamento. Esse histórico demonstra como a atuação articulada impulsiona avanços reais na atenção primária e especializada. Engajamento Global e Mobilização nas Redes A publicação do toolkit coincide com a mobilização mundial pela Semana de Ação sobre as CCNTs, momento em que a rede global cobra de governos o cumprimento da meta de garantir 80% de disponibilidade de tratamentos essenciais nos serviços primários de saúde até 2030. O FórumCCNTs convida toda a sua rede de parceiros a explorar esta nova ferramenta e a multiplicar essa mensagem em suas canais digitais. O uso do material fortalece o diálogo com o setor público para a construção de políticas universais e inclusivas. Ao divulgar esta conquista e utilizar os dados do toolkit, reforçamos a voz das pessoas com CCNTs e ampliamos os caminhos para uma atenção integral e equitativa no Brasil e no mundo. Fonte: NCD Alliance
- Câncer de pulmão: diagnóstico precoce, rastreamento e cuidado integrado são apontados como prioridades para reduzir mortes no Brasil
Especialistas e representantes da sociedade civil defendem ação coordenada para enfrentar condição de saúde que é a principal causa de morte por câncer no país O câncer de pulmão é hoje um dos principais desafios para o manejo do câncer no Brasil. Estima-se que o país registre entre 30 mil e 35 mil novos casos e aproximadamente 20 mil mortes pela condição de saúde a cada ano. Para especialistas e representantes da sociedade civil reunidos pelo Fórum Intersetorial de Condições Crônicas Não Transmissíveis no Brasil (FórumCCNTs), reduzir essa mortalidade exige transformar o conhecimento científico e as tecnologias disponíveis em políticas públicas capazes de assegurar redução de riscos, diagnóstico oportuno, tratamento adequado e cuidado de qualidade. Assista aos vídeos do evento aqui Foto: FórumCCNTs O principal obstáculo está no diagnóstico tardio: cerca de 80% dos casos são identificados em estágios avançados e, em alguns estados, essa proporção chega a quase 90%. A diferença no prognóstico de acordo com o estágio é expressiva: a sobrevida em cinco anos pode chegar a 80% no estágio I, enquanto permanece inferior a 10% no estágio IV, mesmo com os avanços em imunoterapia e terapias-alvo. Foto: FórumCCNTs “Temos uma diferença enorme de prognóstico entre identificar o câncer de pulmão precocemente e chegar ao diagnóstico em uma fase avançada. O desafio é fazer com que o diagnóstico oportuno deixe de ser uma exceção e passe a fazer parte de uma resposta organizada do sistema de saúde”, afirmou Daniel Bonomi, diretor científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT). Rastreamento pode reduzir mortalidade em até 24% Entre as medidas com maior potencial de impacto está a implementação de um programa nacional estruturado de rastreamento do câncer de pulmão por tomografia computadorizada de baixa dose. Foto: FórumCCNTs Segundo Gustavo Prado, da Aliança Brasileira Contra o Câncer de Pulmão, “estudos realizados na América do Norte e nos Países Baixos, envolvendo mais de 65 mil participantes, demonstraram redução de 20% a 24% na mortalidade por câncer de pulmão com o rastreamento. Estudos realizados posteriormente na Itália, Alemanha, Dinamarca e Brasil também confirmaram os benefícios da estratégia”. As recomendações discutidas no encontro contemplam pessoas que fumam ou que deixaram de fumar, entre 50 e 80 anos, com carga tabágica superior a 20 maços-ano, para realização anual de tomografia por pelo menos três anos. Apesar das evidências disponíveis, o Brasil ainda não conta com um programa nacional de rastreamento estruturado no SUS. As iniciativas existentes são isoladas e não estão organizadas em uma estratégia nacional. Há também evidências brasileiras de custo-efetividade do rastreamento. O INCA desenvolve um projeto-piloto no Rio de Janeiro para produzir evidências de mundo real e avaliar o impacto econômico da estratégia no contexto brasileiro. Os participantes defenderam ainda a submissão formal do rastreamento à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC). “Não estamos falando apenas de uma hipótese. Existe evidência robusta de redução de mortalidade e já existem estudos brasileiros mostrando que o rastreamento pode ser custo-efetivo. Precisamos avançar para uma política estruturada, com critérios, financiamento e acompanhamento adequado”, destacou Gustavo Prado. A experiência do Hospital de Câncer de Barretos foi apresentada por Celina Martins, do Instituto Vencer o Câncer (IVOC), como exemplo de que é possível modificar o cenário. Em cinco anos, a instituição registrou 44% dos diagnósticos em estágio precoce, em contraste com a realidade nacional, na qual aproximadamente 80% dos casos são diagnosticados em estágios avançados. Diagnóstico oportuno também é uma estratégia de sustentabilidade O diagnóstico precoce foi apontado não apenas como uma medida capaz de ampliar as possibilidades de tratamento, mas também como uma estratégia de maior eficiência para o sistema de saúde. Rodrigo Saar, pesquisador do INCA, apresentou dados que evidenciam essa relação: o tratamento da condição de saúde metastática pode chegar a ser oito vezes mais caro. Foto: FórumCCNTs O encontro também destacou avanços recentes no financiamento da atenção oncológica. Segundo Gustavo Prado, uma portaria publicada em 2024 instituiu o componente de Assistência Farmacêutica Oncológica e criou uma linha específica de financiamento para medicamentos oncológicos. Entre as mudanças previstas estão o aumento do reembolso via APAC e a possibilidade de compras centralizadas, com potencial para acelerar o acesso a medicamentos já incorporados. Uma linha de cuidado integrada para reduzir os gargalos Outro ponto de convergência foi a necessidade de fortalecer uma linha de cuidado do câncer de pulmão, articulando desde a atenção primária até o diagnóstico, estadiamento e tratamento especializado. Foto: FórumCCNTs “Hoje, a organização do cuidado é uma estrada esburacada”, afirmou Celina Martins, ao destacar os obstáculos encontrados pelas pessoas em diferentes etapas do cuidado. O câncer de pulmão também foi apontado entre as condições mais afetadas pelo descumprimento do prazo legal de 60 dias para início do tratamento. Entre as propostas discutidas estão a organização de fluxos integrados envolvendo pneumologia, radiologia e cirurgia torácica, o uso de telemedicina para ampliar o acesso em regiões remotas e a qualificação da atenção primária para identificação e encaminhamento oportunos de alterações pulmonares. Também foi destacada a importância da navegação de pessoas com câncer, com apoio para superar barreiras e organizar o percurso de cuidado. O INCA está desenvolvendo um guia técnico para apoiar instituições na implementação dessa abordagem. Após a confirmação diagnóstica, os participantes defenderam que a definição terapêutica seja realizada por equipes multidisciplinares, envolvendo oncologia, radioterapia e cirurgia torácica, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Redução de riscos do tabagismo continua essencial O uso de produtos de tabaco permanece como o principal fator de risco associado ao câncer de pulmão. Segundo os dados apresentados, 85% das pessoas com câncer de pulmão fumam ou já fumaram. Ao mesmo tempo, os participantes chamaram atenção para o crescimento de casos entre pessoas sem histórico de uso de tabaco e para fatores ambientais como poluição, radônio, queimadas e mudanças climáticas. O fortalecimento das políticas de redução de riscos do tabagismo, especialmente entre crianças e adolescentes, foi apontado como prioridade. Entre as medidas defendidas estão a proibição de aditivos de aromas e sabores em produtos de tabaco e a adoção de tributação capaz de desestimular o consumo. Foto: FórumCCNTs “Reduzir os riscos a iniciação ao tabagismo continua sendo uma das medidas mais importantes para reduzir a carga futura do câncer de pulmão. Precisamos proteger especialmente crianças e adolescentes e enfrentar estratégias que tornam esses produtos mais atrativos”, afirmou Mariana Pinho, coordenadora do Projeto Tabaco da ACT Promoção da Saúde. Os participantes também manifestaram preocupação com os cigarros eletrônicos e defenderam o fortalecimento das políticas de manejo do tabaco. No SUS, já existem alternativas farmacológicas para o tratamento da dependência, incluindo adesivos e goma de nicotina e bupropiona. Participação social deve fazer parte da resposta O encontro também discutiu os desafios para transformar evidências em políticas públicas. O PL 2.550/2024, que originalmente tinha como foco a implementação do rastreamento do câncer de pulmão, foi citado como exemplo das dificuldades enfrentadas para manter o tema na agenda legislativa. O estigma relacionado ao câncer de pulmão e ao tabagismo foi apontado como uma barreira adicional. A associação entre a condição de saúde e o comportamento de fumar pode contribuir para a culpabilização das pessoas e reduzir a mobilização social em torno do tema. “Precisamos fortalecer a voz das pessoas que vivem com câncer de pulmão nas decisões que afetam sua saúde. A participação social pode ajudar a transformar uma questão que muitas vezes permanece invisível em uma prioridade de política pública”, destacou Celina Martins. A Aliança Brasileira contra o Câncer de Pulmão, formada inicialmente por SBPT e SBCT e articulada com outras entidades, foi apresentada como uma iniciativa para integrar diferentes organizações e ampliar a capacidade de advocacy em torno da condição de saúde. Prioridades para reduzir mortes Ao final do encontro, especialistas e representantes da sociedade civil convergiram em torno de prioridades para reduzir a mortalidade por câncer de pulmão no Brasil: estruturar um programa nacional de rastreamento com tomografia de baixa dose; atualizar protocolos e diretrizes de diagnóstico e tratamento; fortalecer uma linha de cuidado integrada, da atenção primária ao tratamento especializado; ampliar a navegação e o apoio às pessoas com câncer; garantir financiamento e acesso efetivo às tecnologias incorporadas ao SUS; fortalecer políticas de redução de riscos e manejo do tabagismo; enfrentar a expansão dos cigarros eletrônicos; ampliar a participação das pessoas afetadas pela condição de saúde e da sociedade civil na formulação das políticas públicas; e articular governo, sociedades científicas, instituições de pesquisa, setor privado e organizações da sociedade civil em torno de uma agenda comum. “Temos evidências, profissionais qualificados, tecnologias e experiências que mostram que é possível fazer diferente. O desafio é transformar esses elementos em uma resposta coordenada, capaz de ampliar o diagnóstico oportuno e o acesso ao cuidado adequado e, sobretudo, reduzir mortes evitáveis”, concluiu Mark Barone, do FórumCCNTs, moderador do encontro.
- Câncer de Pulmão: Como Transformar Políticas em Menos Mortes - 28/8, às 15h
Objetivo: Evidenciar a dimensão do desafio representado pelo câncer de pulmão e a necessidade de fortalecer a resposta nacional à doença. Promover a implementação de políticas, protocolos e programas capazes de ampliar a prevenção, o diagnóstico oportuno, o acesso ao tratamento e a qualidade do cuidado. Mobilizar e articular instituições estratégicas para acelerar ações coordenadas que contribuam para a redução da mortalidade por câncer de pulmão no Brasil. Agenda: 15h00-15h20 – Abertura e Contextualização (Mark Barone, FórumCCNTs) (Vídeo) Daniely Votto (Siemens) (Vídeo) Mariana Pinho (ACT) (Vídeo) Ricardo Corrêa (SBPT) (Vídeo) 15h25-15h30 – O que justifica o tamanho do desafio do câncer de pulmão – epidemiologia, políticas e programas? (Daniel Bonomi, SBCT) (Vídeo) 15h35-15h40 – Qual a importância do diagnóstico precoce, inovação tecnológica e acesso ao tratamento para retirar o câncer de pulmão do topo entre os tipos de câncer mais letais? (Clarissa Mathias, Oncoclínicas | ASCO) (Vídeo) 15h45-15h50 – Há evidências concretas de que um programa estruturado de diagnóstico, referenciamento e tratamento de qualidade pode reduzir a elevada taxa de mortalidade do câncer de pulmão? (Gustavo Prado, Aliança Brasileira Contra o Câncer de Pulmão) (Vídeo) 15h55-16h00 – Como a implementação do PCDT de Câncer de Pulmão tem permitido melhorar os cuidados e reduzir mortes por esse tipo de câncer? (Rodrigo Saar, INCA) (Vídeo) 16h05-16h10 – Quais gargalos a sociedade civil ainda tem identificado para avanços e redução de mortes provocadas pelo câncer de pulmão? (Celina Martins, IVOC) (Vídeo) 16h15-17h00 – Debate com todos os painelistas – Quais ações prioritárias têm maior potencial para reduzir a mortalidade por câncer de pulmão nos próximos anos e como as instituições aqui representadas podem atuar de forma coordenada para acelerar sua implementação? (Moderação: Mark Barone, FórumCCNTs) (Vídeo) Painelistas e Moderador Celina Martins (IVOC) Cientista social graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui ampla experiência nas áreas de advocacy, relações governamentais, responsabilidade social corporativa e fortalecimento de organizações do terceiro setor, com atuação em desenvolvimento de projetos, captação de recursos, articulação institucional, campanhas de conscientização e relacionamento com stakeholders dos setores público, privado e da sociedade civil. Também possui experiência na construção de iniciativas voltadas à interação entre a indústria farmacêutica e associações de pacientes. Atualmente, atua como Consultora de Advocacy e Políticas Públicas no Instituto Vencer o Câncer. Clarissa Mathias, MD, MSc, PhD (Oncoclínicas | ASCO) Médica graduada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com residência em Oncologia e Hematologia nos Estados Unidos, doutorado em Medicina e Saúde pela UFBA e MBA em Gestão da Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Possui ampla experiência em oncologia clínica e pesquisa, tendo presidido a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e o Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT). Foi a primeira brasileira a integrar o grupo global de especialistas Fellow of the American Society of Clinical Oncology (FASCO). Atualmente, atua como oncologista clínica no Grupo Oncoclínicas, lidera estudos clínicos e integra o Conselho da International Association for the Study of Lung Cancer (IASLC), Comitê de Mulheres para Oncologia da European Society for Medical Oncology (ESMO) e membro internacional do Conselho Global (Board of Directors) da ASCO. Daniel Bonomi, MD, MSc (SBCT) Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Medicina, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia robótica, cirurgia torácica, cirurgia torácica, cirurgia vídeo assistida e câncer pulmão. Professor de Cirurgia do Tórax na Faculdade de Medicina da UFMG, Cirurgião de Tórax da Rede Mater Dei de Saúde e Cirurgião de Tórax no Hospital Vila da Serra OC no Hospital Vila da Serra. Atualmente é Diretor Cientifico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT). Daniely Votto, MBA, MSc (Siemens) Advogada graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), mestre em Ciências Sociais pela PUCRS, com foco em democracia participativa, e MBA em Direito, com especialização em Filosofia e Direito Civil. Possui experiência nas áreas de relações governamentais, políticas públicas, sustentabilidade urbana, saúde global e governança participativa, com atuação na articulação entre os setores público e privado. Atualmente, atua como Head de Relações Governamentais para a América Latina na Siemens Healthineers. Gustavo Prado, MD, MSc, PhD (Aliança Brasileira Contra o Câncer de Pulmão) Médico Pneumologista pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Doutor em Pneumologia pela mesma instituição. Fellowship Pneumologia Ocupacional e Ambiental e Oncologia Torácica pela FMUSP. Segue linhas de Pesquisa em Impactos cardiopulmonares da exposição à poluição ambiental, stress oxidativo e cessação de tabagismo. Médico Colaborador do Grupo de Neoplasias Pulmonares da Disciplina de Pneumologia pelo INCOR. Atualmente atua no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e é Gerente de Inovação e Educação Médica no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Mariana Pinho, MSc (ACT Promoção da Saúde) Enfermeira graduada pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Enfermagem do Trabalho pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestrado em Saúde Pública, com ênfase em Políticas, Planejamento, Gestão e Cuidado em Saúde, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Possui experiência em políticas públicas de saúde, promoção da saúde e controle do tabaco, tendo atuado no Ministério da Saúde, no Instituto Nacional de Câncer (INCA), na Fundação do Câncer e como consultora em políticas públicas e controle do tabaco. Atualmente, é Coordenadora do Projeto Tabaco da ACT Promoção da Saúde, onde desenvolve ações de advocacy, articulação institucional e fortalecimento de políticas públicas para prevenção e controle do tabagismo. Ricardo Corrêa, MD, MSc, PhD (SBPT) Médico graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mestrado e doutorado em Medicina pela mesma instituição e Título de Especialista em Pneumologia pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Possui ampla experiência em pneumologia, doenças da circulação pulmonar, pesquisa clínica e formação de especialistas, tendo coordenado o Ambulatório de Doenças da Circulação Pulmonar e o Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, além de ser cofundador do Serviço de Pneumologia e Cirurgia Torácica do Hospital Madre Teresa. Atualmente, é Presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), professor titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e orientador permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto. Rodrigo Saar, MBA, MSc, PhD (INCA) Farmacêutico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Farmacologia e Terapêutica Experimental, doutorado em Saúde Coletiva e MBA em Gestão em Saúde pela UFRJ. Especialista em Avaliação de Tecnologias em Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possui experiência nas áreas de avaliação de tecnologias em saúde, economia da saúde, gestão hospitalar e oncologia. Atua como pesquisador e docente, com foco em incorporação de tecnologias, farmacoeconomia e políticas de saúde. Atualmente, atua como tecnologista sênior e pesquisador da Divisão de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Oncologia (PPGCAn/INCA). Mark Barone, PhD (FórumCCNTs) Doutor em Fisiologia Humana pela USP, Especialista em Educação em Diabetes e em Comunicação. Desenvolve pesquisas e projetos de Educação em Saúde, Empoderamento, Liderança de (im)pacientes, Divulgação Científica e Saúde Global. Ampla experiência na facilitação de parcerias para a implementação, sustentabilidade e escala de programas e políticas de saúde. Foi Fellow no PHI e Diretor Técnico do Instituto de Saúde Pública do Brasil, prestando serviço à Medtronic Foundation como Senior Global Technical Advisor e VP da Federação Internacional de Diabetes (IDF). Atualmente é Coordenador-geral do FórumCCNTs, Membro Honorário da ADJ Diabetes Brasil e Membro do Advisory, Scientific, ou Steering Committee de entidades nacionais e internacionais, incluindo IAPO, BMJ Patients Panel, RICPHI, NCD-Lab-GCM/WHO e LFAC. Parceiros Institucionais Parceiro Corporativo
- Alimentação na Infância e CCNTs: O Desafio dos Ultraprocessados em Comunidades Urbanas
Estudo do UNICEF analisa determinantes sociais da saúde, barreiras na rotulagem e os caminhos para o cuidado integral de crianças no Brasil O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicou o relatório “Ultraprocessados e Infância: Barreiras e Caminhos para Hábitos Saudáveis em Comunidades Urbanas”, documento que traz dados cruciais sobre a alimentação na primeira infância. A publicação investiga os aspectos culturais, sociais e territoriais que influenciam a nutrição infantil e a prática de atividades físicas em territórios vulneráveis do Brasil. Imagem: Divulgação A pesquisa aponta que os produtos ultraprocessados estão profundamente enraizados no cotidiano de meninos e meninas, sendo frequentemente associados a momentos de afeto, celebração e conquista social. O levantamento revela que 50% das crianças consumiram ultraprocessados no lanche do dia anterior à entrevista, demonstrando como a exposição a esses itens é expressiva nas refeições intermediárias, superando de forma acentuada a presença no almoço e no jantar. Outro ponto alarmante identificado pela publicação diz respeito à percepção equivocada sobre itens considerados “falsos saudáveis” e à baixa eficácia das ferramentas de informação nutricional. Cerca de 55% dos entrevistados relataram que nunca consultam os rótulos para verificar a presença de excesso de açúcares ou gorduras, e produtos como iogurtes aromatizados e empanados de frango ainda são interpretados como benéficos à saúde por cerca de metade das famílias. Determinantes Sociais e a Promoção da Saúde na Infância A análise detalha que o consumo elevado de produtos com baixa qualidade nutricional não deriva do desinteresse familiar, mas sim de barreiras estruturais do ambiente urbano. O acesso limitado a feiras com alimentos frescos, o custo financeiro e a pressão da publicidade voltada ao público infantil criam ambientes propícios ao surgimento precoce de CCNTs, como a obesidade infantil e alterações metabólicas. Para reverter esse quadro, o estudo defende o fortalecimento de estratégias de promoção da saúde fundamentadas no ecossistema comunitário. Isso envolve desde a ampliação do conhecimento sobre a rotulagem nutricional até a criação de políticas públicas que protejam os ambientes escolares e garantam o acesso a espaços seguros para o lazer e o movimento. A articulação entre os setores da saúde, educação e assistência social é apontada como indispensável para estruturar a atenção integral desde os primeiros anos de vida. O diagnóstico precoce de inadequações nutricionais e a oferta de suporte às famílias são estratégias centrais para assegurar que o desenvolvimento infantil ocorra com dignidade e qualidade de vida. Caminhos para o Cuidado e a Proteção Integral O fortalecimento de redes de apoio local e o engajamento comunitário aparecem como pilares fundamentais para transformar a relação das famílias com a alimentação. Capacitar lideranças locais e profissionais da atenção primária permite que as orientações de saúde façam sentido dentro da realidade financeira e cultural de cada território. A publicação destaca ainda a importância de aprimorar a comunicação pública e garantir que o poder público crie mecanismos efetivos de proteção às crianças. A regulação do ambiente alimentar ao redor das escolas e o incentivo à agricultura familiar são medidas estratégicas para favorecer escolhas mais nutritivas no dia a dia. O FórumCCNTs recomenda a leitura detalhada deste relatório a todos os gestores, pesquisadores e defensores da causa da infância. A compreensão aprofundada desses determinantes é o primeiro passo para desenhar ações multissetoriais capazes de garantir o cuidado integral e um futuro saudável para todas as crianças. Fonte: Unicef
- Edital FME de R$ 100 mil a R$ 1 milhão por projeto - Até 30/10
A Fundação Maria Emília (FME) abriu as inscrições para a Chamada Aberta de Projetos FME Transforma 2026, iniciativa destinada a impulsionar propostas inovadoras voltadas às áreas de atenção à saúde e educação em todo o Brasil. O edital busca apoiar instituições e pesquisadores dedicados a desenvolver soluções, aprimorar práticas e gerar conhecimento com impacto social duradouro, oferecendo recursos financeiros que variam de R$ 100 mil a até R$ 1 milhão por projeto. Imagem: Divulgação FME O investimento destina-se a apoiar organizações sem fins lucrativos, centros de pesquisa e instituições de ensino cujas propostas apresentem alto potencial de transformação nas linhas temáticas de inovação tecnológica, infância e adolescência, envelhecimento ativo, sustentabilidade e melhoria do acesso à educação de qualidade. Com um processo de seleção rigoroso e abrangência nacional, a oportunidade representa um aporte estratégico importante para fortalecer iniciativas capazes de elevar a qualidade dos serviços prestados à população. 🎯 Linhas Temáticas e Categorias de Financiamento O edital FME Transforma contempla cinco eixos prioritários de atuação: Inovação tecnológica na atenção assistencial. Saúde na infância e adolescência. Envelhecimento saudável e longevidade. Saúde pública e meio ambiente. Acesso e qualidade na educação. O aporte orçamentário está dividido em três faixas de fomento: Faixa 1: Apoio de até R$ 100.000,00. Faixa 2: Apoio de R$ 100.001,00 a R$ 500.000,00. Faixa 3: Apoio de R$ 500.001,00 a R$ 1.000.000,00. 👥 Quem Pode Participar e Pré-requisitos Podem se candidatar pessoas jurídicas sem fins lucrativos (como organizações da sociedade civil, universidades e centros de pesquisa) e pesquisadores com vínculo institucional comprovado. Entre os critérios obrigatórios estabelecidos no edital estão: Indicação de um coordenador de projeto com titulação mínima de doutorado. Submissão completa de plano de trabalho, cronograma de execução e orçamento detalhado. Envio exclusivo por meio da plataforma digital oficial da Fundação. Serviço: O quê: Edital FME Transforma 2026 – Chamada Aberta de Projetos em Saúde e Educação. Apoio Financeiro: De R$ 100 mil até R$ 1 milhão por iniciativa. Até quando: Inscrições abertas até 30 de outubro de 2026. Como se inscrever: Envio eletrônico de propostas diretamente na Plataforma Oficial da Fundação Maria Emília. Fonte: Fundação Maria Emília












