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Obesidade, saúde mental e novas estratégias de cuidado ganham destaque no último dia do XXXIX Congresso do CONASEMS

  • Foto do escritor: FórumCCNTs
    FórumCCNTs
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Experiências inovadoras apresentadas durante o congresso reforçam que enfrentar a obesidade e ampliar o cuidado em saúde mental exigem organização das redes de atenção, investimento público e atuação integrada da Atenção Primária à Saúde


O último dia do XXXIX Congresso do CONASEMS reuniu experiências que abordaram alguns dos desafios mais complexos enfrentados atualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS): o crescimento da obesidade, seu impacto econômico sobre o sistema de saúde e a ampliação das demandas relacionadas à saúde mental.


As apresentações evidenciaram que a obesidade deve ser compreendida muito além de uma condição clínica individual. Dados apresentados pelo Painel Brasileiro da Obesidade mostram que ela representa também um importante desafio econômico para o país. Estima-se que, em 2024, a carga fiscal atribuída à obesidade varie entre R$ 41,7 bilhões e R$ 44,6 bilhões por ano, podendo alcançar R$ 60,5 bilhões anuais em 2033 caso a tendência atual seja mantida.


Segundo os especialistas, os custos decorrem não apenas das despesas assistenciais — estimadas em quase R$ 30 bilhões anuais —, mas também da perda de arrecadação tributária, aposentadorias precoces, invalidez e redução da produtividade.


Outro dado apresentado chamou atenção para o efeito multiplicador da obesidade sobre as condições crônicas. Pessoas com obesidade apresentam prevalência 5,35 vezes maior de apneia obstrutiva do sono, 2,44 vezes maior de osteoartrite, 2,32 vezes maior de gota, 1,91 vez maior de diabetes e 1,79 vez maior de hipertensão, reforçando o papel da condição como um dos principais fatores que impulsionam a carga de CCNTs nos municípios.


Novas estratégias para reduzir filas e ampliar o acesso ao tratamento


Entre as experiências apresentadas, destacaram-se iniciativas inovadoras voltadas ao cuidado das pessoas com obesidade grave.


No Rio Grande do Sul, foi apresentado o programa desenvolvido pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), que passará a oferecer semaglutida para pessoas que aguardam cirurgia bariátrica. A estratégia responde a um cenário preocupante: atualmente, cerca de 12 mil pessoas aguardam cirurgia bariátrica no estado, e aproximadamente 40% das pessoas acabam morrendo antes de conseguir realizar o procedimento.


Além do tratamento pré-operatório, o protocolo prevê a utilização da medicação também em pessoas que apresentem novo ganho de peso superior a 20% após a cirurgia, buscando reduzir complicações e melhorar os resultados de longo prazo.


Outra experiência compartilhada pelo secretário municipal da saúde do Rio de Janeiro referiu-se ao protocolo específico para utilização da semaglutida em pessoas com obesidade grave e diabetes tipo 2, além de pessoas com importantes condições de saúde associadas.


Durante a apresentação, foi destacado que “no Rio o financiamento é da Prefeitura”, demonstrando que a incorporação da tecnologia ocorreu com recursos próprios do município. Os gestores defenderam que “o custo se justifica pela redução das consequências da obesidade não tratada”, especialmente diante da elevada carga de CCNTs e dos custos assistenciais futuros.


Ao mesmo tempo, os palestrantes reconheceram que a incorporação da terapia representa um importante desafio para a sustentabilidade financeira do sistema. Houve consenso de que se trata de um tratamento de alto custo, difícil de ser absorvido em larga escala, sobretudo porque o número de pessoas que necessitam de cuidado é muito superior à capacidade atual de oferta.


Saúde mental também ocupa espaço central nas discussões


As discussões do último dia também abordaram o crescimento das demandas em saúde mental após a pandemia de COVID-19.


Especialistas do Ministério da Saúde destacaram que o aumento observado atualmente corresponde à chamada “quarta onda” da pandemia, marcada pelos impactos persistentes sobre a saúde mental da população, ao lado das consequências provocadas pela interrupção do cuidado de pessoas com condições crônicas.


Entre os temas discutidos esteve o crescimento dos transtornos relacionados aos jogos de apostas online. Dados apresentados indicam que 25 milhões de brasileiros realizaram apostas em plataformas autorizadas em 2025, enquanto cerca de 7,3% da população apresenta critérios para jogo de risco ou problemático, representando aproximadamente 2 milhões de pessoas.


As experiências compartilhadas demonstraram iniciativas de teleatendimento, estratégias de redução de danos e ações voltadas ao acolhimento desses usuários no SUS, evidenciando a necessidade de preparação crescente da Atenção Primária e da Rede de Atenção Psicossocial para responder a esse novo perfil de demanda.


Um congresso voltado à inovação na gestão municipal


Ao longo dos quatro dias do XXXIX Congresso do CONASEMS, experiências de todo o país demonstraram como os municípios têm buscado soluções inovadoras para enfrentar desafios cada vez mais complexos da saúde pública.


As apresentações do último dia reforçaram que problemas como obesidade e saúde mental exigem respostas integradas, combinando redução de risco, organização das linhas de cuidado, incorporação criteriosa de novas tecnologias e fortalecimento da Atenção Primária, sempre considerando a sustentabilidade do SUS e a necessidade de ampliar o acesso para uma população crescente que necessita de cuidado.


A empresa Sanofi apoiou a participação do FórumCCNTs no XXXIX Congresso CONASEMS 2026, sem qualquer influência sobre os textos e outros formatos de cobertura do evento pelo FórumCCNTs.

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