top of page

Atenção Primária mais resolutiva: tecnologia, participação social e integração para fortalecer o cuidado no SUS

  • Foto do escritor: FórumCCNTs
    FórumCCNTs
  • há 9 horas
  • 3 min de leitura

Além da ampliação da atenção especializada, um dos temas mais presentes no 39º Congresso Nacional do CONASEMS foi o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde como eixo estruturante das Redes de Atenção. As iniciativas apresentadas demonstram que ampliar o acesso não depende apenas da criação de novos serviços, mas também de qualificar a capacidade diagnóstica e resolutiva das Unidades Básicas de Saúde (UBS), reduzindo encaminhamentos desnecessários, acelerando diagnósticos e aproximando o cuidado da população.


Outro debate importante abordou a evolução da participação e do controle social no SUS. As discussões destacaram que o fortalecimento dos Conselhos de Saúde e dos mecanismos de participação da sociedade deve acompanhar a transformação das redes de atenção, passando de um modelo focado predominantemente na fiscalização administrativa para uma atuação cada vez mais orientada pela avaliação de resultados, equidade, regionalização e qualidade da assistência. Essa perspectiva dialoga diretamente com a defesa histórica do FórumCCNTs de uma participação social mais significativa das pessoas que vivem com condições crônicas na formulação, implementação e avaliação das políticas públicas.


Entre as novidades está o fornecimento de um amplo conjunto de equipamentos para UBS de todo o país, incluindo eletrocardiógrafos digitais, espirômetros, retinógrafos portáteis, ultrassons portáteis, desfibriladores externos automáticos, dopplers vasculares, dermatoscópios, câmaras frias para vacinas e diversos outros dispositivos capazes de ampliar significativamente a capacidade diagnóstica e assistencial da Atenção Primária. A expectativa é que esses investimentos permitam maior resolutividade local, reduzam filas para especialistas e fortaleçam o cuidado contínuo das pessoas que vivem com condições crônicas.


Essa estrutura física passa a ser potencializada por diferentes programas nacionais de teleassistência. Um deles, coordenado pelo HCor e pelo BP, A Beneficência Portuguesa de São Paulo em parceria com o Ministério da Saúde, já reúne 950 instituições participantes, sendo aproximadamente 800 unidades do Hcor e 150 do BP, com 55% das instituições pertencentes à rede pré-hospitalar. O programa já contabiliza 8.367.555 laudos especializados emitidos e 81.950 teleinterconsultas, permitindo que exames realizados nas UBS sejam interpretados rapidamente por especialistas, apoiando as equipes locais na tomada de decisão clínica.


Outro destaque foi a experiência apresentada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), voltada à organização da linha de cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). O programa já conecta mais de 1.700 municípios, distribuídos em 15 estados e no Distrito Federal, utilizando tele-eletrocardiografia e protocolos integrados entre UBS, SAMU, UPAs e hospitais de referência. A iniciativa busca enfrentar um dos maiores desafios da assistência cardiovascular: reduzir o tempo entre o início dos sintomas e o tratamento. Os dados apresentados reforçam essa urgência, mostrando que 25% a 35% das pessoas morrem antes de receber atendimento médico e que 40% a 65% dos óbitos acontecem na primeira hora após o início dos sintomas, evidenciando o impacto que redes organizadas podem ter na redução da mortalidade.


As apresentações também reforçaram que uma Atenção Primária fortalecida precisa ir além do diagnóstico e incorporar estratégias efetivas de redução de riscos. Nesse contexto, a vacinação recebeu destaque especial, incluindo a apresentação de estudos que avaliam a ampliação do uso da vacina contra a dengue (Qdenga®) em pessoas com 60 anos ou mais e indivíduos com CCNTs. Para o FórumCCNTs, a imunização deve ser entendida como parte integrante do cuidado às pessoas que vivem com condições crônicas, juntamente com a ampliação das coberturas contra influenza, COVID-19, pneumococo, vírus sincicial respiratório (VSR), herpes-zóster e outras condições de saúde imunopreveníveis que aumentam o risco de complicações, hospitalizações e óbitos.


As condições respiratórias também dialogam diretamente com essa estratégia de fortalecimento da Atenção Primária. A incorporação de espirômetros, telemedicina e protocolos clínicos permite diagnóstico mais precoce e melhor acompanhamento de pessoas com asma e DPOC, reduzindo exacerbações, internações e custos para o sistema de saúde. Da mesma forma, equipamentos como retinógrafos, eletrocardiógrafos e ultrassons portáteis ampliam a capacidade de rastreamento de complicações do diabetes e das condições cardiovasculares, favorecendo um cuidado mais integral e oportuno.


As experiências apresentadas ao longo do congresso apontam para uma direção comum: fortalecer o SUS não significa apenas ampliar a oferta de serviços especializados, mas construir uma Atenção Primária cada vez mais equipada, conectada, integrada e orientada pela participação social, capaz de reduzir os riscos de CCNTs, diagnosticar precocemente e coordenar o cuidado das pessoas ao longo de toda a rede de atenção. Esse modelo é particularmente relevante para responder ao crescimento das condições crônicas e às necessidades de uma população que envelhece rapidamente.

bottom of page